Posted in Portuguese

Dom Casmurro – Machado de Assis

Li este livro com os meus olhos e os meus ouvidos. Tentei lê-lo há alguns meses mas não consegui. Desta vez, experimentei uma versão traduzida em inglês e, de vez em quando, fez uma pausa e escutei um audiolivro lido por um brasileiro. De forma geral, evito sotaques brasileiros porque estou a estudar português europeu mas claro está que esta história é um clássico da literatura brasileira e é melhor ouvir no seu sotaque nativo, acho eu.
A pergunta incontornável é esta: será que a mulher do narrador, Capitu, traiu Bentinho ou não? Cá para mim, acredito que não. Há uma altura, muito cedo no enredo, em que eu reparei numa inconsistência no discurso dela que pode ser uma mentira, mas além disso, não parece provável. A ideia da infidelidade dela era uma preocupação dele logo no início, e acho que precisou pouco para se tornar obsessão.
Depois da “descoberta” da traição, a personalidade do Bentinho mudou, e tornou-se ainda mais “casmurro”. Recusou escrever o nome da sua mãe no túmulo dele, e justificou esta decisão duma maneira inchada. Não queria ter nada a ver com Capitu. Quando ela faleceu, Bentinho mal a mencionou, e até a morte do seu filho deu em alívio em vez de tristeza. Isso, sobretudo, chateou-me porque, mesmo que eu não tenha razão sobre a traição, o rapaz é uma criança que não merece nada de mal. No final, o narrador pareceu-me menos simpático do que anteriormente. Porém, adorei a “maquinaria” da história, o estilo e a maluquice deste homem insólito que estragou a sua própria vida por causa da teimosia.

Posted in Portuguese

O Preço da Tolice

Já me queixei muitas vezes da nossa decisão de sairmos da UE. Ganhei mais um motivo de raiva, porque comprei um pacote de aulas. Vendem-se em dólares, mas a taxa de câmbio em vigor está tão ridícula que me custou mais do que anteriormente. Muito obrigado apoiantes do Brexit.

Posted in Portuguese

Diz-se Que Existem Outras Línguas #2

Screenshot_20190815-232340_InstagramAcabo de passar uma semana em França. Adorei mas havia um problema: Ainda que falasse francês muito bem quando era novo, muitos séculos vieram e passaram desde aquela época. Os meus livros vetustos empoeiraram e o meu cérebro enfraqueceu e endoideceu. Ainda por cima, tinha passado anos a ler, falar, escrever e ouvir em português. Por isso, cada vez que falava, palavras portuguesas a cairam da minha boca. juntamente com as francesas. O resultado: uma espécie de “Françugês”.

“Bonjour SENHORA” eu disse. “Je voudrais UM bouteille d’eau E UM café POR FA… hum, DESCUL… pardon… S’il vous plait”

Mas o que mais me interessou foi o efeito de quando regressei à minha terra: receei estar igualmente confuso quando voltasse a falar português mas não houve nenhum problema: nem sequer estava enferrujado: era como se fosse uma semana a praticar português. Ao que parece, os circuitos linguísticos do meu cérebro receberam um treino em francês que aumentou a minha competência em português!

Posted in English

A Wild Portugeese Chase

In t-shirt news, I saw this t-shirt, referencing the current portuguese fuel crisis, on the Cão Azul website…

20190815_070805

…and although I had no desire to own the thing, I did get a bit obsessed by what the joke was. I asked around and found someone who explained it was to do with the way the words are pronounced in regional accents/dialects in the north, where the sound of words is more influenced by Galician – so a V might become a B and the ão sound would be more like an “on” or “om” (so “televisão” becomes “telebisom”). She also mentioned an explanation of the gasoil/gasoleo thing that included the word “gozar” which unfortunately I misunderstood as her saying that gazoil would be pronounced “gozar”

So I started trying to put the mispronounced syllables into a sentence

Camion… Bidon… Gasoil… Jarrican

Cá meu m… something… gozar… já something

but I couldn’t make sense of it so I asked again and she explained that, no, it’s just about how the northerners talk funny. I find this a deeply disappointing piece of news and keep looking at it again trying to find a hidden meaning in there like it was some sort of crossword clue, and I don’t think I can rest easy until I find one.

If you’re reading this and you have a better answer for why this is funny (feel free to invent one – I’ll be as gullible as you like) then please, please, tell me.

 

Posted in English

Diz-se Que Existem Outras Línguas.

Bon Soir, Boa Noite and Good Evening

Well, I think this is the longest gap between blog posts for quite some time now. I have been wibbling about doing other things, busy with work and actually took a whole week off portuguese to brush up on my french for a family holiday. It was sort of a strange experience. On the one hand, I was surprised by the experience of accessing the francophone bits of my brain. I’ve forgotten a lot in the 34 years since my O’Level of course, but I used to be pretty good at it back in the day, and the language has pretty deep roots in my head, such that I’ve always been able to hold my own in conversations I’ve had as an adult. But to continue the deep roots metaphor, the whole plant has been buried under a thick mulch of portuguese vocabulary. I had to read a couple of comic books to reawaken it, and even then I’d find portuguese would just tumble out of my mouth at every excuse. I consistently said “et” like the portuguese “e” and standards like “merci”, “pardon” and “oui” would all just give way to their portuguese equivalents even if I was a few sentences deep into a conversation. Words that are similar between the two like “fácil” and “facile” got a bit blurry too.

What was weirder still, though, was that the day after I got back, I had a portuguese lesson after having not spoken, read, heard, or written a word of portuguese for about 8 or 9 days. Normally if I have a delay like that I find I’m really rusty and can’t get a word out, but it actually flowed pretty well, and I can only conclude that whatever mental equipment I use for producing portuguese was getting a good workout from producing the bizarre Françuguês I was bellowing at the longsuffering garçons of Nantes.

Posted in Portuguese

História De Um Caracol Que Descobriu a Importância da Lentidão

Este livro juvenil é muito engraçado mas tem a sua própria escuridão. O Caracol do título vive no “País do Dente-de-Leão” (o nome dado ao prado dele). Num dia, perguntou-se: por que é que os caracóis são tão lentos? No processo de descoberta, adquiriu um nome (“Rebelde”) mas constatou algo mais preocupante: existiam seres humanos na área que pretendiam devastar o prado todo para construirem uma nova estrada. Portanto, o caracol herói avisou os outros bichos do prado. Depois, guiou a tribo de caracóis até a um novo País do Dente-de-Leão. No caminho para lá, os moluscos sofreram grandes transtornos, perigos e sofrimentos.
O enredo fez-me lembrar do Watership Down de Richard Adams, que também conta uma história de animais à procura dum novo lar por causa duma ameaça humana. Também superam dificuldades com ajuda dum pássaro (os coelhos do Watership Down têm ajuda duma gaivota, os caracóis de um mocho).
É muito divertido mas não esconde os factos da vida dos olhos do leitor!

Posted in Portuguese

As Aventuras do Barão Wrangel

Ri tanto enquanto li este livro. Tal como todos os livros de José Carlos Fernandes, a banda desenhada tem muitas frases no diálogo que são surrealistas e hilariantes. O Barão é um herói tradicional da época dourada, tipo Indiana Jones ou Tintim que percorre o mundo inteiro numa aventura picaresca. O rumo dele cruza com o de vários espiões, vilões, personagens sinistras do submundo e adeptos de sociedades secretas.

[spoiler]O final deixou-me ligeiramente insatisfeito. Admito que cabe bem o espírito pós-moderno do livro mas eu cresci numa dieta de BDs de Hergé, e queria ver o triunfo do Barão e a derrota dos seus inimigos![/spoiler]

Posted in Portuguese

Homens imprudentemente Poéticos – Valter Hugo Mãe

Mais um livro difícil. O meu pobre cérebro! Mas gostei muito deste livro apesar do esforço. Conta a história de dois japoneses, um oleiro e um artesão que faz leques. São vizinhos e tornam-se inimigos por causa duma previsão. Há elementos mágicos no enredo: fantasmas, ilusões, adivinhação. A cena mais impressionante (para mim) desenrola-se no fundo dum poço, onde um dos protagonistas passa uma semana acompanhado por uma fera desconhecida.

Enfim, adorei mas acho que preciso de alguma coisa mais fácil depois disto!