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Madeira 4 – It’s the Fanal Countdown

Na sexta-feira, subimos montanha acima (estas palavras podem iniciar qualquer história que tem lugar nesta ilha) novamente. Há lá uma floresta com um trilho de caminhada com vistas incríveis. Gostei imenso mas a adolescente tinha-se esquecido de tomar o pequeno-almoço (ai ai*) e acabámos por desistir da caminhada após 4 quilómetros e tal.

Almoçámos em casa e depois fomos à piscina. Nadámos e lemos até comecei a chuva. Lemos mais em casa até à hora de jantar.

Estávamos todos maldispostos. Portanto deitámo-nos cedo para estarmos de melhor humor no próximo dia.

This is also where we saw the tentilhões I mentioned, by the way.

* I originally wrote “Suspiro” for ‘sigh’ but that’s just not a thing in portuguese.

Thanks to LuisFGCosta for the corrections.

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Madeira Day 3

No terceiro dia das nossas férias, acordei cedo (como sempre!) e fiz os meus planos para a manhã. Pesquisei oculistas perto daqui. Encontrei vários, e até há um nos arredores do* Funchal onde não é necessario marcar consulta. Refresquei o meu conhecimento das letras do alfabeto porque não quero ficar com um par de óculos forte demais por ter pronunciado “E” como “I” ou algo do género.

Fui de carro até ao centro comercial, fiz o exame e comprei uns óculos novos. Senti-me orgulhoso pelo facto do funcionário mal ter tentado falar inglês – apenas quando fiquei confuso sobre lentes de “graduação negativa” mas a minha confusão não era linguística mas sim matemática!

Os novos óculos chegarão no dia 25 ou 26, o que é mais rápido do que normal para quem tenha olhos lixados como os meus. Parece-me uma empresa eficiente: exames à visão grátis, óculos rápidos e… Isto é o mais incrível de tudo: a loja está aberta até às 23h todos os dias! Quem precisa de um exame à visão às 23h? Talvez exista muita gente naquela zona que costume ficar a beber na tasca até tarde e, a caminho de casa, bata num candeeiro de rua com o rosto, partindo os óculos.

Fiquei preso numa fnac que não me permitiu sair sem três livros. Que chatice!

Mais tarde, fomos ao poço das lesmas (Que nome bonito!) para nadar, e depois a um restaurante em São Vicente onde experimentei peixe-espada grelhado enquanto as mulheres partilharam uma espetada madeirense.

Updated with corrections from rubenmiq and dani. Thank you both!

*Most towns don’t take a direct article like this and they usually only do when they are named after some other geographical feature: so o Porto, o Rio and so on. A Funchal is an area planted with funchos – ie, fennel plants. Well well, the more you know!

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Velocidade Madeirense 2 – Ligação Óculo

I originally published this a couple of days back but I’ve updated it with some really interesting corrections from Dani

Levada do Moinho

No segundo dia da estadia a minha família ficou na* cama até tarde mais uma vez. Quando acordaram, fomos ao topo da montanha para dar um passeio no PR7 (Percurso Recomendado Sete) “Levada do Moinho”. O tempo estava belo: fresco sem ser frio, húmido sem encharcar tudo e nebuloso sem esconder as vistas. Adorámos o nosso tempo que lá passámos.

Depois, voltámos a casa, para agarrarmos os fatos de banho e fomos à praia de Seixal onde a areia é preta, mas não por causa dum derramamento de crude**. E aí o dia saiu errado: para quem usa óculos dia após dia, é fácil esquecer-se de que estão na cara e… Para resumir uma longa história, perdi-os no Oceano Atlântico. Bolas. Chamei um táxi para ir buscar o par sobressalente (sou o único que sabe conduzir), o que (mais vale ser otimista neste cenário infeliz) me deu uma oportunidade de falar com um taxista madeirense (um homem interessante que tinha trabalhado na Venezuela durante muitos anos). Mas não há dúvida que esta parvoíce nos fez perder*** muito tempo.

Acho que vou tentar visitar um oculista amanhã se for possível (e se puderem fazer os óculos novos depressa) porque os sobressalentes são antigos e fazem-me doer os olhos.

Chega de autocompaixão! À noite, subimos montanha acima de carro mais uma vez e comprámos uns pastéis e pãezinhos numa padaria… Sei lá… Duzentos metros abaixo da lua. Passei tempo com a minha mulher de modo relaxado o que acontece com muito pouca frequência nos últimos tempos. Foi uma noite agradável, ainda que a Catarina estivesse um pouco desfocada.

* This one sounds odd too English ears since, if you translate it literally, it seems to imply they were both in the same bed. I originally write “em cama” which is too much of a Britishism. So, yes, “na cama” is a generic expression and applies no matter how many people you’re talking about, so you can say King Charles and Rishi Sunak were “na cama” without fear of causing a scandal.

** Yes, “crude”, on its own. This usage can be found on the RTP site here for example. It was corrected from “óleo cru” but I don’t think cru has exactly the same usage as crude. I can find examples of “óleo cru” being used but actually they seem all to be Brazilian, I think…? Here for example. And I think petróleo is probably the word I should have used… OK, I know petrol and crude oil are two different things, but if you Google “derramamento de crude site:.pt” you get more sites showing spillages of “petróleo” (this is the first result) usually with pictures showing black goo flowing out of the side of a ship (eg here – this is the second result in the Google search) , than you do for crude. The RTP page mentioned above is the third Google result, and only the first to use Crude in its headline. I dunno… Maybe journalists aren’t always using the right word. Both words exist, anyway. You’ll just have to work out from the context what specific substance is being scraped off the local marine wildlife.

*** I wrote “esta parvoice desperdiçou muito tempo” but things/actions don’t waste (desperdiçar) time, only people do. A situation like this can only cause the desperdício. So it made us waste/lose time, it didn’t waste it directly, if you see what I mean.

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Madeira Day 1

Acordei cedo mas a família não. Elas estavam ainda mais cansadas do que eu*.

Saímos de casa às 14:00 e passámos a tarde nas piscinas naturais do Porto Moniz. Gostei muito das piscinas apesar de serem frias; quando reuni coragem suficiente para mergulhar na água gelada, foi muito refrescante, e as ondas quebravam nas rochas espetacularmente. Depois, aluguei três espreguiçadeiras (candidata a melhor palavra portuguesa) e sentámo-nos a ler os nossos livros. Levei “O Último Cais” de Helena Marques comigo. No primeiro capítulo, ela fala de “Mergulhos no mar bravio do Porto do Moniz”. A vida imita a arte… Ou ao contrário, não sei.

As piscinas naturais do Porto Moniz

Jantámos num restaurante de peixe. O porco é uma espécie de peixe não é? De qualquer maneira, experimentei a Caçoula à Moda Antiga dos Açores. Deliciosa!

Thanks to rubenmiq for the corrections.

* By making it a new sentence, I can get away with this. I originally write it “a família… estavam… cansadas” and that’s wrong if course because família is singular. The new sentence allows me to switch to discussing two individuals.

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Madeira Day 0

Aqui vamos nós.

Aaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaargh

Uffa, chegámos, sãos e salvos.

Bad form to scream in English, I know. If I’d had more presence of mind, I’d have gone with Ah! or Ai! but nobody’s perfect.

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Auto Estima

Após ter postado as fotos que ela tirou hoje, a minha filha pediu emprestado* do meu telemóvel para que ela possa fazer gosto nelas** todas.

*I wrote “pediu empréstimo” am empréstimo is a loan, so “requested a loan” makes sense but it’s “pediu emprestado” (“asked loaned”) ie she borrowed it. You can also use “tomar emprestado” in the same way.

** I wrote “gostá-las todas” but that’s too literal a translation. She was putting a like on somethung, not just liking it.

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A Tempestade e o Aguaceiro

This is a short little text that got marked by both Talures and Dani Morgenstern who both pointed out some interesting mistakes in my sloppy way of talking about the weather, spawning a further post to try and straighten it out:

Amanhã, planeamos em dar um passeio até ao centro da cidade e depois para um parque onde um filme que gostamos foi realizado. Infelizmente amanhã haverá um aguaceiro. ☔

So what’s wrong with this? Well, it probably stems from the fact that I had been thinking of aguaceiro as being equivalent to “downpour”. It’s not. It’s a short, sharp downpour, no more than 30 minutes. The shortness is part of the definition. So weather forecasts usually predict the likelihood of heavy showers (“para amanhã prevê-se aguaceiros”) rather than one specific cats-and-dogs event at a specific time/place. That was the first discordant note. The singularity. But beyond that, there’s the idea that aguaceiros were “storms”. One of the correctors joked that the met office were covering all bases: if it rained a lot, it was a storm, if it didn’t rain much it was just “aquaceiros”.

On top of that, “haverá um aguaceiro” sounds too definite, as if the met office knows for a certainty what the weather will be. Colloquially, “dá aguaceiros para amanhã” tells you that there are likely to be some. Weather is notoriously hard to predict, after all!

So I had to ask for clarification…

Há uns dias, escrevi um texto sobre “um aguaceiro”, mas não entendi os comentários todos (não me admira: regra geral, entendo pouco) Este texto é uma forma de pensar em voz alta sobre os significados de duas palavras. Escrevi-o nos comentários ao texto original mas acho que é comprido o suficiente para ser um texto em si.

……

Tempestade vs aguaceiro
This sort of thing doesn’t exactly help

Está claro que há alguma coisa aqui que não entendi bem. Achava que “um aguaceiro” significava “um período de chuva forte”, portanto “se chover pouco foi um aguaceiro” deixou-me confuso, mas depois de estudar a definição no Priberam com mais atenção, é forte *mas também passageiro*. Então é uma incidência de chuva que começa e termina de forma brusca. Em Inglaterra, não temos uma palavra específica para isso. Existem algumas semelhantes, mas não existe um sinónimo exato.

Então… Depois de ter lido mais, um aguaceiro é uma chatice que encharca a roupa* de alguém que não tem guarda-chuva, mas, se se tratar de uma tempestade, a chuva virá sob a forma de uma chuvada ou pelo menos uma sequência de aguaceiros… e ventos e trovões e granizo do tamanho de ovos de avestruz e a lua a transformar-se em sangue e o anjo da morte a reclamar as vidas dos primogénitos e aí por diante.

É mais ou menos isto?

And yes, yes it is.

* =singular not plural

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A Reunião

Nós, moradores deste prédio, reunimo-nos ontem num hotel para estabelecer uma associação de residentes. Eu preparei a lista de tópicos para a agenda, boletins de votos e papéis com várias informações. Tudo correu bem e ficámos aliviados porque a pessoa sem papas na língua, que quer sempre falar descontroladamente, mas não faz nada de útil não veio portanto conseguimos terminar tudo sem atrasos e voltámos para casa a horas para jantar!

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“Mary John” de Ana Pessoa

This book was the source of a couple of the recent posts about new vocabulary like “as fresh as a lettuce” and “playing for Benfica“. It seems like a straightforward read at B1/B2 level. The grammar isn’t too complex, but it’s light and funny and has plenty of nice idiomatic expressions, including a rare in-the-wild sighting of “tirar o cavalinho da chuva”. Thanks to Cataohract for the corrections

Mary John de Ana Pessoa

O “Mary John” é um livro juvenil que conta a história duma adolescente chamada Maria João. No início do livro, ela tem um fraquinho por um rapaz que mora no mesmo bairro, mas o rapaz, que é ligeiramente mais velho, acaba por namorar com uma “lambisgóia” (nova palavra!) que chega na praceta onde o grupo de amigos passa o tempo. A lambisgóia fuma e tem piercing no umbigo e fala com a protagonista de maneira desrespeitosa por causa da idade dela, principalmente.

Após algum tempo a mãe da protagonista informa-a de que os dois têm de mudar de casa para uma outra cidade. Lá, no novo lugar, ela conhece um rapaz e os dois apaixonam-se.

Não há mais nada: é uma história quotidiana, sem reviravoltas, sem grandes revelações. Mas é doce: o diálogo entre as amigas na escola é engraçado e os conselhos da mãe e da avó dela sobre amor e sobre rapazes fazem todo o sentido sem serem demasiado “pedagógicos”. Ela cresce durante o percurso do livro e passa a uma nova fase da sua vida.

O aspeto mais esquisito do livro é a estrutura dele: é contado como se fosse uma carta ao rapaz original da praceta. Não entendo porquê. Explica-lhe quão diferente é a vida dela 4 meses depois de mudar de casa. Talvez ela queira escrever a versão mais nova de si próprio mas não tenho certeza. De qualquer modo, espero que ela não envie ao coitado de moço! Além de conter informações que ele não quereria saber, tem 180 páginas!