Hoje é o dia mundial da língua portuguesa, durante o qual as nações da CPLP celebram o idioma que as une. Teria preferido fazer algo fora do comum para celebrar (por exemplo usar uma vírgula corretamente) mas estava a trabalhar portanto acabei por fazer a rotina habitual e mais nada.
I’ve been enjoying these lads – Bacalhau No Azeite – doing their rap videos on Instagram. It’s not exactly Kanye West but they have lyrics so I can follow what they’re saying and I quite like that. Strong recommendation for anyone who likes rap but isn’t too purist about it (or rather “anyone who doesn’t mind seeing the art form butchered in real time”)
I had another go at making this “bread soup” and managed, I think, not to disgrace myself as badly as last time.
I followed a recipe on YouTube and I used some higher-quality bread. It was only sourdough so could have been better still, but it was better than the crappy bread I used last time. And I used slightly vinegary water from the egg poaching instead of chicken stock.
Verdict: 7/10. I liked it, anyway.
And here’s a bunch of lads singing about it. It’s a roundabout way of doing it but he’s actually pretty much singing the recipe. Lyrics here if (like me) you have trouble tuning in to what he’s saying.
Fiz mais uma tentativa de fazer açorda à alentejana. Desta vez, usei pão melhor e segui a receita rigorosamente. O resultado… Provavelmente não ficou perfeito mas não me senti envergonhado quando experimentei a primeira colherada.
…who likes to prance about pretending to be a scientist, even though my degrees are in barely, tangentially scientific subjects, I enjoy reading this twitter account. It’s Brazilian, so I have to keep my wits about me, but the memes are actually pretty funny, even if about one in ten go completely over my head. And as a bonus, I get familiar with sciencey words without having to torture myself by working through a memrise deck of chemistry terminology or whatever.
Chegou uma nova planta ao nosso lote de terra na horta comunitária. Tem flores delicadas e brancas. O tronco tem três lados planos, na forma de um triângulo. É muito parecido às várias flores como, por exemplo, whitebells (não sei o nome em português mas é uma espécie de jacinto), snowdrops (galanthus) ou lírio-do-vale. Fiquei curioso e perguntei a um outro subreddit: será que alguém conhece esta flor? A sua resposta surpreendeu-me. A planta é uma espécie invasiva que veio da Europa. A flor, cujo nome é “Allium Triquetrum” (“alho de três cantos”, ou, na Austrália, cebola daninha), é membro da mesma família do alho e do alho francês. É muito saborosa mas, logo que se estabelece num sítio, as sementes e as raízes espalham-se por todo o lado e, em breve, deslocam as plantas nativas. Por isso, é ilegal plantar em lugares selvagens neste país. Mas de onde veio esta planta na margem da lote? Dei uma volta pela horta. Do lado de fora da cerca existem centenas de flores brancas. No canto da rua, perto da escola, há mais umas dezenas. E, ligeiramente mais distante, à beira do Rio Tamisa há uma fila destas flores a acenar às ondas.
I’ve written about my grandpa’s memoirs before but I’ve been digging some more and decided to do a longer post about some of his career highlights. Thanks to Dani for the help.
Passei algum tempo no arquivo nacional hoje. Durante a estadia, reli algumas páginas das memórias do meu avô. Meu Deus. Lembro-me dele como um idoso que não dizia muito de interessante ou fora do comum.
Nasceu na Irlanda (que, àquela altura era unida e fazia parte do Reino Unido). Assistiu ao lançamento do navio “Titanic” em 1911 com 8 anos de idade. Depois, a maior parte da Irlanda tornou-se independente mas ele vivia num dos condados que permaneceram no RU. O meu avô costumou ir ter com os habitantes da aldeia durante a noite enquanto eles treinavam como membros dum grupo paramilitar. Erguia uma lanterna para que eles tivessem luz o suficiente. Tinha nove anos. Nove. Estavam constantemente à espera duma emboscada dos católicos. Um dia um navio trouxe um carragemento de armas oriundas da Alemanha para abastecer os paramilitares protestantes. Porquê? Acho que tem algo a ver com a Grande Guerra que teria lugar dois anos depois: os protestantes não queriam lutar com França (católica) contra os alemães (protestante) portanto seria vantajoso para a Alemanha se os protestantes ganhassem mais poder no país.
Muitos anos após a divisão* da Irlanda, o meu avô trabalhava num hospital na Birmânia quando os japoneses invadiram. Era responsável por muitos doentes de cólera e permaneceu até ao último minuto, muito depois da maioria dos ingleses se terem ido embora. Antes de sair, explodiu os carros abandonados para não dar aos invasores oportunidade de usá-los. Ganhou uma medalha por destruir carros. Hoje em dia há quem destrua carros sem incentivo mas, sei lá, ele tinha um talento.
Participou na guerra como médico militar.
O irmão dele, que também vivia na Birmânia, bazou na mesma altura, mas voltou ao país no ano seguinte com as forças especiais para cometer atos de sabotagem. Foi atingido por uma bala, foi preso e morreu numa prisão japonesa em 1943.
Após a guerra, o meu avô também regressou à Birmânia. Trabalhava no hospital de Rangoon em 1948 e ajudou a mãe do cantor Nick Drake quando ela deu à luz.
E estes são apenas os fatos que já sei da sua vida intensa!
*I wrote “partição” (partition) but that was changed. That sense of the word does exist but seems not to be the narural one to use in this context.
Well, first of all, it can be used as a sort of “we” pronoun as discussed a little while ago. But putting that aside, Gente usually means “the people” and it’s a bit confusing because unlike in English, it’s singular. In English youd say “The people don’t know anything” but in portuguese, “A gente não sabe nada”.
This can get a bit weird though. How long do you carry on this crazy charade that yiure taking about one person when really you might be talking about dozens?
I had an exchange with someone the other day in which I expressed disapproval of people who denounce books without reading them.
“Há gente que não LIU (…) mas DIZ (…)” **and then in the following sentence, I just had to switch it up. I couldn’t maintain singular verb forms. “DEVEM ler mais e falar menos.”
I asked around and thank goodness u had done the right thing.
“There is (people) that hasn’t read… but says…” Is OK as far as it goes, but when you pull into the following sentence it’s perfectly fine to treat them as a multitude again and say “They should read more and talk less”.
Here’s a recipe I made the other day. I’m told what I made was not a soup but “um crime”. Well, everyone’s a critic… But the trouble is, I’ve seen so many pictures of it, each different from the other, that it was inevitable I was going to fall foul of someone’s judgement. I think maybe it should have been more bread-sauce like but that’s not what my recipe said. Anyway, after some back and forth, it turns out it wasn’t even a proper portuguese recipe because the site I ended up using was an American site, interpreting it their own way, and translated back into portuguese, probably using gtranslate or something. And the title of the recipe was “portuguese bread soup”, not even the fancier name. It was all a bit of a mess really. Oh well, with that caveat, here we go. Thanks to Dani as usual for the corrections and for not reporting me to the PSP for crimes against cooking.
Fiz uma sopa portuguesa ontem. O nome do prato é Açorda à Alentejana. Tínhamos pão com fartura* em casa e não queria desperdiçá-lo. A receita é fácil mas há variações. O método que usei é basicamente o seguinte: pisar(1) uns dentes de alho, uns ramos de coentros e um pouco de sal grosso num almofariz até está tudo amassado
Entretanto, cozer um ovo.
Colocar as papas de coentros e alho numa tigela. Depois, regar com caldo de frango (a maior parte das receitas usam água de bacalhau ou simplesmente água a ferver mas o caldo parece-me mais saboroso) Adicionar as fatias de pão e finalmente o ovo.
O meu verdicto? 3/10, mas irei experimentar novamente em breve quando tivermos pão mais duro, como pão caseiro. E planeio usar mais sal. Adicionei com moderação para ser mais saudável e ainda acho que “uma colher de sopa bem cheia” como diz a receita é muito mas há de haver uma posição intermédia!
Mas não digam à Alentejana que inventou esta receita.
(1) já conhecia este verbo mas nunca vi antes neste contexto!
*I originally wrote “pão farto” following the recipe, but as I said, it’s a translation so that’s probably not a real expression.