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Youglish

Youglish Video Site
Youglish

I heard about a site today that seems useful. Maybe it’s old news and I’m the last to hear about it, but it’s called Youglish and its purpose is to make it easy to find subtitled videos in your chosen language with specific words in the transcript, and – here’s the best part – it even let’s you specify European or Brazilian portuguese! Unlike YouTube it doesn’t give you a post to choose from. If you pick a word like “Guerra” for example, it takes you to a video play list with 198(!) videos in it and the first one is queued up right before the person says the word. So you can hear that and, if you want, croll back and forth. Then you click forward to the next video and maybe it’s a song that contains the word, or whatever, and you can skip ahead, hearing the word in different contexts.

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Discurso Sobre o Filho-da-Puta

Discurso Sobre o Filho-da-Puta de Alberto Pimenta

Este livrinho de Alberto Pimenta retrata uma espécie de pessoa na nossa sociedade. Todos nós conhecemos pelo menos um exemplo: pessoas que não querem deixar os outros em paz. O discurso é breve (50 páginas) mas aborda todas as dúvidas que o leitor possa ter.  Aborda a questão de como definir um filho-da-puta; de quais são as suas subcategorias e especializações; de se um filho-da-puta já nasce filho-da-puta ou se faz. O seu estilo de escrita é muito proprio: ao longo do argumento repetem-se várias frases e palavras (como “filhos-da-puta especializados em fazer e filhos-da-puta especializados em não deixar fazer”). Não percebo precisamente porquê. Talvez seja uma espécie de piada: o pedantismo do autor a espelhar o pedantismo do seu assunto. Sobretudo, nas últimas páginas (uma elegia dum fdp que tinha atingido o alvo de todos os fdps: morrer) o estilo literário torna-se ainda mais repetitivo, mas inclui uma frase que curti imenso: “São homens destes que fazem com que o amanhã seja uma ponte para ontem”.

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A Lenda da Rã e o Boi

I came across a reference to A Lenda da Rã e o Boi (the legend of the frog and the ox) in “Ser Português” by António Lameira and wondered what it was. Nothing specifically portuguese, as it turns out. It’s one of Aesop’s Fables (As Fábulas de Esopo), so Lameira probably should probably have used ‘fábula’ instead of ‘lenda’ but whatever. I haven’t read them since I was little so I looked around and found this retelling of the tale from Sbroing.

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O Jogo das Alterações Climáticas

Today’s text is a review of O Jogo das Alterações Climáticas (the Climate Change Game) which is more of an educational read than a fun read, and I wouldn’t normally recommend it, but here’s the thing: current affairs and social issues are pretty common topics for the produção oral section of the language exams, especially when you start getting into the B1/B2 range, so a book like this is good for learning useful vocabulary in an accessible way, so it’s worth considering if that’s something you think would be useful.

O Jogo das alterações climáticas

Esta BD desavergonhadamente pedagógica tem por objetivo educar o leitor sobre os efeitos do aquecimento global nesta região do globo: a Europa. A estrutura do enredo tem forma duma viagem. Uma portuguesa quer inventar um jogo de tabuleiro baseado na mitigação das alterações climáticas e na adaptação às mesmas. Daí a sua missão: percorrer o continente com o seu irmão, um artista, a aprender como os povos mudaram os seus modos de vida face à crise atual. Os dois entrevistam os habitantes de várias cidades em vários países. Aprendem (e nós, os leitores, aprendemos) as diversas estratégias que se tornam necessárias numa época de alterações climáticas.

O jogo acaba por evoluir para algo fora do normal: cada jogador representa um governo ou uma câmara municipal que tem de se adaptar ao novo normal, mas ao contrário de um jogo típico, não é uma competição em que estão uns contra os outros, têm de agir em cooperação porque em isolamento não é possível ganhar o jogo. É igual ao desafio com o qual nós temos de lidar nos dias de hoje.

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A Sereia de Mongaguá

A Sereia de Mongaguá

Esta BD é uma das mais esquisitas que já li. Não consigo explicar o enredo: um vidente que prevê o futuro nas suas tatuagens, um realizador bêbedo, uma cega, uma atriz que quer tornar-se numa sereia, e uma taxidermista que sabe realizar o sonho dela fazem parte de um nó de histórias interligadas e surreais. O resultado é indescritível. Fiquei boquiaberto. O que é que acabei de ler?

It’s seriously messed up. I think it is Brazilian originally but the version I have is in PT-PT.

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Ronda Das Mil Belas em Frol

Ronda Das Mil Belas em Frol - Mario de Carvalho

Este livro de Mário de Carvalho é uma coleção de contos sobre sexo. O narrador tem relações com uma nova mulher de seis em seis páginas, o que há de ser cansativo. Ainda por cima, utiliza palavras de cinquenta euros. Acho que abri o dicionário dez vezes por página. E amiúde encontrei-me a fitar uma folha sem a definição de que estava à procura. Talvez esteja na hora de comprar um dicionário maior.

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Trabalhoolismo

Já que estou acordado às onze e meia da noite, a olhar para o meu portátil, pergunto-me se existe uma palavra semelhante à inglesa “workaholic”: alguém que não sabe largar as suas tarefas e relaxar.

Anyway, to answer my own question, the answer is “viciado em trabalho”.

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Compound Verbs

Hard Mode Homework. From Português Outra Vez: using verbs with prepositions. Often the meanings of the verbs can change so radically with the choice of preposition that it basically acts as a compound verb. The base verbs it offers are these

  • Andar
  • Fazer
  • Ficar
  • Ficar-se
  • Vir
  • Voltar
  • Voltar-se

Each can use a variety of prepositions and I’m using the Guia Prático de Verbos com Preposições by Helena Ventura and Manuela Caseiro to pin down which is which. I often use some of these without quite realising why and it’s useful to spell it out.

Quite often, I’ll come across a feature of Portuguese and think it’s weird and unlike anything in English and then I realise that, no, we do have them, we just don’t notice them because nobody draws attention to their existence. Think of the difference between “Stick to”, “Stick out” and “Stick around” for example – or “Pass by”, “Pass over”, “Pass for” and “Pass out”.

Andar

  • Andar a (+inf) = to progressively achieve something (ando a ler Fernando Pessoa)
  • Andar com = to feel (anda com dor de dentes) OR to live with (ele agora anda com gente muito esquisita) OR to have something with you (ela anda sempre com o telemóvel)
  • Andar de = to use some form of transport (ando de bicicleta)
  • Andar em = to frequent (ela anda na Faculdade de Direito) OR to achieve (ela anda em grandes obras na casa de praia)
  • Andar para = to have an intention to do something (ando para ir ao cinema)
  • Andar por = to approach (o preço do carro anda por dez mil euros) OR to visit, pass through, hang out in (gosto muito de andar pelos parques)
  • Andar sem = to be without something (o Pedro anda sem atenção)

Fazer

  • Fazer com (que) = to force (fizeram com que o ministro aceitasse as reivindicações) OR to have a consequence (a avaria na EPAL fez com que alguns lisboetas ficassem sem água durante muitos dias)
  • Fazer de = to act like (o Pedro fazia de palhaço) OR to transform (os E.U.A. disseram que queriam fazer do Iraque uma pátria livre)
  • Fazer… Por… To do something for (or on behalf of) someone (a Patricia fez o trabalho pelo colega)
  • Fazer por (+inf) to make an effort (ela faz por gostar de bacalhau mas não consegue)

Ficar

  • Ficar a =to be in a place (Lisboa fica a cerca de 300 quilómetros do Porto) OR to stay somewhere (não fiquei a assistir ao espectáculo ao final)
  • Ficar com = to get, or keep hold of (fico com a blusa verde) OR to continue to feel (fico sempre com medo quando ouço barulhos estranhos)
  • Ficar de (+inf) =to promise to do something (ele ficou de passar por minha casa às nove horas)
  • Ficar em = to stay, to be situated – similar to ficar a (o Hospital fica em Lisboa, a atleta Rosa Mota ficou em primeiro lugar)
  • Ficar para =to be destined for something (o colar de pérolas fica para ti) OR to be deferred (a nossa conversa fica para amanhã)
  • Ficar por =to support (nas discussões ela fica sempre pelas mulheres) OR to substitute for someone (o meu colega ficou por mim) OR to cost (o fato ficou por cem euros) OR to remain uncompleted (as camas ficaram por fazer porque ela teve de sair à pressa) OR to stop (hoje ficamos por aqui)
  • Ficar sem =to lose or be deprived (ficamos sem água toda a tarde)

Ficar-se

  • Ficar-se por =to limit oneself to (na reunião com os seus apoiantes, o presidente ficou-se por um discurso breve)

Vir

  • Vir a =to attain an objective (se vice estudar muito, pode vir a falar português corretamente)
  • Vir de =to finally do something (era minha intenção saudar os alunos que vinham de chegar)

Voltar

  • Voltar a =to repeat an action (o telefone voltou a tocar)
  • Voltar para =to turn something toward (voltaram os olhos para o céu)

Voltar-se

  • Voltar-se para =to turn toward (voltei-me para ele e disse-lhe tudo o que oensava

The book lists several other combinations of verbs and prepositions but I don’t think they are different enough from their original meanings to bother defining like this. For example, vir normally means “come” and you can come to, come from, come by and so on. Voltar means return, and you can return to, from, whatever. It’s not rocket science.

OK, here we go… I’ll put my answers in brackets. When I get it wrong, I’ll cross out my answer and replace with the corrected version.

A Teresa (anda para ficou de) passar por minha casa hoje à noite para estudarmos juntas, espero que não falte. [hm, I don’t think my answer was too bad. Maybe not the best one, but doesn’t seem wrong either…]

Após muitos anos no estrangeiro p Zé, cheio de saudades, (voltou para) Portugal

Lisboa (fica a) cerca de 300km

O excesso de açúcar é de álcool (faz com) que as pessoas fiquem obesas

Quando eu morrer, o meu colar de pérolas (fica para) a minha neta Joana*

Para cá chegares mais depressaa, sugiro-te que (vir venhas pela) autoestrada.

De repente (voltou-se para) o chefe e disse-lhe tudo o que lhe ia na alma.

Costumas (andar de vir a) pé ou (andar vir de) autocarro para (andar vir para ) a faculdade? [The word “para”, just after “autocarro” is missing from the book but it doesn’t make any sense without it, so I’m not 100% sure but I think it should be there]

Porto Covo (fica na) costa vicentina, (fica ao no) litoral alentejano

Não gostava de (andar de) transportes públicos sobretudo, detestava (andar de) metro

Se estudares muito, podes (vir a) falar português fluentemente no futuro**

Eles (virão de ficaram de) pagar as dívidas às Finanças no prazo de seis meses, caso contrário vão a tribunal [OK I can see that makes sense]

Eu (ando a) ler um livro de Mário de Carvalho***: “A Arte de Morrer Longe”

Ele (fazia por) agradar ao chefe mas era sempre um esforço em vão.

O ministro, lacónicamente (ficou-se por) um breve discurso na tomada de posse

(Andamos para) fazer um passeio no Douro, já há dois anos, mas ainda não nos foi possível fazê-lo.

Depois da queda do muro de Berlim, muitos imigrantes da Europa de leste (vieram para) Portugal.

A empregada é incompetente: limpou mal a casa e as camas (ficam ficaram por) fazer. [I was umming and ahhing over the tense for ages and it looks like I plumped for the wrong one]

Carlos, (voltou voltaste a) casar? Não desistes, é a terceira vez!

Os lisboetas (ficaram sem) água durante toda a manhã. Foi o caos!

Por vezes, convém-me (fazer de) surda, para não ter de responder a certas pessoas

*Woah, this question from Português Outra Vez is almost exactly the same as the one in a the Guia Prática.

**Another one! Oh right, I’ve just realised Helena Ventura is a co-author of both so she’s probably recycling her own material

***Coincidentally, I have a different book by the same author, Ronda Das Mil Belas em Frol, on the arm of the sofa as I write.

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A União Ibérica

Durante um turno no hospital onde trabalha, a minha mulher foi chamada por uma enfermeira.

-Falas espanhol, não falas? Perguntou ela
-Hum, sim, mais ou menos, respondeu a Catarina
-Ótimo. Está aqui um espanhol. Fala com ele.
Ela aproximou-se dele e cumprimentou-o com… Sei lá, “Buenos Dias” ou uma abominação linguística qualquer.
-Sou português, respondeu o homem.

Passaram algum tempo a falar-se na sua língua nativa.

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Apparently, That Was All Wrong

I wrote a post a couple of days ago, based around a joke. I was a bit surprised because the person who corrected my text said that I had made hardly any mistakes and that, contrary to what I thought, the joke worked well because “levar (…) ao jardim zoológico” and “levar (…) para o jardim zoológico” were interchangeable.

Well, that was all bollocks. The person in question was Brazilian and not very “picuinhas” at all. I had, of course, made plenty of errors, and the joke doesn’t work either. Sorry if any of you told it at a party and were met with blank stares. Taking a penguin to the zoo on a visit and taking it to be permanently housed at the zoo are too different in Portuguese for this misunderstanding to arise.

Um agente da PSP viu um homem num carro com 6 pinguins no banco de trás. Fez-lhe sinal para encostar o carro.

– Isto não pode ser, disse o polícia. O senhor tem de levar estes pinguins para o jardim zoológico.

O homem concordou e arrancou em direção ao zoológico.

No dia seguinte, o agente viu o mesmo homem a conduzir na Avenida Almirante Reis* com os mesmos pinguins. Mais uma vez, fez-lhe sinal para que estacionasse e aproximou-se do carro, parando várias vezes para evitar os ciclistas.

– Ó meu senhor, o que é que está a acontecer? Eu disse-lhe ontem que tinha de levar estas aves para o zoológico zoológico.

-Sim, disse o motorista. E curtiram muito. Hoje vamos para o cinema.

*this bit about the cyclists on the Avenida Almirante Reis is irrelevant and I only put not in to demonstrate my familiarity with urban planning controversies in Lisboa.