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À Noite, No Museu

Bolsonaro as a monkey in
I was going to put Bolsonaro’s face on Ben Stiller’s body but that seemed like it gave him too much credit, so….

É provável que vocês tenham ouvido a notícia da semana passada sobre o Museu Nacional no Rio de Janeiro, onde houve um incéndio catastrófico que destruiu a maior parte do seu espólio de vinte milhões de peças, que constituiu a maior colecção etnográfica e histórica na América do Sul.
Claro esta é uma a tragédia para o povo do Brasil e, ainda por cima, para o mundo em geral. Tantos tesouros sem preço e insubstituíveis deixam um buraco negro na memória da humanidade. Com certeza, existem lições que os gerentes dos museus do mundo devem retirar, sobre como cuidar dos seus conteúdos. Esperemos que as aprendam. Sobretudo, esperemos que os políticos que controlam os orçamentos dos museus proporcionam dinheiro suficiente para fazer as mudanças necessárias. Claro, para o Museu Nacional, é tarde de mais, e a lição seria “casa roubada, trancas na porta”.
Eu já li vários artigos sobre a situação no Brasil, e é interessante de ver como esta tragédia encaixa-se no debate político. Por um lado, há a questão de se o governo actual é culpável, até certo ponto, pela falta de segurança, e por outro lado, este museu continha um registro verdadeiro da diversidade e riqueza de historia brasileira que contradizia a narrativa da extrema-direita, e o seu líder, Jair Bolsonaro. Já que o registro está perdido, tornar-se-á mais fácil para autoritários afirmarem que Brasil é um país homogéneo, e os índios, negros, refugiados venezuelanos, e o resto da “escória do mundo” não se encaixam lá?

Para quem quiser mais informações, eis os artigos que eu li antes de escrever este blog:
Museu Nacional Do Brasil. Um País À Procura De Si Perde O Arquivo Onde Podia Encontrar As Respostas.
Contra-Revolução Autoritária: Brasil Alerta Máximo
Lições a tirar da tragédia do Museu Nacional, no Rio de Janeiro

[Uncorrected] É mais de possível que fiz muitos erros factuais aqui. Confesso que o Brasil não é um país cuja politica anda sempre na frente dos meus pensamentos, e isso é apenas o que retirei de uns artigos que, talvez, eu mal entenda. Parece um assunto interessante mas estou a escrever exclusivamente para praticar e não para dar uma opinião considerada e baseada em evidencia. Se fizesse tal erros, ficaria interessado nas suas opiniões mas espero que não vou ofender ninguém!

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Apenas Tolos e Cavalos.

I came across a new phrase the other day “Chico Espertice”, which is the quality attributed to a Chico-Esperto. What’s that? Well, a Chico-Esperto is apparently an unscrupulous, opportunistic chancer who takes the piss at any opportunity. There’s an article about Chico-Espertice here in Visão, in the context of last year’s disastrous wildfires. A few people have been caught jumping the queue, submitting bogus forms and claiming compensation for outbuildings and holiday homes ahead of those who lost their main residence.

It seems like there’s a tendency to tut and turn a blind eye to this sort of sharp practice, seeing it as an unavoidable, and even endearing trait (if this seems weird, just remember some of our best-known sitcoms, notably “Only Fools and Horses” revolve around the british equivalent of the Chico-Esperto), but in this particular instance, it’s a harmful form of fraud and – she hints in the last paragraph – may involve the people who were meant to be acting as stewards for the funds, in which case it arguably goes beyond mere piss-taking and into actual corruption.

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A Pimenta

IMG_20180731_35755I asked about this on iTalki but didn’t get any useful answers. The hotel we stayed at earlier this summer had pepper grinders on the table, but instead of having normal black peppercorns in them, they had allspice (aka Jamaican pepper). I wondered if this was common in Portugal or if someone had just got confused in the hotel kitchen.

I still don’t know, but if anyone else does, I’d be interested to hear about it.

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Licença Para Protagonizar

Havia uma questão bastante polémica nas redes sociais na semana passada; um boato de que o realizador dos filmes de James Bond pensa em escolher Idris Elba para protagonizar o espião no próximo episódio. Ele seria o primeiro actor negro neste papel caso isso aconteça.

UntitledOra bem, para os fãs dos livros (e para racistas também, obviamente!) isto pode ser um problema. Leitores frequentemente se queixam que realizadores de filmes não usam fidelidade o suficiente quando adaptam livros para o cinema. Há excepções, claro: de vez em quando, um realizador escolhe um elenco muito diferente para sublinhar um aspecto do enredo (por exemplo, um Othello Branco numa cidade de mouros, ou um Hamlet feminino). Noutros casos, realizadores fazem filmes baseados em livros estrangeiros e adaptam-nos para usar actores da sua própria nacionalidade para evitar a necessidade de usar legendas. Nenhum destas situações descreve o situação com James Bond.

Mas há uma problema para quem quiser se opor qualquer actor que não cabe no modelo de Ian Fleming: de acordo com os livros, Bond é branco sim, mas também é velho o suficiente para ter lutado na segunda guerra mundial. Se se importa com o personagem original, deve perceber que o Elba é velho demais para protagonizá-lo, mas é mesmo assim para qualquer outro candidato!

Na minha opinião, existem duas opções: um é aceitar o facto de que Bond deixou de ser um personagem literário. Tornou-se uma “marca”, tal como o Doctor Who que pode (por causa de ser um alienígena!) assumir qualquer rosto, nacionalidade ou sotaque. O segundo é deixar James Bond reformar-se. Ele é um guerreiro antigo de uma época passada. Hoje em dia, precisamos de novos heróis!

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Segredos da Língua Portuguesa (Marco Neves) #3

O terceiro capítulo do meu livro é o meu favorito até agora. É um discurso sobre línguas e as suas ligações aos conceitos de identidade nacional e fraternidade entre países. Faz referência  ao “imperialismo linguístico” de Vladimir Putin e as tácticas de ditadores de todas as épocas, em que a língua nativa do povo subjugado se esconde, ou ainda melhor se elimina da escola e da praça pública para que possam arrasar o espírito das pessoas. Também se trata da topografia das línguas que surgiram da raiz latina na Europa, evoluíram por percursos diferentes, e escolheram as suas próprias ortografias. O alvo do autor, digamos assim, é o Acordo Ortográfico, que tem o objectivo de apagar as diferenças entre o português brasileiro e o português europeu (ou seja entre as formas escritas), de maneira a apagarem pequenas diferenças que uma grande parte do povo do país mais pequeno considera muito importante para a sua auto-estima. Portanto, tem-se encontrado uma resistência teimosa por pessoas que se sentem ameaçadas por uma cultura mais poderosa.

O capítulo é muito interessante e alimenta mesmo a reflexão. Além disso*, é escrito num estilo muito nítido. Apesar da complexidade do assunto, até um estudante de Português, tal como eu, poderá entender.

Thanks to Sofia and Carla for the corrections

*=I wrote “ainda por cima” which means the same kind of thing but it’s more negative. This bad thing happened and ainda por cima this even worse thing happened as opposed to “além disso”: I baked a cake and além diddo I made biscuits too

 

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O Amor Infinito Que Te Tenho

Livro do Paulo Monteiro

Hum… O livro tem 60 páginas e contém 10 contos. Obviamente, estamos na presença dum autor que usa um estilo bem lacónico. As histórias são esquisitas, escuras, perturbantes – mais parecidas com os contos de Franz Kafka do que um BD tradicional. Na verdade, apenas dois contos têm a marca duma BD: balões de texto. Os outros são, propriamente, pequenas peças de ficção, alguns pouco maiores do que um tweet, ilustrados com desenhos escuros ou arrepiantes. Fico contente por ter lido mas não tenho a certeza se apreciei. Vou colocá-lo numa prateleira longe da minha cama para não ter pesadelos.

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The Shipping Forecast

I think this might be my favourite example of weird english slang being absorbed into portuguese. So far I have only come across brazilian examples, but like the US and UK, these things have a way of making their way across the atlantic. For those of you who don’t have kids of a certain age, “shipping” is when you speculate/imagine/fantasise about two people, real or imaginary, who are, or should be in a relationSHIP. From what I can tell, tween girls seem to do it a lot with males: fictional characters, pop stars, or whoever. I’m not sure why their being gay should be so exciting, but who can understand anything when it comes to tweenagers? Often there’s a ship name like Rydon (Brendon Urie and Ryan Ross) or Klance (Keith and Lance from the series Voltron). It’s always kinda been around in celebrity gossip (Brangelina, for example) but seems to be a huge deal in fandoms, with people arguing over matches between diverse and unlikely characters.

I just love that it’s become a proper portuguese verb, although I’m a little sad to see it’s not on conjuga-me.net yet. Most new additions to the language from english end up being AR verbs because they’re more regular than ER or IR.

The video below contains (a) brazilian accent and (b) coraçõezinhos

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1986 A Série – Opinião

34983707_1693274110769703_6285563171725901824_n(1)Uma das contas portuguesas que eu sigo no Instagram é a do Nuno Markl. Durante o ano passado começou a deixar indicações dum novo projecto – uma série de comédia que estava a escrever sobre as eleições de 1986 entre o socialista Mário Soares e o conservador Diogo Freitas do Amaral. O Markl é conhecido (entre outras coisas) pela sua nostalgia dos anos oitenta e o seu amor pela cultura daquela época. Fiz 17 anos em 1986 e por isso fiquei muito entusiasmado para ver o resultado. Não temos canais portugueses aqui em casa – ou seja, se existem, não faço ideia de como encontrá-los, porque há demasiados botões no comando. Mas não me importo porque o site da RTP está disponível para os coitados dos cidadãos do Brexitland, o site deixá-nos ver os programas culturais dos nossos amigos e vizinhos.

Cá para mim, como estrangeiro, o estilo da série parece uma mistura de dois estilos: o da série americana de hoje, e o duma comédia daquela época. Há 13 episódios, cada um entre 40 e 45 minutos. A cinematografia é bastante moderna mas às vezes os actores utilizaram duplos olhares e expressões faciais muito exageradas, como os actores de comédias tradicionais. A trama trata-se dum grupo de adolescentes. O primeiro é o Tiago, fã dos Smiths (a minha banda preferida!), e filho dum comunista que deve “engolir o sapo de Soares”. Ele apaixona-se por uma “betinha”, cujo pai é apoiante do “sacana de facho”. Os dois e os amigos deles enfrentam-se os desafios da vida escolar.

29094830_206249366629505_2264383208869068800_nHavia muitos aspectos engraçados, tal como o sarcasmo da rapariga gótica e a raiva exagerada do pai do Tiago. Também gostei da nostalgia da cultura compartilhada pelos dois países – música, filmes, computadores, roupas e livros. Às vezes tornou-se ligeiramente auto-indulgente, mas gostei apesar disso.

Claro não sou especialista em televisão portuguesa, e custa-me muito entender os sotaques e os ritmos da fala dos actores, portanto é provável que a minha opinião não conte para nada, mas se quiseres saber o que é que pensei, lá está!

Spoiler: Soares venceu. Então não precisas de ver

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Esses Romanos São Loucos

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No sábado passado, a minha mulher levou-me a assistir uma peça de teatro, nomeadamente “Julius Caesar” de William Shakespeare. Quando me disse, pensei que seria no Globe Theatre (Teatro de Globo), que é um teatro muito antigo à beira do Rio Tamisa, que não tem telhado nenhum. Porém, não foi no globo, mas sim no Bridge Theatre (Teatro de Ponta), perto da ponte Tower Bridge, um dos sítios mais conhecidos na cidade.
A peça foi muito bem feita. Os personagens vestiram-se de roupas modernas tal como fatos, uniformes militares e bonés vermelhos. Bonés vermelhos? Sim, como podem adivinhar, a realização da peça devia muito à iconografia da presidência estadunidense. Os atores foram ótimos, o que ajudou imenso, porque Shakespeare pode ser difícil as vezes por causa da língua antiga, mas até à minha filha que tem doze anos e não tem o mínimo conhecimento do enredo entendeu tudo.

notebook_image_883388O que mais me impressionou foi o palco. Porquê? Porque não havia só um palco estático. Após cada cena, empregados, vestidos de estilo militar, ou como agentes do serviço secreto entraram na multidão que rodeava o palco e gritaram “Afastem-se! Vamos!” para constranger os espectadores darem espaço, e então um novo palco surgiu, e a ação recomeçou mesmo ali. Por isso, esses bilhetes na área ao redor do palco são os mais baratos. Mas também são os melhores porque lá estávamos e sentimos como se fossemos cidadãos da “cidade eterna” a testemunhar o assassinato, a ouvir os discursos do Bruto e de Marco António, e a fazer parte da história verdadeira. Foi um dia maravilhoso.