Posted in Portuguese

Ovibeja

40 Anos de Associativismo
Cartaz de Ovibeja

Ovibeja é um festival que comemora os seus 40 anos em Maio de 2024, tendo estreado em 1984. Naquela altura, era simplesmente uma feira agrícola. Já passei umas horas numa feira semelhante perto de Coimbra quando eu e a macaquinha fomos lá de férias em 2022 mas ao que parece, este é o avó* das feiras todas. Ovibeja, como marca, evoluiu ao longo dos anos, sob a influência da sua comunidade e hoje em dia o leque de atracões abrange concertos das estrelas da música portuguesa, espetáculos de hipismo, e discursos sobre temas ambientais entre muitas outras coisas. O presidente da república apareceu lá no ano passado e duvido que fosse a sua primeira visita! Segundo o vídeo no seu Instagram, tem ar de ser o Glastonbury de agricultura combinado com o Davos também! Não acreditas? Vê o vídeo!

E como é que eu, que não vivo em Beja nem trabalho no setor, conheço o nome desta feira? Por pura coincidência. Há quase 2 anos escrevi um blogue intitulado “Oliver Beiji” Naquela altura todos as publicações apareciam no Tuíter automaticamente e alguém me respondeu: “At first glance, thought you wrote #OviBeja!” Durante todo este tempo, o blogue esteve em em gestação. Valeu a pena?


Oof – WordPress has a new feature where it writes the blog for you using AI. FFS! What even is the point of humans now. Here is what it came up with in response to my prompt

Dá-me um paragrafo que resume a feira Ovibeja

Este evento teve sua estreia em 1984 e tem sido um marco importante no setor agrícola desde então. Oferecendo uma ampla gama de exposições e atividades, a Ovibeja atrai participantes e visitantes de todo o país e além-fronteiras, consolidando-se como um ponto de encontro indispensável para profissionais e entusiastas do setor.

At the time, I’d only written one sentence and it seemed like it was paraphrasing that but it is obviously using text gleaned from the wider internet. If only the CAPLE exam had this feature enabled on all its pencils I might have had better marks but I don’t think I’d feel good about the certificate…

*O originally wrote avô, and there’s no reason it can’t be the grandaddy, but since feira is feminine, it was painted out, why can’t it be the grandmother?

This was originally published in uncorrected form but thanks to Cristina for sorting it out!

Posted in English, Portuguese

Faz-te um Homem, Rapaz (TV Rural)

Well, who fancies a translation? I know I do. First translation of the new year. This one is a bit more poppy and upbeat than some of the ones I’ve done lately.

By the way, can anyone work out what the marioneta is saying at the start? Tell me in the comments because I’d love to know. But even the CAPLE exam setters aren’t sadistic enough to make you listen to a guy talking through a swozzle in their aural comprehension. The creator is currently working with a company called Mãozorra at the moment so if you want to know more, have a look at their site.

PortuguêsEnglish
Modera a ansiedade de te veres a eito 
faz-te calmo e bom proveito
Quando amanhã te levantares 
E achares que é natural 
Não pensares nessa mulher, então 
Tudo vai mal 
Don’t focus on yourself so much*
Calm down and enjoy yourself
When you get up tomorrow
And think it’s natural
Not to think of that woman, then
Everything goes wrong
Quando te ouvires a falar 
Mete a cabeça para dentro 
Quando te ouvires a falar 
Encolhe os ombros num lamento 
Nem penses nisso, então 
Tudo vai mal
Tudo vai mal 
Vai de mal a pior 
E essa coragem, se és capaz 
Faz-te um homem, rapaz 
Já viste o que um dia faz? 
When you hear yourself talking
Put your head inside
When you hear yourself talking
Shrug your shoulders in sorrow
So dont even think about it
Everything goes wrong
Everything goes wrong
It goes from bad to worse
And that courage, if you can
Man up, lad
Have you seen what one day can do?
E se esta noite passar 
Há-de te irritar o dia 
E se esta noite evitar 
O que a estupidez faria 
Pára com isso, então 
Tudo vai mal
Tudo vai mal 
Vai de mal a pior 
E essa coragem, se és capaz
Vá lá, faz-te um homem, rapaz
modera a ansiedade de te veres a eito 
faz-te calmo e bom proveito
Faz-te um homem, rapaz 
Já viste o que um dia faz?
And if this night passes
It’s going to irritate you all day
And if this night avoids
What stupidity will do
So stop that
Everything goes wrong
Everything goes wrong
It goes from bad to worse
Adn that courage, if you can
Go on, man up lad
Don’t focus on yourself so much*
Calm down and enjoy yourself
Man up, lad
Have you seen what one day can do?

*Really paraphrasing here – “Moderate your anxiety of seeing yourself constantly”

Posted in English, Portuguese

Memorial do Convento de José Saramago – Opinião

Memorial do Convento
Memorial do Convento – whoever decided that ALL the Saramago books would be released with this boring cover format really needs to be put in the stocks and have cold pasteis de nata thrown at him until he learns the error of his ways

This book is pretty challenging, especially as an audiobook. I don’t know about you, but I need all my concentration for an audiobook, and it’s much more of a faff to go back and re-read anything you didn’t understand the first time, so i tend to find it takes me ages to plough through. Anyway, Wook have it on audio and they have a paper version too. It’s been translated into English as Baltasar and Blimunda and Foyles have that (I’m pretty sure they have the original too but I can’t find it on their site).

.

.

No dia em que acabei de ler “Uma Aventura nas Férias de Natal”, também ouvi a última hora-e-tal da obra-prima de José Saramago, o “Memorial do Convento”

Este livro é uma leitura mais desafiante do que o outro, mas ainda assim, não é nada complicado. É um romance histórico com elementos de Realismo Mágico. A história tem dois protagonistas: Baltasar Mateus, um soldado que lutou contra os espanhóis mas acabou por ficar maneta*, e Blimunda Jesus, uma mulher jovem que tem capacidades de perceção sobrenaturais durante períodos de jejum.

Tem lugar durante o século XVIII. O rei Dom João V faz uma promessa de construir um convento em Mafra após o nascimento do seu primeiro filho. O poder e a riqueza da coroa portuguesa estão no zénite naquela altura por causa dos lucros oriundos do Brasil, portanto o rei é capaz de apresentar a Deus um edifício magnífico. Assim a monarquia e a aristocracia desperdiçam os bens do Império sem pensar no povo.

Entretanto, os protagonistas participam na construção de uma máquina voadora, “A Passarola”. Na realidade, esta máquina é fictícia… Ou melhor, é meio-fictícia: o inventor, Padre Bartolomeu Lourenço de Gusmão existia mesmo e a ideia da Passarola tem raízes históricas, ainda que não chegasse a ser construída.

Noutras palavras, este livro apresenta uma história alternativa e fantástica do Convento de Mafra (também conhecido por “O Palácio Nacional de Mafra”), com personagens verdadeiras, mas sob o ponto de vista de várias pessoas imaginárias que vivem nas margens da história oficial. Está contado com humor e imaginação.

Este vídeo (cuja criadora é brasileira – cuidado!) explica muito bem o contexto histórico da romance na minha opinião.

*I quite like that, like the eskimos and snow, the portuguese have multiple words for the loss of a bodypart. This one is one-handed, and you might already know zarolho from the poem “Camões, poeta zarolho / fez versos à dona Inês / Via mais ele com um olho / do que tu com todos os três!”

Thanks again to Cristina of Say It In Portuguese for the help.

Posted in Portuguese

Sobremesas

#uncorrectedportugueseklaxon

A minha filha voltou da casa do seu namorado onde ficou durante 3 dias. Eu fiz chili com carne, pudim de leite condensado e umas broas. Mas os dois chegaram com um pacote de 6 pastéis de nata, que tinham comprado da Casa de Natas em Hammersmith. Uau, acho que tempos sobremesas suficientes… 😂

Posted in Portuguese

Teoria das Colheres

Antes do natal, escrevi um prefácio (em inglês) de uma opinião sobre um livro português, na qual utilizei a expressão “If you’ve got the spoons”

Not that kind of Spoons (photo by Philafrenzy)

Este modo de falar é muito moderno mas o conceito é bastante simples e até nós, homens de meia-idade devemos conhecer o sentimento. Christine Miserandino, uma escritora e ativista americana usou a expressão “teoria das colheres” para ilustrar a sua experiência de viver com lúpus, uma doença grave que provoca cansaço excessivo.

Ela sentia-se como se tivesse um conjunto de colheres, e cada vez que tem de fazer alguma coisa ou ler alguma coisa ou pensar nalguma coisa, isto “custa” um determinado número de colheres. Ela tem de pensar “e se não tiver colheres suficientes para cumprir as tarefas todas do meu dia-a-dia?” Se não, talvez fosse melhor guardar as colheres por enquanto e “gastá-las*”em algo mais importante.

Não tenho lúpus mas esta descrição é perfeitamente nítida. Às vezes, novas tarefas e novas atividades entram nas nossas vidas, mas para ocupação já basta a nossa**. Se isto acontecer, segue o conselho reserva as tuas colheres para usar mais tarde.

*I think usar is a more sensible verb to use here and I was advised to change it. I actually decided to stick with gastar but put scare quotes around it because i was following on from “custar” in the previous sentence and the idea that she is “buying” a activities from a fund of energy but I’m probably talking rubbish since if Miserandino wanted you to “spend” the spoons she probably would have called it coin theory, not spoon theory wouldn’t she? Oh well…

**Hm… I worry this sounds like I am minimising lupus in some way. Not the intention obviously – I’ve really just tacked this paragraph on as an excuse to use that phrase from yesterday!

Thanks as ever to Cristina of Say It In Portuguese for her patient corrections.

Posted in Portuguese

Missa do Parto

Além de vermos filmes parvos* em casa hoje, vimos uns vídeos portugueses, incluindo este, gravado perto do Funchal onde existe uma tradição chamada “Missa do Parto”. Este é um ritual religioso e comunitária que comemora os nove dias antes do natal. Os cidadãos vão a pé para a igreja às… Sei lá… Talvez cinco de manhã, cantando e tocando instrumentos. Celebram uma missa, e depois ficam perto da igreja, cantando, comendo e bebendo enquanto o sol nasce e depois arrancam para o trabalho.

*Honestly, so bad. We really embraced the horrible, made for Netflix holiday romance this year.

Posted in English, Portuguese

Errant Preposition Hearts Club Band

Corrections from Português Outra Vez

Frustrating that there isn’t a preposition that sounds more like “George”. Oh well.

Ele entrou na igreja, aproximou-se dum ícone, beijou-o, persignou-se e saiu, balbuciando algo. I wrote “aproximou-se a”. Also, persignar-se (genuflected) was a new word for me!

Vocês vão para o Egito?! Só podem estar a entrar connosco (I hadn’t the faintest idea what this was even meant to be saying so took a total guess on both the verb and the preposition)

Se quisesses ser menos obeso, obedecerias às prescrições do doutor Nunes. (I used the imperative tense, but that doesn’t make sense following in from the imperfect subjunctive)

Em 2003, eu formei-me em Filologia Eslava pela Universidade de Bratislava. (i used “na” as the second preposition)

Posted in Portuguese

O Mangusto

Who knew I’d have two posts mentioning mongooses less than a week apart? Well, here we are!

“O Mangusto” é uma banda desenhada sobre uma jardineira que está atormentada por um mangusto que destrui as plantas da* sua horta. O Mangusto nunca aparece na história e ao que parece não existe – ela está a passar por uma crise pessoal e acho que esta ideia fixa é um método de transferir os seus sentimentos para algo fora de si.

O livro foi escrito e desenhado por Joana Mosi (conhecida por “Mosi” no Goodreads mas sei lá eu por quê!) Embora seja mais simples (em termos de estilo artístico) do que um outro livro para o qual ela contribuiu – “O Outro Lado de Z” – este é muito melhor. Colaborou naquele livro com um escritor que, francamente, não tem o talento que ela tem. Neste livro, foi ela que criou tudo, e o produto tem ar de ser uma obra completa, realizada por alguém que sabia o que queria fazer.

*of her garden not in her garden – I make this kind of mistake all the time through thinking too englishly.

Posted in Portuguese

Uma Família Madeirense – João França

Here’s a review of the book that’s been doing my head in for a while. Not recommended for beginners, but very interesting if you’ve got the spoons to stick with it to the end. Special bonus, to encourage you to read the footnotes, there is a free book giveaway in one of them today. Oooh! Exciting!

Uma Família Madeirense

Uau, este livro surpreendeu-me! Mais sinceramente, deu-me água pela barba: havia tantas palavras desconhecidas, tantos regionalismos e tantas personagens que me senti desesperado. Quase desisti, mas com ajuda do dicionário… e um mapa e uma árvore genealógica e a Wikipédia… consegui, por fim*, entender tudo.

A história desenrola-se entre duas épocas: 1936, durante a Revolta do Leite, um protesto popular sobre um decreto-lei que estabeleceu um monopólio na produção de laticínios nos primeiros anos do Estado Novo e 1975, durante o assim chamado “Verão Quente” que se seguiu à revolução e à queda do governo** de Marcelo Caetano. Como é óbvio, os protagonistas são os membros de uma família, encabeçada pelo Comendador Bonifácio de Oliveira, um homem conservador, monarquista e, acima de tudo, teimoso, que rejeita o seu amigo*** por não concordar consigo sobre a implantação da República.

O livro é curto, tendo pouco mais de 130 páginas, mas o autor consegue incluir**** grande parte da história do país: a transição da monarquia para a República que depressa tornou-se ditadura, e a restauração da liberdade por um golpe de estado, que parecia prestes a dar lugar a mais uma ditadura. Entretanto, os inimigos do estado desaparecem, emigram ou são presos, e a hipocrisia e o conservadorismo da burguesia madeirense são colocados em foco, destacados pelos acontecimentos no palco nacional, mas até eles têm de mudar ao longo das gerações.

Adorei o desenlace. Pareceu-me a conclusão perfeita para esta telenovela literária.

*I wrote “afinal” here and was challenged to explain why that was wrong but my brain is broken so I’ll make that the subject of a future blog post. Anyway, the TL;DR is – that’s wrong!

**I originally wrote “que seguiu a revolução e a queda do governo” thinking like an english speaker, thinking yeah, transitive verb, “it followed the revolution”, but no, in portuguese it follows itself to the revolution. This is one of those grammatical structures that I think if only I understood why it seems natural to put words in that order I’d be a lot closer to thinking like a native.

***The name of the friend (and of the friend’s son who also plays an important role) is Meireles, so it’s sort of spooky that in between drafting this review and publishing it I got an email from another Meireles, Devin Meireles, who has just finished writing his own book about Madeira. Quite a coincidence! Anyway, I don’t know if this Meireles holds unacceptable views on the implantation of the republic like his namesake, whether he is in fact a “jacobino sem vergonha”, but what I do know is that his book, Finding Madeira, is available free on Amazon this week (17-21 December). So if that sounds like something you’d be interested in, have a look and if you like it, drop him a review on Goodreads.

****I used capturar here but that’s too much of an english expression.

Thanks again to Cristina of Say it in Portuguese for her very helpful corrections which I am too addled to understand fully right now but will hopefully make more sense in the morning.