Marco Paulo já faleceu. Era lendário (ou até legendário?) como herói da pop tuga nos anos oitenta. A Catarina lembra-se bem dele (foi ela que me informou) e a Olivia também adora uma música dele, que forneceu um assunto de um texto do ano passado. Não é nada fácil explicar a nostalgia que sentimos pelas canções da nossa juventude: a canção deixa-me boquiaberto, mas não cresci naquele lugar naquela altura, por isso entendo as saudades de quem sente a sua falta, ainda que não sinta a mesma emoção.
Este conto faz parte de uma série, editada na primavera deste ano, de livros com nomes de cidades*. Que eu saiba, não são histórias originais: não tenho certeza, mas eu sei que Rita Ferro escreveu um livro chamado “Brevíssimo Dicionário dos Snobes: Lisboa, Cascais e Mais“. Suponho que este livro é um extrato daquela obra maior, em edição capa dura, com fotos bonitas uma tradução inglesa alternando com a versão original. Ou seja, é uma isca para turistas. Vende-se nos museus, lojas de recordações e outros lugares onde os otários estrangeiros podem ser encontrados. A capa é azul com uma foto da Casa das Histórias Paula Rego no centro, o papel é suave, cheira bem e, no final das contas, este livro, como um objecto do consumerismo é altamente satisfatório.
(Aliás, o livro também se refere à história do “suicídio” de Alistair Crowley, com ajuda de Fernando Pessoa perto da Boca do Inferno, ao oeste de Cascais. Já conhecia a história porque aparece na BD Crónicas de Lisboa. Podes ler a história aqui e há um bónus: contem a expressão “voltar à carga“)
Mr Crowley, what went on in your head?
*I tried “nomeados por cidades” – likely too literal translation of “named after/for cities” but it doesn’t work.
I liked what this fella had to say about subjunctives in his recent video. It’s a subject we anglophones don’t really use much, but most latin languages make a much bigger deal of it. I have read a few french books and it definitely doesn’t get as much of an airing in that language as it does in portuguese, but I think the principles and the rationale behind it carries across between languages, so the points he makes here about french, spanish and italian still hold, I think. I won’t try and summarise them – if you’re reading this and you struggling to put some junc in your trunc, have a look for yourself.
Nos últimos dias, completei o puzzle, ouvindo mais áudio português, incluindo alguns episódios do Assim e Assado com Marco Neves e Sam the Kid. É uma série ótima!
Terminei um livrinho e estou quase a chegar ao fim da coleção de contos que estava a ler em Lisboa.
Tenho 6 exercícios do PEF no saco.
Finalmente, criei um cartão de Bingo com várias palavras para usar na próxima aula. Acho que sou capaz de terminar o PEF amanhã, e depois passo para o primeiro modelo.
Cuidado Com o Cão é o segundo livro de Rodrigo Guedes de Carvalho que já li e gostei mais do que o primeiro (mas li o primeiro há três anos e tal, e custou-me ouvir um audiolivro inteiro naquela altura!)
O romance conta as histórias de várias pessoas cujos destinos parecem estar interligados, e de quatro cães, que igualmente podem ser o mesmo cão(!)
Comecei o livro há meses mas deixei de ouvir porque não tinha tempo. Voltei ao início em Outubro e retomei a história durante a minha estadia em Portugal. Fez-me companhia durante as horas a caminho entre vários lugares interessantes. O narrador é excelente e gostei dos pensamentos das personagens mas também adorei as divagações sobre as suas obsessões musicais. Explica-se bem os laços que nos ligam aos cantores que nos chamam a atenção.
Recomendo este livro para quem quiser experimentar um audiolivro português que seja mais adulto do que, por exemplo, O Principezinho, mas que não quer sofrer com um narrador que não fala nitidamente. Está tão bem lido que um ouvinte de nível B2 ou mais consegue entender.
Acabo de ler o livro que comprei no Festival Iminente, sobre a arte de Tamara Alves. Há pouco texto no livro e é bilíngue, mas ignorei o texto inglês porque não sou cobarde!
O livro consiste em quadros exibidos nas galerias como Galeria Underdogs em Lisboa, e em murais ao ar livre. Os quadros são excelentes: não há dúvida de que a artista é talentosa e sabe desenhar figuras realistas, mas também cria desenhos mais abstratos ou fantasmagóticos… Hum queria dizer “fantasmagóricos” mas acho que a minha gralha produziu, por engano, um adjetivo que até serve para descrever vários! São mais ou menos realistas, e incluem corpos e caras humanos e, às vezes, lobos. Fizeram-me lembrar filmes e séries da cultura popular, principalmente um filme do Studio Ghibli, chamado A Princesa Mononoke.
Mas para mim, os murais é que dominam a obra. O estilo da artista fica bem nas paredes da cidade. Em alguns exemplos, parecem fazer parte da paisagem. E os fotógrafos que tiraram as fotos exploraram o formato do livro para acentuar a beleza do ambiente em volta de cada um. Acima de tudo, gostei de um mural no qual o rosto de uma mulher é dividido em duas metades: uma velha pintada a preto e branco e uma mais nova e colorida. O fotógrafo dispôs a imagem numa página dupla com a divisão mesmo no centro, na divisão entre as duas folhas.
Num outro exemplo, um mural aparece entre duas árvores à noite. O fotógrafo iluminou a cena, mas a luz iluminava as folhas da árvore. Acho que usou um tempo de exposição longo porque as folhas, que flutuam ao vento estão tremidas estão bem iluminadas, que dá à fotografia um ar onírico.
I’ve got obsessed with this line of dialogue. There’s nothing special about it, but it feels like she’s only saying about half of what the subtitles say. If I run my eyes over it without trying to read the individual words, I can map the stream of sounds she’s making back to the text but… Well, they’re hardly words, it’s more like syllable soup.
Ouvi uns podcasts, li o álbum de Tamara Alves, e vi não só um quarto d’Os Gatos Não Têm Vertigens, mas o filme inteiro, com subtítulos. O diálogo é muito rápido, e há pessoas de várias gerações a falar cada um à sua maneira – adolescentes a usar palavrões e calão, bêbados a gritar e velhos a murmurar ternamente um ao outro. Precisei dos subtítulos mas em breve espero que continue sem a “muleta” do texto!
Dei por várias coisas interessantes que não tinha percebido antes, como por exemplo “Balelas”, que significa “mentiras” ou algo semelhante.
Simpatizo com a Dona Rosa nesta cena. O genro dela é um idiota.
Também vim a saber* que “aliança” não só significa um compromisso entre dois países ou grupos para colaborar um com os outros mas também é o anel que simboliza um casamento.
O filme também me lembrou desta canção que já ouvi, porque a Catarina gosta dela. Um dos protagonistas, o Jó, vai com a Rosa numa barca pois ela queria espalhar as cinzas do seu marido mas uma vez que é** ilegal, Jó tem de distrair um homem que está por perto. Pede-lhe lume*** e fala com ele sobre o futebol mas o homem está a ouvir a canção Não Venhas Tarde de Carlos Ramos na Rádio Amália.
Gosto do facto da protagonista ser uma velha. Acho que há poucos filmes que ousam destacar atores mais velhos em papéis como este. A outra personagem, Jó, é secundária e, no início do filme, é mesmo chato. É membro de um grupo de jovens criminosos que lhe roubaram a mala, e é assim que o Jó vem a conhecer a Rosa. Não é muito simpático de todo, mas a Rosa, que é uma pessoa com uma história longa e interessante, vê algo nele que a incentiva a lhe dar um hipótese de redenção.
O Jó tem de superar a sua relação com os seus amigos, que não servem para nada, e com o seu pai, que é um filho**** de puta, mas afinal a Dona Rosa tem razão: o puto consegue endireitar-se e acaba por ser escritor.
O filme não é perfeito mas é mesmo bom e gostei mais desta vez do que quando o vi a primeira vez, anos atrás.
Também curti este trocadilho.
Ao fim do dia, fiz o exercisio de Puzzle Brain, ouvindo o Quarto Livro de Crónicas de António Lobo Antunes enquanto fazia um Puzzle de mil peças. Que malandrice! Segundo o Goodreads o livro, tem 328 páginas mas o audiolivro não dura mais de uma hora! Então, não é a obra completa. Mas por outro lado, é um pouco deprimente e não preciso de mais!
Amanhã, exercícios! Bora lá!
*Shout out to 2021 Colin, who wrote this article that I came across today and had forgotten all about.
**Surprised this wasn’t subjunctive after “uma vez que”. It seems like it depends slightly on how hypothetical you’re being.
*** “Lume” Not “um lume” – too literal translation from “Hev yew got A loight boy?” (This guy is long overdue for a revival IMHO)
****Embarrassingly I wrote uma filha de puta. Have I really sunk so low that I am making nouns agree with other nouns? Dear oh dear.