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Reading (and Watching) List

Reading a book

Eis a minha lista de livros para quem quiser saber mais sobre a revolução em Portugal, e os anos antes e logo depois

Livros já lidos

Livros que quero ler mas ainda não li

Livros que não li porque não são livros mas sim filmes

  • Capitães de Abril (disponível aqui em português e acho que o Apple TV tem uma versão dobrada ou legendada mas não tenho)
  • Escolha insólita: Prazer Camaradas é estranho mas numa maneira interessante. Existe uma versão gratuita no Arquivo da Internet mas não experimentei porque tenho um DVD portanto sei lá o quão nítida é a imagem. Boa sorte!)
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O Dia 25 de Abril em Londres

Perguntei-me se havia alguns eventos agendados aqui em Londres para comemorar o dia 25 de Abril. A maior parte do programa decorre na Tate South London Library em Lambeff. Desculpa: Lambeth, uma zona onde moram muitos lusófonos.

Tate South London Library

Há um discurso lá hoje (quarta-feira) de noite e vários outros eventos em April, em Maio e em Junho, mas não há nada marcado para o dia 25.

Não vi qualquer anúncio de eventos na página da embaixada portuguesa, mas a minha visita não foi um desperdício de tempo porque encontrei uma notícia sobre um concerto de Mariza aqui em Londres. Nem a página de eventos no Face nem a Sociedade Anglo-Portuguesa têm nada.

Sem dúvida haverá outras festas privadas ou comunitárias mas o único evento público que tem lugar no dia do aniversário é no café “A Portuguese Love Affair”, que irá apresentar um evento chamado 25 de Abril Sempre. Apetece-me participar, ainda que seja em Hackney.

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Free Buarquing

Já publiquei uma tradução de outra canção de Chico Buarque, mas ouvi falar desta em relação às comemorações do aniversário da Revolução dos Cravos. Hum… não me sinto grande fã deste artista, mas cada vez que escuto com mais atenção uma música dele, adoro-a e aprendo muito. Acho que chegou a hora de ouvir os seus discos todos.

(Ah ah ah, discos, sim, escute os seus discos, avô, nós estamos a ouvir no Spotify)

“Tanto Mar” é uma música que ilustra certas coisas sobre a época e sobre a relação entre os dois países, Portugal e o Brasil. Existem duas versões na Internet, e eu pensei, “está bem, a segunda é uma gravação nova da mesma canção”. Mas não é! O cantor escreveu a primeira versão em 1975, um ano depois da revolução e dedicou-a ao povo português – ou melhor, à revolução em si. Naquela altura, o Brasil também estava em plena ditadura militar (um governo que permaneceu em vigor desde 1964 até 1985), portanto a revolução no país menor deu motivo para esperança no maior. As letras refletem aquela esperança mas por isso mesmo, foram censuradas pela ditadura brasileira.

A segunda versão foi lançada 3 anos depois, em 1978, mas desta vez com letra atualizada. Existe um sentimento agridoce perante a crise de 25 de Novembro, o enfraquecimento dos objetivos da revolução e a realidade que a passagem dos anos trouxe. Mas apesar de tudo, a esperança é ainda evidente.

Em baixo, traduzi as duas versões. Gosto da simplicidade da poesia. Um escritor menos talentoso teria tentado escrever algo maior, e teria enchido cada verso de sentimentalismo e cliché, mas esta letra é curta e limpa e não tem uma única palavra a mais.

Just a reminder, obviously, this is in PT-BR, so in case anyone is avoiding brazilian accents on their learning journey, allow me to sound the 📢#BRAZILIANPORTUGUESEKLAXON📢 as a warning.

PortuguêsInglês
Sei que estás em festa, pá
Fico contente
E enquanto estou ausente
Guarda um cravo para mim
I know you’re having a party, man
I’m glad
And while I’m away
Save a carnation for me
Eu queria estar na festa, pá
Com a tua gente
E colher pessoalmente alguma flor
No teu jardim
I wanted to be at the party, man
With your people
And pick a flower in person
in your garden
Sei que há léguas a nos separar
Tanto mar, tanto mar
Sei também quanto é preciso, pá
Navegar, navegar
I know there are miles* between us
So much sea, so much sea
And I know how much we’d have to
Navigate, navigate**
Lá faz primavera pá
Cá estou doente
Manda urgentemente
Algum cheirinho de alecrim
It’s spring there, man
Here, I’m sick
Send, urgently, some
Fleeting scent of rosemary
PortuguêsInglês
Foi bonita a festa, pá
Fiquei contente
Ainda guardo renitente
Um velho cravo para mim
It was a great party, man
It made me happy
I still hold stubbornly
An old carnation for myself
Já murcharam em tua festa, pá
Mas certamente
Esqueceram uma semente
Em algum canto de jardim
The (flowers) withered at your party man
But certainly
They left a seed
In some corner of the garden
Sei que há léguas a nos separar
Tanto mar, tanto mar
Sei também quanto é preciso, pá
Navegar, navegar
I know there are miles* between us
So much sea, so much sea
And I know how much we’d have to
Navigate, navigate**
Canta a primavera, pá
Cá estou carente
Manda novamente
Algum cheirinho de alecrim
Sing the spring, man
Here I am in need
Send me again
Some fleeting scent of rosemary

* =Léguas is more like leagues but it would sound confusing in english so I fudged it

**Maybe I should have fudged this one too: naveger is much more specifically about travelling in a ship, as opposed to english where it’s more like “finding your way”

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Grito

I thought I’d have a go at translating this year’s eurovision entry into english. I can’t say the experience of reflecting on the lyrsics really made me like it more, I’m afraid… It’s OK, but it’s not getting me excited.

PortuguêsInglês
Ouvi, senti, o corpo a carregar
Seguimos assim, um e outro, um e outro, um e outro
Sou queda livre, aviso quando lá chegar
Entrego-me aqui, pouco a pouco
I heard, I felt my body charging up
We carry on like this, one and another, one and another, one and another
I am freefall, I’ll tell you when I get there
I deliver myself here, little by little
Passo largos, presa na partida
Quero largar o que me deixou ferida
Peço à estrela-mãe que faça o dia nascer de novo
E entregue à coragem que ainda arde, ainda arde
Bate a luz no peito e abre
Sou chama que ainda arde, ainda arde, ainda arde
Big steps, caught at the departure
I want to let go of what left me wounded
I ask the mother star that she makes dawn come again
And surrender to the courage that still burns, still burns
Let the light strike my chest and open
I am flame that still burns, still burns, still burns
Hoje eu quero provar a mim mesma
Que posso ser o que eu quiser (que eu quiser)
Juntar quem me quer bem numa mesa
Perdoar quem me quis ver sofrer
A mim não me enganam (não, não)
Eu sou todo o tamanho (sou)
Ainda lembro quando era pequena
Eu sonhava primeiro
Today I want to prove to myself
That I can be what I want (what I want)
Bring together those who love me at a table
Forgive those who want to see me suffer
They won’t fool me (no, no)
I am gigantic
I still remember when I was small
I used to dream first
Passo largos, presa na partida
Hoje eu largo aquilo me deixou ferida
E peço à estrela-mãe que faça o dia nascer de novo
E entregue à coragem que ainda arde, ainda arde
Bate a luz no peito e abre
Sou chama que ainda arde, ainda arde, ainda arde
Big steps, caught at the departure
I want to let go of what left me wounded
I ask the mother star that she makes dawn come again
And surrender to the courage that still burns, still burns
Let the sun strike my chest and open
I am flame that still burns, still burns, still burns
Sou chama que ainda arde, ainda arde
Sou chama que ainda arde, ainda arde
Arde, arde, arde
Transformei cada verso de mim
E entregue à coragem que ainda arde, ainda arde
Bate a luz no peito e abre
Sou chama que ainda arde, ainda arde, ainda arde
I am flame that still burns, still burns, still burns
I am flame that still burns, still burns, still burns
burns, burns, burns
I transformed every one of my verses
And surrender to the courage that still burns, still burns
Let the light strike my chest and open
I am flame that still burns, still burns, still burns
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O Almanaque da Língua Portuguesa

Este livro é uma caixa de delícias, dispostas em forma de um calendário. Cada mês tem a sua lista de datas importantes (dias nacionais, aniversários de autores), uma dúvida do mês, dicas para melhorar a escrita, listas de palavras saborosas e umas amostras da perícia do autor no campo da história do desenvolvimento da língua portuguesa.

O formato do livro é perfeito para quem tem pouco tempo ou que anda distraído (como eu nas últimas semanas!) e que quer ler algo interessante mas fácil entre as tarefas do dia-a-dia. Há ideias que aparecem nos seus outros livros mas de forma menos pormenorizada e menos pesada. E também existem novidades.

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O Melhor Audiolivro de Sempre

Eu e a minha família fomos de carro para Preston na segunda feira e voltámos para casa hoje. A minha filha queria ler um livro chamado “Bones and All” e eu queria ouvir um audiolivro portanto fizemos um compromisso: ela leu o livro em voz alta para podermos ler o livro juntos. O livro é parvo mas não importa, adorei apesar do enredo rebuscado.

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Dia das Palavras Cruzadas

Durante um belo momento, achei que o dia 21 de Dezembro é um Feriado em São Tomé e Príncipe especificamente por causa do Dia das Palavras Cruzadas, mas não é. É uma coincidência: o dia nacional daquele país (quando as ilhas foram descobertas em 1470 por João de Santarém e Pedro Escobar) é celebrado no dia dos cruciverbalistas.

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Utilitarismo

Good advice, both for ethicists and language learners

O Utilitarismo é uma filosofia, associada principalmente com o filósofo liberal John Stuart Mill. Esqueci-me do nome da filosofia ontem durante uma conversa. ‘tás a ver a dimensão do meu problema? Nem sequer sou capaz de falar no meu próprio idioma. Não me admira que as palavras portuguesas não estejam na ponta da minha língua. Eh pá…

A teoria diz que devemos agir duma maneira que tenda a produzir mais felicidade (ou “utilidade”) para mais pessoas. Se pensarmos em fazer alguma coisa, temos de nos perguntar: será que esta ação (por exemplo, roubar €10 de um amigo) leva uma felicidade que ultrapassar a infelicidade dos outros

Pros

  • Eu terei €10 com os quais* comprar uísque

Contras

  • O meu amigo perderia €10 de que ele precisa para comprar fraldas para o seu bebé
  • O mesmo sentir-se-ia traído
  • Provavelmente deixariamos de ser amigos logo a seguir
  • Ressaca

Em suma**, não seria ético. Que pena. Então como obter o uísque?

Para mim, este princípio ético é como a mecânica clássica de Isaac Newton: é um sistema que funciona na maioria das situações. Mas tem os seus limites. É fácil encontrar exceções e paradoxos. O meu exemplo favorito tem a forma de um conto: “Os Que Se Afastam de Omelas”, de Ursula Le Guin mas existe um ainda mais extremo, chamado “O Monstro Utilitário”

Eu falei da filosofia porque acho-a pouco útil na discussão sobre direitos de animais. Principalmente, acho isso porque não podemos imaginar como os animais pensam e como sentem a dor. Mas também duvido que a filosofia descreva bem a natureza. Por exemplo, um tigre “tem o direito” de*** devorar a minha professora de português? Claro que não. Não me importa se a felicidade do tigre em ter a barriga cheia ultrapassar a chatice de ter de procurar uma nova professora de português. Mas o tigre é um tigre, e para um tigre, a sua natureza é comer humanos e outros animais, quer seja ético quer não, porque é um carnívoro, e para mim, o meu dever é proteger o outro ser humano, por mais esfomeado que esteja o gatão, porque preciso de passar o C2. Duvido que exista um “Cálculo Felicífico” capaz de resolver as perspectivas de duas espécies de animais com visões do mundo tão incompatíveis.

Igualmente, não “tenho o direito” de comer frango piri piri, mas sou omnívoro e a galinha sabe bem. Sou o tigre nesta situação. Um tigre que usa óculos multifocais****.

Ainda que tenha este ponto de vista perante a existência da cadeia alimentar, não acredito que os animais nos pertençam. Quando pensamos em experimentar drogas contra doenças graves, o benefício hipotético de curar a doença de Parkinson parece-me obviamente maior do que o sofrimento de uns gatos ou macacos, mas ainda assim não acho que tenhamos o direito de infligir a dor para concretizar aquele benefício.

E se eu tivesse a doença de Parkinsons e existisse um novo medicamento***** conseguido com ajuda de testes em coelhos? Ou macacos? Ou contabilistas? Recusá-lo-ia eu de aceitar por razões éticas? Deixa mas é de fazer questões difíceis.

Talvez a minha “filosofia” pareça-te escanifobética e até hipócrita. Lá ser é, mas acredites ou não, penso muito sobre isto!  

*Quais, not qual, as I originally wrote, because ten euros is plural whereas in English we’d think of money as a substance and it would almost always be a singular sum of money, no matter how many thousands we were talking about.

**Somehow I managed to write “em sumo” which Er… Is not right.

*** tem o direito de / te direito a

**** Well I’ll be gosh-jiggered, I wrote “varifocais” and would have sworn I’d checked that and used it before but apparently not because it doesn’t exist.

*****Almost fell into the trap of using “Medicina” here. Medicina does mean medicine, but as a discipline, like “I’m studying medicine”, not the pills and potions that we take for what ails us.

Thanks to Cristina of Say It In Portuguese for once again saving me, not from being eaten by a tiger, but from making a lot of grammar errors, which is almost as bad.

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Ligações

Ligações (connections versão portuguesa)

Tenho passado muito tempo com a minha mãe nas últimas duas semanas. Ela gosta muito dos jogos de palavras, como palavras cruzadas. Com resultado, acabei por acrescentar “Connections” ao meu leque de passatempos diários (com termo, quina e Quiz de geografia) . Hoje, por puro acaso, descobri que existe uma versão portuguesa chamada Ligações. Infelizmente, o puzzle* de hoje não era muito interessante e até havia umas palavras inglesas. Buuuu! Mas não vou desesperar. Mais vale experimentar uns quatro ou cinco dias porque o de hoje pode ser um lapso de uma serie de jogos interessantes.

*Puzzle? Mas Puzzle é um falso amigo, não é? Significa o que nós ingleses chamamos Jigsaw. Mas “Puzzle do dia” existe na discrição do jogo no Play Store. Não sei explicar. Talvez o jogo seja brasileiro???