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Madeira Dia 2

Acordámos tarde, e comemos pequeno almoço enquanto dez mil pombos tentaram devorar a comida dos nossos pratos.

O primeiro destino do dia foi o Cemitério de Nossa Senhora das Angústias. Não encontrámos o jazigo do que estávamos à procura, ainda que os funcionários tentaram. Saímos com um endereço de mais um escritório onde existe o registo central.

Depois, fizemos as compras no Decathlon (uma lanterna, um fato de banho e mais algumas coisinhas), mas quase fui preso, porque depois de pagar a conta, fui à casa de banho e, ao lavar as mãos, vi que tinha um boné na cabeça que tinha experimentado mas ainda não paguei. Se não tivesse ido fazer xixi teria o roubado. Perto do Decathlon, existe mais uma casa na qual Catarina vivia na juventude. Fomos dar uma espreitadela e ela falou com o dono, que esteve no jardim.

Subimos 147 montanhas até o marido não aguentou mais e depois voltamos para a cidade para comer gelado. Tendo silenciado as queixas do homem, fomos visitar a loja Madeirense Puro, onde falámos com a senhora que faz aqueles vídeos divertidos.

Voltámos para o hotel, nadámos na piscina de água salgado até os nossos dedos tornaram azuis e finalmente fomos jantar num restaurante, onde comi espada com molho de maracujá e banana. Eu nem sequer gosto de peixe assim tanto mas apeteceu-me provar algo novo, e não me arrependi a decisão!

Ainda estamos cheia de sono e provavelmente iremos dormir em breve.

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Madeira Dia 1

Não dormimos muito antes do voo por causa dos nervos. O táxi chegou às 04h15 (quase uma meia hora atrasado!) mas não houve problema e acabamos por ser a quarta e quinta pessoa no avião.

Sinto sempre um terror quando o avião está a descolar, mas estou cada vez melhor em controlar o medo, deixando os meus músculos relaxar, e focando a minha atenção toda em alguma coisa divertida, como por exemplo o desenho animado Rick and Mort que não tem pausas nas quais estarei capaz de pensar em asas a quebrar ou terroristas com bombas escondidas nos sapatos.

E o voo passou sem incidente. Deixamos as malas no hotel e pomo-nos a explorar. A Catarina tem vários lugares da sua juventude que ela quer visitar e hoje visitamos uma escola e uma casa. A escola ainda existe mas passou para um novo edifício, sendo o original uma empresa de imobiliária. A casa, por outro lado, é completamente dilapidada. Foi propriedade do exército e hoje em dia anda abandonada e trancada com folhas de uma planta qualquer a crescer pelas janelas, entre as lâminas das portadas.

A janela do quarto antigo.

Tomámos uma bebida à beira mar mas estamos exaustos e a Catarina ainda está adormecida. Estou a escrever isto às 20h45 mas ela fechou os olhos às 19h e eu irei fechar os meus em breve!

Daylight at 6.15PM. You won’t get that in  England in late November! The sky was blue for most of the time too, just clouding over in the evening.
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O Castelo de Chucherumelo

Almeida Garrett fala da história de Portugal como um “Castelo de Chucherumelo”. Segundo Professor Google o Castelo é melhor conhecido por Chuchurumel, (suponho que há dezenas de versões!) mas é uma lengalenga que descreve uma série de acontecimentos em fio. Noutras palavras é muito parecido (por falar na estrutura) com o nosso “The Old Woman and her Pig“. Mas a velha com o porquinho é um conto infantil, portanto mais vale comparecer com “The Old Lady Who Swallowed a Fly*” ou “For want of a nail the shoe was lost”. Começa com a chave do castelo, e depois a corda que prenda a chave, acrescentando mais um elo à cadeia de cada versículo.

* It’s always the old ladies isn’t it? Something needs to be done about them, causing all this mischief.

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What Comes Next? (Spoiler Alert: It’s Pelicans!)

Então que está a vir nos meus cursos, agora que terminamos as unidades do “Viagens na Minha Terra” e a Padeira de Aljubarrota?

No curso “Temas de Literatura Portuguesa 2025” a próxima leitura será o “Trio em Lá Menor” de Machado de Assis. Entretanto, no curso “Literatura e Cultura Portuguesas – Época Moderna 2025”, o próximo tema é “D. João II – O Princípe Perfeito?”

Existe uma estátua do D. João II no parque das nações, de 7 metros de altura, mas é tão abstrato que há quem duvide que a obra não tem nada a ver com o rei. O docente do curso afirma que o escultor provavelmente queria referenciar o emblema* do rei. O emblema de um pelicano a bicar o seu próprio peito para alimentar os filhos. É algo que fazem. Quem sabia? Mas a imagem não é de origem monarquista; foi originalmente uma imagem católica, simbolizadora do sacrifício de Jesus e de como, durante a missa, o padre dá aos fiéis um peça de pão que simboliza o carne do senhor, e um copo de vinha que representa o sangue dele.

Eu como ateu – mas ateu protestante! – nunca imaginei o messias como uma ave gulosa, mas talvez tenha perdido alguns pormenores durante a minha leitura da Bíblia quando tinha vinte e tal anos. Mas segundo a Wikipédia, a ave aparece nos brasões universitárias neste país, em na maçonaria e em vários outros lugares, e segundo o docente, também foi adotado como logótipo de um banco. Aprendi tantos factos novos num só vídeo de 5 minutos!

*Oooh! Emblema! That’s a word I haven’t used before!

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This Fella

A minha esposa partilhou este vídeo e mais 8 (!) da mesma pessoa. Tem uma voz muito “asmr” e escolhe poemas incríveis. É um jovem que ama poesia e que valoriza a literacia em geral. Já publicou um livro das suas próprias obras. Os seus vídeos até têm legendas! Recomendo como boa opção para quem quiser descobrir a poesia portuguesa.

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A Padeira de Aljubarrota Está de Volta

Sorry, I’ve no idea what anyone reading these updates is making of them: they’re all just formless, unedited brain-dumps of the texts I’ve been reading on the Literature and Culture course unit. I´ve got so used to using this blog as a way of processing and recording things that I´ve lost the ability to just write stuff down in a book.

As I write this, I have just finished sending my first ever essay to the Universidade Aberta. I

Já conheces a Padeira de Aljubarrota, não conheces? Já falei sobre a sua lenda aqui mas faz dezenas de referencias a história por exemplo isto.

Inês de Castro, a senhora mais bela (segundo as lendas escritos por homens) da história de Portugal agora cede lugar a Brites de Almeida que foi (segundo os mesmos homens) a mais feia e a mais sobrededada*. A segunda parte do curso tem a padeira como assunto, portanto dirijo-me para o campo de batalha onde os espanhóis derrotados afastam-se do exercito e correm em direção a um inimigo ainda mais assustador…

Me showing off in other people’s comment section on Instagram. The timeline is off obviously – Brites de Almeida had been in the ground for centuries when the peninsular war happened, but I like the idea that all portuguese bakers follow her example.

Os Livros Populares Portuguezes (Folhas Volantes ou Litteratura de Cordel) – Teófilio Braga

Este texto descreve a origem da tradição de “literatura de cordel” em Portugal e situa um panfleto – “Auto Novo e Curioso da Padeira de Aljubarrota” neste tradição.

Literatura de cordel surgiu de tradições mais antigas, satíricas ou religiosas, que foram dramatizados nas cidades, mas o formato dos livrinhos era que deu o nome ao género. Foram impressos em folhas soltas, penduradas em cordéis e vendidas por cegas. Existiam até no século XVI mas algumas leituras foram vítimas dos índices expurgatórios**

Houve um renascimento da literatura popular no século XVIII, fomentando uma ligação entre as várias tradições orais e a imprensa. O “Auto Novo e Curioso da Padeira de Aljubarrota” (ou “Forneira” – depende da edição) saiu em 1743 mas encontra-se nos catálogos populares no Porto em meados do século XIX. Segundo o historiador, o autor, Diogo da Costa foi pseudónimo de um professor de gramática, André da Luz

“Auto Novo e Curioso da Padeira de Aljubarrota” Diogo da Costa

Segundo a leitura anterior, “é uma relação alambicada e conceituosa” e concordo que a história é tortuosa mas não o achei assim tão sentencioso. Um pouco, sim, mas a narrativa continua em frente come cena após cena de ação. É picaresco e às vezes sangrento. Além dos espanhóis, ela degola um turco (e os filhos dele), fere de morte um homem que quer casar com ela, e mata um bando de ladrões. Estou a esquecer alguém? Sei lá.

O que mais me marcou é que o conto não tem nada de patriotismo no retrato da padeira. No primeiro parágrafo, o autor descreve a terra dela como “a famosa, e sempre leal Cidade de Faro” e salienta as origens humildes de Brites de Almeida. Estes dois elementos podem ser atributos de uma heroína popular, mas as ações dela surgem da amizade aos portugueses, ódio aos criminosos e donos de escravos, proteção da sua propriedade (o forno) mas amor da pátria, nem por isso!

“A Padeira de Aljubarrota: Entre Ontem e Hoje” (Capítulo 4) Cristina Pimenta

Espero que não errei em escrever o título. De acordo com o arquivo, é simplesmente “A Padeira de Aljubarrota” mas fiz uma pesquisa e acho que este é o único livro que ela escreveu.

O livro mostra a evolução ao longo dos anos, desta figura mítica, ela foi adaptado pelos autores de cada época para fortalecer o espírito nacional:

  • Restauração (1640) A evocação da padeira em contextos religiosos e historiográficos deu legitimidade á nova dinastia de Avis.
  • Século XVIII Em tempos de calma, a história foi tratado mais levemente e foram acrescentados mais pormenores à lenda (foi durante este século que foi escrito o antes mencionado “Auto Novo…”).
  • Século XIX Numa era de romantismo e liberalismo a história foi apropriado como símbolo da regeneração nacional após a derrota do Miguelismo*** Também surge como personagem no livro “A Abóbada” de Alexandre Herculano or causa do seu valor simbólico.
  • Século XX Como é óbvio, uma figura tão trabalhadora, valente e simples representa um oportunidade ao Estado Novo que colocou a padeira em selos dedicados á independência da república. Também apareceram versões Salazaristas da lenda, editado pelo Secretariado da Propaganda Nacional. Além dos já existente virtudes, o regime acrescentaram moralidade e defesa da pátria.
Once you know who she is you realise she’s pretty much everywhere in Portuguese humour.

* Not a real word, obvs. I am trying to say she is “over-fingered” because she supposedly had six on each hand

**I should probably do a blog on Censura in Portugal at some point – it’s listed here though if you’re interested.

***I should probably know what this is but I don’t