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A Bicicleta Que Tinha Bigodes

41zfljoqz8l-_sx321_bo1204203200_Acabo de ler um livro dum escritor angolano que se chama “Ondjaki”. É um livro para jovens, e o protagonista é um miúdo angolano que mora em Luanda. O argumento concerne a um concurso da Radio Nacional de Angola. Os Ouvintes deviam de escrever uma história infantil, e pelo primeiro prémio, um concorrente ganharia uma bicicleta com as cores da bandeira nacional (vermelho, preto e amarelo).

O miúdo sonhou com aquela bicicleta e fez planos para compartilhá-a com os seus amigos, Isaura e “Jorge TemCalma” (que é designado assim porque nunca tinha calma!). Infelizmente, não têm ideia para uma história, mas o seu vizinho era um escritor muito conhecido e tinha uma caixa cheia de letras* para histórias não publicadas, que inventou enquanto que ele coçava os bigodes. O miúdo decidiu que precisava de roubar aquela caixa e usar uma ideia do escritor para ganhar a bicicleta.

As personagens eram interessantes e credíveis. Por exemplo, a Isaura morava numa quinta e conhecia todos os bichos na área, as lagartas, os sapos, as lesmas, e tinha-lhes dado nomes próprios. Os nomes eram de vários heróis socialistas: os sapos chamam-se Fidel e Raul, e o gato Gandhi, por exemplo. O efeito foi muito engraçado!

*=I’m not sure about “Letras” here. Letras can mean either letters of the alphabet or lyrics of a song, whereas it seems to mean notes or outlines towards a book. The Brazilian (“Angel’s Roses”) who marked it left it in place but the Portuguese teacher who looked at it wanted to correct it. So either it’s an idiomatic use of the word that exists in Brazil and Angola but not Portugal or else maybe it’s a child’s way of expressing what they saw in the box – a lot of letters on a page. In fact, in a couple of places, they talk about seeing “Letters and accents too” so maybe that’s right. They also talk about a magical glow, so maybe the whole description of the box is clouded by fantastical language that I just can’t punch though.

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#HotSummerReading Wrap-Up

9789722328296So I’ve finished my reading for this book blogging challenge and it’s been a brilliant source of motivation to read portuguese in massive (for me) doses. I’ve written reviews of all three books on iTalki and I wanted to make a recorded version as well to make some of the vocabulary stick, and my daughter, who is an expert on vlogging, helped me record it. It’s pretty dreadful though, I’m afraid… I’ve put it down at the bottom where it belongs

The Text Versions

I’m indebted to Natan, Wagner, Samuel, Milena, Gabriel, and especially Sophia and Rubens for their excellent corrections on all these reviews


O Principezinho

O Principezinho é um livro de Antoine de Saint-Exúpery, um autor e aviador francês. Li-o em Francês quando era jovem, e mais uma vez em Inglês quando tinha uns vinte anos porque um amigo deu-me uma cópia. Agora que estou a estudar Português, comprei a versão portuguesa e li-o para parte dum desafio de leitura.
O livro é pequeno, com muitos desenhos (aguarelas) e por isso é muito fácil para um aluno com poucos conhecimentos da língua. O argumento consiste num piloto perdido no deserto. Acho que este piloto é o próprio autor do livro. O seu avião não funcionava e ele estava a tentar consertá-lo. De repente, um rapazinho apareceu. Com as suas palavras primeiras, o rapazinho – o principezinho do título – pediu-lhe que desenhasse uma ovelha. Tinha muitas dúvidas sobre a vida na terra e contou uma historia da sua vida num pequeno planeta e da sua viagem através das estrelas. No caminho, encontrou muitas “pessoas crescidas” que tinham atitudes estranhas de adultos em toda parte: interessavam-se apenas por dinheiro, no seu próprio poder e nos seus trabalhos.
No curso da história, o protagonista fez muitas observações sobre as diferenças entre as crianças e os adultos. Aos adultos falta-lhes* de imaginação. Não compreendem nada por causa da sua obsessão com números. Adoro este livro!

*=Woah! This grammar was contorted into a shape I really wasn’t expecting by the people who marked it


 O Mandarim

Como disse no registo passado, eu tive vontade de fazer parte dum desafio de leitura, e por isso li dois livros portugueses. Actualmente, estou a ler um terceiro – em inglês – e vou escrever sobre ele em português mais tarde.
O segundo livro foi “O Mandarim” de Eça de Queiroz, um famoso autor português do século XIX. “O Mandarim” é um conto muito curto dum homem que tem a oportunidade, por circunstancias sobrenaturais e esquisitas, matar um imperador chinês e herdar as suas grandes riquezas. A história lembrou-me dos livros “Faust” (de Goethe) e “Doctor Faustus” (de Christopher Marlowe). Confesso que não percebi tudo no livro. Hei de voltar a lê-lo mais tarde quando tiver mais tempo, mas no fim, o homem fugiu duma emboscada e regressou a Portugal.
Dentro da capa da minha copia existe um CD com a gravação duma mulher a ler a história, então posso praticar a compreensao auditiva do texto ao mesmo tempo que leio. Há também um apêndice lexical com traduções das palavras difíceis. Infelizmente, um dos capítulos estava ausente no CD, e as traduções são em espanhol! Ora bem, não faz mal. Tenho um bom dicionário e sou perfeitamente habilitado para ler um capitulo sem ajuda!


The Puppet

The Puppet” (A Marioneta) é um livro de Ibrahim Al-Koni. Para ser honesto, estou a escrever este comentário antes de acabá-lo por… Por razões, OK, não importa nada o quais são as razões!
Ora bem, este livro é o segundo duma trilogia. É muito difícil mas muito interessante apesar disso. O argumento consiste num grupo de nómadas Tuaregs. No final do livro passado, acabaram a caminhar no deserto e estabeleceram um aldeia acerca dum oásis. No curso deste livro, a sua sociedade mudaram a seguir às ideias do Ibn Khaldun, um escritor árabe do século XIII. Escolheram um líder novo. Esse líder é a Marioneta do título. Os cidadãos mais ricos começaram a persuadi-lo a alterar as regras para deixarem de utilizar o ouro como dinheiro nas trocas comerciais. Estas mudanças, segundo Ibn Khaldun, enfraqueceram o povo que se preparou para o derrubarem por um novo, o mais forte grupo de nómadas. Ups – Spoiler alert! Isto vai demorar até o livro terceiro…

O jantar está pronto. Não tenho tempo para reler isto nem fazer as correcções. Ora bem, provavelmente haverá mais erros do que normalmente…

The Video Version

My daughter made the background and has recorded her own (english) review of the Little Prince, and answered some of the “Top 6” lists on the #HotSummerReading challenge page.

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Hot Summer Reading

In my effort to step up my language learning and get it on a war footing again (only about two months left till the exams FFS!) I have joined a reading challenge called Hot Summer Reading, which is run by a book blogger I follow. I feel slightly out of place in it since the other participants all seem to be young, portuguese book bloggers who arrange their beautifully-colourful books like displays of fruit, and Instagram them to near perfection. My entries are a bit dingy by comparison. The idea is I’ll read two Portuguese books (“O Principezinho” and “O Mandarim”) and one in English (“The Puppet”) and at the end I’ll write a post or record a youtube video, describing them all, in Portuguese, of course.

There are some other challenges but I’m not sure I can fit those in on top of everything else. They mainly consist of making lists of favourite books, but since I’ve only read a handful of Portuguese books I don’t have much to say about those and it seems a bit obtuse to recommend a long list of books in English to a group of portuguese people, so I’ll just stick with doing it in my own way.

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July Book Haul 

I mostly study Portuguese as an excuse to buy more books. This week it’s “O Principezinho” (The Little Prince) by Antoine de Saint-Exupéry and “Português Atual“, which has all the grammar I need for the B2 exam. I already have a book of Modelos (mock exam papers) but this will be a good way of getting on top of the grammar in the next couple of months.

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Book Review

Europe In or Out: Everything You Need to Know by David Charter

Original (and more detailed) review in English here

22388483Estou a escrever este comentário três dias antes do referendo, por isso, se pensa em lê-lo, venha logo!
David Charter é um jornalista do “The Times” em Londres com um impressionante conhecimento do funcionamento interno do UE. É cético sobre o assunto, mas com uma certa forma de ceticismo: Quer investigá-lo e descobrir o que acontece lá, ao contrário da outra definição de ceticismo, que significa odiar a UE e todas as suas obras para as razões viscerais.
O livro é dividido em duas partes. A primeira parte trata de argumentos a favor e contra o “brexit” que se referem às maiores áreas do mundo político: a segurança, a prosperidade, a paz, a cooperação com os nossos vizinhos no continente, a democracia e algumas coisas assim. Não é surpresa que as maiores dúvidas (a economia, a influência mundial) apoiam a ideia de ficar na UE. Por outro lado, o assunto da democracia é mais difícil de resolver, e depende de como acha do com promisso entre a cooperação, a falta da democracia em Bruxelas e as problemas de segurança por causa das fronteiras porosas. A segunda parte concentra-se nos maiores sectores económicos como o financiamento, a agricultura e a pesca. Claro que o sector dos serviços financeiros será confuso sem as ligações à UE, e é mesmo para a agricultura. Além disso, a pesca, apenas tem muitas regras más, não conseguirá ganhar muito por causa do “brexit”.
O leitor pode fazer as suas próprias conclusões, e os prós e os contras são resumidos para ajudar a avaliá-los.
Uma coisinha que não concordo com o autor é o assunto de dúvidas sobre a situação após o “Brexit”. Ele afirma que esta incerteza vai assustar-nos e por isso vamos ter medo de mudar, mas parece que a verdade é o oposto: a incerteza ajuda a campanha de brexit. Acho que cada “brexiteer” tem uma diferente visão individual da vida no futuro. Algumas esperam que o Reino Unido vá estar na Área Económica Europea (EEA), outros na Área Europeia de Comércio Livre (EFTA) e mais algumas creem que apenas devemos ter um acordo de livre comércio com o continente.
Estas opiniões têm um certo apelo para vários grupos dentro do campo de Brexit, mas não pode acontecer a todos, e por isso, muitas pessoas vão ficar desapontados. Votarão para as suas próprias utopias, mas receberão um governo escolhido por uma pequena minoria.
Esta é a razão pela qual os britânicos devem de ter medo.

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Os Relógios

big-brother-is-watching-youBoa tarde e Força Benfica!*

O meu livro preferido é “1984” de George Orwell. A protagonista chama-se Winston Smith, e vive em Inglaterra no futuro. O livro foi escrito em mil novecentos e quarenta e oito. Naquele ano, Mil Novecentos e Oitenta e Quatro parecia o futuro, apesar de que só tinha quinze anos! É uma “utopia negra” que trata a manipulação da história e do idioma para controlar os cidadãos. Nas páginas dele há muitas frases bem conhecidos por exemplo “Big Brother is Watching You” (“O filho mais velho esta a olhar-te”)
Mas por quê digo-lhe isto? Boa questão.
Hoje, quando estava a falar com a minha professora, ela lembrou-me que os Portugueses usam o relógio de vinte e quatro horas. Por outras palavras, se forem três da tarde, é comum dizer “as quinze”. Agora, em Inglês, isso seria muito estranho. Além disso, é tão estranho que o Orwell utilizou a estranheza como um bom efeito. O livro começa assim:

“It was a bright cold day in April and the clocks were striking thirteen” (quer isto dizer “Estava um dia claro e frio em Abril, e os relógios estavam a tocar as treze”)

Quando um leitor inglês lê isto, os seus pensamentos correm como seguinte:
– Estava um dia claro e frio… [Mm-hm, O clima… bom. É normal. Que mais?]
– em Abril… [a primavera. Que bom. E o que mais?]
– e os relógios estavam [o tempo. O que pode ser mais normal do que o tempo?]
– a tocar as treze [O QUÊ????? Não é possível! Só há doze números num relógio. O que se passou?]

Neste ponto, o leitor deve pegar numa chávena de chá para acalmar-se.
Mas acho que em Portugal, esta frase não parece nada estranha…?
Mais tarde, o leitor descobre que no futuro, muito terá mudado, e uma destas coisas será a medida do tempo.

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*=Para ser honesto, não me importa mas estou a tentar parecer como um português autêntico. Por outro lado, se fosse português estaria a ver o jogo, né? Hum.

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Portuguese Somersault

Eastbourne doesn’t have much to recommend it but it has – or had when I lived there, anyway – an absolute jewel of a bookshop. It was a massive, sprawling affair with three floors and no recognisable system. Sometimes there was a parrot upstairs. And it was there that I first came across a book called “Portuguese Somersault” by Jan and Cora Gordon. I’d never heard of it before and I haven’t heard much of them since, either. To my surprise, though, they are still known today, and there’s a chap who has taken the time to curate a fan site, with biographical details and more about their various travel writings, which you can find at janandcoragordon.co.uk.

The book is actually two books, written in 1926 and 1933, detailing their travels in the country. They are reflective travellers who took the trouble to learn something of the language and to investigate their own preconceptions of the country. Along the way, they made sketches, and these are scattered throughout the chapters as illustrations. Here, for example, is a fish seller blowing into his fish to make them look bigger so he can get a better price. Cool eh?

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I read it yonks ago and can’t actually remember a whole lot of it, to be honest. Maybe it’s due for a re-read. What I do know is that the “Somersault” of the title is a reference to the dramatic change in the country between the two visits. 1926 was the year of the coup that overthrew the Primeira República Portuguesa and established a dictatorship which, by 1933, when they returned, had become known as the Estado Novo (New State), led by António de Oliveira Salazar.

One small, dark detail stuck in my mind that gave me a little premonitory shudder: On page 75, they meet a Portuguese girl who had been separated from her parents during the Great War and left with relatives in Germany. Growing up, she believed herself to be German. When she was finally reunited with her parents, ten years later, she was pleased of course, but it came as a huge shock to her to find that she wasn’t a German at all. What a jolt that must have been to a girl who felt herself to have a “German Soul”. Now, at the age of seventeen, she would have less freedom than before. Worse, she would have to marry a Portuguese man who wouldn’t even understand her German love. Well, I think we can all see how this sort of cultural dislocation would be a shock to anyone. What I thought was telling, though, was when she describes her disappointment at finding out that she wasn’t who she thought she was:

“They want me to be a nice Portuguese girl but I can’t because, you see, I’ve been brought up as a German girl, and I was taught in the school that the Germans are the higher race, aren’t they? Do you see that?”

Jan and Cora note this as a minor personal tragedy but don’t comment on the idea that Germans are teaching children to feel themselves superior to everyone else. And this just ten years from German bombs falling on neighbouring Spain at the start of the Civil War, thirteen years from the start of the Second World War. The Salazar government was neutral in both, but gave military and logistical support to the Nationalist (and German) side in Spain and was broadly sympathetic to Hitler, only staying out of World War Two because of long-standing alliances with Britain.

Well, it’s easy for me, with the benefit of hindsight, to read more into this incident than the Gordons did. I certainly don’t mean to suggest that they should have seen the future in that one little tale, but I thought it was a fascinating little glimpse into what was happening under the surface of Europe in the inter-war years.

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Birthday Swag

The bundle of Portuguese swag I ordered on my birthday has arrived after only five days, which is a lot better than Amazon can manage these days. Nice work FNAC!

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The Postman brought me…

Dias Passados – Walking Dead Vol 1. I’ve never read any of these or seen the series so I guess I might as well use “it’s homework” as an excuse to start.

Os Imortais [Amazon link] by António-Pedro Vasconcelos and starring Nicolau Breyner (who is in just about every film ever made in Portugal) and Joaquim de Almeida (who also gets around, either within Portugal or playing evil Columbian drug barons in Hollywood movies). My cunhada (sister in law) recommended the director so I thought I would give this a try.

O Pátio das Cantigas by Leonel Vieira,which is a modern remake of an old classic. I probably should have bought the old classic, but I’m an idiot so I got this instead

Canção ao Lado and Outras Histórias by Deolinda  [Amazon links here and here respectively] because they are one of my favourite bands now and I can usually understand what they’re saying, more or less.

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Porque é que é difícil comprar livros de escola em segunda-mão em Inglaterra

Em Inglaterra, há muitas livrarias de segunda-mão e muitas “Oxfam shops” (lojas de caridade) que vendem livros muito baratos. Mas quando quis comprar “Portugal, Língua e Cultura”, não o encontrei e tive que pagar muito dinheiro numa loja “online”. Para quê?
Há duas razões. A primeira razão é que não há muitas pessoas em Inglaterra que querem estudar Português. É triste mas verdade. E se alguém quer aprender, não usaria um livro de escola. É mais provável que usasse gravações ou alguma coisa como isso. E a segunda razão é que os livros de escola não são como os romances. Uma pessoa que acaba de ler um romance apenas o lê, mas uma pessoa que acaba de usar livros de escola usufrui-deles*! O livro será com palavras nos espaços vazios! Páginas serão tiradas! O livro será uma ruína!
E por isso, é quase impossível encontrar um livro sem danos e a lei da oferta e da procura causa preços altos.

*= I originally said “destroyed it” rather than “made use of it” but it amounts to the same thing and usufruir is such a good word, cognate with the almost-never-used English word “Usufruct” and giving rise to the idea that the plight of the textbook is akin to the tragedy of the commons.

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