Posted in Portuguese

Queria Ter Sabido Antes de Começar a Correr

Attempting to take notes while listening in real time, without skips or pauses, to this video from Hugo Barreto. I’m not going to polish this one or check it, so it’ll probably be full of errors, I just wanted to practice my listening skills.

Começou a correr em 2012. Eis as suas dicas.

Obter ténis adequados.

Usar protetor solar

Hidratação é importante, não só no fim do treino.

Nutrição, se correres uma hora ou mais

Não ter treinos iguais. É importante fazer treinos mais ou menos intensos, incluindo intervalos.

Descansar entre os treinos

Dormir bem para recuperar a força

Fazer treino muscular para fortalecer os músculos das pernas.

Fazer aquecimento antes de todos os treinos

Fazer um plano estruturado.

Também acrescentou mais duas dicas

Recomenda-se nos usarmos provas como parte do treino, e não sermos em modo competitivo em todas as provas, apenas um ou dois treinos chaves.

Experimentar um aquecimento mais estruturado: correr durante algum tempo antes da prova.

Posted in Portuguese

Neon – Rita Alfaiate

Recebi esta BD como presente de uma amiga e comecei a ler quase de imediato.

Conta a história de uma rapariga que vive com o seu cão robô numa cidade quase vazia. A única outra pessoa que ela encontra no seu dia-a-dia é uma empregada do supermercado onde ela faz as compras. A autora faz com que a cidade inteira exista só para ela.

Há pouco diálogo mas a arte é incrível, e adoro como ela usa variações no estilo artístico para sinalizar as emoções da protagonista ou o “tom” da cena. Por exemplo, à volta da página 70, temos uma série de imagens embaciadas em preto e branco, uma que parece um desenho de um livro infantil, e uma muito realista, que espelha os sentimentos de pânico, isolamento e revelação quando ela vai à procura do cão e acaba por encontrar o cinema ao ar livre.

Adorei este álbum e irei procurar mais livros desta autora durante a minha próxima estadia em Portugal.

Posted in Portuguese

Memórias Póstumas de Braz Ucas

Passei algum tempo durante o fim-de-semana no jardim da minha mãe, a arrancar ervas daninhas e a ouvir o audiolivro clássico brasileiro “Memórias Póstumas de Brás Cubas” mas achei-o difícil por causa do sotaque e porque os primeiros capítulos contêm montes de referências literárias e históricas. Enfim, decidi ouvir a versão inglês em paralelo. Alguns capítulos em português e depois os mesmos capítulos em inglês, para remendar os buracos no meu entendimento.

Infelizmente, a versão inglês é a versão grátis do Spotify e é horrível. Acho que foi gerado por “inteligência” artificial com reconhecimento ótico de caracteres. A voz soa humana mas vai lendo erros no texto, tipo “AU” em vez de “All” e assim por diante . De vez em quando, ouvimos um número de uma página, lido em voz alto ou um título numa outra língua qualquer. Acho que seria mais fácil ouvir a versão brasileira sem batota!

O erro que mais me irrita é quando a voz artificial traduz um verbo com o pronome indefinido “se” (veja este blogue como referência dos usos de se em situações impessoais). Seria praticamente impossível descrever precisamente de que modo é que a “inteligência” artificial falha, mas basta dizer que é uma desgraça. Estou a pensar em comprar a versão do Audible, traduzida pela estimada Margaret Jull Costa e lida por um ser humano qualquer. Custa sete libras mas tem de ser melhor.

Por acaso, tenho um trabalho de casa que foca na posição dos adjetivos (antes ou depois do substantivo) e o livro contém este ótimo exemplo:

Tanto quanto sei, o significado é “I’m not an author who has died but a dead man who has become an author”. Daí, (como se explica logo a seguir) a sua campa é o berço do seu estado atual

O livro está muito na moda nos dias que correm por causa de um vlog americano (veja vídeo infra) mas tem estado na minha TBR há meses e estou super-entusiasmado por me gabar de o ter lido em português. Toma, monoglotas*!

*I originally wrote Chupa (Suck!) instead of Toma. Chupa sounds incredibly rude in English, but appears not to be quite as rude in portuguese. Or rather it definitely can be rude in certain contexts, and it’s always fairly uncouth, but when people say “Chupa, Dinamarca” or whatever, after a football game they are just gloating, not making an obscene suggestion, at least according to Priberam.

interjeição

5. [Informal] Indica satisfação, geralmente em relação a uma derrota ou um revés de alguém. = TOMA

“Chupa”, in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2024, https://dicionario.priberam.org/Chupa.

But I asked around and I think the feeling was that it was a bit too spicy and I should de-escalate the situation by using Toma instead. In both cases, they’re interjections. Toma doesn’t really change even if you’re taking to a whole group of people “Coloquei ananás nesta pizza. Toma, italianos!” but with Chupa it seems to be more of an open question whether you say “Chupa italianos” or “Chupem italianos” (ie, conjugate it as a plural imperative because you’re addressing multiple Italians). In the kinds of situations you are saying these types of things, the niceties of grammar are often among the first casualties.

Well, that was an interesting diversion!

Posted in Portuguese

The Walking Dead

Acabo de ler o décimo nono episódio da banda desenhada The Walking Dead. O primeiro foi um dos primeiros livros portugueses que li por completo, e achei-o um método genial para aprender português idiomático. Ainda recomendo que novos leitores experimentem BDs antes de enfrentar um romance.

Infelizmente, a editora Devir deixou de publicar a série após o volume 14 e depois nós leitores tivemos de mudar para a versão brasileira. Confesso que acho um chatice ler tanto calão brasileiro e tenho saudades do meu mundo perdido: Os EUA pós-apocalipticos à portuguesa!

Mas não desesperes! Há uma luz na escuridão! Segundo o site bandasdesenhadas.com, a editora voltará a publicar novos livros. Esperam completar o conjunto em 2025. Fico muito feliz e antecipo ler os próximos volumes em breve.

The Walking Dead 19
Even if you don’t know any portuguese, you can pretty much guess what they’re saying here and none of it is about flowers or kittens.

Entretanto, o Rick carioca não deixa de ser interessante. Este episódio conta a história da aliança entre as três colónias*: Hilltop, O Reino e… A outra cujo nome me escapa… Juntam-se para entrar em guerra contra o grupo de Negan. Ouvi dizer que o Negan se torna um aliado do Rick na série mas é quase inacreditável porque na BD é praticamente o diabo! De qualquer maneira, a ação neste livro é incrível, com poucas páginas perdidas em coisas de telenovela. Acho que é o melhor da série até agora.

Li este livro no app Kobo no meu telemóvel mas não recomendo, porque fiquei com dores na vista. Antes, experimenta o Wook e começa no início!

*I originally wrote “povoação” which I think would normally be used for population, as in “the population of the UK is increasing by 1% per year due to net immigration” but can also sometimes mean a village or settlement (the actual word I was trying to translate) according to Priberam, but it seems povoado is a more natural word, but apparently in the TV series they are referred to as colónias – eg here (but it’s Brazilian so uses a circunflexo)

Posted in Portuguese

Miguel Peixe

Estendi a roupa em casa da minha mãe (estou a falar disto hoje porque moro num apartamento e raramente tenho oportunidade de usar a frase “estender a roupa”) mas logo depois começou a chover. Que chatice!

Posted in Portuguese

Perguntem a Sarah Gross – João Pinto Coelho

Perguntem a Sarah Gross ' José Pinto Coelho

Perguntem a Sarah Gross é um romance que gira à volta da protagonista, que (já adivinhaste?) se chama Sarah Gross, e uma outra personagem, Kimberley, que narra os acontecimentos em Connecticut. A ação abrange décadas e continentes diversos, e a narrativa vai saltando entre a Polónia nos anos vinte do último século e os EUA em 1968-9, e aborda os males de nazismo e do racismo dos Estados Unidos na era da luta pelos* direitas civis dos cidadãos negros.

A Sarah é uma protagonista com um espírito indomável mas também tem um segredo escondido no seu passado, que vem a ser desvendado com o desabrochar dos eventos da história.

Perguntem a Sarah Gross está disponível como audiolivro para quem quiser ler com os ouvidos!

*Good example of a context where, as an english speaker you (or at least I) would naturally be inclined to write para

Thanks as ever to Cristina of Say it in Portuguese for the help

Posted in Portuguese

A Noite – José Saramago

A Noite ' Saramago

A Noite é o… Hum… Sétimo Livro de Saramago que já li, mas é diferente dos outros porque é uma peça de teatro. A ação passa-se no escritório da redação do Jornal de Lisboa nos anos setenta. Durante o primeiro ato, conhecemos as personagens, os seus cargos na empresa e as suas atitudes face ao governo de Marcelo Caetano. Um rádio está a tocar em* pano de fundo. Após algum tempo ouvimos “E Depois do Adeus” de Paulo de Carvalho, e começamos a perceber (se ainda não soubéssemos) em que noite especifica a peça é passa-se. Mais tarde ainda, a abertura do “Grândola Vila Morena” toca, o que causa o editor do turno de noite gritar “Desliga-me isso” e as luzes apagam-se, deixando o palco na escuridão.

No segundo ato, os jornalistas ouvem os boatos da revolução que está em curso, e tentam averiguar os factos. Uma clivagem abre-se entre os apoiantes do regime (principalmente os gestores, o editor e o diretor) e os socialistas (os trabalhadores na sala de impressão**, alguns jornalistas) que vêem com entusiasmo a ditadura a chegar ao fim.

O caos daquela noite é muito bem ilustrado, e o autor também retrata as divisões no país daquela época pelo exemplo de uma empresa cuja estrutura espelha a estrutura da sociedade. Para mim, o pior do livro é o desfecho: achei o coro de vozes demasiado óbvio, como se fosse uma propaganda, mas suponho que, da perspetiva de 1979 (quando a peça se estreou) era importante defender a liberdade, contra quem ainda tinha saudades da PIDE, e talvez seja por isso que às últimas 2 páginas da peça faltam uma certa sutileza visto por gente moderna!

*Em, not no. In background, not in THE background

**A Gráfica would also work for print room

Thanks as ever to Cristina of Say it in Portuguese for the help

Posted in Portuguese

A Implosão – Nuno Júdice

O autor e poeta Nuno Júdice faleceu há pouco. Já li um livro dele, mas foi um livro de poesia e basicamente a minha perspetiva no mundo da poesia é barbárica, até no meu próprio idioma, portanto decidi comprar um romance dele. E que romance desafiante! Fui em busca de opiniões de outros leitores e encontrei um ensaio escrito por um académico da Universidade Católica de Portugal, que fala da “intertextualidade com alguns textos de Guerra Junqueiro ou O Marinheiro de Fernando Pessoa” e logo percebi que este texto podia estar fora do meu alcance!

Mas segui em frente e li o livro e gostei, apesar de tudo. Lembrou-me d’À Espera de Godot de Samuel Beckett, tendo como protagonistas duas pessoas num sítio irreal, com poucas outras pessoas. Falam de coisas que nem sempre fazem sentido: um caixão que talvez contenha armas, escondidas sob um cadáver que talvez seja também a pátria… Os dois têm um diálogo que anda em rodapés, tendo como assunto o seu passado na clandestinidade e a traição por sabe-se lá quem. Criticam o declínio do país e a desilusão das esperanças dos revolucionários do passado, e julgam que o Portugal de hoje, com os seus laços com a UE e as suas modernices é pouco melhor do que o Estado Novo, mas a atmosfera é tão absurda que é difícil (ou pelo menos eu acho difícil) entender o que o autor queria transmitir.

Nota-se que o ensaio fala da “geração de 70”, o que eu assumi significa “a geração que participou na revolução”. Mas enganei-me: A geração de 70 foi um movimento da década de 70 do século XIX. Pois… mais um assunto de mais uma pesquisa de mais um dia… Mas isto tudo alimentou o sentimento de estar perante uma obra cuja profundidade* não sou capaz de explorar!

*Depth, not depths. I translated too literally from english.

Thanks as ever to Cristina of Say it in Portuguese for the help

Posted in Portuguese

Nesses Dias Não Faltava Sol No Quintal

Quando mudámos de cidade para Preston, o lote de terra ao lado do nosso jardim estava vazio, sem casa e cheio de ervas daninhas, principalmente urtigas mais altas do que nós. Nesses dias não faltava sol no quintal porque o verão de 1976 foi o mais quente neste país da época pré-aquecimento-global.  

Chamávamos o lote “África” porque, tendo 7 anos, 5 anos e 2 anos, respetivamente, não sabíamos muito sobre aquele continente exceto que nos filmes, Tarzan e os seus animais andavam sempre rodeados por plantas gigantescas.

Um dia, eu e um grupo de amigos decidimos entrar no lote para estabelecer um covil para nós brincarmos. Correríamos o risco de sermos picados pelos pêlos urticantes mas não nos importávamos (teria dito “mandámos este facto às urtigas” mas… não quero confundir ninguém). Depois de umas horas, tínhamos criado várias divisões nas quais armazenaríamos os nossos carros, metralhadoras, tesouros e prisioneiros de guerra. Tínhamos sonhos grandes.

Infelizmente, explorando uma zona debaixo de uma árvore, pisei um ninho de vespas. Em breve, imitámos a retirada dos exércitos europeus da verdadeira África. Eu fui a única criança picada pelos nossos inimigos riscados.

Editor’s note: This memoir was originally published in english in “The Rough Book of Colin Lusk” (Kennington County Primary School, 1977) and is reproduced here by permission. Sadly, rights to publish the picture of the author running away through the nettles and saying “Aaaaaaaaaaarrggghhh Wosps!!!!!!” could not be obtained from the copyright holder. Thanks to Cristina for the corrections.

Posted in Portuguese

Groselhas E Grossura

Groselhas

Estou metido num grande enrascanço. Pois, admito que estou a exagerar, mas “enrascanço” é uma palavra nova que quero usar.

O meu problema é que tenho tantas groselhas mas tão poucas receitas. Groselhas sabem bem como doce, espalhadas numa fatia de pão, ou em pastéis, ou cozidas com açúcar e misturadas com natas. Infelizmente, tenho muita vontade de perder peso e não preciso de comer montes de sobremesas deliciosas.

Passei uma hora a colher bagas para encher uma caixa. Foi uma hora pacata. Estava embrenhado no meu audiolivro, e deixei cair as chatices do dia (telefonemas, tarefas domésticas, duas granadas descobertas perto da casa da minha mãe e blábláblá). É uma atividade terapêutica. Palmilhei o solo com cautela para não pisar os morangos ao pé dos arbustos. Também há umas couves acabadas de brotar que não queria esmagar.

A seguir à jardinagem, também preparei o jantar, com favas da minha horta e bifes de frango (comprados… Não me dá com galinhas!) e comemos juntos na sofá. A minha esposa fez o turno de noite ontem e merece um bom descanso e por isso, fiz as tarefas todas.

Vou recolher as* restantes nos próximos dias, mas depois… Bolo de groselha? Eh pá… É gostoso mas sinto a minha cintura a expandir só por ter visto as fotos no site….

*I feel like a footballer unjustly given a yellow card because the opposing player took a dive. “Restante”, as a noun, is masculine so it never crossed my mind to use anything but “os”, but…. in this context, it’s acting as an adjective; it’s not “the remains” but “the remaining blackcurrants”, so it’s feminine because groselhas are feminine. Sometimes it seems like whoever invented this language was deliberately trying to make it hard for us, eh?