Ouvi falar deste livro através dum canal de Booktube. Conta a história de dois homens – o Daniel e o Ricardo e um terceiro, o narrador. Ou seja, trata-se da vida do narrador e a sua relação com estes dois indivíduos. Os dois têm fundos e vidas muito diferentes, e acho que o narrador está à procura das causas da diferença. Pergunta-se, se fizesse algumas coisas diferentes, se as vidas dos amigos teriam sido melhores. A acção desenrola-se no Portugal de hoje, e os três sentem os efeitos do clima económica e social.
Percorrendo a história há uma série de conversas entre as personagens nas quais, falam de diversos assuntos – suicídio, o mercado editorial, Marilyn Monroe. Achei-os fascinantes, como se Haruki Murakami decidisse escrever um diálogo socrático. (Não me peçam para justificar a comparação com Murakami porque não sou capaz). Às vezes, além de ser o meu preferido parte do livro tornou-se uma fraqueza também porque durante os últimos capítulos o narrador imaginou uma conversa com um amigo desaparecido, e explicou os seus sentimentos e arrependimentos sobre a situação. Depois, proferiu um discurso que descreve várias cenas de literatura e cinema e utilizou-as para acrescentar mais pormenores.
Sinto que recebi demasiada informação: explicou demais e não mostrou o suficiente. Cá para mim, como leitor, prefiro tirar uma mensagem ou um significado do enredo, mas fiquei com a impressão que as ideias cresceram até ao ponto em que se tornaram mais importantes do que a história.
Mas sobretudo, aproveitei o tempo na companhia destes personagens e das suas conversas, e estou contente por ter lido um livro que não é aborrecido e não é difícil demais para um estrangeiro!
Thanks Fernanda for corrections in the main body of the review
A minha filha tem 12 anos e está a estudar informática na escola. Quero ajudá-la mas é um daqueles assuntos que é ligeiramente difícil integrar na vida. Não a quero sentar numa cadeira e dizer-lhe “vamos filha! Vamos programar em Java!” porque não sou um psicopata.
Mas a nossa actividade preferida foi uma alteração que fizemos com o jogo “Life is Strange” (A Vida é Estranha). Descobrimos que era possível trocar os corpos das personagens mexendo em algumas coisas e alterando as opções na pasta onde ficam os ficheiros do jogo. Depois de algum tempo, o jogo estava pronto. As protagonistas – duas raparigas adolescentes – percorrem uma floresta. De repente, um homem com barba voa de uma árvore para outra. As raparigas não prestam a mínima atenção. Continuam. Então ouve-se uma explosão. Uma das raparigas leva um tiro. A outra vira-se e vê, na escuridão, o rosto do assassino: uma coruja com uma arma.
Não costumo ler livros brasileiros por causa das diferenças da gramática e vocabulário, mas tenho ouvido apenas boas coisas sobre essa escritora, e estamos no mês do dia internacional da mulher (os meus amigos do booktube chamam-no “Marco Feminino”) e por isso, pensei, “porque não ler alguma coisa diferente?”