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Consensual

Quero fazer um post curto em inglês porque estou com pressa mas jurei que escreveria mais em português, portanto vamos a isto…

Hugo Gonçalves - Revolução

Vi um vídeo de uma booktuber portuguesa a falar sobre um livro de Hugo Gonçalves. Ela disse que “não é um livro consensual”. Em inglês está frase soa um pouco ameaçadora, como se o autor quisesse prender um grupo de leitores numa gaiola e ler-lhos, quer queiram quer não. Mas isto é um “falso amigo”. Consensual está relacionado com “consenso” (consensus em inglês) e não tem nada a ver com “consentimento” (consent em inglês). Noutras palavras, o livro é polémico e haverá muitos pessoas que gostam e muitas que odeiam. A coerção não está em jogo. Que alívio!

O vídeo está aqui para quem quiser ouvir. Ela diz a palavra aos 0:35.

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Eurovision

A canção escolhida pelo público do festival da canção deste ano, que vai representar o país na* Eurovisão, é o “Grito” de Iolanda. É assim-assim: melhor do que os mais recentes mas não chega aos calcanhares de “Amar Pelos Dois“. Mas não sou crítico de música, portanto não vou falar mais sobre assuntos que não me dizem respeito. O que me interessa mais é uma história que li recentemente sobre o Festival de 1972, dois anos antes da canção mais influente da história das entradas portuguesas, “E Depois do Adeus“.

Eurovision flag

Naquela altura, Portugal estava entre a morte do seu ditador e a morte da sua ditadura, durante a época da liderança de Marcelo Caetano. Um artista chamado João Abel Manta publicou numa revista uma imagem satírica. Uma cançonetista de cabelos brilhantes estava de pé no centro da bandeira nacional, com o círculo dourado e o escudo formando, respectivamente, a cara e a boca dela. A imagem brincava com a ideia do patriotismo ser desvalorizado por associação com aquele espetáculo (ou pelo menos assim afirmou o advogado do artista!) mas foi interpretada** como um ataque à*** bandeira e ao valor do patriotismo, que se encontra sempre na lista “top 4” de virtudes e de valores de qualquer ditadura.

Foi processado mas acabou por ser absolvido.

Saiba mais aqui

*surprisingly a Eurovisão is feminine despite being “um festival”. Não faço as regras.

**I make quite a lot of erros de concordância but this sort of thing is really hard to spot because the noun it’s referring to is about 40 words back.

***”ataque a” , not “ataque em”. I live with the same of translating too literally from English.

Thanks to Cristina of Say It In Portuguese for raising the quality of the language in this post from “Nul points” to “Waterloo”

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Random Witterings

Há uns dias partilhei o texto sobre os principais partidos de Portugal (que aliteração maravilhosa!) porque achava que os estudantes podiam gostar antes das “forthcoming elections” (eleições que vêm) mas os donos do grupo deixaram-no no limbo até ontem, e agora toda a gente acha que nem sequer sei quando as legislativas tiveram lugar.

Noutras notícias, falei com uma ex-professora que me disse que ela tinha votado no Chega. Eu pedi uma explicação porque queria saber. Recebi 53 respostas a fio. Não estou a exagerar: 53, maioritamente com gráficos de barra ou vídeos de estrangeiros de pé na rua. Geralmente, gosto de falar com pessoas com as quais descordo, porque é desafiante, mas nesta situação, faltou-me a paciência para responder a tantas informações.

Thanks once again to Cristina for pointing out the errors in the original version of this page 

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Canadians Are Very Helpful

Acabo de ler a seguinte frase:

(Ela) tem ainda muita dificuldade em andar e o medo tolhe-lhe a vontade quando pega nas canadianas

Estava a imaginar esta cena, com um par de canadenses: Margaret Atwood e Geddy Lee… Ups! Ó Geddy, afasta-te da minha imaginação porque és masculino. Então, Margaret Atwood e Céline Dione, agarradas pela menina, apesar da apreensão dela. Parecia-me um cenário pouco provável. E na realidade, uma canadiana não significa uma nativa do Canadá mas sim uma espécie de muleta moderna, com um tubo de alumínio e um cabo de plástico.

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🤞

Tendo falado tanto da política, estou quase tão interessado no resultado das legislativas (amanhã!) como estou no resultado da votação no meu país daqui a uns meses.

Segundo as sondagens mais recentes, o PS ultrapassou o AD brevemente mas o AD retomou primeiro lugar logo depois. Ambos os partidos principais têm menos de 30% cada um, e o Chega tem 17%. Falei com uma amiga nas redes sociais (cujo ponto de vista é muito mais esquerdista do que o meu) e ela acha que uma coligação AD/Chega é pouco provável e espero que tenha razão porque aquele gajo é insuportável.

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Gordura é Formosura

Antes do movimento de “positividade corporal”, os portugueses já sabiam que há beleza* num corpo com mais calorias armazenadas. Porquê? Será uma questão de moda? Não, mas é verdade que a nossa perceção da beleza muda ao longo dos anos, como outros aspetos da nossa atitude. Mas a origem da expressão “Gordura é Formosura” é mais específica.

Antigamente, a saúde do povo estava constantemente sob ameaça por causa da falta de medicamentos e vacinas modernas e, em determinados lugares e épocas, por causa da pobreza. Doenças graves, como a tuberculose, causaram mortes e sofrimento, mas antes disso, deixaram as vítimas pálidas, amareladas e cadavéricas.

Portanto, a gordura veio a ser um sinal de saúde: se uma mulher estivesse roliça**, com as maçãs do rosto bem rubras apresentaria mais hipóteses de ter filhos saudáveis***.

O fenómeno tem raízes na nossa evolução, claro, e muitos animais comportam-se de maneira semelhante na seleção dos seus cônjuges. Os sinais do nosso passado como mamíferos vêm à superfície em tempos duros, ainda que sejam abafados por camadas de civismo e cultura. Mas, segundo o cirurgião Gil Faria, esta predisposição tornou-se prejudicial nos dias de hoje porque andamos constantemente rodeados por tentações e acabamos por ficar obesos.

Me, demonstrating my suitability as a supplier of genetic material

*I wrote “uma beleza”, pretentiously trying to copy English sentences like ‘There is a beauty in the world, though it’s harsher than we expect it to be.’ (Michael Cunningham, “The Hours”) but it doesn’t seem to translate well and just came across as a mistake so I guess this is not a thing in portuguese.

**I originally wrote gordinha but roliça was suggested. It means round or plump

***I think I phrased it this way because of how I imagine choice was exercised in the past and thinking it was more likely that it would be women who had to meet certain standards to be chosen, but I guess we’re talking about many classes, many countries and many times so I could probably have opened this out a bit…

Thanks as ever to Cristina of Say it in Portuguese for the help with this text

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Com Que Voz

I think this is originally by Amália and based on a poem by Camões, but I like this version a lot. That pianist really needs to sort his posture out though. I’ve never really been that interested in Camané but the Humanos videos I’ve been watching have really made me warm to him.

EnglishPortuguese
Com que voz chorarei meu triste fado
Que em tão dura paixão me sepultou
Que mor não seja a dor que me deixou o tempo
Que me deixou o tempo de meu bem desenganado
De meu bem desenganado
With what voice will I cry my sad Fado
That has entombed me in this hard passion
May the love not be pain that allowed me the time
Allowed me the time of my disenchanted lover
Of my disenchanted lover
Mas chorar não se estima neste estado
Aonde suspirar nunca aproveitou
Triste quero viver, pois se mudou em tristeza
Pois se mudou em tristeza a alegria do passado
A alegria do passado
De tanto mal, a causa é amor puro
Devido a quem de mim tenho ausente
Por quem a vida e bens dele aventuro
But crying isn’t appreciated in this state
Where I never took the time to breathe
I want to live sadly because it turned into sadness
It turned into sadness, the happiness of the past
The happiness of the past
Pure love is the cause of so much evil
Owning to the one who is away from me
For whom I risk life and all its benefits
Com que voz chorarei meu triste fado
Que em tão dura paixão me sepultou
Que mor não seja a dor que me deixou o tempo
Que me deixou o tempo de meu bem desenganado
De meu bem desenganado, desenganado
With what voice will I cry my sad Fado
That has entombed me in this hard passion
May the love not be pain that allowed me the time
Allowed me the time of my disenchanted lover
Of my disenchanted lover
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Night of D’Hondter*

A minha semana política já acabou mas ando a descobrir mais sobre a democracia em Portugal. Falei com uma amiga que explicou o seu raciocínio sobre a votação nas legislativas. Ela não está muito entusiasmada sobre o leque de opções, mas vai votar no PS, principalmente porque ela não quer deixar entrar um candidato do Chega por causa do Método d’Hondt.

Este método é um sistema de votação, inventado por um jurista belga que visa distribuir os mandatos entre os partidos. Tentei ler a página da Wikipédia mas confesso que adormeci após dois parágrafos. Que grande seca! Efetivamente, é uma forma de representação proporcional que é mais limitada do que os outros sistemas disponíveis. Favorece os partidos grandes e as coligações e dá poucas oportunidades aos grupos nas franjas dos sistemas partidários. Se quiseres saber mais, terás de ler o texto na Wikipédia porque falta-me a paciência!

*I can’t tell you how many potential puns I considered before settling on this one “D’Hondt you want me baby?”, “Papa D’Hondt Preach”, “Penny MorD’Hondt” and on and on. In the end, it was the idea of the graphic that swung it for me. If you haven’t seen Robert Mitchum in “Night of the Hunter”, it’s well worth a watch.

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João Sábita (e Nuno Abelha)

O blogue de ontem deu-me a oportunidade de vislumbrar um mundo desconhecido e confuso. Para começar, o homem chama-se João Sábita, certo? (Diz-se “Sa-BI-ta” em vez de SA-bi-ta apesar do acento mas não quero desviar-me do assunto…) Fiz uma pesquisa e encontrei o cantor. Esteve ligado ao carnaval da* Nazaré e trabalha com o artista Nuno Abelha, que também apareceu no vídeo de ontem. Mas… É de facto o mesmo tipo? A cara dele é tão diferente! O aspecto mais óbvio é a sua boca. Os dentes do homem de ontem são dentes de um americano de 20 anos que gastou muito dinheiro no consultório do ortodontista, mas este novo Sábita tem os dentes de Shane McGowan depois de comer uma sandes de pedras. Suponho que terá comprado uma dentadura postiça. Faz sentido. Parece mais saudável em geral mas pode ser resultado das suas bochechas serem mais redondas por causa das dentes. E também deixou crescer os cabelos e rapou o bigode… Está bem, consigo acreditar.

Vendo a página do Nuno Abelha, encontra-se montes de vídeos deste ano com “Marcha (Nome) 2024 Carnaval da Nazaré”. Acho que o Nuno é o produtor/compositor das músicas do carnaval, que possibilita os artistas e as empresas da cidade gravarem as canções para que possam participar nas festividades todos os anos. Não sei… eh pá, adoro a cultura portuguesa mas sou estrangeiro e confesso que estou longe da minha zona de conforto com esta música!

Here are a couple of sample videos. I am loving “Xô Satanás” in the first one!

If you think this is wild, wait till you see the next one
See what I mean?

*As we know, most towns don’t have definite articles but this one does. Normally if a town takes an article it’s when they’re named after a thing: O Rio de Janeiro (the river) or o Funchal (the fennel patch) or O Porto (the harbour). So why is Nazaré an exception? Nobody online seems to know. Nazaré is the same name as the biblical town we call Nazareth though, and I assume the article is there to distinguish this Nazareth from… well… Nazareth. Checking this WIkipedia page, it is mainly described without an article. There are some exceptions though, where it says things like “a Nazaré moderna”, which is quite standard. We would normally use an article for when we’re talking about a specific incarnation of a city, like “a Preston da minha juventude” for example.