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Passageiros em Trânsito – José Eduardo Agualusa (Opinião)

Este livro é um daqueles que consegui ler durante o Fim-de-Semana de pascoa. Os contos tem a ver com viagens, e pessoas fora dos seus países e (menos literalmente) fora das suas zonas de conforto.

Existem contos que são histórias completas mas curtas, com um começo e um desenlace e um enredo cheio de acção, como um romance encolhido ao tamanho de um artigo de revista. Convém dizer que os contos neste livro são exactamente o oposto! São mais descritivos e contêm menos desenvolvimento do enredo. A maioria consiste em retratos de pessoas ou de situações de três ou quatro páginas de extensão. O autor esboça estes cenários todos numa maneira bem nítida, portanto o livro lê-se bem. Li-o rapidamente, virando as páginas, conto após conto até ao fim.

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Winepunk

Acabo de ler um livro chamado Winepunk. Trata-se de uma compilação de contos de ficção cientifica baseados numa história alternativa de portugal. Nesta realidade imaginativa, a monarquia do norte (um movimento verídico que teve o seu inicio em 1919, depois da implantação da República Portuguesa) sobreviveu durante anos, ao contrario da monarquia histórica que foi esmagada dentro de umas semanas.

O título “Winepunk” tem origem na frase “Steampunk”, um género inglês de ficção cientifica com raízes no mundo da revolução industrial com máquinas alimentadas por carvão e vapor. Os autores brincam com várias espécies de geringonças tal como plantas vivas, robôs cuja* fonte de poder é plasma de uva e animais de estimação com ligações psíquicas aos seus donos. Não é cem por cento coerente porque cada autor tem a sua própria imaginação e o seu próprio estilo e às vezes, estes não têm semelhança o suficiente para concretizar um mundo literário no qual o leitor pode acreditar. Mas há contos divertidos. Acima de tudo, amei a contribuição do José Barreiros. Os dois do Rhys Hughes** também têm muito jeito. mas exemplificam bem a minha queixa com o projecto em si: os contos nem sequer mencionaram a monarquia de todo!

*Rookie mistake here. “Cuja” because it agrees with “fonte” not “robôs”

**Rhys Hughes é um escritor galês que mora em Lisboa. Ama portugal e já escreveu dois livros em português: “A História Universal de Infâmia” e “A Sereia de Curitiba”. Não tenho a certeza mas, pelo que sei, escreveu-os em português, e nem usou tradutor. Uma vez que tenho tentado escrever um conto em português, vejo este escritor como um herói e quero ser igual a ele.

Thanks to Natalia for the correction. There is some good stuff in english about this compliation on the Portuguese Sci-Fi Portal here and here, and you can see a decent review by a much better portuguese reviewer on youtube… um… I don’t think I’ll link directly but if you search for “aoutramafalda winepunk” or “books beers baby quarantena winepunk” you’ll find what you’re looking for.

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As Prateleiras

Pensei em construir umas prateleiras para os vasos que temos cá na horta mas as lojas onde se vende madeira estão fechadas. Felizmente um javardo qualquer abandonou alguns móveis partidos, incluindo uma cama desfeita do lado de fora do clube de remar, ao pé da lixeira, portanto consegui roubar… Hum… Reciclar… algumas peças que achei que serviriam para o meu projecto.

Começámos por separar as lâminas. Alguém ajudou-me mas nem quer estar nas fotos… Depois, cortámos as pranchas em pedaços com uma serra e usámos pregos e parafusos para construir prateleiras à face de uma moldura.

Mas por que é que precisamos de colocar os vasos nas prateleiras? Boa pergunta!

É assim: no ano passado uma raposa escolheu a rede sobre o nosso canteiro de morangueiras como a cama preferida dela e cagou por todo o lado. NOJENTO!

Mas neste ano, já chega. Lamento que tens que dormir e deixar cocô noutro lugar, Senhor Raposo.

[Original blurb: Interestingly, the guy who corrected this made as many mistakes as I did. He changed “onde se vende madeira” to “onde se vendem madeira” which is bollocks and “Senhor Raposa” to “Senhora Raposa”, perhaps assuming that all foxes are female just because the word raposa is feminine. Weird. Well, confusing gender with sex is a peculiarly twenty-first century affliction, I suppose.]

OK, OK, apparently what I should have done was change Raposa to Raposo to specify that it was a male fox. Actually, I have no idea, but I was picturing…

And when a native Portuguese teacher looked at it she found I’d made more mistakes than the Brazilian guy had found so it’s not true that he made as many mistakes as I had. I apologise to him and to all Brazilians for this terrible slander.

It’s interesting though: the word for fox is “raposa”. If you look at the Wikipedia article it doesnt even mention there being a male form of the word, and usually if there are two forms the male form takes precedence but I guess that isn’t always true and there must be animals ending in A who have less-known male forms too.

*googles*

Águio seems to exist but Google asks “Será que quis dizer: Águias

Girafo goes straight through to girafa but there are a few references to Girafo from other languages (afrikaans?) and a Brazilian twitter account of that name too.

Tartarugo goes straight through to tartaruga (and, by the way, spellcheck wants to correct it to tartaruga when I write it too.

Ugh… My head hurts. Its early and I haven’t had coffee and I can’t deal with this shit now.

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Lembram-se de Restaurantes?

Será que alguém no site se lembra “restaurantes”? Tenho saudades deles. Eram parecidos com a casa do meu avó, mas em vez de uma velha há uma equipa de pessoas vestidas de branco que cozinham os pratos e trazem-nos* para a mesa. Não se lembram? Bem, perguntam a alguém mais crescido.

Ontem, vi um vídeo antigo, gravado antes da quarentena, em que um “chefe de cozinha” (acho que este senhor era um género de super-herói ou padre) fez um Bacalhau à Brás. Infelizmente, como estava doente de um delírio, em vez de batatas, andava a usar outros ingredientes como abóbora, cenoura branca e carne de macaco.

*=interesting switch from imperfect to present here. “They WERE like my granny’s house but instead of an old lady there IS a team… that COOKS the dishes and BRINGS them” feels a bit wrong but the person who corrected this on italki was sure it was right.

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A Vida de Paião

Carlos Paião foi um cantor e compositor português. Apesar de ser licenciado em medicina, Carlos Paião foi um cantor e compositor português. Apesar de ser licenciado em medicina, virou para música e teve grande êxito com esta nova carreira. Em 1981, venceu o RTP Festival de Canção com “Playback” que acabou por terminar em décimo-oitavo lugar no Festival Eurovision da Canção*. A sua composição mais conhecida é “Pó de Arroz” mas também escreveu músicas para Herman José (“A Canção do Beijinho“**) e Amália Rodrigues (“O Senhor Extra-Terrestre”) entre outros.

Faleceu em 1988 num acidente de trânsito quando dirigia para um concerto, mas as Faleceu em 1988 num acidente de trânsito quando dirigia para um concerto, mas as circunstâncias do seu morte foram polémicas porque não era claro quem deveria ser responsabilizado. Continuo a ser um artista influente após a sua morte.

*=A propósito, 1981 foi o último ano em que o Reino Unido ganhou o prémio (Bucks Fizz: “Faça a Tua Escolha”), se não conta 1997, ano em que o concurso foi ganhado por Katrina & the Waves (com “Amor, Acende Uma Luz”), uma banda que vem dum sitio que não pertence ao Império Britânico desde 1776

**=That’s what Rita Marrafa de Carvalho is singing in this clip.

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Como Cultivar Abacates

Boa Noite, Xangai

Na época de pandemia, todos nós levamos um dia de cada vez, mas há quem goste de fazer projectos para não ficar preso num ciclo interminável de domingos.

O abacate é o fruto do abacateiro como toda a gente sabe. É nativo da América do Sul, mas é possível (com atenção e sorte) cultivá-los até na Europa do Norte. Como a maioria dos frutos, tem uma semente lá dentro. A semente é um caroço quase esférico. Arranja 3 paus tal como os palitos para os dentes e enfia-os através da casca do caroço: imagina que o topo (a região ligeiramente pontiaguda) é o Polo Norte, coloca-os um pouco acima do “equador”, equidistante, um dos outros. Ou seja, furar Los Angeles, Tripoli e Xangai.

Mataste os cidadãos todos? Boa. Depois, enche um frasco (tal como um frasco de compota) com água, e mete os palitos por cima do aro da jarra para que o Polo Sul fique mergulhado (cuidado pinguins!) no oceano de… pois, estiquei demasiado esta metáfora, não é?

Mete o frasco num sítio soalheiro. Mudar a água do frasco de vez em quando para não haver mofo no caroço. Mantém o fundo molhado e o topo seco. Após duas ou três semanas, irás ver raízes no fundo do caroço e algum tempo depois irão aparecer as folhas. Logo que a planta atinja 15 centímetros, passa-a para um pote com composto. Deixa o lado superior da semente visível e forneça-a com muita água e sol.

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Discurso

Notes for an extended video book review and wiffling about the Marques de Pombal.

Hoje vou falar sobre este livro “A Vida e a Obra do Marquês de Pombal” de José Barata. É uma biografia fina e básica. Acho que o autor tentou fazer uma hista equilibrada. Não é um elogio do homem mas também não entrou a matar. Parece que quer ser justo mas não sou especialista e não sei se ou não sucedeu.

Fiquei com vontade de ler depois de ouvir e ler várias coisas sobre esta figura histórica durante o meu projecto de aprender história portuguesa. 

Antes de ler, não sabia muito sobre o M de P. Já sabia que estabeleceu a cidade de Lisboa quando foi destruído pelo terramoto de 1755, que fez uma decreta contra escravidão que acabou finalmente com transportes de escravos para o Reino, e lançou algumas reformas na esfera de educação, e ouvi a minha esposa a dizer que era uma desgraçado maluco (ela disse “crazy bastard” porque esqueceu-se falar português) mas é isso mesmo. Do lado escuro do Marquês é que  não sabia nada. Há uma teoria de história que diz que, quando um país precisa de fazer uma grande mudança, é necessário que haja um “homem forte” que pode forçar o país transformar-se. “homem forte” é a palavra eufemística para este tipo de pessoa quando apoiamos as polícias deles, mas a outra palavra é “ditador” e escolhemos a palavra que depende dos nossos preconceitos. Claro está que este homem era um ditador, quer apoie quer não, e claro está que fez erros, abusos do seu poder e provavelmente crimes. Não quero o julgar pelos valores de hoje em dia, confesso que gosto de alguns objectivos seus, mas lá está. 

Tenho algumas dúvidas que ofereço com humildade porque este livro é mesmo básico e ainda por cima é possível que perdi alguns pormenores, mas cá para mim, havia algumas pontos puouco claros. 

Por exemplo, vamos falar do execução, do modo mais sangrenta e injusto da família Távora, que era o pior acto na biografia. Antes de mais, não tinha certeza se ou não uns membros da família realmente tentaram assassinar o rei, ou se devemos acreditar que o Marques tentou incriminá-los para apagar os seus rivais

De qualquer maneira nunca pode ser justificado matar a família toda, mas vou pôr esta questão para o lado porque, a maior dúvida que tenho é o seguinte: quando vemos o balanço deste crime, quanto devemos culpar o M de P, e quanto culpa merece o próprio rei Dom José 1. Porque parece muito improvável que o rei perdoaria alguém que tentou matá-lo. Os reis de qualquer país costumam de lidar com assassinos com mãos de ferro e de forma geral, as opiniões dos outras não lhes importam muito. Quiçá o M de P não merece a culpa toda. Mas não tenho certeza. Ouvi que Dom José era indeciso e deixou o Marques controlar tudo. Quem sabe? Se calhar disse “alguém tentou matá-me hoje mas não quero fazer nada. Irei assistir esta caixa e ficar à espera de alguém inventar o Netflix. Seja à vontade fazer o que queiser ó Marques”. É possível mas não sei. Parece igualmente provável que o rei deixou o povo culpar o Marques para não ser enlameado pelo acto de vingança. 

Tinha algumas dúvidas menores. É difícil imaginar quão bem as ordens de Reis e políticas transmitem-se aos funcionários que as executam e por isso o “grande homem” de história leva sempre mérito e censura que, as vezes não merecem. Mas… Ao final de contas, fiquei com a impressão que o M de P é um exemplo dum fenómeno bem conhecido aos leitores de história inglesa. Existe um livro chamado “1066 and All That” de  W. C. Sellar and R. J. Yeatman, que é uma história humorística de Inglaterra. No percurso, diz-se várias vezes “He was a bad king but a good thing” ou seja “Era um mau rei e uma boa coisa”. Este livro deixou-me como mesmo sentimento para o M de P. Como homem, não era muito simpático, mas durante a sua carreira, aumentou a vida do país: abrandou a influência da Igreja sobre educação, desenhou uma nova cidade nas ruínas da velha, ajudou leva cabo à escravidão. Deixou um país melhor… A menos que o teu nome é Távora. 

Mas sei menos que nada. 

Cada história tem dois lados e por isso quero agradecer José Santos por ter me enviado este livro. Chegou anteontem. É um romance histórico, nem uma verdadeira história mas acho que é baseada em factos verídicas e por isso lê-lo-ei na próxima vez que me apetece aprender mais história portuguesa. Muito obrigado. 

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Vamos Falar De Outra Coisa

Sabendo que os professores estão todos fartos de lerem textos sobre a pandemia, apresento-vos um texto sobre…. hum… (*olho à minha volta*) flores

No ano passado, plantei uns bolbos de flores no meu lote na horta comunitária e já que estamos na primavera, tenho algumas tulipas. Colhi-as e coloquei-as num jarro, São vermelhas… Hum, já que penso nisso, são cor-de-rosa mas não são rosas, são tulipas.

Existem outras plantas que sobreviveram ao inverno: alhos, ruibarbo, alecrim e sálvia*. Os arbustos começam a produzir flores e daqui a pouco aparecerão groselhas e morangos. Sem dúvida, a natureza está na primavera apesar do facto de nós seres humanos permanecemos no inverno.

*Sage (the herb)=salva in Portugal and salvia in Brasil, according to Wikipedia but apparently the Portuguese disagree.

Thanks to Wagner and Fernanda for the corrections

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O Velho Que Lia Romances de Amor – Opinião

Este livro surpreendeu-me. Já li dois livros do mesmo autor e ambos eram livros infantis mas este tem um tom mais adulto: há violência, sangue, personagens que bebem e fumam e tomam drogas alucinogénicas. Os animais não falam… Mas ainda bem que também não fumam porque o tabaco prejudica a saúde das onças.

O livro lê-se bem. O escritor tem um estilo muito nítido nos seus livros adultos igual às suas histórias escritas para meninos.