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Idiocracy

This starts in a fun way but gets a bit depressing. I’d just read as far as the film recommendation and then stop if I were you- Sorry.

Ando a estudar o “Português em Foco” apesar dos problemas, porque o livro é repleto de exercícios interessantes. Hoje, conversámos na aula sobre tendências demográficas em Inglaterra e em Portugal. A conversa fez-me lembrar a abertura do filme “Idiocracy” que foi muito citado durante as primeiras semanas da presidência do ex-presidente e ex-homem-não-culpado, Donald Trump. O filme é engraçadíssimo, e recomendo para quem ainda não viu.

O texto lido pelo narrador não explica bem o processo de evolução. Por exemplo, diz que “os mais fortes, os mais inteligentes, e os mais rápidos reproduzem-se mais do que os outros” mas isso é uma falácia: os mais adaptados ao seu ambiente sobrevivem e reproduzem-se, portanto o “ponto de viragem” do qual o narrador fala não é, na verdade, um ponto de viragem mas sim a continuação das mesmas tendências.

Se os mais inteligentes ficarem extintos, não será porque são inteligentes mas porque foram as primeiras pessoas a aceitarem certos “memes”. Memes? Tipo as imagens que o meu primo me envia todos os dias? Não! A palavra “Meme” foi inventada pelo biólogo Richard Dawkins. Representa uma unidade cultural, semelhante ao “gene” como unidade biológica. Os memes que tendem a aumentar a capacidade reprodutiva dos seres humanos nos quais se encontram sobrevivem. Portanto “Deus quer que nós sejamos donos desta terra e enchê-la de crianças” é um meme poderoso, enquanto “Nós estamos a matar o planeta porque somos tantos e consumimos tanto”, mesmo que seja correcto, é um meme que resulta em poucos netos. Igualmente, várias ideias liberais (principalmente no âmbito dos direitos reprodutivos e da igualdade de género) que fazem parte indispensável de uma sociedade democrática tendem a reduzir a fecundidade dos seus aderentes. Por mais que fiquemos conscientes da nossa liberdade e das nossas responsabilidades, mais confiança perdemos no nosso modo de vida e menos filhos temos para propagar estes valores na próxima geração.

As consequências deste facto são profundamente deprimentes, mas felizmente alimentam o enredo de um filme excelente!

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Just a data nerd

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