Este conjunto de contos interligados é incrível. Quero comparar Joaquim Mestre a um autor britânico cuja obra está muito na moda hoje, Alasdair Gray, autor do livro “Poor Things” que foi recentemente adaptado ao cinema. O seu “Unlikely Stories Mostly” também tem ilustrações e também tem elementos de humor e de magia, mas talvez a obra do Gray seja ainda mais lúdica e ainda mais mágico. Uma comparação mais apropriada seria com Calvino ou com Borges. A escrita é onírica, assombrada pela morte, mas tem uma simplicidade e um humor que avivam a leitura. Após algum tempo, vemos os laços que ligam os contos, uns aos outros, tornando o livro quase um romance episódico. Sem dúvida vou procurar mais livros do mesmo autor.
Author: Colin Lusk
👀
“E Depois do Adeus” has appeared on Lingoclip, I see! It’s nice and slow so should be easy, but I’ve still made a few mistakes on the second hardest level.

E Depois do “E Depois do Adeus”
Publiquei onze textos durante 48 horas, sobre o aniversário da revolução. Estou orgulhoso por ter escrito tantos (embora quatro fossem textos ingleses – buuuu!)
Tenho mais umas ideias em reserva mas hão de ficar para outro dia… Ou para o sexagésimo aniversário (se o presidente André Ventura quiser!)
Como sempre, quero agradacer à setôra Cristina who has corrected a boatload of errors, but I’ve been in such a rush to fix them I haven’t credited her in the individual posts… (Que raios? Mudei o idioma no meio da frase!) portanto estou a fazê-lo aqui! Escrevi tantos textos que provavelmente ainda há erros escondidos nos cantos do blogue mas são por culpa minha, claro!

Setôra
I mentioned the word “Stôra” a few months ago, and I’ve just seen another version of it: “Setôra”, in a book by Alice Vieira. Senhora + Doutora =Setôra. Such an odd-looking word to use to refer to your teacher!
Entretanto em Lisboa…
Os herdeiros do Salazarismo ainda se afastam quando ouvem canções que não gostam. Coitadinhos.
O Militar que Parou no Sinal Vermelho
A caminho ao seu destino, os militares que participaram na golpe militar seguiram um percurso cuidadosamente planeado. O site do Jornal Expresso explica o plano num mapa interativo e muito detalhado.
O plano incluia a coordenação entre grupos, uma tabela de horas, e as regras de empenhamento: por exemplo, os líderes do Movimento das Forças Armadas deram ordens contra o derrame do sangue se não fosse inevitável. Claro que esta ordem foi fundamental para não deixar escalar a situação, arriscando as vidas da população e a estabilidade da República.
Mas além de não cometer assassínios, o condutor do jipe do Capitão Salgueiro Maia recusou-se a cometer infrações ao Código da Estrada. Existe uma foto do jipe, parado num sinal vermelho, a caminho para derrubar um governo que durou metade de um século!
Mais uma vez, vejo que um pormenor do filme “Capitães de Abril”, que eu acreditava ser acrescentado para fazer rir numa história dramática, é, de facto, verdade! O incidente até faz parte do anúncio do canal RTP1
Vinte e Cinco a Sete Vozes
Hoje é o dia 25 de Abril, portanto parecia-me apropriado ler alguma coisa que falasse do aniversário do estabelecimento da democracia em Portugal. A autora, Alice Vieira conta a história através de um conjunto de 7 pessoas, cada uma a falar com uma menina que está a fazer uma pesquisa sobre a revolução. Os narradores contam as suas experiências à menina e falam com ela*, mas ouvimos apenas as vozes dos testemunhos, e o diálogo não é diálogo mas sim um monólogo capturado no gravador da protagonista silenciosa!
O livro foi lançado em 1999, 25 anos após os tanques darem à luz uma nova fase na história do país. Naquela altura, havia quem estivesse preocupado com a falta de entendimento dos eventos do passado. Hoje passaram-se mais 25 e os resultados da recente eleição indicam que talvez haja ainda menos entendimento, já que os anos setenta parecem um conto datado.
*I wrote “falar a ela” because all the dialogue is just their side of the conversation. “Falar com ela” seemed to suggest two-way traffic which is why I avoided it. It’s a little like listening to one side of a telephone conversation. You know there’s someone else involved but you can only hear the person next to you on the train. In the end, I put “com” back in but altered the corrected sentence a bit to reframe it. I hope it makes sense!
TFW You Get The Joke

One of the best feelings in the world is getting a joke in portuguese that requires not only a decent grasp of the language but also a bit of background knowledge, so I made a little happy/smug face when I saw this joke from Hugo Van der Ding
Bazar is obviously a noun in the shop sign because Bazar can mean the same as the English word Bazaar. Well they’re probably both derived from Arabic aren’t they? No, Google says Persian. Anyway, so this is the Carmo Bazaar. Fine. But bazar can also mean something like go away very quickly. So it’s something like “skeddaddle” or “get lost” or “buzz off”.
So Marcelo Caetano, the guy who took over from Salazar as dictator after he had an argument with a chair, was holed up in o Quartel do Carmo, headquarters of the Guarda Nacional Repúblicana and after a tense stand off he was made to surrender to General Spinola and then told to push off into exile. It’s a solid pun and I approve.
Newsprint Time Machine
The Guardian has republished its archive story from 50 years ago about the revolution. It’s pretty thorough and covers the background to the revolution, the main players and some of the more dramatic events, like the incident where the tank commander orders his men to fire on the rebels but they refuse. It’s a tense moment in the movie Capitães de Abril, but I was never sure if it was real or an embellishment.
Reading (and Watching) List

Eis a minha lista de livros para quem quiser saber mais sobre a revolução em Portugal, e os anos antes e logo depois
Livros já lidos
- Era uma Vez um Cravo
- Salazar – Agora na Hora da Sua Morte
- A Construção de Democracia em Portugal
- Maria e Salazar
- Vinte e Cinco a Sete Vozes
- Livros sobre a queda do império na Africa também são muito relevantes, como por exemplo “O Retorno“, “A Gorda“, “A Costa dos Murmúrios” ou “O Último Ano em Luanda“
Livros que quero ler mas ainda não li
- Revolução
- E Tudo Era Possível
- A Noite
- O novo livro de Alex Fernandes tem bom aspeto. O lançamento faz parte dos eventos mencionados no último blogue. Tem os seus pros e contras. Por um lado, é escrito em inglês. Buuu! Mas por outro lado, o fuzileiro da marinha na capa é lindíssimo🔥🔥🔥.
- Caderno de Memórias Coloniais
- Novas Cartas Portuguesas (temos um exemplar em casa mas… que vergonha… é a tradução inglesa)
- Pensando nisto, não é necessário fazer uma lista porque a PIDE já fez uma lista. Pessoalmente, eu li apenas um: o “Dinossauro Excelentíssimo” mas vou voltar a ler porque não o entendi muito bem
- E a livraria Wook tem uma seleção de livros relevantes também
Livros que não li porque não são livros mas sim filmes
- Capitães de Abril (disponível aqui em português e acho que o Apple TV tem uma versão dobrada ou legendada mas não tenho)
- Escolha insólita: Prazer Camaradas é estranho mas numa maneira interessante. Existe uma versão gratuita no Arquivo da Internet mas não experimentei porque tenho um DVD portanto sei lá o quão nítida é a imagem. Boa sorte!)

