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Unexpected Prepositions

Just straight doing my homework online now: this is about grammar and unexpected prepositions in sentences. For example

  • “O cheiro a gasolina” (literally “the smell at petrol”)
  • “Eu conheço apenas dois abrunheiros ao alcance dum homem de meia idade numa bicla” (“I know of only two blackthorn trees to the reach of a middle aged man on a bicycle”… which is a phrase most of us use every day)
  • “As mulheres que fizeram parte da luta para os direitos das mulheres votarem” (the women to took part of the struggle for women’s suffrage”)
  • “Viciado no Facebook” (“addicted in Facebook”)

I was hoping there’d be a way of thinking about prepositions, or the meaning of prepositions that would make it easier to select one if I came across a situation, in the wild, that seemed to need one. Currently what I do is translate in my head from an english phrase I want to say and choose the portuguese preposition that matches. So with the last one, for example, I would have said “Viciado ao Facebook”.

Unfortunately there doesn’t seem to be an easy answer to this – you just have to learn the whole phrase – viciado em… and use it as much as possible to make that way of talking stick. Presumably, after a while, it gets easier…

Incidentally, sometimes different prepositions can be used in different contexts. For example, O Cheiro a gasolina” is the smell of gasoline in the abstract, whereas if you are being more specific it would be “o cheiro de gasolina” and if you were talking about an actual puddle of it you’d use “da”. In Hugo Lourenço’s book Ruínas he writes of his memory of car journeys with his family: “E poucos segundos depois o cheiro a gasolina infiltrava-se as narinas e eu inspirava-o com prazer. Sempre gostei do cheiro da gasolina, hoje não é diferente”. I think in the first instance he’s talking about a gasoliney smell and in the other he’s talking about times when he has smelled actual gasoline.

Petrol. I mean Petrol.

I don’t think it’s very clear-cut though. For example, I’ve seen two versions of a well-known quote from Apocalypse Now, which gives me an excuse to photoshop it twice:

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So I think that’s “I love a Napalmy smell in the morning” on the left and “I love smelling whatever Napalm happens to have been dropped on the village in the morning” on the right.

Anyroadup, I’m meant to do three examples of each so here goes. I’ll count the photoshop as one.

O cheiro a…

  • O cheiro a lavanda lembra-me da minha avó.
  • Lembro-me do verão de 1976: o calor, os dias compridos e o cheiro a relva cortada no ar.

O cheiro de…

  • Abri o guarda-roupa e o meu nariz foi assaltado pelo cheiro de lavanda.
  • Nunca mais voltarei para o restaurante: a comida foi mal cozinhada e o cheiro de suor do empregado era nojento!

Ao alcance

  • O preço destes moveis está ao alcance de alguém, de qualquer nível de rendimento.
  • Amarrei o cão a uma árvore e deixei uma tigela de água ao alcance da corda.
  • O golo dos espanhóis encontrou-se ao alcance do pé de Ronaldo mais uma vez

Fazer parte de

  • Quando era jovem, fiz parte duma peça de teatro.
  • O governo de Trump não faz parte da aliança das nações do oeste tal como na época do presidente Obama, ou os seus antecedentes.
  • Quero fazer parte duma corrida de dez quilómetros no final do verão.

Viciado em

  • Durante a minha adolescência, fiquei viciado em cafeína.
  • O sistema económicas do mundo está viciado em óleo cru.
  • A minha filha está viciada em shippar personagens de mangá

Update – a couple of days later

O cheiro a…

  • Durante os anos, a escola ficou permeada pelo cheiro a couve.

O cheiro de…

  • O cheiro de couve informou-me que o jantar estava quase pronto.

Ao alcance

  • Se trabalharmos juntos, um aumento de desempenho de 50 por cento está ao nosso alcance.

Fazer parte de

  • Se quiseres fazer parte da peça de teatro, é preciso ensaiar muito connosco

Viciado em

  • Durante os anos oitenta, a minha avó ficou viciada na série “Dallas”
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1986 A Série – Opinião

34983707_1693274110769703_6285563171725901824_n(1)Uma das contas portuguesas que eu sigo no Instagram é a do Nuno Markl. Durante o ano passado começou a deixar indicações dum novo projecto – uma série de comédia que estava a escrever sobre as eleições de 1986 entre o socialista Mário Soares e o conservador Diogo Freitas do Amaral. O Markl é conhecido (entre outras coisas) pela sua nostalgia dos anos oitenta e o seu amor pela cultura daquela época. Fiz 17 anos em 1986 e por isso fiquei muito entusiasmado para ver o resultado. Não temos canais portugueses aqui em casa – ou seja, se existem, não faço ideia de como encontrá-los, porque há demasiados botões no comando. Mas não me importo porque o site da RTP está disponível para os coitados dos cidadãos do Brexitland, o site deixá-nos ver os programas culturais dos nossos amigos e vizinhos.

Cá para mim, como estrangeiro, o estilo da série parece uma mistura de dois estilos: o da série americana de hoje, e o duma comédia daquela época. Há 13 episódios, cada um entre 40 e 45 minutos. A cinematografia é bastante moderna mas às vezes os actores utilizaram duplos olhares e expressões faciais muito exageradas, como os actores de comédias tradicionais. A trama trata-se dum grupo de adolescentes. O primeiro é o Tiago, fã dos Smiths (a minha banda preferida!), e filho dum comunista que deve “engolir o sapo de Soares”. Ele apaixona-se por uma “betinha”, cujo pai é apoiante do “sacana de facho”. Os dois e os amigos deles enfrentam-se os desafios da vida escolar.

29094830_206249366629505_2264383208869068800_nHavia muitos aspectos engraçados, tal como o sarcasmo da rapariga gótica e a raiva exagerada do pai do Tiago. Também gostei da nostalgia da cultura compartilhada pelos dois países – música, filmes, computadores, roupas e livros. Às vezes tornou-se ligeiramente auto-indulgente, mas gostei apesar disso.

Claro não sou especialista em televisão portuguesa, e custa-me muito entender os sotaques e os ritmos da fala dos actores, portanto é provável que a minha opinião não conte para nada, mas se quiseres saber o que é que pensei, lá está!

Spoiler: Soares venceu. Então não precisas de ver

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Opinião – Graças e Desgraças da Corte de El-rei Tadinho (Alice Vieira)

6fda4d73742fbed31b2b7ac080c46e23cde7c0c8Gostei muito deste livro infantil. O rei tenta manter a ordem no seu pequeno reino, com leis antigas que guiam a sociedade, mas a chegada dum dragão de cinco cabeças que se zanga por causa dum decreto que exige a sua morte provoca uma reacção em cadeia que dá em vários episódios com o seu conselheiro, a bruxa de estimação do país, uma fada, e no fim das contas, centenas de filhos.
Às vezes, o livro fez-me soltar umas gargalhadas. É tão engraçado. Amei!

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Opinião: Comer Beber (Filipe Melo e Juan Cavia)

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*spoilers*
Comer Beber é uma banda desenhada que contém duas histórias. As duas foram escritas por a revista Granta, embora apenas a segunda tenha aparecido porque a primeira não foi editada até que o prazo tenha acabado.
Na primeira história, um dono de um restaurante polaco esconde uma garrafa de champanhe de um capitão alemão logo no inicio da guerra, e fica com ele quando o restaurante é destruído por uma bomba. Na segunda, um policia viaja desde o Texas até o Arizona para comprar uma fatia de tarte de maçã para atender o pedido de um prisioneiro que está condenado a morte.
As historias são curtas e mais reflexivas do que os outros livros escritos pelos mesmos autores que já li (“Os Vampiros” e a série de “Dog Mendonça e Pizzaboy“). Realmente alimentam a reflexão do leitor, de modo literal, se perdoarem o meu trocadilho!

Thanks Simone for the corrections. Simone is Brazilian (all the europeans must have given up on me!) so some of these corrections might not be 100%. She also wanted to change “Banda Desenhada” to “Quadrinho” but I was sure enough about that to stick to my guns!

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Opinião: O Baile (Nuno Duarte e Joana Afonso)

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O Baile é uma banda desenhada portuguesa. Ouvi falar dele há algum tempo quando pedi uma amiga para sugestões de quais escritoras portuguesas vale a pena ler. Um dos dois autores do Baile é feminino. O enredo é uma história dum agente do PIDE nos anos sessenta. Chega numa aldeia à beira do mar para investigar uma desaparecia. O que encontra durante o percurso da investigação mostra que nada é como parece. O povo da aldeia está sob ataca cada lua cheia por um exercito de mortos-vivos que vêm das ondas e raptam quem possam. Toda a gente culpa uma mulher (há sempre uma mulher que traz todas as problemas, não há?) mas a verdade é muito diferente. É interessante e arrepiante mas podia ser mais comprido para deixar o enredo se desenvolver melhor.

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Contos de “Laços de Família” (Clarice Lispector)

36436062Lusófonos, desculpem-me. Cometi um crime muito grave. Li um livro de Clarice Lispector…. traduzido em inglês! Ai que vergonha! Eu sei, eu sei, não mereço misericórdia.
É um livrinho de quarenta e nove paginas que contém três contos. Comprei-o porque tinha um cartão de oferta de dez libras, mas o livro que queria custava nove libras. Restava uma, e por acaso, havia uma estante com livrinhos que custavam exactamente uma libra. Pumba! Comprei.
Os contos parecem muito bom. Contam histórias de mulheres que se encontram a fazer uma descoberta de algo importante – ou seja uma epifania – sobre elas próprias. Lembram-me de livros de existencialismo, tal como “O Estrangeiro” de Camus. Infelizmente, a tradução é completamente horrível. Havia muitas palavras esquisitas que não se encaixam nas frases em que se encontram. Às vezes, tornou-se ridículo. Por exemplo a frase “Junto dela havia uma senhora de azul, com um rosto” é traduzido literalmente. Fiz uma pergunta sobre isso porque fez me soltar uma gargalhada, e um brasileiro simpático explicou que provavelmente é uma expressão idiomática que significa “resoluta” ou “com bravura” (equivalente de “com peito feito” em português europeu, acho eu). Mas existem muitos exemplos de frases menos ridículas que dão a impressão, sobretudo, de ter sido escrito por alguém que não fala inglês como nativo. Claro, isso não é um crime – todos nós tem os nossos próprios desafios com as nossas línguas escolhidas, mas não é normal para uma tradutora literária.
Pesquisei a tradutora: É americana e ensina literatura comparativa Ganhou prémios. Hum… Ora bem, talvez o mundo discorda comigo mas… Não vou comprar mais livros traduzido pela mesma pessoa!

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Acho Que Posso Ajudar (David Machado)

notebook_image_903781Gostei imenso* deste livrinho que faz parte da coleção “DN Contos Digitais”. É o segundo conto da coleção que já li (o primeiro foi “A Terrível Criatura Sanguinária” de Nuno Markl). É um conto infantil e muito divertido. Contém todos os elementos que constituem uma boa história infantil: há monstros, há bruxas, há mágico que torna tudo possível dentro do mundo pequeno da história, e há um slogan repetitivo: “acho que posso ajudar” que se diz ao início de cada novo episódio no crescimento e espalhamento de caos delicioso! Afinal, o herói da história consegue restabelecer a ordem no mundo, que é uma parte essencial num bom conto infantil porque sem este ingrediente, os filhos nunca ficam calmos o suficiente para adormecer!

* É muito interessante que toda a gente brasileira trocou “imenso” para “imensamente” porque tenho certeza que os portugueses dizem “gosto imenso” mas concordo que, neste caso a versão brasileira faz mais sentido porque “imensamente” é um adverbio e “imenso” é um adjectivo.


Thanks very much to Caroline, Lio and Ney who all offered corrections on this one.

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A Contradição Humana – Afonso Cruz

12422137Este livro é o terceiro que já li do mesmo autor. Adorei os dois primeiros mas este é um livro infantil e um livro infantil é uma cena completamente diferente do que um livro para adultos. Confesso que o livro não funciona para mim. Faz-me lembrar um comediante inglês chato .
“Senhores e senhoras”, diz a estrela do espectáculo de comédia, “Já perceberam que as pessoas que gostam de pássaros os prendem em gaiolas? Porque é que fazem isso?”
[pausa. silêncio]
“…Olá… Olá…”
[ele bate o microfone]
“Esta coisa está ligada?”

Mas talvez eu esteja demasiado crescido. Vejo desenhos de jiboias a comer elefantes e penso “que lindo! Um chapéu”. Já que penso nisso, é verdade: há muita “comida para alimentar o pensamento” cá nas páginas deste livrinho que pode estimular as mentes de crianças através uma série de cenas divertidas… E, sem dúvida, os desenhos (que não incluem uma jiboia a comer um elefante nem um chapéu) são muito fixes.
Sim, ignorem-me. Cento e trinta e dois portugueses deixaram comentários no Goodreads, e a média da nota é 4.48/5, igual ao “Senhor dos Anéis” e ao “Moby Dick”, melhor do que “Anna Karenina”, “1984” ou a peça mais famosa de Shakespeare – “Hamlet”. Sim, é provável que o seu filho vá gostar deste livro.

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Não Estou A Deitar Fora O Meu Tiro

Ontem à noite, eu a família fomos ao teatro Victoria Palace para vermos uma apresentação duma peça de teatro chamada “Hamilton”. Para quem não sabe, trata-se de um musical americano que conta a história de Alexander Hamilton, um dos participantes na revolução contra os ingleses*, que passou a primeiro Ministro das Finanças daquele país depois da guerra. Foi escrito por Lin-Manuel Miranda, que também escreveu a música de várias outras obras, incluindo o Moana da Disney. Já conhecíamos todas as músicas da banda sonora e já adorávamos todas mas não estávamos preparados para a maravilha de ver o espectáculo inteiro no palco.

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Como devem saber, no elenco da peça, há um único actor branco – o Rei Jorge Terceiro. Todos os outros são negros, hispânicos ou de raça mista. Isto deixa a história tornar-se um veículo para vários pontos políticos sobre a história do país e o seu povo, de imigração e liberdade. É simultaneamente uma crítica ao país, um grande elogio a ele, uma lição de cidadania e muito mais! Aqui em Londres, donde vinham os “vilões” da peça, Hamilton, o herói foi protagonizado por Jamael Westman, um actor bastante novo. Na produção original em Nova Iorque, toda a gente era americana, e o único inglês – o rei – precisou de falar com um sotaque diferente, mas neste caso, Hamilton, Burr e o resto da companhia teve que falar com sotaques estrangeiros, e apenas o Rei pôde utilizar a sua própria voz. Gostei sobretudo do Burr (um dos maiores antagonistas, e também o narrador) e a Eliza, mulher de Hamilton, mas todos representaram muito bem: dançaram, cantaram e fizeram tudo com uma precisão perfeita. Foi tão dinâmico, tão bem feito, que embora conhecêssemos a história e as canções, ficámos boquiabertos. Chorámos, rimos, batemos palmas sem fim. A minha filha apaixonou-se pelo Philip (o filho) e 3481 lençóis de papel ficaram molhados de lágrimas.

Enfim, gostámos do espectáculo.

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*=Quando fizeram o terrível erro de sair do nosso império pacífico e benevolente. Não faço ideia porquê. Já que elegeram o Trump, talvez sintam arrependimento. Se pedirem, ainda consideraremos deixá-los entrar novamente. Não é tarde demais para mudarem de opinião.


Muito obrigado pela ajuda Fernanda

In case anyone’s wondering about the title, it’s a pointlessly literal translation of the phrase “I’m not throwing away my shot”, but it’s more like “I’m not throwing my gunshot in the bin” rather than “I’m not wasting my chance”, which would be more like “Não vou desperdiçar a minha oportunidade”