Esta frase foi uma das primeiras que aprendi quando fiz os meus passos iniciais no caminho para a fluência. É uma tradução de uma piada de Eddie Izzard, quando aquele comediante ainda tinha graça. Faz referência à tendência dos anglófonos para se fazerem surdos às outras línguas e culturas do mundo. “Chegamos ao Afeganistão” disse ele, “e dizemos ‘sausage egg and chips please'”
Lembrei-me disto hoje porque encontrei esta loja online onde se vendem camisas de ciclismo que acho muito giras. Pois, custam os olhos da cara, mas são lindíssimas!
Mas… Espera lá… A loja fica no Porto, e usa materiais de fábricas locais mas… O site não tem uma versão portuguesa? Que raios? Buuu, hipsters, Buuuuuu!
(thanks to Cristina for spotting the horrible mistakes in the first version of this)
Já sabia que o meteorito que sobrevoou Portugal há uns dias causou um clarão no céu acima de um concerto de Sérgio Godinho mas acabo de ver o vídeo e, uau, que momento serendipitoso, logo no início da sua canção “O Primeiro Dia” (traduzida aqui)
Após ter escrito um blogue sobre expressões para descrever a morte em inglês, decidi voltar ao assunto com um resumo das expressões equivalentes em português. Roubei-as todas de um podcast mas vou parafrasear as definições para fazer um treino mental! A maioria são eufemismos, mas também existe a palavra “disfemismo” que é o oposto, e provavelmente existe em inglês mas nunca se usa, portanto é quase desconhecida, mas quer dizer uma expressão propositadamente irónica ou crua para distrair da realidade da morte quando perdemos alguém.
On of my subscribers reading today’s blog
Então, vamos a isto!
A hora dela tinha chegado – temos esta expressão em inglês também. Significa que a hora da morte da pessoa já chegou
Estar com os pés para a cova – estar quase a morrer
Abotoar o paletó – uma expressão brasileira. Um paletó é uma espécie de casaco largo com bolsos que se usa por cima de outra roupa. Podemos imaginar um cadaver vestido de “fato domingueiro.***
Dormir o sono eterno – esta não precisa de mais explicação, acho eu
Morar para a companhia dos pés juntos – uma expressão militar: uma companhia é um grupo de soldados
Bater as botas – Ainda que já conhecesse esta expressão, eu não sabia que tinha raízes na vida militar: bater as botas é o ato de bater com os calcanhares quando um soldado sai da presença de um superior.
Bater a caçoleta – provavelmente é oriundo da mesma fonte: uma caçoleta é uma arma de fogo.
A última morada – o cemitério, obviamente!
Estar nas Malvas e Jardim das Tabuletas – também se referem ao cemitério. O primeiro enfatiza a presença de uma flor chamada malva (o que nós ingleses chamamos “mallow“) enquanto a segunda faz referência às peças de madeira ou de pedra (lápides), entalhadas com os nomes dos falecidos.
Entregar a alma ao Criador – Uma expressão religiosa, clara
O catolicismo também nos deu Ir desta para melhor e Ir para a terra da verdade* – ambas razoavelmente compreensíveis sem explicação
Esticar o pernil – Este disfemismo faz referência à matança de um porco(!) que, na hora da sua morte, dá um coice reflexivo.
Dar o peido-mestre – é uma versão disfemístico do mais certo “Dar o último suspiro” o que será familiar entre os leitores anglófonos!
Fazer Tijolo(s) – o autor do texto deixou o melhor para o fim: após o grande terramoto de lisboa, os portugueses daquela época precisaram de barro para fazer tijolos. Incluído nesta busca de materiais foi um campo de terra argilosa onde os colonialistas** muçulmanos enterraram os seus mortos antes da reconquista. Os ossos deles (que naquela altura tinham à volta de quinhentos anos!) fizeram parte dos tijolos, e a expressão faz referência a essa profanação.
* This one came up in a previous blog post when I was trying to learn poems by heart. I was studying Rustica by Florbela Espanca and I was confused by her direction of travel. The line was Quando descer à “terra da verdade”… and I mused “I’m not sure what the land of truth means here(…). If it’s heaven, why is she descending and not ascending? I’ve read the bible and spent a lot of time in church but this makes no sense to me I’m afraid.”
**I originally wrote “colonistas” but note that this word doesn’t seem to mean the same as colonist in English. It’s a near synonym of colonialista. I changed it to the more common version, although I think colonizador is probably the word I should have used…?
***Not in the original text, but priberam also has “vestir o paletó de madeira” which is probably what I should have used in place of my earlier blog title “sobretudos de madeira” and might be an explanation of “abotoar o paletó” as well, instead of the one I’ve given in the text (which I found online somewhere…)
Já li três romances desta autora mas este livro é um diário no qual ela fala do seu confinamento em casa e dos seus pensamentos e leituras durante a época mais escura da nossa história recente. Gostei menos deste do que da sua ficção (principalmente “A Visão das Plantas” que foi um dos meus livros favoritos do ano 2023) e, com o conjunto de fotos aborrecidas tiradas pelo conjuge dela, a preto e branco, senti-me ligeiramente deprimido quando virei a última página.
Para ser justo, não estou no melhor estado do espírito, atualmente, para digerir ensaios sobre assuntos pesados, e talvez o tenha julgado mais severamente do que era preciso, mas sinto o que sinto, e não gostei deste livro como dos outros…
Say what you like, this was Simon Farbnaby’s finest hour!
This little exercise is an answer to a question about euphemisms for death in english. None of the translations of english expressions really exist in portuguese. I think I’ll be doing one about actual portuguese expressions around death in a couple of days though. There are loads to choose from!
Sim, existem certos eufemismos ingleses para abrandar o choque de falar sobre a morte de alguém. Além de termos o nosso equivalente da palavra “falecido” (“deceased”), é muito comum falar de um familiar como “no longer with us” (já não está connosco) ou ter “passed away” (foi-se embora). Isto acontece principalmente quando falamos com pessoas que perderam recentemente alguém. Acho que usamos este abrandamento para não magoar alguém por lhe lembrar abruptamente a sua perda. Também temos as nossas expressões coloquiais, muitas das quais são parecidas com as vossas. Por exemplo, nós também vamos desta para melhor (os religiosos dizem “com Jesus”). Não batemos botas nenhumas, mas pontapeamos baldes*? Sim senhora! E também compramos quintas**, mordemos o pó***, rebentamos os nossos… hum… (folheio o dicionário) tamancos****, vestimos sobretudos de madeira***** e empurramos os malmequeres para cima******. Até certo ponto, esta capacidade de rir com a morte é encorajadora. Desrespeitando o ceifador por falar nele assim, ficamos cada vez mais capazes de pensarmos no inevitável fim das nossas próprias vidas sem ficarmos deprimidos.
A Biqueira, a cozinheira madeirense que a minha esposa segue no Instagram lançou um livro há uns meses. Estou curioso por ler mas, tanto quanto sei, apenas se vende em duas livrarias.
Para promover este livro, ela vai “meter o bedelho” num evento em Caniço e mostrou uma receita sua.
Meter o quê?
Um bedelho é uma alavanca que se levanta manualmente sem chave.
E meter o bedelho é uma expressão que significa “intrometer-se” ou seja, fazer ou dizer algo relativamente a alguma coisa ou a alguém que não lhe diz respeito. Estou a roubar estas definições do Priberam, caso não seja óbvio, porque não sabia nada disto!
Há um texto no Português em Foco sobre a “grafitter” (artista de grafíti*) Luísa Cortesão. Segundo o texto, ela foi médica, especialista em endocronologia, mas reformou-se aos 59 anos por motivo de doença. Durante a sua reforma, a neta dela sugeriu-lhe que se inscrevesse num curso de arte urbana, principalmente sobre grafíti e o uso de latas de spray e de estênceis.
Em breve, tornou-se famosa com um estilo característico e uma assinatura em forma de bruxa a voar numa vassoura. Andava a grafitar as paredes da cidade e até deu aulas aos artistas mais novos. Fui procurar o texto original (que foi publicado na revista Visão) mas acabei por descobrir que a artista tinha morrido em 2016 com 65 anos.
*I don’t really know where this came from. Grafiteiro seems more common and I don’t think this word is even used in English. Weird.
Deparei-me com esta palavra no livro “Português em Foco”, e não a conhecia mas (ao contrário do vocábulo de anteontem) não me custou entender pois é muito simples. O escritor falou de uma mulher com “brinco de missangas na orelha”. Uma missanga é uma conta miudinha e redonda, de louça ou de massa de vidro. Mas quando fiz a pesquisa, quase todas as referências à palavra usam outra ortografia. Segundo o Priberam, missanga provavelmente deriva de quimbundo (uma língua angolana), mas é um exemplo de uma palavra que retém a sua divergência ortográfica apesar do AO: escreve-se “missanga” em Portugal e “miçanga” no Brasil. Mas espera lá, porque aqui vem mais uma reviravolta. Apesar de ter uma página a defender a sua escolha de grafia, o Priberam não tem uma definição de “missanga”. A grafia brasileira, “miçanga“, é a única grafia naquele dicionário. Acho que a palavra entrou na língua através do Brasil e por isso, talvez os lexicógrafos tenham achado que seria melhor usar a grafia brasileira como padrão.
Lots of good pun options here: Missanga Impoçible would have been quite good, but maybe a bit confusing.
A tradução de hoje é “Fado Português”. Se Amália cantou alguma canção, acho que convém usar a versão dela como base duma tradução, mas não existe um vídeo dela a cantar esta, e olha, a versão de Sara Correia é ótima, então porquê é que estás a resmungar? Vi-o na app Lingoclip, que estou a usar diariamente. Para ser sincero, é frustrante. Prefiro usá-la no modo especialista porque é mais fácil digitar tuuuuudoooo do que andar de um lado para o outro entre as letras e as opções, mas é preciso ter dedos extraordinariamente rápidos! Mas um fado é mais fácil do que um rap, portanto, se gostares de experimentar, recomendo que comeces com algo deste género.
Português
Inglês
O Fado nasceu um dia Quando o vento mal bulia E o céu o mar prolongava Na amurada dum veleiro No peito dum marinheiro Que, estando triste, cantava Que, estando triste… cantava
Fado was born one day When the wind was barely stirring And the sky held back the sea On the hull of a sailing ship In the breast of a sailor Who, being sad, was singing, Who, being sad, was singing.
Ai, que lindeza tamanha Meu chão, meu monte, meu vale De folhas, flores, frutas de oiro Vê se vês terras de Espanha Areias de Portugal Olhar ceguinho de choro
Oh so much beauty My ground, my mountain, my valley With leaves, flowers and golden fruit See if you see the lands of Spain, Sands of Portugal Vision nearly blind from crying
Na boca dum marinheiro Do frágil barco veleiro Morrendo a canção magoada Diz o pungir dos desejos Do lábio a queimar de beijos Que beija o ar e mais nada Que beija o ar… e mais nada
In the mouth of a sailor Of the fragil sailing boat The tortured song, dying Tell of the torment of desires From the lip burning with kisses That kisses the air and nothing else That kisses the air and nothing else
Mãe, adeus, adeus, Maria Guarda bem no teu sentido Que aqui te faço uma jura: Que ou te levo à sacristia Ou foi Deus que foi servido Dar-me no mar sepultura
Goodbye mother, goodbye Maria Remember what you see and hear* That here I make an oath That I will either take you to the sacristy Or it was God that served me By giving me a grave in the sea
Ora eis que embora outro dia Quando o vento nem bulia E o céu o mar prolongava À proa doutro veleiro Velava outro marinheiro Que, estando triste, cantava Que, estando triste, cantava
Well so it was that the next day When the wind was hardly stirring And the sky held back the sea At the prow of another sailing ship Sailed another sailor Who, being sad, was singing, Who, being sad, was singing.
Ai, que lindeza tamanha Meu chão, meu monte, meu vale De folhas, flores, frutas de oiro Vê se vês terras de Espanha Areias de Portugal Olhar ceguinho de choro
Oh so much beauty My ground, my mountain, my valley With leaves, flowers and golden fruit See if you see the lands of Spain, Sands of Portugal Vision nearly blind from crying
*Not very literal at all but I couldnºt make it make sense if I did it word for word.
Desde a última semana que ando a ver versões desta piada por todo o lado. Um bugalho é um inchaço das células de uma árvore que parece um fruto mas, na realidade, é resultado de doenças ou de parasitas. O puto na imagem chama-se Sebastião Bugalho, um inchaço de células humanas que parece um jornalista mas na realidade a sua fama é resultado da política e de ser o cabeça-de-lista da Aliança Democrática às Eleições Europeias em Junho. Não sei nada sobre este menino mas não importa muito porque o blogue de hoje não é uma biografia dele.
O humor deriva da expressão “trocar alhos por bugalhos” ou “confundir alhos com bugalhos” que significa “confundir duas coisas muito diferentes”. Por exemplo: “Coloquei a colher na lixeira e o saquinho de chá na máquina de lava-loiça. Estou a confundir alhos com bugalhos!” Sendo assim, quando o rapaz fizer um erro em qualquer situação os seus críticos terão uma piada batida na ponta da língua.
Antes de terminar, fica a dica, “bugs com alho” não tem nada a ver com Sebastião Bugalho. É uma receita inventada por Bill Gates. Ouvi falar dela num Podcast americano, portanto deve ser verdade.
Olha, duas piadas num só blogue. Que pechincha!
I hope to have the oppotunity to write about this guy again in the future so I can call the sequel “Electric Bugalho“. As far as I can gather he’s a not very nice bloke, and the trouble with young, charismatic but not very nice people is that you suspect they have a long career of villainy ahead of them, so please don’t take the light-hearted tone of this as an endorsement if he starts committing atrocities 5 years from now or whatever.