Posted in English, Portuguese

Homework

Expressions relating to eating and drinking, fixed homework, aiming to find equivalent expressions in English. Most don’t have literal identical versions in English, so I’m just looking for something more less equivalent.

Trincar qualquer coisa (Trincar =morder) 

Existem muitas opções. A minha preferida é “Have a little smackerel of something”, que é uma frase do livro Winnie the Pooh

Dar ao Dente 

Não há nada igual, mas talvez “nibble” seja a palavra mais parecida, uma vez que implica o uso dos dentes. 

Morfar (Morfar = comer ) 

Também posso sugerir várias alternativas mas acho que “scoff” é a mais próxima 

Encher o Bandulho (Bandulho =barriga) 

Acho que diríamos “fill your belly” 

Encher a mula (mula = mule)

Não temos uma expressão igual. Às vezes falamos de “fill your boots” (“encher as botas”) que pode ser semelhante mas não tem necessariamente a ver com comida. Pode significar “faz qualquer coisa tanto quanto quiseres”. Por exemplo, “Queres colher rosas no meu jardim? Vá lá! Enche as botas!”

Ferrar o dente

Diríamos “Get my teeth into” alguma coisita. 

Estar com larica (larica =erva daninha mas neste contexto quer dizer “fome”) 

Equivalente a “To feel peckish” 

Enfardar (enfardar = comer muito) 

Equivalente a “gorge” ou “binge” 

Matar o Bicho

Esta expressão pode significar “tomar o pequeno almoço”, ou até “dar uma gorjeta” mas para tratar uma ressaca bebendo aguardente em jejum é chamado “hair of the dog” em inglês. Se fossemos mordidos por um cão, é óbvio que precisaríamos dum pêlo do cão que nos mordeu. [this one is sort of complicated too and probably doesn’t quite mean “hair of the dog” but sometimes it’s just breakfast (implying the “bicho” is hunger) and sometimes just means booze for breakfast (the background explained in a one-minute-long video on this page)

Afogar as mágoas 

A única frase que tem uma equivalente muito próxima: to drown ones sorrows.

Dar de beber à dor

Hum… Drink to forget (beber para esquecer)? Não é igual, mas não consigo me lembrar de uma expressão melhor . 

Estar/ficar bem aviado (aviar =preparar) 

Diríamos “to be well-oiled”. Existem outras expressões mas acho que olear um avião ou um veículo é necessário antes da viagem e daí escolhi esta! [i got the translation slightly wrong originally. There are a few meanings for the word aviar in Priberam and I think I was lulled  by the similarity to “avião” to think of it as preparing for a trip, but it can be other kinds of preparation. For example, here’s a page telling EU citizens how to have their prescription made up in another EU country, and the word used is aviar. I think “Well oiled still works as an equivalent even if it isn’t quite as good as I thought it was]

Beber de caixão à cova (caixão = caixa grande para conter um cadáver; cova = o buraco onde se enterra o caixão) 

Mais uma vez temos muitas expressões tipo “tie one on” ou “go on a bender” 

Emborcar 

Podemos dizer “neck”, que nem sequer é um verbo, mas se fosse uma palavra portuguesa, seria “pescoçar”! 

Apanhar uma piela (piela = estado de estar bêbado)

Embora tenhamos um monte de adjetivos significando “bêbado” acho que não temos um substantivo no nosso calão que represente o estado de embriaguez. Tanto quanto sei, o único exemplo é “swerve” na expressão americana “Get your swerve on”, ou seja, bebe tanto que não consegues andar em linha recta. 

Enfrascar-se (enfrascar-se = meter em frascos) 

Dizemos “crawl into a bottle” que soa muito parecido mas o significado é mais perto de “Afogar as mágoas”. (after I wrote this I remembered that there are a couple of slightly antiquated expressions for drunkenness that are a bit closer: “Potted” and “pickled” both seem like the kind of thing you’d find in a PG Wodehouse novel when a member of the Drones Club had had one too many cocktails but they’re pretty good synonyms I reckon!)

Posted in Portuguese

Erva-de-Namorar

No livro “Breviário das Almas” a protagonista de um conto fala de uma planta que ela chama de erva-de-namorar. A mãe dela diz-lhe para não a cheirar porque quem a cheirar nunca se casará. E quis saber mais.

Segundo o setôr Google, erva-de-namorar é o nome popular* da planta herbácea, Armeria Marítima, mas o que me agarrou a atenção não foi o latim mas sim um outro idioma: o primeiro resultado da pesquisa é a página da Wikipédia Galega. Muitos outros sites na primeira página da pesquisa também se referiam à Galiza. 

Joaquim Mestre é de Beja que fica longe da Galiza, portanto assumo que a denominação existe também em Portugal mas suponho que é mais comum na Galiza.

Mas realmente não faço ideia. Fica o aviso: prestar atenção a esta imagem daquela planta horripilante. E não te esqueças: se alguma vez cheirares esta flor, ou leres um blogue sobre ela, nunca te casarás. Ups! Desculpa, eu devia ter mencionado isso no início do texto, certo?

Do not smell this jpeg

*I wrote “alcunha” but am alcunha is a nickname for a person, not a common name of a thing.

Posted in Portuguese

Breviário das Almas

Breviário das Almas

Este conjunto de contos interligados é incrível. Quero comparar Joaquim Mestre a um autor britânico cuja obra está muito na moda hoje, Alasdair Gray, autor do livro “Poor Things” que foi recentemente adaptado ao cinema. O seu “Unlikely Stories Mostly” também tem ilustrações e também tem elementos de humor e de magia, mas talvez a obra do Gray seja ainda mais lúdica e ainda mais mágico. Uma comparação mais apropriada seria com Calvino ou com Borges. A escrita é onírica, assombrada pela morte, mas tem uma simplicidade e um humor que avivam a leitura. Após algum tempo, vemos os laços que ligam os contos, uns aos outros, tornando o livro quase um romance episódico. Sem dúvida vou procurar mais livros do mesmo autor.

Posted in Portuguese

E  Depois do “E Depois do Adeus”

Publiquei onze textos durante 48 horas, sobre o aniversário da revolução. Estou orgulhoso por ter escrito tantos (embora quatro fossem textos ingleses – buuuu!)

Tenho mais umas ideias em reserva mas hão de ficar para outro dia… Ou para o sexagésimo aniversário (se o presidente André Ventura quiser!)

Como sempre, quero agradacer à setôra Cristina who has corrected a boatload of errors, but I’ve been in such a rush to fix them I haven’t credited her in the individual posts… (Que raios? Mudei o idioma no meio da frase!) portanto estou a fazê-lo aqui! Escrevi tantos textos que provavelmente ainda há erros escondidos nos cantos do blogue mas são por culpa minha, claro!

Sophia de Mello Breyner Andresen

Posted in Portuguese

O Militar que Parou no Sinal Vermelho

A caminho ao seu destino, os militares que participaram na golpe militar seguiram um percurso cuidadosamente planeado. O site do Jornal Expresso explica o plano num mapa interativo e muito detalhado.

O plano incluia a coordenação entre grupos, uma tabela de horas, e as regras de empenhamento: por exemplo, os líderes do Movimento das Forças Armadas deram ordens contra o derrame do sangue se não fosse inevitável. Claro que esta ordem foi fundamental para não deixar escalar a situação, arriscando as vidas da população e a estabilidade da República.

Mas além de não cometer assassínios, o condutor do jipe do Capitão Salgueiro Maia recusou-se a cometer infrações ao Código da Estrada. Existe uma foto do jipe, parado num sinal vermelho, a caminho para derrubar um governo que durou metade de um século!

Mais uma vez, vejo que um pormenor do filme “Capitães de Abril”, que eu acreditava ser acrescentado para fazer rir numa história dramática, é, de facto, verdade! O incidente até faz parte do anúncio do canal RTP1

Posted in Portuguese

Vinte e Cinco a Sete Vozes

Vinte e Cinco a Sete Vozes de Alice Vieira
Aligned to the left, as it should be…

Hoje é o dia 25 de Abril, portanto parecia-me apropriado ler alguma coisa que falasse do aniversário do estabelecimento da democracia em Portugal. A autora, Alice Vieira conta a história através de um conjunto de 7 pessoas, cada uma a falar com uma menina que está a fazer uma pesquisa sobre a revolução.  Os narradores contam as suas experiências à menina e falam com ela*, mas ouvimos apenas as vozes dos testemunhos, e o diálogo não é diálogo mas sim um monólogo capturado no gravador da protagonista silenciosa!

O livro foi lançado em 1999, 25 anos após os tanques darem à luz uma nova fase na história do país. Naquela altura, havia quem estivesse preocupado com a falta de entendimento dos eventos do passado. Hoje passaram-se mais 25 e os resultados da recente eleição indicam que talvez haja ainda menos entendimento, já que os anos setenta parecem um conto datado.

*I wrote “falar a ela” because all the dialogue is just their side of the conversation. “Falar com ela” seemed to suggest two-way traffic which is why I avoided it. It’s a little like listening to one side of a telephone conversation. You know there’s someone else involved but you can only hear the person next to you on the train. In the end, I put “com” back in but altered the corrected sentence a bit to reframe it. I hope it makes sense!

Posted in Portuguese

Reading (and Watching) List

Reading a book

Eis a minha lista de livros para quem quiser saber mais sobre a revolução em Portugal, e os anos antes e logo depois

Livros já lidos

Livros que quero ler mas ainda não li

Livros que não li porque não são livros mas sim filmes

  • Capitães de Abril (disponível aqui em português e acho que o Apple TV tem uma versão dobrada ou legendada mas não tenho)
  • Escolha insólita: Prazer Camaradas é estranho mas numa maneira interessante. Existe uma versão gratuita no Arquivo da Internet mas não experimentei porque tenho um DVD portanto sei lá o quão nítida é a imagem. Boa sorte!)
Posted in Portuguese

O Dia 25 de Abril em Londres

Perguntei-me se havia alguns eventos agendados aqui em Londres para comemorar o dia 25 de Abril. A maior parte do programa decorre na Tate South London Library em Lambeff. Desculpa: Lambeth, uma zona onde moram muitos lusófonos.

Tate South London Library

Há um discurso lá hoje (quarta-feira) de noite e vários outros eventos em April, em Maio e em Junho, mas não há nada marcado para o dia 25.

Não vi qualquer anúncio de eventos na página da embaixada portuguesa, mas a minha visita não foi um desperdício de tempo porque encontrei uma notícia sobre um concerto de Mariza aqui em Londres. Nem a página de eventos no Face nem a Sociedade Anglo-Portuguesa têm nada.

Sem dúvida haverá outras festas privadas ou comunitárias mas o único evento público que tem lugar no dia do aniversário é no café “A Portuguese Love Affair”, que irá apresentar um evento chamado 25 de Abril Sempre. Apetece-me participar, ainda que seja em Hackney.

Posted in Portuguese

Free Buarquing

Já publiquei uma tradução de outra canção de Chico Buarque, mas ouvi falar desta em relação às comemorações do aniversário da Revolução dos Cravos. Hum… não me sinto grande fã deste artista, mas cada vez que escuto com mais atenção uma música dele, adoro-a e aprendo muito. Acho que chegou a hora de ouvir os seus discos todos.

(Ah ah ah, discos, sim, escute os seus discos, avô, nós estamos a ouvir no Spotify)

“Tanto Mar” é uma música que ilustra certas coisas sobre a época e sobre a relação entre os dois países, Portugal e o Brasil. Existem duas versões na Internet, e eu pensei, “está bem, a segunda é uma gravação nova da mesma canção”. Mas não é! O cantor escreveu a primeira versão em 1975, um ano depois da revolução e dedicou-a ao povo português – ou melhor, à revolução em si. Naquela altura, o Brasil também estava em plena ditadura militar (um governo que permaneceu em vigor desde 1964 até 1985), portanto a revolução no país menor deu motivo para esperança no maior. As letras refletem aquela esperança mas por isso mesmo, foram censuradas pela ditadura brasileira.

A segunda versão foi lançada 3 anos depois, em 1978, mas desta vez com letra atualizada. Existe um sentimento agridoce perante a crise de 25 de Novembro, o enfraquecimento dos objetivos da revolução e a realidade que a passagem dos anos trouxe. Mas apesar de tudo, a esperança é ainda evidente.

Em baixo, traduzi as duas versões. Gosto da simplicidade da poesia. Um escritor menos talentoso teria tentado escrever algo maior, e teria enchido cada verso de sentimentalismo e cliché, mas esta letra é curta e limpa e não tem uma única palavra a mais.

Just a reminder, obviously, this is in PT-BR, so in case anyone is avoiding brazilian accents on their learning journey, allow me to sound the 📢#BRAZILIANPORTUGUESEKLAXON📢 as a warning.

PortuguêsInglês
Sei que estás em festa, pá
Fico contente
E enquanto estou ausente
Guarda um cravo para mim
I know you’re having a party, man
I’m glad
And while I’m away
Save a carnation for me
Eu queria estar na festa, pá
Com a tua gente
E colher pessoalmente alguma flor
No teu jardim
I wanted to be at the party, man
With your people
And pick a flower in person
in your garden
Sei que há léguas a nos separar
Tanto mar, tanto mar
Sei também quanto é preciso, pá
Navegar, navegar
I know there are miles* between us
So much sea, so much sea
And I know how much we’d have to
Navigate, navigate**
Lá faz primavera pá
Cá estou doente
Manda urgentemente
Algum cheirinho de alecrim
It’s spring there, man
Here, I’m sick
Send, urgently, some
Fleeting scent of rosemary
PortuguêsInglês
Foi bonita a festa, pá
Fiquei contente
Ainda guardo renitente
Um velho cravo para mim
It was a great party, man
It made me happy
I still hold stubbornly
An old carnation for myself
Já murcharam em tua festa, pá
Mas certamente
Esqueceram uma semente
Em algum canto de jardim
The (flowers) withered at your party man
But certainly
They left a seed
In some corner of the garden
Sei que há léguas a nos separar
Tanto mar, tanto mar
Sei também quanto é preciso, pá
Navegar, navegar
I know there are miles* between us
So much sea, so much sea
And I know how much we’d have to
Navigate, navigate**
Canta a primavera, pá
Cá estou carente
Manda novamente
Algum cheirinho de alecrim
Sing the spring, man
Here I am in need
Send me again
Some fleeting scent of rosemary

* =Léguas is more like leagues but it would sound confusing in english so I fudged it

**Maybe I should have fudged this one too: naveger is much more specifically about travelling in a ship, as opposed to english where it’s more like “finding your way”