#UNCORRECTEDPORTUGUESEKLAXON

Este livro era uma grande surpresa. Só comecei de lê-lo porque o Bichos de Miguel Torga pode ser um pouco cansativo para um aluno como eu. A historia é dum homem que perdeu o seu pai, não ao morte, mas sim aos livros no sótão:
“E foi nessa tarde que ele, de tão embrenhado, tão concentrado na leitura, entrou livro adentro. Perde-se na leitura. Quando o chefe da repartição chegou à secretaria do meu pai, ele já lá não estava. Havia, em cima da mesa, uns impressos do IRS e um exemplar da A Ilha do Dr Moreau aberto nas últimas páginas.”
O protagonista entra no mundo literário à procura do seu pai, a viajar de livro para livro, e no caminho encontra um cão (que ele acredita seja o Edward Prendick, herói do livro “A Ilha do Dr Moreau” de Jules Verne), o senhor Hyde, o Raskolnikov do “Crime e Castigo” e outros personagens da literatura do mundo. O livro é curtinho, com capítulos curtos também. Lê-se muito bem, muito suave, e (qual é o mais importante para mim!) muito fácil. Quase nunca precisei do dicionário e consegui rir as piadas e os absurdos da historia sem explicação. Já tenho mais um livro pelo mesmo autor e já meti-o perto do pináculo do gigantesca montanha que chamo o meu TBR.
Comecei a ler “A Costa Dos Murmúrios” de Lídia Jorge no inicio de Outubro, mas custou-me muito entender o enredo. O livro desenrola-se em Moçambique, no principio dos anos setenta, durante a guerra colonial e tem que ver com o horror inerente a um sistema daquele género, baseado em violência e arrogância que envenena as vidas das pessoas assim como o álcool metílico envenenou as pessoas que beberam o vinho logo do início do livro.

É uma verdade universalmente reconhecida que um filme baseado num livro não é nunca tão bom como o próprio livro. Um bom exemplo é “Watership Down”.
Os restantes da união têm-se desenvolvido a um caos. Regiões, cidades ou até parques nacionais, tornaram-se pequenos estados, que se chamam “polities”, com os seus próprios governos, leis, passaportes e exércitos. O continente é entrelaçado por redes de espiões e criminosos implacáveis. O herói é um daqueles espiões, membro duma empresa privada que faz varias espécies de coisas sombreadas. Não vou dar spoilers mas é muito entusiasmante e perto do fim, durante as últimas quarenta ou cinquenta páginas, ele e os seus companheiros descobrem uma nova conspiração mais profunda, que prepara o resto da trilogia. Mas tive sentimentos mistos sobre isto, porque mudou a atmosfera do livro. A torção do enredo tem a ver com algo quase sobrenatural, que se encaixa melhor no género de fantasia fiquei ligeiramente chateado mas é provável que faça mais sentido no contexto da trilogia. Vou ver porque vou encomendar os outros livros.