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Film Reviews

Reviews of films we’ve been watching lately. Well, not really reviews so much as witterings. Gratitude as always to Dani for the corrections.

The Evil Dead 2

Ando a prosseguir a minha estratégia de educar a minha filha sobre os filmes do passado para que ela entenda as referências nos filmes mais modernos. Agora que está obcecada com A Liga dos Cavalheiros, filmes mencionados pelos membros do elenco tornaram-se instrumentos de pedagogia. Hoje vamos ver o Evil Dead 2. Contém uma cena na qual a mão do protagonista fica possuída por forças maléficas e ele tem de lutar contra o seu próprio braço. Esta ideia foi roubada pelos escritores da Liga.

Evil dead - grooy

(and later)

Gostámos muito do filme que vimos ontem. É muito engraçado e muito chocante. Sangue a jorrar de buracos na parede, mãos más a rastejar no chão como um mouse ratinho, demónios, motosserras… De que mais precisam?

Hoje é último dia das férias da Páscoa, portanto a minha tarefa do dia é motivar a adolescente a estudar o máximo possível. É deprimente, e geralmente não faria nada disto mas a época dos exames está à porta e estes exames são os mais importantes da sua vida até agora: os exames que determinam se ela vai para a universidade da sua escolha.

An American Werewolf in London

Da série “Idosos educam adolescentes sobre os filmes dos anos oitenta”, o nosso filme do dia foi “Um Lobisomem American em Londres”.

Tinha expectativas baixas. Gostei do filme quando o vi pela primeira vez, mas geralmente os filmes.do passado acabam por ser uma desilusão. Mas adorámos este filme. Até os efeitos especiais pareceram modernos. Melhores do que os modernos. Rimo-nos muito, e ela deu-lhe cinco estrelas no Letterbox.

Capitães de Abril

Estávamos a falar sobre o Dia da Liberdade ontem e eu sugeri que procurássemos uma versão do filme Capitães de Abril com legendas para ver depois do jantar. Encontramos uma versão de alta qualidade no YouTube e começámos.

Infelizmente já era tarde, portanto não conseguimos ver o filme até ao fim. A minha filha estava a resmungar “estou cansada”, pousando a cabeça sobre a mesa de olhos fechados. Como resultado, fez o que faz quando não lhe apetece ver um filme: queixa-se dos protagonistas: “os soldados só querem fazer guerras e as mulheres é que sofrem” e assim por diante. Decidimos deixar o filme para um outro dia no qual ela não estaria de trombas. Espero que esteja mais recetiva à história noutro dia.

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Morena

I did a Tiago Bettencourt translation the other day, so let’s have a go at “Morena” too, not becaue it’s my favourite song of his, but because it has some nice guitar work.

Trigger Warning: Scrabble Crimes

OK, potentially controversial decision: I’m translating “Morena” as “Brunette”, because that’s the closest I can get to a literal translation. It’s not quite right though, for two reasons. Firstly, there’s a sense of the person’s skin being tanned or olive-toned as well as their hair being dark brown; and secondly, I think referring to women as blondes, brunettes, redheads has a slightly disrespectful tone in english (at least in some circles) and I think that’s less true in portuguese. That’s partly a linguistic thing: in Portuguese it’s more usual to use an adjective as a noun – for example “um inglês” not “um homem inglês” – and partly because we have a tendency to overthink things in the english-speaking world, especially a certain very large country situated a few hundred miles north of Brazil. Anyway, with that dislcaimer, let’s crack on.

PortugueseEnglish
Esta morena não sabe
O que o dia tem para lhe dar
Diz-me que tem namorado
Mas sem paixão no olhar
Tem um risinho pequeno
E que só dá de favor
Corpo com sede de quente
Mas que não sente calor
Mas que não sente calor

Esta morena não dança
Quando lhe mostro Jobim
Talvez não goste da letra
Talvez não goste de mim
Cabelo negro sem regra
Caindo em leve ombro nu
Feito de morno passado
E amor que nunca cegou
E amor que nunca cegou

Morena no fundo quer
Tempo para ser mulher
Morena não sabe bem
Mas eu no fundo sei
Que quando o véu lhe cai
Quando o calor lhe vem
Sempre que a noite quer
Sonha comigo também

Há sítios que ela não usa
Por não saber que estão cá
Há mares que ela não cruza
Por não ser eu a estar lá
É de mim que ela precisa
Para lhe dar o que não quer
Talvez lhe mostre caminhos
Onde se queira perder
Onde se queira perder

Esta morena não chora
Com um fado negro de Oulman
Nem com um poema de O’Neill
Na primeira luz da manhã
Sabe de tantos artistas
Canta-me letras de cor
Mas não lhe passam por dentro
Não lhes entende o sabor
Não lhes entende o sabor

Morena no fundo quer
Tempo para ser mulher
Morena não sabe bem
Mas eu no fundo sei
Que quando o véu lhe cai
Quando o calor lhe vem
Sempre que a noite quer
Sonha comigo também

Esta morena não corre
Quando a chamo para mim
This brunette doesn’t know
What the day has to give her
She tells me she has a boyfriend
But without any passion in her eyes
She has a little laugh
That she only gives as a favour
Body that thirsts for warmth
But doesn’t feel heat
But doesn’t feel heat

This brunette doesn’t dance
When I show her Jobim
Maybe she doesn’t like the lyrics
Maybe she doesn’t like me
Black, unruly hair
Falling on a light, naked shoulder
Made by boredom gone by
And love that never blinded her
And love that never blinded her

Deep down, the brunette wants
Time to be a woman
The brunette doesn’t really know
But deep down, I know
That when her veil falls
When the warmth comes back to her
Whenever the night chooses
She dreams of me* too.

There are places she doesn’t use
Because she doesn’t know they’re here
There are seas she doesn’t cross
Because I’m not there
It’s me she needs
To give her what she doesn’t want
Maybe I’ll show her paths
Where she wants to lose herself
Where she wants to lose herself

This brunette doesn’t cry
with the dark fado of Oulman
Nor with the poetry of O’Neill
In the first light of morning
She knows so many artists
She sings me lyrics by heart**
But they don’t get inside her
She doesn’t understand their flavour
She doesn’t understand their flavour

Deep down, the brunette wants
Time to be a woman
The brunette doesn’t really know
But deep down, I know
That when her veil falls
When the warmth comes back to her
Whenever the night chooses
She dreams of me too.

This brunette doesn’t run
When I call her to me

*= Remember “sonha comigo” might look like “dreams with me” – implying they are sleeping together – but it means “dreams of me”, which is a different kettle of fish! One of those instances where the use of prepositions can give you a slightly different mental image if you’re not careful.

**= Letras “de cor” sounds like it should mean colourful lyrics but there’s an older meaning of cor that is the same as coração, so it’s just like the english expression “knowing something by heart”

Morenas: Expectativas x Realidade
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Shorties

Short texts, corrected. Thanks for the help, Dani.

Raymond Briggs

Time for Lights Out

Acabo de ler um livro de Raymond Briggs, que é mais conhecido por ter ilustrado e escrito (hum…. Escrito? Não há diálogo, tanto quanto me lembro, mas pelo menos há de ter escrito o enredo, não é?) “The Snowman” (O Boneco de Neve), o livro que inspirou o desenho animado que se tornou um clássico de Natal. O autor escreveu muitos livros incríveis, incluindo o Fungus the Bogeyman (Hum… Fungo o… Bicho Papão???) mas este livro é uma compilação de poemas, desenhos e citações sobre a velhice e a mortalidade. Termina como a chegada do próprio a um lar de idosos*. A sombra da morte está sempre presente no texto mas não se torna deprimente nem mórbido por causa disso**. É só uma consciência da finitude da vida.

* I really messed this sentence up. First, o wrote “a sua própria chegada”, literally translating “his own arrival” but I should have written “the arrival of himself”. I also wrote “num” in place of “a um”. He arrived at the home, not in it. And finally I write “velhos” in place of the more polite “idosos”.

**I wrote “por resultado” instead of “por causa disso”. Unlike English you can’t just say “as a result” and leave it dangling.

Reece Shearsmith

The Unfriend

Ontem à noite a minha filha foi assistir a uma peça de teatro com a sua amiga. Uma das estrelas é Reece Shearsmith, um ator e comediante cuja carreira começou antes de ela nascer. Ela está obcecada com a obra dele, portanto esperou perto da porta do teatro para pedir um autógrafo e uma selfie. Estava muito contente quando chegou a casa.

Aguarelas

Tenho três aguarelas pintadas pelo meu avô que faleceu há trinta anos. Têm estado na casa dos meus pais desde a morte dele. O meu avô era médico de profissão e um pintor amador, portanto não são obras-primas; longe disso, mas estou com vontade de emoldurar o melhor e pendurá-lo numa parede cá em casa.

The vocabulary in this area is not that different from English:

Aguarela =watercolour, or a watercolour painting.

Pintura =The act of painting or just an actual painting.

Quadro =a framed painting

Desenho =a drawing

Moldura =a frame for a painting

Caça Aos Ovos

Todos os anos, organizo uma caça aos ovos de Pascoa em casa. Consiste numa sequência de pistas. Cada uma aponta para a pista seguinte e tem um ovo, o pequeno. No fim, ela chega ao último ovo que é maior.

Estou ligeiramente triste porque a minha filha tem 17 anos e daqui a um ano não irá querer uma caça de ovos. Ainda por cima é possível que ela não esteja em casa connosco porque estará a estudar numa universidade na Escócia.

Eu e o Coelho da Páscoa passaremos o dia em casa a chorar e a comer chocolate para abafar as dores nos nossos corações.

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A Gorda – Opinião

Here’s a corrected review of a book I’ve been listening too lately called A Gorda (The Fat Woman) by Isabela Figueiredo. It has had rave reviews (this guy, for example, names it as his first, second and third best book of 2022) and… Well, it’s not the easiest book I’ve ever read, and I probably didn’t get all the nuance but I hung in there and managed to follow. The vocabulary is passable for upper-intermediate readers. You can buy the book at Bertrand or grab the audio version to listen to on your phone using the Kobo App.

A Gorda de Isabela Figueiredo

A Gorda é um romance escrito por Isabela Figueiredo, que retrata uma portuguesa da minha geração, que “transporta (…) ou seja arrasta” 40 quilogramas de peso com ela. Ao longo da sua vida, sofre muitos problemas e muitos reveses. Nasceu no ultramar e volta para Portugal nos anos setenta com os outros retornados (se não me engano esta foi a experiência da autora também). Perde os pais e é traída por amigos, colegas e amantes e sente-se constrangida pelos efeitos deste peso excessivo, mas tem vontade de viver a sua vida, portanto recusa soçobrar.

Durante o percurso da história, a autora faz referência aos eventos da época na qual a protagonista se encontra: o Incêndio do Chiado, a crise financeira de 2008-9 e vários outros. Isto situa-nos na história do país e reforça a realidade da protagonista. Lembra-nos que pessoas assim existem mesmo, e a história não é uma fantasia abstrata sem ligação ao mundo verdadeiro.

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Álvaro de Copos

Ontem, escrevi um texto sobre Humberto Delgado, o “General sem Medo”. Na mesma altura, os aderentes da outra ideologia extremista, o comunismo, alcunharam-no de General Coca-Cola, troçando dele por ser um fantoche da OTAN* e dos EUA.

Mas décadas antes disto, tinha havido mais uma história interessante sobre a bebida e a reação portuguesa ao capitalismo americano. A Coca-Cola foi lançada no mercado português em 1927. Naquela altura, Fernando Pessoa era um escritor comercial além de ser um poeta (ou melhor “além de ser muitos poetas”) e escreveu um slogan para a marca: “Primeiro estranha-se, depois entranha-se”**. É um bom slogan, mas implica algo sobre o produto cujo ingrediente principal era basicamente cocaína: era muito viciante. O governo de Salazar já pensava em proibir o refresco, mas o slogan confirmou a decisão. Foi banido durante o resto da época da ditadura e não foi vendido no país até 1977, quando Mário Soares, então primeiro ministro da República, negociou um empréstimo de 300 mil dólares.

A cronologia é confusa: uma página tem uma imagem do Soares a apertar a mão do Presidente Ronald Reagan, mas Reagan passou a ser presidente em 1981. Os motivos também são confusos. Uma página deu impressão de Pessoa ter tentado derrubar o governo Salazarista com o slogan. Duvido disso. Suspeito que a maneira de contar a história depende do escritor e da sua opinião de Pessoa e do capitalismo americano. Pessoa escreveu um slogan para a marca. Então, isto significa que ele gosta da bebida? Ou que foi um ato de sabotagem? Salazar baniu-o porque era anticapitalista e queria proteger as empresas nacionais? Ou porque foi um capitalista que cedeu sob pressão do poeta? Os comunistas falam mal da Coca-Cola porque é uma ferramenta do capitalismo ou porque preferem o Compal?

*OTAN is NATO in portuguese but NATO is often used just because that’s the standard way of writing it and, after all, it’s an international organisation.

**How to translate this? The “-se” pronouns effectively make the verbs able to be used without an object, and the two verbs are cognates of “estranges” and “entrances”. First it estranges then it entrances… Hm, it doesn’t sound idiomatic does it? First it seems weird, then you’re hooked. Something like that is probably better.

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Humberto Delgado

Humberto Delgado

Humberto Delgado foi um marechal da Força Aérea, conhecido como “o general sem medo” por causa da sua coragem na oposição ao regime Salazarista. Mas a sua carreira seguiu um caminho rumo de altos e baixos* da cena política do século XX. O marechal participou no movimento militar de 1926 que suplantou a República parlamentar com uma ditadura militar que daria lugar ao Estado Novo poucos anos depois. Delgado participou neste movimento com entusiasmo, criticando tanto os republicanos quanto os monárquicos, apoiando as políticas do novo estado e escrevendo um livro sobre (A) Pulhice do Homo Sapiens e a necessidade da liderança de Salazar. Elogiou Hitler, não só no início do seu regime, mas durante os primeiros anos da Segunda Guerra Mundial.

Mas, no decorrer daquela guerra, a simpatia do marechal passou para os Aliados. Eh pá, mais vale tarde do que nunca. Apesar do Estado Novo ser neutro durante a guerra, cooperou, até certo ponto, com os aliados. Humberto Delgado representou Portugal em vários projetos, incluindo a instalação das bases áreas nos Açores que ainda existem nos dias de hoje.

Após a guerra, continuou a sua obra em vários cargos no governo, no serviço diplomático e na OTAN.

Em 1958, candidatou-se nas eleições contra o candidato do regime, Américo Tomás, tornando-se o foco da oposição ao Estado Novo. Recebeu um nível esmagador de apoio público, mas surpreendentemente perdeu, tendo recebido apenas 23% dos votos, o que levantou suspeitas de fraude eleitoral. No ano seguinte, Delgado pediu asilo político no Brasil por causa das ameaças dos seus inimigos políticos.

Convencido de que o regime não poderia ser derrubado por meios democráticos, o marechal deu apoio à ação revolucionária, incluindo a Revolta de Beja em 1962. Tentou regressar ao país em 1965 mas foi assassinado pela PIDE perto da fronteira com Espanha**. Foi enterrado em Espanha onde permaneceram os seus restos mortais até 1975, quando foram transferidos para o Cemitério dos Prazeres em Lisboa.

*The highs and lows – this is a fixed expression.

**It was pointed out that, since Portugal only has one country on its border I could drop the “com Espanha” here. I’ve left it though, because I’ve said he was in Brazil. I guess it removed ambiguity about whether he was killed early in his journey, after setting off from a border town in Brazil or something, but this is good advice in most scenarios, I think.

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Caça de Ovos de Páscoa

#UNCORRECTEDPORTUGUESEKLAXON

Todos os anos, arranjo uma caça aos ovos de Pascoa em casa. Consiste numa sequência de pistas. Cada uma aponta à próxima e tem um ovo pequeno. Afinal ela chega ao último ovo o que é maior.

Problematic gif

Estou ligeiramente triste porque a minha filha tem 17 anos e daqui a um ano não irá querer uma caça de ovos. Ainda por cima é possível ela não estar em casa connosco porque será uma estudante numa universidade na Escócia.

Eu e o Coelho de Páscoa passaremos o dia em casa a chorar e a comer chocolate para abafar as dores nas nossas corações.

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Canção de Engate

I haven’t done a song translation for while and I fancied having a go at “Cancao de Engate” by António Variações. There aren’t many decent videos of it and anyway he’s a bit hard to follow because of his distinctive singing style so if you don’t know it, try this orchestral acoustic version by Tiago Bettencourt

Cancão de Engate

My sense, going into it, is that it uses a lot of slightly oblique language so this is going to be a tricky one, but here goes…

Tu estás livre e eu estou livre
E há uma noite p’ra passar
Porque não vamos unidos
Porque não vamos ficar
Na aventura dos sentidos
You’re free and I’m free*
And there’s a night to get through
Why don’t we get together
Why don’t we get
Into the adventure of the senses
Tu estás só e eu mais só estou
E tu tens o meu olhar
Tens a minha mão aberta
À espera de se fechar
Nessa tua mão deserta
You’re alone and I’m alone too
And you have caught my eye
You have my open hand
Ready to close
On your lonely hand
Vem que o amor não é o tempo
Nem é o tempo que o faz
Vem que o amor é o momento
Em que eu me dou
Em que te dás
Come, because love is not time
Nor is it time that makes it
Come, because time is the moment
In which I give myself
And you give yourself
Tu que buscas companhia
E eu que busco quem quiser
Ser o fim desta energia
Ser um corpo de prazer
Ser o fim de mais um dia
You who are looking for company
And me who is looking for whoever wants
To be the end of this energy
To be a body for pleasure
To be the end of another day
Tu continuas à espera
Do melhor que já não vem
Que a esperança foi encontrada
Antes de ti por alguém
E eu sou melhor que nada
You keep waiting
For something better that isn’t coming
Because what you hope for has already been found
By someone before you
And I am better than nothing
Vem que o amor não é o tempo
Nem é o tempo que o faz
Vem que o amor é o momento
Em que eu me dou
Em que te dás

x3
Come, because love is not time
Nor is it time that makes it
Come, because time is the moment
In which I give myself
And you give yourself

x3

* I’m sorry, but I am a man of a certain age but I am already reading this in a Mr Humphries voice

Hey, well that wasn’t as bad as I thought it would be. One of the easier ones I’ve done, in fact!