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Opinião: A Abóbada (Alexandre Herculano)

502xEste livrinho conta a história da construção do famoso Mosteiro da Batalha. Em primeiro lugar, esta descrição não parece uma ideia promissora. Talvez deva publicar-se num guia turística. Mas o autor, Alexandre Herculano tem tentado escrever uma história mais interessante. Descreve o desacordo  entre o arquitecto irlandês, David Huguet e o português Afonso Domingues que ficara cego. Huguet era um imigrante, e o autor sublinha a importância de imigrantes na vida dum país. Também descreve um auto-da-fé com personagens que representam o diabo, a soberba, a caridade, entre outros. Acho que consegue pintar uma imagem das crenças religiosas dos séculos XIV e XV, por método de mostrar este espectáculo.

Ao que parece, o livro é um texto que se lê nas escolas portugueses, e posso ver os porquês. Combina história, religião e literatura num livro pequeno.

Assim como o “Morreste-me”, achei-o ligeiramente difícil. Neste caso, não era por causa da gramática, mas porque havia muitas palavras específica à época e à arquitectura em geral.

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Rir and Loathing in as Pages

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Here are a few thoughts about the jokes in this popular joke book, and a few things I have learned from reading it. I won’t trot out every new word, of course, but I noticed a few patterns and formats that came up again and again, and I thought it was worth noting them down. Being able to tell a good joke in another language is real jedi-level language skill, so I think it’s useful to know what the “rules” are.

Piadas Secas and “Dry Humour”

First of all, “Piadas Secas” doesn’t seem to be the same as what we would call “Dry Humour” (jokes told with a straight face, often with a slightly dark theme), it seems more to be “stale jokes” or perhaps just “old jokes”. Not quite Christmas-cracker level but close. If you’ve ever read a rag mag you’ll know the sort of thing. However, whereas university students tend to be very careful to avoid offence (even in the late eighties when I was at UEA) these are really in Bernard Manning territory, full of fat girl jokes, leper jokes, dumb blonde jokes, knob gags, and a little light racism. I’m not the sort of person who hurls a book across the room for that sort of thing but like… dude, it’s 2018.

Anyway, let’s look at a few examples of the jokes (don’t worry, I’ll stick to the less icky ones because the icky ones are less interesting from a language perspective):

Playground Classics

There were a lot of jokes that were so similar to old chestnuts from my youth that I’d be pretty sure they were translated from english rather than having sprung up independently

-Sabes qual é a diferença entre um rolo de papel higiénico e um cortinado de banheira?
-Não, diz
-Ah, então foste tu, javardo!
So the format for a “What’s the difference” joke is
Sabes qual é a diferença entre… or just Qual a diferença entre…
followed by Nao, diz (No, tell me)
Javardo, by the way, is like Javali (which comes up in Asterix comics when they are hunting wild boar) and seems to be more-or-less equivalent to “dirty pig”
-Quantos Psicólogos são precisos para mudar uma lâmpada
-Uma, mas a lâmpada tem de querer mudar
There were only three lightbulb jokes though. Also, no knock-knock jokes, although I did find this one that’s very similar in format but uses a telephone metaphor instead of a door-knocking one:
Estou? Quem fala?
Noé
Noé quê?
Noé da sua conta

And here’s one that’s basically a recycled “Yo mamma so fat” joke,

Era uma vez uma mulher tão gorda, mas tão gorda que um dia que um dia vestiu-se numa camisola com um “H” e um helicóptero aterrou-lhe em cima

Note the “Era uma vez” at the start, which is equivalent to “There was…”. You can also use “Havia…” to start the joke and introduce your characters. And the “tão gorda, mas tão gorda” (or “tão preguiçoso” or “tão pequeno” or whatever it might be) seems to be a pretty common stand-by in this kind of joke too. Here’s another. Same format but with “Havia” at the front and a different adjective

Havia um homem tão pequeno, tão pequeno que não andava de metro. Andava de centímetro

OK, I’m getting away from playground standards a little bit here, so let’s try some spicy foreign stuff.

Portuguese Wordplay

For me, the most interesting ones were the ones that relied on a specific portuguese puns that required me to work out how the joke worked. I assume these are old chestnuts too, in their own country.

– Boa tarde, tenho uma consulta Duarte Matos
– Ai, você deve ser mesmo altruísta vir aqui doar tomates
It hinges on your knowing that “tomates” is the portuguese equivalent of the english “plums” – i.e., slang for testicles. They’re mentioned in quite a few of the jokes.
Here’s another name-based pun:
Uma freira tinha de por supositórios em três bebés. Meteu no primeiro, depois foi atender o telefone e esqueceu-se em qual tinha posto. Qual o nome da freira
-Madre Teresa de Cal-cu-tá

I think “Cal-cu-tá” = “Qual cu ‘tá” (“which bum is it?”). This seems to be a reasonably common joke format: describe a person or a film, or something and then ask the person to guess what it is. Here’s another

Um homem entra num bar, pede uma imperial e leva-a para casa. Qual é o filme?

– Roub-ó-copo

Then there’s:

Vira-se o computador grande para o pequeno:
– Olha para ti, tao pequeno e já computas
It uses the word “putas” that I think is a bit disrespectful of women but I’m not 100% sure because between Brazil and Portugal there seem to be many words to refer to girls having various shades of meaning that are fine in one country and basically mean “whore” somewhere else, so I’m not sure how offended your maiden aunt would be if you cracked it out at the dinner table. Considered as a straight up pun, though, it’s pretty sound. It also uses “Vira-se… para” , which is a format that’s used quite a lot in these jokes. One character turns to another and says something.

The next one relies on you being able to turn the phonetic sounds of numbers into words.

Quem 60 ao teu lado e 70 por ti, vai certamente rezar 1/3 para arranjar 1/2 de te levar para 1/4 e te dizer
-20 comer
I put it on iTalki to ask people to help explain them and it turned out to be a lot ruder than I thought, so I was blushing slightly I decoded it. “Comer” (eat) has sexual connotations which might be the obvious, or might be something more general – I’m not quite sure. It comes up in about 5 jokes.
This one:

Era uma vez uma mulher que partiu a perna ao filho
Não tinha canela para pôr no bolo.

is another I needed iTalki’s help for. I knew “canela” means “cinnamon” but I didn’t know it was also the equivalent of the english word “shin” – a colloquial name for the tibia.

And this one:

-Artur, estás tão diferente!
-Eu não sou Artur
isn’t interesting in itself, but I noticed “Artur” comes up many, many times in jokes, so I wondered if it was a stock name in portuguese jokes or just something the author happens to like. Still waiting for iTalki’s verdict on that one.
Another standard Portuguese joke format seems to be one starting “Qual é o cúmulo…” which seems to be roughly equivalent to “what’s the ultimate…”
Qual é o cúmulo de preguica
Casar-se com uma mulher grávida de outro
Pretty low-grade stuff, eh?
OK, here are my two favourite jokes in the whole book

The Cream of the Crop

O que é invisível e cheira a cenoura?
O peido do coelho
and

Entra uma mosca num restaurant:

-Qual é o prato do dia?

-Arroz com cocó

-Xiiiii, que nojo, todos os dias arroz!

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Opinião – Morreste-me (José Luís Peixoto)

Morreste-meEu li este livrinho em 24 horas, entre a hora de jantar de segunda-feira e a hora de jantar de terça. É realmente fininho, com apenas 50 páginas, mas o conteúdo é muito intenso. Trata da perda do pai do narrador, a tristeza dele, as memórias, e o vazio que permanece depois da morte.
Os leitores do Goodreads concordam que é uma obra poderosa que os fez chorar, e sem dúvida, têm razão, mas não teve o mesmo efeito comigo porque havia tantas palavras desconhecidas. A exigência de ir consultar o dicionário seis vezes por página funciona como um escudo forte contra as tempestades de emoção. Se calhar vou voltar ao livro dentro de alguns anos e experimentá-lo mais uma vez para levar a força toda.
O livro é publicado pela editora Quetzal e é lindíssimo. Assim como a maior parte dos livros portugueses, tem orelhas* (não é comum cá na ilha de brexit) e a formatação das páginas é muito gira.

*=”Orelhas” (“ears”) used her to mean the flappy bits on the covers of books or dust jackets. It’s given in Priberam as meaning number 4 for the word, and I’ve seen it on various “anatomy of a book” type pages on the web but I don’t think it’s universally recognised…

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Opinião – A Avó e a Neve Russa (João Reis)

These are some notes I wrote yesterday for a video review which I’ll probably make in the next day or two. Part of it has been corrected on italki by Fernanda and Karla – Obrigado as duas – but there was too much to fit in the box so I cut some out and hence there might be some errors remaining #UNCORRECTEDPORTUGUESEKLAXON! There’s also a shortened version on Goodreads.
Ouvi dizer deste livro através dos canais duns booktubers portugueses. Muitos deles mencionaram que o compraram e vários já o leram e gostaram. O autor é muito activo nas redes sociais e da a impressão de ser simpático (mas eu diria isso de alguém que curtiu os meus instagrams). Achei que o livro tinha bom aspecto. Portanto, comprei-o no site da Fnac. A história é contada por um menino de dez anos. Às vezes, as opiniões dele parecem reacções normais duma criança, mas, noutras situações, parecem mais maduras, mais adultas do que os pensamentos dum rapaz daquela idade – e também, na maneira com qual fala com a avó e o irmão, como se fosse ele que tinha que cuidar deles. Descreve-se como “homenzinho” por causa do seu papel na família. De forma geral, a voz do narrador fez-me lembrar outros livros contados por crianças num mundo adulto, tal como o “Espiões” de Michael Frayn ou “Extremamente Alto e Incrivelmente Perto” de Jonathan Safran Foer. Também, de vez em quando, alguma coisa no registo da leitura fez-me pensar em “O Estranho Caso do Cão Morto” de Mark Haddon. Pensava que isso foi por causa da minha falta de conhecimento da língua mas depois vi um video de uma das minhas leitoras preferidas e disse que ela também perguntou-se se o narrador tivesse qualquer espécie de autismo ou Síndrome de Asperger. Mas não tem.
A Avó e a Neve RussaEste rapazinho mora no Canadá com a sua avó e o seu irmão. O irmão, que se chama Andrei, é adolescente e passa os seus dias a fumar canábis, ou algo do género (não é nomeado no texto). Antigamente a avó vivia na Ucrânia, na União Soviética, perto de Chernobyl onde o seu marido morrera. Ela tem dores de pulmões por causa de radiação – tem cancro e talvez mais problemas por cima. Também acho que tem uma espécie de demência. O rapaz deixa-lhe recados para ela fazer as coisas do dia-a-dia.
Existem outros estrangeiros perto da família – da Itália, da China, da Nigeria e até dum país chamado Portugal. Um aluno na escola goza com o rapaz e chama-lhe “Russkiy”. A grande aventura da segunda metade do livro é uma viagem que o narrador e o seu amigo, Matt, realizam para irem procurar uma cura para a doença da avó. Matt é judeu, e o holocausto torna-se uma tema menor do livro.
Há passagens no livro que eu achei um pouco lentas, mas como devem saber, leio português muito devagar e por isso, a minha percepção destas subtilezas não é o melhor guia para quem quiser saber se é um livro bom – não fiquem desanimados por minha causa! Apesar disso, o livro é encantador. O desenlace é muito triste, muito querido e muito adequado à história dessa velha e do seu neto.
Aliás, tenho uma pergunta. Li dois comentários no Goodreads, e também ouvi num video que o menino não tem nome mas acho que tem, sim. Há uma carta na página 211 em que… cá para mim, chama o menino como “Alexei” mas não é óbvio no contexto porque aparece em parênteses e por isso é possível que mal entendi. Talvez fosse o nome do jornal, ou um o pretérito perfeito, primeira pessoa dum verbo desconhecido a mim “alexar”. (Ei, meu amigo, sabes o que fiz? alexei!) mas é um nome russo, e eu simplesmente assumi que fosse o seu nome.
Links: Bertrand / Amazon
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Opinião – Comboio de Sal e Açúcar

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Anteontem, vi um filme moçambicano chamado “Comboio de Sal e Açúcar”, que já ganhou muitos prémios internacionais, e foi o filme submetido por Moçambique aos Óscares na categoria de “Melhor Filme Em Língua Estrangeira” (embora não tenha conseguido entrar na lista de candidatos seleccionados). Os sotaques dos actores eram bastantes difíceis mas felizmente todos falavam devagarinho e portanto não tive problemas em seguir o diálogo.

O enredo desenrola-se no país durante a guerra civil que ocorreu durante os anos oitenta. Logo no inicio do filme, um grupo de viajantes embarca num comboio. Um grupo de soldados, liderados por um comandante intimidante, conhecido como “Sete Maneiras” (protagonizado por António Nipita) acompanha-os para proteger os viajantes e a carga de sal e açúcar nos vagões. Claro, os passageiros têm de aguentar muitos perigos e dificuldades por causa da guerra. A maior parte do perigo vem dos rebeldes que os atacavam, mas também havia buracos no caminho-de-ferro, árvores caídas e outros obstáculos que era preciso de superar. Todas as vezes, os soldados mandaram os viajantes resolver o problema.

Além disso, logo depois do início da viaja, torna-se claro que nem todos os soldados estavam motivados pela lealdade para com* o seu país. Tendo sido brutalizados por anos de guerra, faltava-lhes disciplina, e pareciam acreditar que os passageiros lhes deviam estar agradecidos, que tinham direitos a roubar os conteúdos de alguns vagões, e ainda pior, que as passageiras eram propriedade sua. O comandante fecha os olhos a estes assaltos, até ao momento em que Salomão, o pior de todos, é morto por um outro soldado que tinha mais coragem e mais conhecimento do seu dever como soldado para com o cidadãos. No fim, com Salomão morto, o comandante recusou-se a deixar os outros soldados enterrar o cadáver dele porque não merecia essa honra.

O filme mostra a brutalidade da guerra. Tantas vidas foram desperdiçadas, e tantas crianças testemunharam esse horror. Na ultima cena, o comboio chega ao destino com o corpo dum rebelde morto atado à frente da locomotiva, e um grupo de rapazes atiraram-lhe pedras. É uma cena muito intensa, e eu reconheço que é provável que esteja a dar a impressão de que é muito deprimente, mas não é! Manteve o meu interesse com a sua qualidade.

 

*=I originally wrote “pelo”. “Para com” looked so strange I thought it was a typo in the correction but that’s how you say “towards” as in “he felt loyalty towards is country”

Thanks Fernanda for her corrections on this and to Antonio for the Brazilian perspective

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Old Monkeys

Favourite new phrase of the week: “Macaco velho não pisa em galho seco.”, which means “An old monkey doesn’t step on a dry branch”, in other words, an experienced person doesn’t make stupid mistakes. I’m not sure how region-specific it is (I heard it in a Mozambican film). And of course, if using it, make sure and get that “lh” sound right in “Galho”, because if you pronounce it “Galo” it’s a “cock” and “Gálio” is “galium”, and monkeys seldom step on either of those things, no matter how dry or otherwise they might be.

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Defeitos dos Romances Ingleses – Cyril Connolly

This is an attempt at translation. The original is so spongey though, and I couldn’t even bring myself to ask someone to correct it for me, so I am blowing the #uncorrectedportugueseklaxon

Defeitos dos Romances Ingleses – Cyril Connolly (De “O Parquinho Condenado”)

Existem três, gigante, quase irremediável:

1. A Magreza de Matéria

IMG_20180128_53624A vida inglesa é, no maior parte, sem aventura e sem variedade. Noventa por cento dos autores ingleses vêm da classe média; as experiências de qual ambos sexos podem levar inspiração limitam-se ao três ou quatro – uma juventude quieta, uma educação numa escola privada, uma universidade, alguns anos em Londres ou as províncias para ganhar uma profissão uma esposa, uma casa e umas crianças: matéria para um livro, talvez, que as editoras, e a precisa de se manter si mesmo, esticam até ao três ou quatro. Um sistema rigoroso de classe lança uma manta por cima de qualquer tentativa para aumentar estes limites. Um inglês típico da classe média simplesmente não consegue compreender bóxeres, gângsteres. tascas, negros, e até se puder, achá-lo-ia completamente sem a força e sem o cor do equivalente americano

2. A Pobreza de Estilo

Existem apenas dois métodos de escrever um romance em inglês, um por usar o estilo bastante inteligente e ligeiramente acadêmico da classe média, um estilo que depende, para a sua força, da combinação do adjectivo com o nome – ou do dois adjectivos com o nome:

“Com o seu olho esperto e profissional, Mr Cardan achou que pôde detectar, na expressão do seu hospedeiro, certas sintomas mal perceptíveis de incipiente embriaguez.”

Este estilo é o instrumento típico da ficção inglesa e tem um grande preciso de sintonizar-se. O outro tenta evitar a atitude de Oxford, conscientemente intelectual, por método de simplicidade extrema. E.M. Forster, David Garnett, Dorothy Edwards escrevem nesta maneira, mas noutras mãos, torna-se facilmente caprichosa e timida. Romances ingleses parecem estar completamente encadeado a estas duas formas literárias. Não há qualquer lingua franca que corresponde com o robusto estilo coloquial dos Estados Unidos, que não é o calão dos criminosos e contrabandistas tanto quanto o discurso vigoroso e ativo das jornalistas e escritores de publicidades que escrevem tantos dos melhores romances americanos. Nós, contudo, não temos romances nenhuns em ingles falado tal como o “Sweeney Agonistes” de T.S. Eliot.

3. A Falta de Poder

Isso custa-me muito a definir mas quero dizer uma falta de poder intelectual e de domínio da situação, qualquer maturidade (tal como se encontra em todos os romancistas grandes, ainda que sejam tão diferentes como o Tolstoy e o Henry James), e de poder de narrativo, de impacto, concisão e sentido dramático. Este é a falta mais grave dos autores ingleses – quase nunca se encontra um vestígio desse nos escritores mais novos, embora fiquemos boquiabertos por causa dele nos contos mais compridos do Maugham, por exemplo. Acho que um razao pela ausencia é que os autores ingleses nunca estabelecem uma relação com o leitor que chama respeito. Os escritores americanos, Hemingway, Hammett, Faulkner, Fitzgerald, O’Hara, por exemplo, escrevem instintivamente para homens dos seus próprios idades, homens que desfrutam as mesmas coisas. “Olha, andes devagarinho, nao percas isto!” parecem dizer, “Isto vai te interessa – talvez tenhas visitado o mesmo sítio, ou talvez também a mesma coisa te aconteceu”. É uma intimidade que, no pior caso, assume em breve um estilo como se o autor fosse um cão, mas da forma geral, sublinha tudo que que é natural, fácil e sem repressão no autor numa maneira que é apenas possível por método de conversar com um contemporâneo. Romances ingleses parecem sempre ser escrito para os superiores ou inferiores, pessoas mais novas ou mais idosas, ou do gênero oposto. Quanto os livros sobre quais já dei uma opinião neste ano, apenas o “Mr Norris Muda de Comboio” de Christopher Isherwood e o “Burmese Days” de George Orwell têm aquela sensação decente e inspiradora de igualdade. Suponho que é a culpa da clima. Há alguma coisa nela que emascula e arranja todos os escritores ingleses, substituindo a timidez e cuidado em vez de liberdade e curiosidade, portanto toda a planura, chatice e fraqueza do romance – portanto, também sobretudo, a estagnação. Pois, ficção inglesa fica estagnante, um grande pântano, espalhado com tufos infrequentes e poças de água morna. De vez em quando, um crítico avista um luz e anda à procura disso. Distrai-o durante um tempo, e até parece que arde mais brilhante, então tremeluz com um cheiro de gás, e apaga-se.

E cada livro que critica é um prego no caixão do crítico. Assim como a abelha rainha e o trabalhador, é a qualidade da alimentação que concretiza se for um crítico bom ou mau. Pode ter todos os talentos imagináveis, mas se se tiver só livros ruins sobre quais escrever seria condenado. Pode tentar afastar do destino, mas a sua falha seria inevitável. Há três tipos de crítico: (1) os cínicos que sabem que estão vencidos, que produzem textos consistentemente medíocres e são completamente confiável tendo largado dos seus sentido crítico para um espécie de amável avaliação ou desapontamento educado; (2) os que anda a lutar, que são maiormente insatisfatório, já que se viram e se rodopiam, que estão em perigo de loucura, e param de estar pontual com o seu trabalho por razões psicológicos; (3) e os que faltam qualquer conhecimento do problema que andam a trabalhar alegrementes durante trinta ou quarenta anos e ficam amargamente magoadas quando percebem que têm sido enganado pelas editoras e têm-se tornado ridículos nos olhos do povo. As dificuldades do crítico aumentam-se porque existem apenas quatro ou cinco cargos semanais que carregam um bocadinho de dignidade, cujo ocupantes só precisam de escreverem sobre um livro, ou até nenhum, sabendo que serão incluído nas suas obras coletados, porque são os herdeiros do cargo de Arnold, Hazlitt ou Sainte-Beuve. Os consolações restantes do crítico do romance são que se ler dois livros por dia e escreve para a menos três jornais, é capaz de ganhar quatrocentos libras por ano, e que, de qualquer maneira, será publicado regularmente e, porque toda a gente, cedo ou tarde, escreve um romance, será tratado com consideração.

Acabo de receber o “Almanaque do Egoísta Velho” de 1956. Quem envia estas coisas? “Livros pelos próximos cinco anos terão que ter um sabor ‘nacional’. Nao pode-se enganar. Assim como uma abóbora que ganha prémios, num festival de colheita, serão comprido, popular, sem gosto e cheia de sementes. Grandes anos para proibições e abdicações, a hera de apatia crescerá mais alta no tronco do talento, aumentando negligência de E.M. Forster, porque a sua excelência está inconveniente, de Norman Douglas, Max Beerbohm e os que vivem no estrangeiro sem política.” Eis um pedido aos emigrantes: “Voltem para lar! Não há felicidade fora da lista telefónica. Aproximamos o que os místicos chamam ‘O almoço de domingo da alma.’”

Dezembro 1935

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Dawn of the Dedo