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Povo que Lavas No Rio

Translation time! This one is a classic fado, which is mentioned in the book I reviewed the day before yesterday. It also gives us some insight into the Portuguese language’s radical commitment to singular verb endings for collective nouns. The video is majestic and well worth watching, even with the sound off, for the glances between the guitarist and the guy on the guitarra portuguesa. I’d love to know what was going on between them. The song itself is written by Amália but it is really more of an adaptation of a longer poem called “Povo” by Pedro Homem de Mello.

First of all, I think we’re meant to envision people washing their clothes in the river, rather than skinnydipping, in case that’s not obvious! But let’s focus in on how she refers to the noun “povo” here. I’ve highlighted the relevant words in the first verse. As you can se, she’s addressing the “povo” (the people – especially the simple, common people) as “Tu”. In other words, she’s addressing them all, collectively, using the form normally reserved for one singular person who’s familiar to the speaker.

This was really jarring to me. Of course, it’s not that hard to find people referring to “a gente” using third person singular pronouns – I wrote about this a couple of months back – and the portuguese generally take a firmer line on treating the collective as one singular entity (as opposed to using words like eles/them) than we would in english. But to see her speaking directly to the people like this and just address the whoel population like it was her little sister is quite a cultural leap, at least for me.

Povo que lavas no rioPeople who wash in the river
Povo que lavas no rio
Que talhas com teu machado
As tábuas do meu caixão
Povo que lavas no rio
Que talhas com teu machado
As tábuas do meu caixão

Pode** haver quem te defenda
Que compre o teu chão sagrado
Mas a tua vida não
People who wash in the river
Who cut with your axe
The boards for my coffin*
People who wash in the river
Who cut with your axe
The boards for my coffin

There might be people who defend you
Who buy your sacred land
But not your life
Fui ter à mesa redonda
Beber em malga que esconda
Um beijo de mão em mão
Fui ter à mesa redonda
Beber em malga que esconda
Um beijo de mão em mão

Era o vinho que me deste
Água pura, fruto agreste
Mas a tua vida não
I ended up at the round table***
To drink from a bowl that hides
A kiss from hand to hand
I ended up at the round table
To drink from a bowl that hides
A kiss from hand to hand

It was the wine you gave me
Pure water, wild fruit
But not your life
Aromas de urze e de lama
Dormi com eles na cama
Tive a mesma condição
Aromas de urze e de lama
Dormi com eles na cama
Tive a mesma condição

Povo, povo eu te pertenço
Deste-me alturas de incenso
Mas a tua vida não
Scents of heather and dirt
I slept with them in the bed
I was in the same condition.
Scents of heather and dirt
I slept with them in the bed
I was in the same condition.

People, people, I belong to you
You gave me moments of incense****
But not your life
Ai, povo que lavas no rio
Que talhas com teu machado
As tábuas do meu caixão
Povo que lavas no rio
Que talhas com teu machado
As tábuas do meu caixão

Há-de haver quem te defenda
Quem compre o teu chão sagrado
Mas a tua vida não
People who wash in the river
Who cut with your axe
The boards for my coffin
People who wash in the river
Who cut with your axe
The boards for my coffin

There might be people who defend you
Who buy your sacred land
But not your life

*=Could this be more emo?

**=Some versionf oe the lyrics use “ha-de” in place of “pode” but this seems to be teh version she’s singing in the video above. I’m pretty sure the há-de version is taken from Dulce Pontes’ rendition.

***=What’s the word “ter” doing here? According to priberam “ir ter a” is a compound verb meaning the same as “ir dar a” or “ir parar a” – um… OK, I’m none the wiser… but according to the Guia Prático de Verbos Com Preposições, that means “terminar em” or “desembocar”. So basically, to lead to something, to end up at something. Hence “ended up at”

****=I must admit, I got confused about this since the incense reference seemed a bit random, and I was trying to make sense of it by looking at alternative meanings of that word. Figuratively, it can mean praise or subservience, but I think I was overthinking it because it looks like she’s just referring to the smells at the top of the verse. OK, right, that makes sense!

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O Passaporte

Short text about Madeira. Thanks to Talures for the corrections.

Perdi o meu passaporte. Tem de estar em casa mas não o encontrei. Acho que o escondi subconscientemente, porque vamos de férias à Madeira daqui e a duas semanas, mas há uns dias ouvi um homem a descrever a aterragem, no aeroporto da ilha, do avião em que viajou… Valha-me Deus.

Past Caring

Actually I don’t even know why I said I heard someone say this. I read it in a book: Past Caring by Robert Goddard, which is… Perhaps not his best work but still pretty good. He knows how to spin a yarn. The action begins and ends in Madeira, which is why I fancied rereading it, but most of the meat of it is in Britain and the accents of the few portuguese characters who appear in the audio version have accents midway between Speedy González and Mario the Plumber.

(Regra geral, sempre reescrevo os meus textos quando corrigidos e agradeço os professores logo depois, mas estou tão fora da minha rotina que perdi a noção de quantos textos estão por corrigir. Muitos, acho eu. E há tantos que quase me sinto assustado pelo tamanho da tarefa…)

I’ve finished now though. I’m all caught up. Let’s hope I keep it that way.

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Um Lugar Misterioso

Amália Rodrigues - Um Lugar Misterioso
Amália Rodrigues

Passei 3 dias em Cambridge. Ou melhor, passei um dia em Cambridge e dois dias a andar de bicicleta para Cambridge e depois para casa. Não tive energia o suficiente para escrever, portanto aqui estou novamente no primeiro dia do Streak!

Durante a estadia, li um livrinho chamado “Amália Rodrigues: Um Lugar Misterioso”. É um livro ilustrado que conta a história dessa cantora de forma simples. Explica-se as suas origens familiares e as raízes da sua arte. Apesar da simplicidade, os autores não evitam os aspetos polémicos da vida dela: a maneira na qual o fado fez parte da ideologia da ditadura, e o seu papel ambíguo nessa propaganda. O livro contém exemplos da poesia do seu fado, e as ilustrações são maravilhosas.

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Governo de Portugal

Governo de Portugal

Li com os meus ouvidos* um livro chamado “Governo de Portugal“. É muito educativo e o narrador fez bom trabalho porque não o achei aborrecido.

Que pena que tenho a memória de um peixe-dourado e me vou esquecer de tudo dentro de cinco dias.

*The corrector sensibly changed this to “Ouvi um audiolivro” but I prefer my version!

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Pneudez

Ontem, a caminho de casa, deparei-me com um grupo de ciclistas nus. Estavam a participar no… hum… Dia Mundial de Ciclismo Nu, ou seja o World Naked Bike Ride. Tanto quanto sei, há um evento em Lisboa mas não acho que haja uma tradução “oficial” do título; os participantes tratam-no pelo título inglês. Adoro andar de bicicleta mas confesso que não me apetece participar neste dia. Ainda bem: os meus vizinhos não querem ver nada disso.

More Wittering About Bikes

Por acaso, também dei um passeio de bicicleta ontem mas não foi assim tão interessante: tinha de visitar a sede do governo autárquico cujo projeto ando a apoiar, do outro lado de Londres. O meu portátil estava doente mas o enfermeiro de portáteis salvou-lhe a vida. Podia ter sido um dia aborrecido mas, felizmente, a sede fica ao pé da biblioteca britânica. Registei-me, adquiri um cartão de leitor e passei duas horas, mais ou menos, a ler algumas fontes de informação que têm a ver com a minha pesquisa genealógica.

Segindo o Google, 40 quilometros, mas lentamente, com muitas paragens e intervalos a pé por causa dos engarrafamentos e outros incómodos. Foi stressante às vezes mas passei 50% do tempo à beira do rio, o que equilíbrou tudo muito bem .

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Haxan

Na perseguição do seu objetivo* de ver todos os filmes e de ler todos os livros mencionados por Reece Shearsmith, a minha filha insistiu em nós vermos um filme sueco intitulado Haxan (“A Feiticeira”). O filme é muito antigo, tendo sido feito em 1922, mas foi restaurado. Por isso, tem uma imagem muito nítida: é a branco e preto, mas com um tom amareldado. Claro que não há diálogo, exceto as várias linhas escritas, intercaladas entre as cenas.

*it was suggested that “na demanda de ver” would be more idiomatic, I’m struggling with this because the word “demanda” mostly means “demand” and she wasn’t demanding anything. In fact, if you look at the alternative meanings, it can also mean “action of searching” (2) or “enterprise, intent, design” which actually sounds abiut right. So if you’re braver than me, you could try using demanda in this context, but it hurts my brain to write it like that. I can find actual examples online of “na perseguição deste objetivo” though, so I know it’s allowable. This page for example.

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Tiktokers Parvos

Another blast from the past. I wrote it about a month ago and have no idea what’s happened to the lad since. Miffy, or whatever his name was, was all over the news for a few days, being a daft little twat, annoying or terrifying everyone in sight. Has he taken over Philip Schofield’s old job yet? It wouldn’t surprise me.

Miffy, shortly before getting pranked by a judge

Há um jovem neste país que tem 18 anos e faz “piadas” no seu canal do Tiktok. Foi preso por causa de alguns vídeos nos quais o jovem intimida várias pessoas (por exemplo, entrando com uns amigos na casa duma família desconhecida sem convite).

Isto tornou-se muito polémico, porque o jovem é negro e a reação da gente boa das redes sociais está contaminada com um bocadinho de racismo, mas não há dúvida que alguns vídeos contêm crimes.

No final, a minha opinião é que a experiência da Internet já dura há umas décadas e pode-se concluir que falhou. Chegou a hora de a abandonar e desligar o Internet por todo o lado. Expludamos os principais servidores do DNS,  para que possamos voltar a ser humanos.

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Eu ‘Tou-me A Cavar. Eu Quero é Berinjela

Today’s text is an old one that has been languishing in my drafts folder for a while. It was based on what was at the time a recent story in the news. Or rather, the name is. It comes from an investigation into corruption involving members of the PSD and PS. The actual quote is “Eu ‘tou-me a cagar, eu quero é ordenado“. Basically, “I don’t give a shit, what I want is the money”. the actual text has nothing to do with the news story though, I just thought it’d be a funny headline.

A primavera é a estação do ano em que estou mais atarefado. Tantas coisas que têm de ser feitas. As ervas daninhas estão a irromper pela superfície do solo, o sol está a brilhar (não minto: acontece de vez em quando neste país) e as plântulas têm de ser transplantadas para o sítio onde crescerão. No ano passado quase todos os morangos desapareceram. Os ratinhos gostam de comer frutos doces. Coloquei uma rede por cima dos morangueiros para além disso, os pássaros estão constantemente à procura de buracos na gaiola que protege as groselheiras. Às vezes, sinto-me como se fosse um soldado numa guerra contra os bichos selvagens.

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Sísifo

This has been in the drafts folder for a while. I’ve done another blog post with the same title a while ago but that was a book review.

O meu streak voltou a 1, porque perdi o foco durante três dias. Aproximei-me de 200, mas…  Não consegui. Esta desgraça lembrou-me do mito de Sísifo.

Sísifo era um grego que, segundo a mitologia, era o mais sagaz de sempre (como podem ver, os paralelos com a minha situação não têm limites!). Por ser tão manhoso, conseguiu enganar o deus da morte duas vezes. Chegando finalmente ao Tártaro, foi condenado a uma punição extraordinária. Por toda a eternidade seria obrigado a rolar uma grande pedra de mármore até ao cume de uma montanha. Sempre que ele aproximasse do topo, a pedra escaparia do seu controlo e rolaria montanha abaixo. A obra nunca terminava, e Sísifo vivia sem esperança de descanso e sem sentir que o seu esforço tinha qualquer significado.

Segundo o filósofo Albert Camus, esta punição absurda representa a situação na qual nós nos encontramos nas nossas vidas: todos temos tarefas repetitivas para cumprir todos os dias e a maior parte das pessoas tem um emprego repetitivo ou sem criatividade, mas temos de criar o nosso próprio através de uma constante revolta contra a absurdidade. “É necessário imaginar Sísifo feliz”.

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Escândalo

#UNCORRECTEDPORTUGUESEKLAXON

Talvez alguns de vocês se lembrem que há umas semanas contei uma história sobre o meu avô. Entre os factos na história, afirmei que, segundo uma biografia escrita por um familiar, quando o cantor Nick Drake nasceu, o meu avô (que, naquela altura trabalhava num hospital na Birmânia) foi o médico que ajudou com o parto.

Por acaso, entrei numa livraria hoje e deparei-me com uma nova biografia do cantor, que foi publicado em Maio e dei uma espreitadela no primeiro capítulo. Segundo o autor, Richard Norton Jack, o nome do médico no parto do futuro-cantor era Doutor Pereira. Por acaso, o nome de solteira da Senhora Humperstonk também era Pereira. Talvez fosse o avô dela…?

Pois, fosse quem fosse, a minha filha pode gabar-se do seu bisavô…