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Perguntem a Sarah Gross – João Pinto Coelho

Perguntem a Sarah Gross ' José Pinto Coelho

Perguntem a Sarah Gross é um romance que gira à volta da protagonista, que (já adivinhaste?) se chama Sarah Gross, e uma outra personagem, Kimberley, que narra os acontecimentos em Connecticut. A ação abrange décadas e continentes diversos, e a narrativa vai saltando entre a Polónia nos anos vinte do último século e os EUA em 1968-9, e aborda os males de nazismo e do racismo dos Estados Unidos na era da luta pelos* direitas civis dos cidadãos negros.

A Sarah é uma protagonista com um espírito indomável mas também tem um segredo escondido no seu passado, que vem a ser desvendado com o desabrochar dos eventos da história.

Perguntem a Sarah Gross está disponível como audiolivro para quem quiser ler com os ouvidos!

*Good example of a context where, as an english speaker you (or at least I) would naturally be inclined to write para

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A Noite – José Saramago

A Noite ' Saramago

A Noite é o… Hum… Sétimo Livro de Saramago que já li, mas é diferente dos outros porque é uma peça de teatro. A ação passa-se no escritório da redação do Jornal de Lisboa nos anos setenta. Durante o primeiro ato, conhecemos as personagens, os seus cargos na empresa e as suas atitudes face ao governo de Marcelo Caetano. Um rádio está a tocar em* pano de fundo. Após algum tempo ouvimos “E Depois do Adeus” de Paulo de Carvalho, e começamos a perceber (se ainda não soubéssemos) em que noite especifica a peça é passa-se. Mais tarde ainda, a abertura do “Grândola Vila Morena” toca, o que causa o editor do turno de noite gritar “Desliga-me isso” e as luzes apagam-se, deixando o palco na escuridão.

No segundo ato, os jornalistas ouvem os boatos da revolução que está em curso, e tentam averiguar os factos. Uma clivagem abre-se entre os apoiantes do regime (principalmente os gestores, o editor e o diretor) e os socialistas (os trabalhadores na sala de impressão**, alguns jornalistas) que vêem com entusiasmo a ditadura a chegar ao fim.

O caos daquela noite é muito bem ilustrado, e o autor também retrata as divisões no país daquela época pelo exemplo de uma empresa cuja estrutura espelha a estrutura da sociedade. Para mim, o pior do livro é o desfecho: achei o coro de vozes demasiado óbvio, como se fosse uma propaganda, mas suponho que, da perspetiva de 1979 (quando a peça se estreou) era importante defender a liberdade, contra quem ainda tinha saudades da PIDE, e talvez seja por isso que às últimas 2 páginas da peça faltam uma certa sutileza visto por gente moderna!

*Em, not no. In background, not in THE background

**A Gráfica would also work for print room

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A Implosão – Nuno Júdice

O autor e poeta Nuno Júdice faleceu há pouco. Já li um livro dele, mas foi um livro de poesia e basicamente a minha perspetiva no mundo da poesia é barbárica, até no meu próprio idioma, portanto decidi comprar um romance dele. E que romance desafiante! Fui em busca de opiniões de outros leitores e encontrei um ensaio escrito por um académico da Universidade Católica de Portugal, que fala da “intertextualidade com alguns textos de Guerra Junqueiro ou O Marinheiro de Fernando Pessoa” e logo percebi que este texto podia estar fora do meu alcance!

Mas segui em frente e li o livro e gostei, apesar de tudo. Lembrou-me d’À Espera de Godot de Samuel Beckett, tendo como protagonistas duas pessoas num sítio irreal, com poucas outras pessoas. Falam de coisas que nem sempre fazem sentido: um caixão que talvez contenha armas, escondidas sob um cadáver que talvez seja também a pátria… Os dois têm um diálogo que anda em rodapés, tendo como assunto o seu passado na clandestinidade e a traição por sabe-se lá quem. Criticam o declínio do país e a desilusão das esperanças dos revolucionários do passado, e julgam que o Portugal de hoje, com os seus laços com a UE e as suas modernices é pouco melhor do que o Estado Novo, mas a atmosfera é tão absurda que é difícil (ou pelo menos eu acho difícil) entender o que o autor queria transmitir.

Nota-se que o ensaio fala da “geração de 70”, o que eu assumi significa “a geração que participou na revolução”. Mas enganei-me: A geração de 70 foi um movimento da década de 70 do século XIX. Pois… mais um assunto de mais uma pesquisa de mais um dia… Mas isto tudo alimentou o sentimento de estar perante uma obra cuja profundidade* não sou capaz de explorar!

*Depth, not depths. I translated too literally from english.

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Nesses Dias Não Faltava Sol No Quintal

Quando mudámos de cidade para Preston, o lote de terra ao lado do nosso jardim estava vazio, sem casa e cheio de ervas daninhas, principalmente urtigas mais altas do que nós. Nesses dias não faltava sol no quintal porque o verão de 1976 foi o mais quente neste país da época pré-aquecimento-global.  

Chamávamos o lote “África” porque, tendo 7 anos, 5 anos e 2 anos, respetivamente, não sabíamos muito sobre aquele continente exceto que nos filmes, Tarzan e os seus animais andavam sempre rodeados por plantas gigantescas.

Um dia, eu e um grupo de amigos decidimos entrar no lote para estabelecer um covil para nós brincarmos. Correríamos o risco de sermos picados pelos pêlos urticantes mas não nos importávamos (teria dito “mandámos este facto às urtigas” mas… não quero confundir ninguém). Depois de umas horas, tínhamos criado várias divisões nas quais armazenaríamos os nossos carros, metralhadoras, tesouros e prisioneiros de guerra. Tínhamos sonhos grandes.

Infelizmente, explorando uma zona debaixo de uma árvore, pisei um ninho de vespas. Em breve, imitámos a retirada dos exércitos europeus da verdadeira África. Eu fui a única criança picada pelos nossos inimigos riscados.

Editor’s note: This memoir was originally published in english in “The Rough Book of Colin Lusk” (Kennington County Primary School, 1977) and is reproduced here by permission. Sadly, rights to publish the picture of the author running away through the nettles and saying “Aaaaaaaaaaarrggghhh Wosps!!!!!!” could not be obtained from the copyright holder. Thanks to Cristina for the corrections.

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Groselhas E Grossura

Groselhas

Estou metido num grande enrascanço. Pois, admito que estou a exagerar, mas “enrascanço” é uma palavra nova que quero usar.

O meu problema é que tenho tantas groselhas mas tão poucas receitas. Groselhas sabem bem como doce, espalhadas numa fatia de pão, ou em pastéis, ou cozidas com açúcar e misturadas com natas. Infelizmente, tenho muita vontade de perder peso e não preciso de comer montes de sobremesas deliciosas.

Passei uma hora a colher bagas para encher uma caixa. Foi uma hora pacata. Estava embrenhado no meu audiolivro, e deixei cair as chatices do dia (telefonemas, tarefas domésticas, duas granadas descobertas perto da casa da minha mãe e blábláblá). É uma atividade terapêutica. Palmilhei o solo com cautela para não pisar os morangos ao pé dos arbustos. Também há umas couves acabadas de brotar que não queria esmagar.

A seguir à jardinagem, também preparei o jantar, com favas da minha horta e bifes de frango (comprados… Não me dá com galinhas!) e comemos juntos na sofá. A minha esposa fez o turno de noite ontem e merece um bom descanso e por isso, fiz as tarefas todas.

Vou recolher as* restantes nos próximos dias, mas depois… Bolo de groselha? Eh pá… É gostoso mas sinto a minha cintura a expandir só por ter visto as fotos no site….

*I feel like a footballer unjustly given a yellow card because the opposing player took a dive. “Restante”, as a noun, is masculine so it never crossed my mind to use anything but “os”, but…. in this context, it’s acting as an adjective; it’s not “the remains” but “the remaining blackcurrants”, so it’s feminine because groselhas are feminine. Sometimes it seems like whoever invented this language was deliberately trying to make it hard for us, eh?

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O Que Dizer Das Flores

O que dizer das flores

Este livro tem uma capa bonita mas não julgamos um livro pela capa. Felizmente a história também vale mesmo a pena.

Não é uma história com um único protagonista. Há várias personagens que têm as suas próprias vidas e os seus próprios segredos, mas acho que o enredo centra-se* no pai da Catalina, cuja fuga da cadeia suscita a questão de se é** culpado ou inocente.

Mas o maior segredo de todos é este: de vez em quando, a narração passa para a primeira pessoa mas os protagonistas não interagem com quem está a falar, fazendo-nos*** perguntar, quem está a narrar isto tudo? O mistério desvenda-se ao longo do tempo, caso não tenhamos já adivinhado.

Lê-se bem, e até me fez rir. A minha única queixa é que queria ter lido o primeiro livro da série. Ouvi dizer que não era necessário lê-los em sequência mas há muitas referências aos acontecimentos do Onde Cantam os Grilos e acho que perdi algo por não conhecer as personagens antes de ler este segundo volume.

*gira à volta (revolves around) would have worked too, and is quite common, but some pedantic types might object to it being a tautology.

**Writing a stern note to myself because I wrote “for” here, instead of é. The “se” and the whole way it is joined onto the rest of the sentence seems to be setting it up for a subjunctive (future or maybe imperfect), which is what I thought, but I was wrong, because it isn’t setting up a hypothetical situation. If it was like “se for culpado, irá para a cadeia”, it would be subjunctive, but not here. Super-tricky, that one, at least for my way of thinking…

***I think strictly speaking there should be an extra “nos” here – Making us ask ourselves – but it sounds clunky and sometimes it’s better to be ungrammatical and soung good than be super’accurate and sound like a dork.

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Bater umas Chapas 📷

Encontrei mais uma expressão idiomática desconhecida. Adivinhei o significado pelo contexto: tirar umas fotografias. O livro é “A Noite” de José Saramago que conta a história dos jornalistas na sede de um jornal durante a noite na qual o Movimento das Forças Armadas executaram o seu golpe do estado em 1974, e o Baltasar é um fotógrafo.

Mas acho que esta é uma expressão que não vou sacar durante o exame C2 porque é antiga, mas acima de tudo porque há uma outra expressão que é muito parecida mas cujo significado pode provocar uns risinhos se fizer um errozinho…

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Great Czechspectations

Estamos a ver o primeiro jogo da seleção portuguesa no Campeonato Europeu de Futebol, contra a República Checa. A República Checa já marcou dois golos mas felizmente um foi na sua própria baliza, portanto os portugueses estão à frente…

Oh! E já ganharam.

A minha mãe diz que, em Portugal, se a equipa vencer, os adeptos percorreram a cidade de carro a buzinar repetidamente. Infelizmente, não tenho um carro, mas vou dar um passeio de bicicleta a tocar a campainha para celebrar esta vitória.

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Furgão

Bolas! Logo depois de publicar o texto sobre o carrinho, percebi que tinha perdido a oportunidade de usar uma das minhas novas palavras: furgão. A palavra encontra-se no capítulo dezoito d’O Que Dizer Das Flores. Uma personagem, Sr Bilros, perdeu a antena do furgão, portanto tem de cantarolar o único trecho que sabe de cor duma opera de Verdi. Então, um furgão é uma espécie de rádio? Não, é um carro de transporte de encomendas e bagagens. O carrinho de golfe estava carregado de garrafas e latas de bebidas alcoólicas para refrescar os concorrentes do torneio de golfe, portanto havia a oportunidade de falar de um acidente de furgão mas deixei-a escorregar por entre os meus dedos.

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Um Acidente Rodoviário

É a notícia que um pai receia ouvir: a sua filha perdeu controlo do seu automóvel e foi para a valeta com velocidade máxima. Felizmente, a minha filha, que nem sequer teve uma única aula de condução, estava ao volante dum carrinho de golfe, portanto ela e o seu namorado sobreviveram. Que alívio!

Almocei com os dois antes de eles regressarem para a Escócia. Hoje é o dia do pai, e fiquei muito contente por ver que ela está tão contente e tão relaxada na sua nova vida de escritora.