Posted in Portuguese

Man and Roupaman

Fiquei intrigado por esta pequena frase. Se o homem levou um tiro no coração, quem se importa se a roupa também foi queimada?

Mas a expressão significa “muito de perto, ou cara a cara” ou seja, Point blank, como dissemos em inglês.

No mesmo livro, deparei numa nova palavra que também tem a ver com roupas, especificamente com roupões:

Ainda que não tivesse visto esta palavra, não perdi tempo em perceber o significado. Xadrez é o jogo de tabuleiro que nos anglófonos chamam de “Chess”, portanto, um roupão axadrezado é simplesmente um roupão feito de tecido que tem um padrão quadrado. Não têm de ser quadrinhos de preto e branco igual a um tabuleiro de Xadrez como o fato do Benny no jogo Fallout New Vegas…

…O roupão colorido de Arthur Dent também é axadrezado.

Este padrão é também chamado simplesmente de “xadrez”, como, por exemplo, nesta loja online (uma camisa, porque é evidente que não é apenas roupões). A palavra “enxadrezado” também existe mas não encontrei exemplos daquela forma na Internet.

Um sinónimo que pare quem não goste de falar de jogos é “escaqueado” mas acho que esta palavra é rara porque quando pesquisei o Google devolveu montes de páginas sobre pessoas esfaqueadas!

Todos estes particípios têm os seus verbos: axadrezar, enxadrezar, escaquear.

Posted in Portuguese

Similitary Intelligence

Como já disse, estou a participar numa maratona literária e uma das categorias é “um género que não costumas ler” e eu escolhi uma antologia de poesia de Manuel Alegre. Sendo homem*, não me dou com poesia, mas o dia 21 deste mês era o Dia Mundial da Poesia, portanto decidi engolir o sapo. Li metade do livro, incluindo este verso na página 20:

“Meu amor disse que eu tinha uns** olhos como gaivotas”. Esta metáfora marcou-me não por ser valida*** mas por não fazer sentido. Porque é que o amante compara os olhos da amada a umas gaivotas? As gaivotas fazem muito barulho. Roubam batatas fritas dos turistas na praia. São brancas. É verdade que voam no céu azul, mas quem tem olhos azuis com íris**** brancas? Ou íris azuis com pupilas brancas? A adequação da expressão terá a ver com a distância, o isolamento ou a vigilância de uma gaivota no céu? Não percebi bem. O amante é um marinheiro e talvez tenha uma perspetiva diferente do que a que nós, que passamos a vida em terra firme, temos.

Mas afinal, esta metáfora é uma metáfora mesmo? Costumo pensar em qualquer expressão deste género como uma “metaphor” em inglês, mas sei bem que temos uma outra palavra, menos eufónica, nomeadamente “simile”. Os professores nos anos oitenta adoravam explicar a diferença, mas não sei se ainda existe nos currículos do século XXI.

E os portugueses também fazem esta distinção? Sim! E a palavra “símile” existe e tem o mesmo significado mas regra geral usa-se “comparação”. O site Ciberdúvidas tem vários artigos sobre metáforas mas nem uma única referência à palavra “símile”, dizendo “comparação” no seu lugar. Veja-se, por exemplo*****, este artigo.

Sei bem como explicar em inglês mas vou pedir um empréstimo ao Ciberdúvidas de certas palavras para preencher as lacunas no meu vocabulário!

Uma metáfora (“metaphor” em inglês) é uma aproximação entre dois termos ou dois objetos sem usar uma partícula de comparação. Assim a aproximação é implícita. Por exemplo

O nosso parlamento é uma pocilga.

Uma comparação (“simile” em inglês) é quase igual, mas, neste caso, usamos a partícula para criar distanciamento do objeto da comparação.

O nosso parlamento é como uma pocilga.

Ambas as figuras de linguagem usam-se na poesia, mas é importante em certas situações, saber a diferença.

*This is a silly joke and not meant any more than I’d I’d said “being British, I never ever use grammar” or “like most people born in the nineteenth century, he had never heard of sexual intercourse because it had yet to be invented”

**The grammar checker doesn’t like this and I suspect it might be an example of poetic language not being like normal spoken language

***I lazily write “apta” as in “an apt metaphor”. Whoops! That seems to be a false friend because that’s not really a thing, and apto has more a sense of “capable”. Valido seems better or possibly adequado (which is another of those words that has a similar meaning but a slightly different weight in Português than its equivalent – “adequate” – in English.)

****Íris is the singular and the plural when it’s used in this sense.

*****I keep putting “por exemplo” et the end of the word, regardless of what else is going on in the sentence but that’s not really how it’s done in portuguese. It’s viewed as an adverb so it gravitates toward the verb. Here’s a Ciberdúvidas article about Por exemplo.

Testing Reader Theories

Thanks to Cristina of Say It In Portuguese for the help with this text. Quite a lot of mistakes crept into the first version. I’m sort of surprised it wasn’t even worse, though, because it’s always hard describing complicated aspects of Portuguese in portuguese.

Posted in English, Portuguese

Fado da Idanha

Here’s a translation of a relatively upbeat, but very traditional Lisbon Fado written by Ricardo Borges de Sousa in the early years of the twentieth century and sung here by Maria Teresa de Noronha. It is well-enough regarded to be the subject of a whole episode of “A Trilogia do Fado” on RTP, but it isn’t the only version of the song; there seem to be lots of variants each with their own set of lyrics.

🇵🇹🇬🇧
Quem me dera que voltasse
O doce tempo de além
Sentada junto à lareira
A ouvir cantar minha mãe
If only you would came back
The sweet, far-off time
Seated together at the fireside
Listening to my mother sing
Ó tempo, tempo ditoso
Da vida eterno sorriso
Que tornas em paraíso
Um mundo tão enganoso
Quando à minha mãe, choroso
Após um beijo na face
Lhe pedia que cantasse
Uma trova de bonança
Esse tempo de criança
Quem me dera que voltasse
Oh time, happy time
Eternal smile of life
That turns in paradise
Into such a deceptive world
When my mother, tearful,
After a kiss on the face
was asked to sing
A soothing song**
That time of childhood
If only it would come back
Tempos que não voltam mais
Da nossa infância ridente
Em que eu vivia contente
Correndo atrás dos pardais
Das paredes dos casais
Que a nossa aldeia contém
Branquinhas como a cecém
Mudas como a gratidão
E recordam com paixão
O doce tempo de além
Times that will never come again
Of our laughing childhood
When I lived happily
Chasing sparrows
From the walls of couples
That lived in our village
White as lillies
Mute with gratitude
And they remember with live
The sweet far-off time

*I really struggled to make sense of the first four lines when I was following the lyrics on letras.com because it has the word “ternas” in place of “tornas”, and fair enough, it does sound like that, but I couldn’t make it make sense. Why is it feminine and plural? is he talking about herself and her friends? But how does that follow on with the line before and after? It was definitely fishy but it could make sense if she was talking about that idyllic scene turning into a deceptive world, so maybe “torna-se”, but that would have the “se” in front of the verb because it’s after que. Tornasse? But why would it be subjunctive? I had a look around but most online sources seem to have screen-scraped letras.com so they had the same word. Then I found a site that used “terras”. I hate that less, but I still don’t buy it. And then finally I came across this site that uses “tornas” and I am absolutely ready to believe that!

**I wasn’t sure about this one, but when you look up trova and bonança, it makes sense. I tried the whole line in gtranslate and it said “a thunderous bonanza” which doesn’t really fit the mood.

Posted in English, Portuguese

The Road at Preposition… I mean “to”… Yes, as I was saying, The Road to Preposition.

Annoyed to find I got about a third of these wrong. Even after two more attempts at guesses I was still two short of a full house. Maddening! How can prepositions be so completely hatstand? So I’m putting the whole exercise up here and writing up the reason for each one in a way that will probably make the whole thing illegible but hopefully should pound the message into my brain. The original text is from Visão, I think, but it doesn’t seem to be online so I can’t link to the original – it’s cited in Português em Foco.

A fellow preposition non-understander in action

Green is for the prepositions themselves

Pink is for the explanations

Cresce a moda dos treinadores que vão a (I put à, but they’re visiting clients “at home”, not “at the house”) casa, mas só para (straightforward “for”) quem pode pagar‑lhes e detesta ginásios!

Duas da (“de tarde” would be in the afternoon, but adding the article indicates something like “the afternoon in question”) tarde. Equipada a (I used “com” which Linguee seemed to think was the most likely option but equipada a rigor seems to be a set phrase for “in your gym kit”) rigor, Maria João recebe o treinador que, durante uma hora, lhe puxará pelo (puxar pelo físico is another expression and it just means “work out”. I had no idea and just guessed some old rubbish) físico, sem (straightforward “without”) sair de casa. Os ensaios no Teatro Infantil de Lisboa não roubam à (extremely counter-intuitive for english-speakers, but “roubar a” means “steal from”) atriz, de (straightforward “of” – because she is 40 years old) 40 anos, as duas ou três horas semanais de treino com o Paulo, responsável pela (responsável por / responsible for) sua boa forma. Maria João explica a opção doméstica: a sua profissão é muito exigente e a deslocação a (“deslocar(-se) a” means to go to relocate – or just go somewhere, really) um ginásio é tempo perdido. Além de (além de just means “aswell as”) que as aulas em (straightforward “in”) grupo raramente correspondem às (straightforward “to the”) necessidades particulares de (straightforward “of”) cada um.

Paulo, o treinador privado, diz dominar uma técnica especial. Os exercícios dele exploram a funcionalidade do corpo humano, o que quer dizer que obrigam a pessoa a (straightforward “to” – which you need after “obrigar”) trabalhar os músculos da (unexpected use of “of the same way” where in english we would say “in the same way”) mesma forma que os usa no dia a dia. Um colchão, uma bola suíça, uma bola medicinal, bandas elásticas com pegas e uma plataforma instável destinada a (straightforward “to”) treinar o equilíbrio do aluno são os apetrechos que leva consigo para as casas dos clientes. De (De is used to indicate “wearing a…”) camisola preta, com (striaghtforward “with”) Treinador Pessoal escrito a (counter-intuitive use of “a” where translating literally from english would make you want to write “em” because it’s written in white) branco nas costas, ele incentiva Maria João a (a-infinitive = “contracting”) contrair os abdominais, a (a-infinitive = “relaxing”) relaxar os braços, a (a-infinitive = “lifting”) levantar a perna esquerda e a (a-infinitive = “offering”) oferecer resistência ao movimento do elástico.
Os treinos individuais ao (straightforward “at the”) domicílio custam entre (straightforward “between”) 30 e 70 euros por (straightforward “per”) sessão e duram de (straightforward “from”) 60 a (straightforward “to”) 90 minutos.

Embora as condições em casa não tenham comparação com (straightforward “with”) os equipamentos, os estúdios ou as piscinas dos ginásios, há vantagens na (straightforward “in the”) opção doméstica, sobretudo para (straightforward “for”) figuras públicas que querem fugir de (I put “aos” and then changed it to “a” and actually I don’t think I was on the wrong track. “fugir a” and “fugir de” both mean to escape from, as opposed to “fugir para” which is escape to”) olhares alheios, em recintos sobrelotados.

Maria Duarte, de (…she was 30 years old…) 30 anos, gestora, outra cliente de Paulo, só vê benefícios no treino caseiro. Além de (além de again: aswell as) ter dois filhos pequenos, já andava desmotivada por (straightforward “from” or “by” or “as a result of”) ir ao ginásio, porque durante um ano não conseguiu obter os resultados que pretendia. Agora dá‑se por (According to the invaluable Guia Prático, “dar-se por” means “julgar-se”, “considerar-se”, “sentir-se”) satisfeita. As duas horas que perdia no (straightforward “in the”) ginásio a fazer máquinas equivalem a (straightforward “to”) 30 minutos de exercício em casa, com os equipamentos que o Paulo traz.

O professor alerta para (straightforward “for” although I went for “a” and I think it feels like a more direction-y “to” than I would intuitively expect because even when it told me I was wrong I tried “de” and “com” and this ended up being one of the two that I were still wrong at the end) os esforços exagerados que poderão ocorrer nos ginásios. É preciso dividir o nosso corpo em partes e trabalhar uma de (um(a) de cada vez just means “one at a time”) cada vez, em sessões diferentes.
Deve‑se dar descanso ao (straightforward “to the”) físico e manter uma alimentação saudável prescrita pelo (straightforward “by the”) dietista. Paulo aconselha, no (counter-intuitive use of “no” when a literal translation would push me towards “ao” for “at least”) mínimo, três meses de trabalho para (straightforward “for” in the sense of “in order to”) se obter resultados concretos. O negócio parece correr‑lhe de (de feição is an expression meaning “de forma favorável ou propícia”) feição!

Posted in Portuguese

Mais Um Festival da Canção

Esta imagem faz parte da mesma BD de há uns dias. É mais um retrato autêntico de um evento na crónica de Lisboa que tem a ver com um festival da canção, mas neste caso, não é o Festival Eurovisão da Canção que tem lugar anualmente. Este é uma publicidade* a uma revista, ou seja, um espetáculo de variedades.

Existe um vídeo a preto e branco desta revista no site da RTP. Segundo o autor da vinheta**, o espetáculo foi renomeado depois da revolução porque deixou de ser necessário calar na época da liberdade de expressão.

PS – Um dos atores, Henrique Santana, é filho da estrela do filme “A Canção de Lisboa“, Vasco Santana

*Publicidade for an event, anúncio for a product

** a vinheta is a single square in a BD. I’d heard “quadrinho” for the same thing

Thanks to Cristina of Say it in Portuguese for pointing out the various errors and temporal paradoxes

Posted in Portuguese

O Pequeno Livro dos Medos Sergio Godinho

O Pequeno Livro dos Medos

O Pequeno Livro dos Medos é um livro infantil que está disponível como Audiolivro na livraria Wook. O autor fala, sob a perspetiva de uma criança, sobre o significado da palavra e como nós sentimos esta emoção tão constrangedora. O terceiro capítulo é um conto, lido ao narrador pelo avô dele que foi originalmente escrito para o seu filho (ou seja para o pai do narrador quando era jovem… eh pá, esta frase precisa de uma árvore geneológica para ilustrar estes relacionamentos, não é?).

Sendo um livro infantil, a linguagem é muito fácil em termos da gramática, mas o seu estilo* não é tão simples que se torne aborrecido para leitores mais crescidos. Recomendo para quem nunca tenha lido** um Audiolivro em português, mas queria experimentar.

*I wrote “estilo de escrever” but it sounds redundant since estilo is more specific than “style” (definition 6 here)

**Nesta casa, não aceitamos que ouvir um audiolivro “não conte” como leitura!

Thanks to Cristina of Say it in Portuguese for unfudging this box of chocolates

Posted in Portuguese

Maratona Literária

Hoje é o aniversário do nosso casamento. 22 anos de casamento luso-britânico! Mas não é por isso que venho, por este meio, bloguear. Hoje é o primeiro dia da primavera e vou participar numa maratona literária baseada na estação do ano em que estamos a entrar. A anfitriã é uma booktuber portuguesa e ela escolheu 16 categorias relacionadas com aquele tema. Estou ligeiramente preocupado pelo tamanho do desafio: 16 livros é muita coisa! Serei capaz de ler tanto e continuar a fazer o meu trabalho de casa? Vamos ver. Mas entretanto, aqui está a minha TBR! Fazemos votos de uma boa primavera, um casal no verão da nossa vida junta!

1. Livro recomendado no bookmediaBreviário das Almas (Joaquim Mestre – mas não me lembro quem mo recomendou 😕)

2. Livro onde há uma mudança A Noite (José Saramago – Spoiler alert, o que muda é o país)

3. Livro que aborde Liberdade Vinte Cinco a Sete Vozes (Alice Vieira – mais um livro sobre o dia 25 de Abril, que será durante a maratona)

4. Livro com flores na capaO Que Dizer das Flores (Maria Isaac)

5. Livro cujo título comece com a letra R (de Renascer) Regras de Isolamento (Djamilia Pereira de Almeida, Humberto Brito)

6. Livro de autoria NacionalA Sereia de Curitaiba (Rhys Hughes – o único livro que tenho de um autor britânico mas escrito em português)

7. Livro cuja capa tenha tons verdes e/ou amarelo Almanaque da Língua Portuguesa (Marco Neves)

8. Livro com humor Certas Coisas que Não Sei Explicar (João Quadros)

9. Livro com personagens LGBTQIA+No Meu Bairro (Lúcia Vicente – encomendei este livro da Wook porque não tenho nada do género em casa. Espero que o carteiro saiba nadar)

10. Livro infantil ou que remeta à vossa infânciaDoze Reis e a Moça no Labarinto do Vento (Marina Colasanti)

11. Livro de um género que não costumas ler País de Abril (Manuel Alegre – mais uma vez, enfrento o meu inimigo: poesia)

12. Livro de uma série (mínimo duologia)Uma Aventura nas Férias de Páscoa (Ana Maria Magalhães e Isabel Alçada… O quê? Faz parte de uma série!)

13. Livro que tens estado a adiarA Noite em Que o Verão Acabou (João Tordo – comecei este livro durante uma maratona do ano passado mas não consegui terminar e logo depois comecei mais uma maratona. 460 páginas ficam por ler)

14. Livro com vários pontos de vista (capítulos por personagem)Se Perguntarem Por Mim Digam que Voei (Alice Vieira – acho que tem capítulos do ponto de vista de cada um das três raparigas)

15. Livro com mais de 400 páginasMeridiano 28 (Joel Neto – este tem bom aspeto mas estes calhamaços portugueses assustam-me)

16. Livro com menos de 200 páginas – A Implosão (Nuno Júdice – quero incluir um livro deste autor porque faleceu recentemente)

Posted in Portuguese

Unraveling Jokes

Falando de Marcelo Rebelo de Sousa no programa, “Isto é Gozar Com Quem Trabalha” (que oiço como Podcast) , Ricardo Araújo Pereira disse “Cabe-nos a nós a honra de condecorar Marcelo Rebelo de Sousa com a pouca-conhecida… É uma comenda nova que é A Desordem da Ordem do Infante Dom Henrique”.

Quando ouvi isso, achava que o humorista estava a falar da banda das três ordens, mas reli o meu antigo texto e não, a Ordem do Infante Dom Henrique não é entre as três ordens. Que raios? Quantas ordens existem neste país? Segundo a Wikipédia, é uma ordem honorífica cuja filiação é composta de pessoas que renderam serviço à República no estrangeiro ou na expansão da cultura portuguesa. Quando li isto, entendi a imagem que ilustrava o Podcast daquele dia. Suponho que o RAP está a exibir a medalha que acaba de atribuir ao Marcelo!

In between writing this and publishing it, I noticed a video from Mia Esmeriz that dropped on the tenth of March, just before the merda hit the ventilador, in which she talks about Isto é Gozar com Quem Trabalha, so here’s a link for anyone who wants it.

Posted in English, Portuguese

Let Me Hear Your Body Talk, Body Talk

I’ve already done a post on this, but you know what they say “You can never have too many blog posts about idiomatic expressions based around body parts”, and you know, they’re right.

Aqui está um resumo das expressões idiomáticas que usam o recurso a partes do corpo e os seus equivalentes numa língua falada pelos habitantes duma ilha húmida perto da França:

🇵🇹🇬🇧
Ter a barriga a dar horas
(estar com fome)
To have a rumbling stomach
Dar o braço a torcer
(Aceitar que não tem razão)
To throw in the towel
Estar pelos cabelos
(Estar desesperados)
To be having kittens
Ter as costas largas
(Aguentar com as responsabilidades)
To have broad shoulders
Ter as costas quentes
(Ter proteção de alguém
To have friends in high places
Falar pelos cotovelos
(Falar demais)
To talk the back legs off a donkey
Ter dor de cotovelo
(Ter inveja, ciúmes)
To be green with envy.
Esta expressão é, para mim, uma das expressões mais inéditas na língua portuguesa. O que é que os cotovelos tem a ver com ciúmes? Segundo a ciberdúvidas, (e uma professora que é especialista de cotovelologia) a expressão vem da dor intensa de bater com o cotovelo em algo, que é igual à dor de ser traído ou de não ter algo que desejamos. Pois é.
Fazer algo em cima do joelho
(Fazer algo depressa)
To dash something off, or do something on the fly
Saber na ponta da língua
(saber de cor, saber bem)
To know by heart (NB NOT to have something on the tip of your tongue)
Ter uma palavra debaixo da língua
(estar quase a lembrar alguma coisa)
To have something on the tip of your tongue
Dar com a língua nos dentes
(Contar um segredo)
To spill the beans
Estar com as mãos na massa
(estar a tratar de um assunto)
To be on the case
Estar com uma mão atrás e outra a frente
(Estar na miséria)
To be down in the dumps
Estar de mãos atadas
(Não ter poder)
To have one’s hands tied
Acho que esta expressão é a primeira que é igual em ambos os idiomas!
Ter a faca e o queijo na mão
(Ter o poder ou a facilidade de fazer alguma coisa)
Hum… confesso que não conheço uma expressão equivalente*… Mas adoro esta expressão. Nunca ouvi antes.
Uma mão lava a outra
(Ajudar-se um ao outro)
One hand washes the other
Meter o nariz onde não é chamado
(Imiscuir-se na vida dos outros)
To stick your nose into other people’s business
Custar os olhos da cara
(Ser muito caro)
To cost an arm and a leg
Ter mais olhos que barriga
(Pensar que se vai comer mais do que realmente consegue comer)
To have eyes bigger than your stomach
Entrar por um ouvido e sair pelo outro
(Não dar atenção)
In one ear, out the other
Estar com a pulga atrás da orelha
(Estar desconfiado)
To smell a rat
Com uma perna às costas
(Fazer algo facilmente)
With one arm tied behind one’s back
Fugir a sete pés
(Fugir rapidamente)
To hightail it
Meter os pés pelas mãos
(Confundir-se ao fazer ou dizer alguma coisa)
Put your foot in it (Interessante que em inglês metemos os nossos pés na “mouth” que soa como “mãos” em PT)
Estar com a corda na garganta
(Estar numa situação desesperada)
To be up against it
Meter o rabo entre as pernas
(Dar-se por vencido)
To have one’s tail between one’s legs
Fazer das tripas coração
(Suportar com paciência, encher-se de coragem)
To man up, to pluck up courage, to screw one’s courage to the sticking place

*The people have spoken and they have suggested this page: “To have the upper hand”, “to hold all the aces” and “to be in the catbird seat”. The whatbird? Well, To hold all the aces is close. I don’t think either that or “To have the upper hand” are quite right though. Both suggest that you are in a position to defeat an opponent, whereas “Ter a faca e o queijo na mão” seems to be defined as having the power or ability to achieve something, more generally (ref: Priberam). Anyway, it’s better than anything I can think of, so I’m not complaining! But I had a poke around and I came across This Guy’s Very Good WordPress Post . He describes it as having all the necessary items to hand to get the job done: “Assim, sempre que alguém tem as capacidades ou os instrumentos para terminar uma tarefa, cumprir um objetivo ou obter um qualquer benefício, diz-se que essa pessoa tem a faca e o queijo na mão.” In english, if you were in this situation, what would you say? “I’ve got all my ducks in a row”.

Thanks to Cristina for the corrections