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Como Fazer Amigos e Influenciar Bebés

Estou num comboio. Há uma mulher sentado na minha frente, no outro lado duma mesa. Está a fitar fixamente o seu telemóvel e a ignorar-me, porque ando a acenar na sua direção de vez em quando. O que ela não apercebe é que há um menino de dois anos no pé no banco detrás dela, dando uma espreitadela a volta da carruagem, a procura de novos companheiros e agora nós dois somos grandes amigos.

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As Redes Sociais e a Democracia

As notícias da semana passada demonstraram, para quem ainda não soubesse, que há um problema muito grave que está a afligir os nossos sistemas democráticos. É um problema unicamente moderno, que surgiu nos primórdios da época das redes sociais e estava a crescer, ano após ano, enquanto todo a gente se tornava todos os anos viciado nestes sites.

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O modelo negocial duma rede social consiste em vender os dados pessoais dos utilizadores. De forma geral, assumimos que os clientes são agências publicitárias, e aceitamos que vermos anúncios em cada página é justo em troca de um serviço útil e gratuito. Mas agora fica claro que existem empresas que aproveitam este oceano de dados para influenciar a sociedade através do método de mostrar anúncios e notícias falsas, direccionadas a cada um dos eleitores. Isso ultrapassa o efeito das publicidades tradicionais porque pode manipular não só os medos e as esperanças específicas das pessoas mas também a percepção da realidade. O resultado: ainda menos diálogo, ainda mais polarização entre a direita e a esquerda, e uma diminuição da confiança na democracia. É muito, mas mesmo muito importante restabelecermos um diálogo entre iguais, sem influência das empresas, ou das forças desconhecidas que os usam.

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Opinião – “A Hora Da Estrela” de Clarice Lispector

notebook_image_886683Não costumo ler livros brasileiros por causa das diferenças da gramática e vocabulário, mas tenho ouvido apenas boas coisas sobre essa escritora, e estamos no mês do dia internacional da mulher (os meus amigos do booktube chamam-no “Marco Feminino”) e por isso, pensei, “porque não ler alguma coisa diferente?”
O livro é fininho mas muito denso. A historia é contada por um narrador, ou um falso autor, que se chama “Rodrigo S M” e que se apresenta como um personagem no conto. O vocabulário não é difícil, mas há muita subtileza e filosofia, até ao ponto em que, as vezes, a historia parece menos importante do que os pensamentos do narrador sobre a problema de escrever livros. Enfim, o livro é um bom exemplo dum livro no qual “entendo as frases mas não compreendo os capítulos”, mesmo que não tenha nenhum capítulo!

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Quero Escrever um Blogue Mas a Minha Esposa Não me Deixa

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Uma das vantagens de trabalhar em casa é isto: é possível mudar as horas de trabalho se tiver vontade. Ontem, por exemplo, saí de casa na hora de almoço para assistir a um discurso da Diane Atkinson, uma escritora de não-ficção. O seu livro mais recente é “Rise Up Women” (Surjam, mulheres!). É um grande calhamaço que conta a história do movimento sufragista no Reino Unido, e as vidas das mulheres extraordinárias que fizeram parte da luta para os direitos das mulheres votarem.
O movimento começou numa maneira pacífica, mas tornou-se cada vez mais amargo quando os políticos masculinos recusaram a considerar a mudança. Mais mulheres ficaram presas e alguns grupos decidiram cometer actos de violência para mostrar a sua raiva contra o governo. Durante as suas sentenças, muitas vezes foram forçado a comer através dum tubo, enfiado dentro das suas gargantas. Hoje em dia, reconhecemos isto como uma forma de tortura.
f2a0cab5440b617690a80e4d625c345c.jpgAcompanhando o discurso, a escritora mostrou exemplos de fotografias tiradas pela polícia destas criminosas deploráveis, e desenhos satíricos nos jornais. Um tema muito forte neste género de piada foi um marido que se torna escravo na sua própria casa por culpa duma mulher Sufragista. Faz-me lembrar as queixas de certos homens de hoje que resmungam “o feminismo já foi longe demais!”

Thanks to Sofia, Mateus and André  for their help with corrections.
To be honest, I was quite surprised that there even was a different word for “Suffragette” and I’m not 100% sure it’s legit to translate it. In english there’s a difference between “Suffragists” and the more militant groups who became known (pejoratively) as Suffragettes and I tend to think if that name as fixed, like the name of a party of a band or a football team that would just be used in any other language without needing to be translated,  but since two out of the three people who corrected the text changed “Suffragette” to “Suffragista” I guess maybe I have the wrong end of the stick.
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Esses Romanos São Loucos

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No sábado passado, a minha mulher levou-me a assistir uma peça de teatro, nomeadamente “Julius Caesar” de William Shakespeare. Quando me disse, pensei que seria no Globe Theatre (Teatro de Globo), que é um teatro muito antigo à beira do Rio Tamisa, que não tem telhado nenhum. Porém, não foi no globo, mas sim no Bridge Theatre (Teatro de Ponta), perto da ponte Tower Bridge, um dos sítios mais conhecidos na cidade.
A peça foi muito bem feita. Os personagens vestiram-se de roupas modernas tal como fatos, uniformes militares e bonés vermelhos. Bonés vermelhos? Sim, como podem adivinhar, a realização da peça devia muito à iconografia da presidência estadunidense. Os atores foram ótimos, o que ajudou imenso, porque Shakespeare pode ser difícil as vezes por causa da língua antiga, mas até à minha filha que tem doze anos e não tem o mínimo conhecimento do enredo entendeu tudo.

notebook_image_883388O que mais me impressionou foi o palco. Porquê? Porque não havia só um palco estático. Após cada cena, empregados, vestidos de estilo militar, ou como agentes do serviço secreto entraram na multidão que rodeava o palco e gritaram “Afastem-se! Vamos!” para constranger os espectadores darem espaço, e então um novo palco surgiu, e a ação recomeçou mesmo ali. Por isso, esses bilhetes na área ao redor do palco são os mais baratos. Mas também são os melhores porque lá estávamos e sentimos como se fossemos cidadãos da “cidade eterna” a testemunhar o assassinato, a ouvir os discursos do Bruto e de Marco António, e a fazer parte da história verdadeira. Foi um dia maravilhoso.

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Opinião – Como é Linda a Puta da Vida

28432696_336827316811327_6148354819342991360_nO que mais me impressionou deste livro foi a maneira como o escritor comunica ideias bastante interessantes e complexas nitidamente, sem precisar de frases inchadas com palavras compridas. Eu, como estrangeiro, quase nunca tive de abrir o dicionário, mas apesar disso nunca houve nenhum capítulo aborrecido ou simples de mais.

(Tentei muitas vezes publicar este texto no iTalki com o título do livro na caixa do título na página mas sempre falhei. Pergunto-me se a quinta palavra é proibido! Nunca tive problemas com filtros mas nunca se sabe. Não é uma palavra que costume de utilizar!)

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The One With The Friends Reference

I asked a question on italki a while ago about the Portuguese equivalent of “frenemy”

Perguntei me se existe uma palavra em Português (Europeu) que descreve pessoas que parecem amigos mas na verdade há sentimentos de rivalidade ou ressentimento entre eles. Ou seja são amigos e inimigos no mesmo tempo.
Encontrei um filme que se chama “aminimigos” – tradução do inglês “frenemies”, mas será que esta palavra é comum, ou uma palavra idiomática? Ou só foi inventado por os tradutores do filme?

And didn’t think much about it for a while but this paragraph from “Como É Linda a Puta da Vida” by Miguel Esteves Cardoso seems pretty close to the mark:

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Her Name Was Lula, She Was a Shoegirl

Another joke from the Caderno that I didn’t get at the time but have since had explained to me

Estão um pargo e uma lula a conduzir e o pargo ultrapassa a lula de maneira brusca. Vira-se a lula:
-Tás pargo, pá?
-Calula

A Lula is a squid (I knew that) and a pargo (well, o pargo, but you know what I mean) is a red snapper (I didn’t know that but guessed it some kind of marine creature). And the unpunned version of the dialogue would be

squidward-‘Tás parvo, pá?

-Caluda!

or

“Are you stupid, mate?”

“Shut it!”

Thanks to Fernanda for deciphering this fishy confusion for me

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Opinião: A Abóbada (Alexandre Herculano)

502xEste livrinho conta a história da construção do famoso Mosteiro da Batalha. Em primeiro lugar, esta descrição não parece uma ideia promissora. Talvez deva publicar-se num guia turística. Mas o autor, Alexandre Herculano tem tentado escrever uma história mais interessante. Descreve o desacordo  entre o arquitecto irlandês, David Huguet e o português Afonso Domingues que ficara cego. Huguet era um imigrante, e o autor sublinha a importância de imigrantes na vida dum país. Também descreve um auto-da-fé com personagens que representam o diabo, a soberba, a caridade, entre outros. Acho que consegue pintar uma imagem das crenças religiosas dos séculos XIV e XV, por método de mostrar este espectáculo.

Ao que parece, o livro é um texto que se lê nas escolas portugueses, e posso ver os porquês. Combina história, religião e literatura num livro pequeno.

Assim como o “Morreste-me”, achei-o ligeiramente difícil. Neste caso, não era por causa da gramática, mas porque havia muitas palavras específica à época e à arquitectura em geral.