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A Grande Exposição do Mundo Português (1940)

Here’s the transcript I’ve been trying to make of this imperialist propaganda video. I only managed the first 6 minutes. I might come back to it after the exam but I think the benefits I’m getting are pretty small for the time spent (about 3 hours and counting!) It’s interesting how I can pretty much understand the gist of the video but when it comes down to actually separating out the words, in their proper forms, the detail isn’t as simple to disentangle. Corrections from Sophia (thanks!) in italics


[00:00] Naqueles terrenos vastos e escaldados, que se estendiam entre o Mosteiro dos Jerónimos e a Torre de Belém, junto daquela praia do Restelo, donde largaram o século XV de Vasco da Gama, durante mais dum ano, milhares de operários, de técnicos e artistas portugueses, demolindo o feio para construir o belo, rasando o inútil para pôr em seu lugar uma verdadeira cinza de Portugal no passado e no presente. Ergueram um traje amorosamente esse prodigioso momento das nossas virtudes e do nosso préstimo foi a exposição do mundo português. A maravilhosa exposição foi inaugurada a 23 de Junho de 1940 pelo português mais digno de tal acto Senhor General Carmona, presidente da república portuguesa. E a seu lado estava o homem que a tornou possível; verdadeiro arquitecto de Portugal de hoje, novo e eterno, Salazar, e o ministro das obras públicas, engenheiro Duarte Pacheco a quem coube a honra a verificar. Assistindo o título de comissario geral Doutor Augusto de Castro, pelo engenheiro Sá e Melo e pelo arquitecto Cottinelli Telmo. Os antigos terrenos transformaram-se na soberba praça de império, com a sua fonte luminosa e os seus jardins. De todos os lados* se erguiam pavilhões de risco sobre e digno de uma originalidade e um gosto incontestável. Os olhos deslumbravam-se com as perspectivas imprevistas, com a pureza das linhas, com o equilíbrio deslumbre. Ao cinema português, cumpria pular no tempo e no espaço magnifica fixando-a num filme que servisse para matar as saudades dos que a viram e para a mostrar aos que não puderam vê-la. Foi o que o cinema procurou fazer, lamentando não dispor mais amplos recursos que permitissem traduzir fielmente a par das formas a cor, a alegria e a imponência da exposição de Belém.

[03:20] Todas as inúmeras obras da arte que impunham não eram unicamente feitas de matéria. Também eram feitas do espírito e tinham a alma, a própria história de Portugal. E essa história, a mais velha de todas foi novamente contada ao povo por meia de alegorias e de findo os mais grandiosos era sem dúvida o momento ao Infante Dom Henrique autêntico padrão erguido ao génio da raça. Nós demos ao mundo novos mundos. [corte?] Lembrava aos visitantes uma das legendas da pavilhão de honra. E o interior do pavilhão em redor de um átrio decorado com as bandeiras de todos os municípios portugueses, continha uma sala de recepção ornada de tapeçarias de alto preço, uma sala de honra onde se evocavam as mulheres celebres da tradição portuguesa desde a padeira de Aljubarrota a oração mariana, um teatro de concepção moderníssima

[04:20] Ao lado do pavilhão de honra e fazendo corpo com ele para melhor honrar e destacar a capital do império erguia a sua alta torre o pavilhão de Lisboa. Um dos seus mais velhos aspectos exteriores é o pátio em que um baixa-relevo estilizava a arquitectura em presépio da cidade rainha do ocidente. O átrio do pavilhão de Lisboa foi consagrado a São Vicente, patrono da capital em cujas armas figuram os dois corvos heráldicos do santo.

[05:00] Ali estava a grade que durante quatro séculos serviu de porta a umas das capelas da Sé. Um cofre guardava o Foral de Lisboa purgado em 1179 por Dom Afonso Henriques. Dois trípticos evocavam o cerco e a tomada de Lisboa aos moiros** e o pintor, exemplo dos antigos, emprestou às figuras as feições de alguns distintos Olisiponenses***. A evolução do aspecto da cidade podia seguir-se através de gravuras paneis de azulejo e de modelos reduzidos, cheios de verdade.

*=I originally heard this as “no topo dos gelados” and couldn’t for the life of me, un-hear it afterwards

**=alternative spelling of “mouros”

***=seems to be a fancy-pants way of saying “lisboeta”

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A Torre de Belém

1024px-Torre_de_belem_vista_do_tejoA Torre de Belém faz parte do património do país e do mundo. A construção foi desenhada por Francisco de Arruda que foi mandado pelo rei Dom Manuel I e. Portanto, o seu estilo (em comum com o de muitos outros edifícios na região) é conhecido como o estilo Manuelino, que é uma síntese da arquitectura gótica que estava na moda naquela época, e um estilo mais antigo e mais ibérico. A função da torre era defensiva. No princípio, estava rodeada por água e cheia de armas e canhões capazes de lançar fogo através do rio e de dominar a zona inteira. Substituiu o antigo não que tinha sido ancorado lá perto da praia.

Ao longo dos anos, a torre deixou de cumprir a sua função defensiva e torna-se num edifício de muitos propósitos: num farol, num registo aduaneiro, e até numa prisão. A pouco e pouco, também, foi devolvida para a praia: ou seja, a praia cresceu para atingir o nível do pé da torre e hoje em dia, visitantes de todos os países do mundo podem visitar sem necessitarem de nenhum barco.

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A Padeira de Aljubarrota

abc011A Padeira de Aljubarrota era uma portuguesa, chamada Brites de Almeida. Nasceu (de acordo com a lenda) no Algarve de meados do século XIV. Tinha seis dedos em cada mão. Quando tinha 35 anos, houve uma crise. Após da morte de Dom Fernando em 1383, a filha dele que estava mais próxima na linha de sucessão, estava casada com o Rei de Castela, grande rival da nação. Assim caiu a Dinastia Afonsina, e os castelhanos  fizeram planos para assumir o trono do reino.

Dois anos depois, perto da cidade de Aljubarrota aconteceu uma grande batalha entre os dois exércitos e os seus aliados – os ingleses valentes no lado dos português e franceses, italianos e outros malandros a lutar sob a bandeira castelhana. Apesar de não fazer parte do exército, Brites lutou em várias escaramuças nos arredores da batalha. Quando ela regressou a casa, com as mãos sujas de sangue espanhol, descobriu sete castelhanos a descansar às escondidas no seu forno. Aqueles homens ficaram assustados, claro porque sete soldados espanhóis não poderiam resistir a uma portuguesa cheia de raiva. Portanto, ela bateu-lhes com uma pá, fechou a porta do forno e assou-os juntamente com o pão.

Assim morreu a ambição do rei castelhano, e o reino de Portugal aguentou daí em diante.


Thanks to Sophia for the corrections

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Escreva sobre um livro que tenha lido e que o tenha marcado (PT-PT Exame B2)

“Sinta o receio e faça-o assim mesmo”

Este livro é motivo de alguma vergonha porque não custumo de ler livros de auto-ajuda e nós homens (em geral) não sentimos vontade de discutir assuntos deste tipo, mas li este livro há alguns anos e fez uma mudança subtil no meu ponto de vista. Tenho tendências pessimistas. Muitas vezes, escolho a pior interpretação de qualquer situação em que me encontro, mas a verdade é que isso nunca aduda ninguém. Convém lembrar que, venha o que vier, o nosso próprio modo de pensar num assunto pode nos ajudar a tratar dele. Se pensarmos “não tenho tempo para estudar”, sentimo-nos impotentes, mas se dissermos “tenho tempo, mas prefiro assistir ao festival da canção”, embora nada mude no mundo exterior, vemos que há outras hipóteses, e podemos desligar a televisão e fazer algo diferente.

O escritor é optimista até um nível quase ridículo (tenta ver o lado positivo do cancro, por exemplo) e não consigo seguir os exemplos todos, mas esta pequena diferença fez uma diferença pequena mas significativa.

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Uma Carta Para a Câmara Municipal

Londres, 18 de Maio de 2019

Árvores

Excelentíssimo Senhor

Ouvi falar de um novo projecto de construção em frente do nosso prédio. Embora não tenha nada contra o projecto em si, existe um aspecto que não aceito: os planos incluem o abatimento de todas as árvores na zona da frente dos nossos apartamentos. Nós habitantes precisamos duma ligação à natureza. Sobretudo para as crianças que vivem cá no prédio, um lar sem árvores e sem pássaros não é saudável. Ninguém nos consultou, e isso não é razoável nem justo. Pedimos uma mudança dos planos para que as árvores possam ficar, ou pelo menos, se não for possível, um plano alternativo que tem como objectivo de substituir outras árvores na zona onde vivemos.

Fico à espera de uma resposta e se não a tiver dentro de uma semana tomarei outras medidas

Sem Outro Assunto,

Os melhores cumprimentos

18ck

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Corvos

É impressionante que o criador deste vídeo conseguiu contar a lenda dentro de 35 segundos. É difícil entender tudo por causa da rapidez do falador mas depois de 4 vezes, compreendi tudo.

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Pardington

pardingtonUma das notícias mais interessantes nas últimas semanas é sobre a descoberta de vários estragos numa trilha no norte de Portugal, perto de Barroso, que foram feitos pelas patas de um urso pardo*. O percurso do animal foi detectado em Espanha, uns dias antes, portanto as autoridades ambientais ficaram à espera de sinais da sua viagem para sul.

O urso pardo é o urso mais comum do mundo, sendo encontrado em diversas países de Europa, mas o último exemplar português foi abatido em 1843 pelo povo do Gerês. Mas agora está de volta… ou seja, um deles está de volta.

*=Brown bear. In other news, I am suing Eric Carle for deceiving me with his book “Urso Castanho, Urso Castanho, O que é que tu vês?”


Thanks to Sophia for helping with the corrections

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Já and Ainda

Another one I get wrong from time to time: Vamos a isso!

Translating from this question on Ciberdúvidas: Somos três alunos estrangeiros a estudar na Univ. do Minho. A pergunta é: qual a diferença na utilização de já e de ainda?

1. “Já” “ainda” are adverbs. I usually think of já as meaning “already” and “ainda” as “still”, but já has quite a few other meanings to do with immediacy, so it can be translated as “still” or “now” in some contexts.

a) When a question contains the word “já” and you want to reply in the affirmative, you always use “já” in the reply. If you want to reply in the negative, use “ainda não”.

“Já leste este romance?” (Have you read this book already?)

  • “Sim, já o li.” (“Yes, I’ve already read it”)
  • “Já, sim.”
  • “Já.”
  • “Não, ainda não o li.” (“No, I still haven’t read it”)
  • “Não, ainda não.”
  • “Ainda não.”

b) Likewise, a question that contains “ainda” is answered with “ainda” if it’s positive or “já não” if not
“Ainda vais sair?” (Are you still going to go out?)

  • “Sim, ainda vou.” (Yes, I’m still going to”)
  • “Sim, vou.”
  • “Não, já não vou.” (No, I’m not going any more)
  • “Não, já não.”
  • “Já não.”

2. In plain speech, “ainda” can have the following meanings
a) up to the current time (english: “still”)
“Ele ainda não voltou.”
“Este velho carro ainda participa em corridas.”

b) up to that time (english: “still” again but about something in the past)
“Quando o filho nasceu, ele ainda morava em Lisboa.”

c) One day in the future
“Tu ainda hás-de ser muito feliz.”

d) Precisely, exactly
“Ainda ontem o vi.”

e) Also, furthermore (cf “ainda por cima”)
“Fui jantar, comi muito bem e ainda me diverti com a conversa do Miguel.”

f) Finally
“Tenho de arrumar a casa, ir às compras e, ainda, fazer o jantar.”

g) At least (surprised me but of course, we use “still” in this way in english too: “A meteior is about to strike the earth… still, mustn’t grumble, at least we won’t have to hear any more about Brexit”)
“Ainda se ele marcasse um golo, o dinheiro era bem gasto, mas assim…”

3. “Já” on the other hand, has the following meanings:

a) Now, at the moment
“O menino já sabe ler.”
“O pai já não tem paciência.”

b) Immediately, without delay
“Vou-me já embora.”
“Faz já isso!”

c) Before now, already
“Ele já tinha comido.”
“Eu já tinha visto este filme.”

d) Previously, before that time
“Eu já sabia que isso ia acontecer.”

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Só Um Minuto

notebook_image_997296Existe um programa de rádio, cá em Inglaterra, chamado “Só Um Minuto”, que consiste num jogo com quatro jogadores. O objectivo do jogo é simplesmente isto: falar sobre uma tema durante um minuto, sem hesitação, sem desvio, e sem repetição.

Ou seja, se uma jogador repetir uma palavra (com excepção de palavras pequenas tais como “e”, “para” ou “uma” – e o título do tema é permitido também) um outro jogador pode interromper o outro e assim ganha um ponto e continua o discurso. Se desviar do assunto, também perde a iniciativa a um outro jogador e finalmente, se hesitar (uma pausa notável entre duas palavras ou um “hum…”). No final* do minuto, quem estiver a falar ganha mais pontos e depois os três seguem para o próximo assunto.

Pode ser muito engraçado (depende dos concorrentes, claro!)

O meu único motivo para mencionar isto é que penso em tentar fazer um jogo a sós para praticar português falado, e tentar eliminar as pausas no meu diálogo! O que achas? Será um bom desafio?

Caso algum estudante de inglês tenha interesse neste programa, está aqui uma edição especial de televisão

*”No final do” or “ao fim dum”


Thanks to Sophia (again) and Israel. Good luck with all those people singing in you later this evening, Israel.

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Gente Que Não Sabe Estar

Another of those lessons I mentioned a couple of posts ago: we went through an episode of “Gente Que não Sabe Estar”, which is a sort of portuguese version of those american late night satire shows fronted by Stephen Colbert or Jimmy Kimmel or Seth whatsisface. In this case, it’s Ricardo Araújo Pereira, who has the requisite mixture of humour and ability to look credible in a suit. This is a challenging lesson for me because aside from the usual problems of trying to follow rapid-fiire portuguese, I have very little clue about who is who and what the hell it’s all about so I have had to do quite a lot of research. Here are some pointers, some from my teacher and some cribbed from Wikipedia and elsewhere

Joe Berardo (the creepy-looking dude in black, flanked by two very overworked lawyers) is a businessman who is somehow mixed up in a scandal regarding the recapitalisation of the Caixa Geral de Depósitos when it got in trouble a few years after the 2008 crash. It emerged that he had 980 million euros in debt to the bank and refused to pay interest because er… it would cause some sort of unspecified harm. He was fished out and dragged in front of the Comissão Parlamentar de Inquérito, and that’s what the footage is in the show. It’s a strange mixture of careful distancing of himself from the scene of the action and ridiculous failure to read the room. “This is costing the people a lot of money” / “Not me though!” being just one example.

Right at the start there’s a missed pun opportunity owing to this being in Portguese and not english, so “Bearardo” does not happen.

“Se queres ajudar um homem não lhe dês o peixe” at around 1:25 is the first half of the portuguese equivalent of the old saying “give a man a fish and he’ll eat for a day, teach him to fish and he’ll eat for life”

“pipa de massa” = “a load of dough”, where dough is money, just like in an old american gangster movie

“Os juros” = interest

“as dívidas” = debts

“As ações” = stocks and shares

“Os títulos” = share certificates

“a garantia” = collateral

Floribella is a sort of soap opera about a young singer. Lots of bright colours and shonky acting, but it has heart. I skimmed through the pilot (below) and was sort of fascinated by the spectacle of someone speaking portuguese with a strong german accent. I thought she was spanish at first but her name’s Helga Schneider apparently. The theme is “não tenho nada mas tenho tenho tudo” ( don’t have anything but I have everything), which as he says, is an astute allegory about high finance.

I thought the “coleção” was a charitable institution that collects money for good causes but it turns out, no, it’s an actual collection of artworks and he’s a bit confused about whether he owns it or the foundation he runs owns it. Hence the hand-waving from the lawyer. He also seems to have given share certificates as securities for the loan, but they are valueless because the paintings can’t be sold without his permission… oh god, my brain is starting to hurt.

There’s an analogy with “monopólio” (Monopoly, the game) around 11.00-11.30 just before the magic trick with the cups.

Spooky bit at 20:30. Where did the lady in the light jacket go after disappearing behind Margarida Mano?

“Comer” in the context of the bit about Rui Rio at around  21:35 means “shag”. He’s not talking about cannibalism.

 

Postscript. Apparently my wife met Berardo when she was young in Funchal and is far from impressed with him as a human being.