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Um Escritor Islandês

Today’s text is about Halldór Laxness, who was discussed on the Backlisted podcast. I got two corrections and I’ve put some notes at the bottom, some of which have some pretty interesting nuances of the language in them.

Halldór Laxness, public domain image from Wikipedia
Halldór Laxness

A minha esposa uma vez leu um livro de Halldór Laxness, um escritor islandês. É quase desconhecido em Inglaterra mas ganhou o Prémio Nobel de Literatura há décadas.
Ora bem, estava eu* a escutar o meu Podcast que já mencionei num outro texto quando um dos apresentadores falou de uma visita que tinha realizado** à Islândia. Numa excursão*** , um guia turístico indicou uma casa e afirmou “Aquela é a casa do nosso vencedor do Prémio Nobel, Halldór Laxness. Será que há alguém que conheça esse nome?”
O apresentador respondeu “Conheço. Já li um livro dele”
“A sério?” admirou o guia. “O senhor é o primeiro turista que ouviu falar dele, muito menos que leu um livro dele!”
“Oh”, exclamou ele. “Fico com tão orgulhoso!”
“Não”, replicou a guia. “Eu é que fico orgulhoso”.

Gosto muito**** desta história porque mostra bem o orgulho que os leitores de qualquer país sentem pelos melhores autores nacionais. Portugal tem Saramago (mais um laureado!) , Pessoa e Camões, nós temos Shakespeare, Dickens e Pam Ayres*****, e os islandeses têm o seu próprio Laxness.

*I originally wrote “eu estava” but that comes across as too colloquial and reversing the order comes across as better. It’s hard to relate this to anything in English so it might just be one of those things you need to get used to.

**Realizar has a meaning that just about exists in English but isn’t really used very often: it’s to make something real. You’ll occasionally hear about someone “realising improvements in…” productivity of fitness or whatever it might be, but that’s unusual. We tend to use realise to mean something like “perceive” or “understand”, and I think the Portuguese meaning probably makes more sense.

***Originally “Enquanto lá estava” (while he was there a tour guide pointed…) but the corrector pointed out this comes across as a clash, because “enquanto lá estava” indicates an extended period of time but the pointing only happened once. I think you could get away with it in English so part of me feels this might be a tiny bit “picuinhas” but maybe it sounds worse to Portuguese ears so it’s probably worth avoiding this kind of construction.

**** I originally wrote “tanto” on place of muito, but “I like this story so much because…” doesn’t really fly I’m Portuguese. I should have known. Its a relatively modern way of speaking in English. I don’t think we’d have said that in the eighties, say, it seems like something that we’ve picked up from watching American TV more recently.

*****Writers of equal stature. I will die on this hill.

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Os Adolescentes

Today’s text is about teenagers and their sleep patterns. Dani Morgenstern helped me with the corrections and there are a few footnotes at the bottom.

Alguém me disse* que os adolescentes precisam de dormir até ao meio-dia porque os cérebros deles estão a desenvolver-se ou algo do género. Sou cético quanto a tais afirmações. Na minha opinião, todas as pessoas** são únicas e os seus hábitos e comportamentos surgem por motivos mais complexos. Por exemplo, quando era jovem, queria ficar acordado depois da hora da hora de dormir dos meus pais para estabelecer a minha própria independência, tipo vida noturna. E identifico algo de semelhante*** na minha filha que tem dezasseis anos. A tendência pode ser ainda mais forte hoje em dia porque temos de ficar em casa a maior parte do tempo, portanto ela tem menos liberdade. Ainda por cima, existem tantos aparelhos e dispositivos. Tenho toda a certeza de que se existissem o Netflix e as redes sociais quando eu era adolescente, eu nunca teria dormido antes das seis**** da manhã!

Estou aqui na sala de estar, a pensar nisto enquanto a minha filha dorme.

* Alguém is attractive so the pronoun goes before the verb.

** i wrote “pessoas em geral” as a literal translation of “people in general” but that’s not very idiomatic.

*** algo de semelhante – it needs the de, you can’t just say “something similar”, it has to be “something of similar”

**** quick reminder that although I usually write all numbers out in full for practice – like the Dezasseis in this passage, the correct form is to write any number higher than 12 as a number, so if you’re doing anything where it matters, such as an exam, make sure you remember that.

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Os Vídeos Velhos

Today’s text is pretty short and maybe a tiny bit sentimental. Corrections by Dani Morgenstern. Thanks.

Ontem, vasculhei as* minhas pastas à procura de vídeos e fotografias duplicados. Encontrei montes deles, apaguei-os e acabei por libertar muito espaço no disco.

Mas durante o processo, deparei-me com muitos vídeos da minha filha. Esqueci-me de tantos momentos preciosos na vida dela, mas a câmara nunca se esquece.

*=Vasculhar is like “rummage” but unlike rummage it doesn’t need “in” after it as I originally wrote. I just rummaged my folders!

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A Pronúncia

Today’s written work is abiut the accent in the Azores. Thanks for the corrections teafvigoli

Ai, que obra desafiadora. Apesar de ter tentado muitas vezes, não é nada fácil entender o sotaque açoriano. Ouvi dizer que o sotaque madeirense é difícil também. A minha esposa sempre fica frustrada por causa dos funcionários do consulado que fingem não entender as suas palavras mas na minha orelha não é assim to diferente dos sotaques continentais.

Por outro lado este sotaque no vídeo é quase incompreensível. Sem as legendas eu não seria capaz de entender patavina. Mal acreditaria que seja sequer português. Soa francês.

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O Meu CV

Another practice text. Thanks to danimorgenstern for the help.

Tenho um agendamento para falar através do Skype com um especialista em recrutamento que me vai ajudar rescrever o meu CV. Demorei muito a contactar este homem porque sempre pensei “É a minha vida. Quem sabe melhor do que eu como resumir a minha própria carreira?”

Mas infelizmente não é assim tão simples. Escrever um CV é um bicho-de-sete-cabeças. É preciso ter confiança sem ser arrogante. Temos de incluir todos os nossos cargos recentes, as nossas competências e as nossas formações. Os recrutadores costumam usar uma aplicação informática que analisa o CV do candidato. Portanto não é suficiente escrever uma história; a história deve conter palavras específicas para assinalar a nossa adequação. Se não o nosso CV acabará por ser arquivado no arquivo redondo sob a mesa*.

*=O arquivo redondo sob a mesa (“the round filing cabinet under the table”) is a phrase I used jokingly, translating from English but apparently the wastepaper basket is sometimes called “O arquivo vertical” because of the way papers land one on top of another.

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O “Prom”

Thanks danimorgenstern and teafvigoli for the corrections. They double-teamed me but it wasn’t too bad. Only 3 mistakes between them!

Carrie (1976) Prom scene
Prom-Etheus, about to steal fire (and electricity and water and falling stage settings) from the gods.

A minha filha está na festa do fim da escolaridade. Hoje em dia a festa chama-se o “Prom” como a festa da mesma época na vida dum adolescente americano. Não faço ideia porquê*.
Vestiu um vestido roxo com saltos altos. Parece tão crescida mas também permanece a minha menina. Foi com a sua amiga depois de beber um Pimms com morangos e pepino. É um rito de passagem. Sinto-me com saudades da bebé mas também estou cheio de orgulho por causa da confiança e a beleza da mulherzinha que a substituiu.

*=Seriously though, fam, why are we calling it Prom now? Has there ever been a good, trouble-free prom experience in any American movie you’ve ever seen?

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Um Novo Podcast

Today’s daily text is about a book podcast in English. Thanks to danimorgenstern for the corrections

Backlisted podcast

Há algum tempo ouvia dois podcasts sobre livros: Bookshambles e Mostly Lit mas o segundo acabou quando um dos três apresentadores saiu para escrever os seus próprios livros. Depois, o primeiro deixou de falar sobre livros e fiquei aborrecido.
Mas ontem ouvi falar dum podcast interessante chamado Backlisted. Não é novo, apenas não tinha reparado nele antes. O seu arquivo tem montes de gravações sobre livros antigos que eu adoro tal como “A Month In the Country” de JL Carr e “The Dark is Rising” de Susan Cooper. Os apresentadores adoram livros e sabem tanto mas mesmo tanto sobre os autores dos quais falam. Estou a gostar muito!
Não conheço nenhuns podcasts portugueses semelhantes mas não me importa assim tanto porque existem Booktubers amadores que deixam opiniões sobre os seus livros preferidos e é aí que mato a minha sede livrólica!*

*=i originally tried to write this last sentence by splicing together two lines from two of the poems I’ve been learning by heart: “nele é que espelho o céu” (from Mar Português by Fernando Pessoa) and “Com luar matar a sede ao gado” (from Rústica by Florbela Espanca). It ended up as “nele é que mato a minha sede livrólica!” but I’d obviously bitten off more than I could chew!

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Ikea

Another practice text. Thanks to redditor ansanttos for helping correct my mistakes

A minha filha e a minha esposa visitaram o IKEA hoje. Queriam comprar umas cortinas mas voltaram com 1 300 251 bolachas, 8 formas* de gelado, uma escovilhão de loiça, um candeeiro e várias flores e decorações inesperadas. Juro que aqueles suecos põem drogas nas almôndegas para hipnotisar os clientes e fazê-los comprar coisas de que não precisam.

*=ice cream moulds. I originally said “moldagens” here. I get so confused even over the English word give that there are jelly moulds and moulds that grow on old food and I always have to pause and think is mold is the right spelling for either? It’s not, it’s the American spelling of both but in UK English we don’t use mold at all. Anyway, forma is apparently the right word in Portuguese. but molde is also OK. Not moldagem (which is the act of moulding something) or moldura (a picture frame). And certainly not moulde. I’d like to blame the Americans for that last one but I can’t make the charge stick.

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O Novo Normal Existe?

Description in Portuguese of the course I wrote about earlier in English. Thanks to redditor teafvigoli for helping root out the errors.

People photo created by rawpixel.com - www.freepik.com
Red and Green Dyed Lockdown Hair Goes Back To The Office

Participei num curso online. O título era “O Novo Normal Existe?” e faz parte dum conjunto de cursos chamado “O Café Filosófico”. Experimentei um curso online português anteriormente mas saí quando entrei em pânico porque percebi que teria de falar!

Ora bem, gostei muito deste. A professora começou por mandar-nos escrever as nossas próprias respostas (no meu caso “O nosso novo normal é igual ao velho normal da Coreia do Sul” (porque já costumam de usar máscaras lá)

De sequida, havia três vídeos com outros pontos de vista e depois, o grupo partiu-se e todos nós participámos em discussão em grupos pequenos. Confesso que não compreendi verdadeiramente o terceiro (uma comédia brasileira) mas fiquei influenciado pelas opiniões dos outros participantes.

Um afirmou que a normalidade em si nem sequer existe. Isso é verdade até certo ponto: cada um tem uma vida única e a situação muda constantemente. Mas cá para mim, o normal é o que não nos faz exclamar de surpresa. A estação de ano muda, o tempo muda, o governo muda, mas permanecemos dentro do espectro do normal. Mas de vez em quando algo realmente imprevisto (tal como uma pandemia) acontece que nos perturba. Está tudo estranho, e neste momento reconhecemos a normalidade perdida. Mas passado um ano e meio, será que o esquisito tornar-se-á normal? Achava que sim mas uma mulher no meu subgrupo foi céptica.

Acabei por crer que o novo normal pode existir se quisermos. Ou seja a maioria de coisas vão voltar um dia ao normal mas aprendemos muito em termos de modos de trabalhar e de viver e somos capazes de manter uns aspectos do normal temporário nos nossos próprios novos normais pessoais.

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O Jogo

A minha filha está a ensinar a mãe a jogar um jogo baseado na série The Walking Dead. No início ela era cética. Não gosta de jogos. Prefere ver a televisão mas acabou por aproveitar o diálogo.

Estão as duas sentadas no sofá, a mãe a tricotar e a filha a controlar o protagonista. Cada vez que ela precisa de tomar uma decisão, a mãe é que manda.
“Vamos matar o Ben” ela diz.
“Mais tarde mãe, teremos uma hipótese em breve. Agora precisamos de roubar esta bateria”
E assim por diante…