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Alcina Lameiras

Tarot

Alcina Lameiras era uma personalidade televisiva durante os anos noventa. Há poucas informações sobre a carreira dela na Internet e ainda menos vídeos mas tanto quanto eu consegui constatar, ela… Dava notícias sobre o futuro através de… um telefonema…? O único vídeo que encontrei foi um anúncio promovendo uma linha telefónica que “funciona todos os dias a qualquer hora”. Não tenho certeza mas não acho que ela fosse uma apresentadora com o seu próprio programa mas apesar disso, a gente do Twitter lembra-se dela e uma pesquisa dá luz a posts de Guilherme Duarte e entrevistas com Fernando Alvim nos quais ela é mencionada. Como perguntou o Senhor Duarte, “O que é feito dela?”

Na mesma altura, cá na Inglaterra, havia um crescimento de tais charlatães devido ao decreto lei de 1993 que pôs fim à antiga tradição de queimar os bruxos. Tínhamos a nossa Mystic Meg mas acho que Alcina é lembrada com mais afeto.

Dani, who kindly marked this, tells me there’s was another tarot reader at the same time called Maya who was a bit more showy. Alcina was less self-aggrandizing so people look back on her as more genuine… insofar (and this is me editorialising now) as someone whose job is saying nonsense can ever be regarded as genuine.

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Bird, Baby, Bird, Pisco Inferno

Lembras-te do pisco-de-peito-ruivo?
Depois de eu ter escrito o texto de ontem, o pássaro ficou ainda mais valente. Esvoaçou do topo da janela até ao candeeiro e daí de volta à cortina e pela janela fora. Que lata!

Robin
I mean, how heavy must he be to tip the lampshade like that?

Após algum tempo, levantei os olhos do portátil e lá estava o pássaro na estante a espreitar os livros. Até me engasguei. Bati as palmas para afastar o meu novo “inamigo”. Mas pelo menos somos ambos fãs de leitura. Talvez tivesse sido um bibliotecário numa vida passada. Há quem não acredite na reencarnação mas não negue à partida uma ciência que não conhece*.

* This is a reference to a TV psychic from the 90s called Alcina Lameiras. I’ll probably do a text about it in a day or two.

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Pisco-De-Peito-Ruivo

Pisc-de-peito-ruivo (Robin)
O Pisco

Thanks for the corrections, Dani Morgenstern and Teafvigoli

Vivemos num apartamento no segundo andar e temos um alimentador de pássaros suspenso acima de uma janela.

Nos anos passados tivemos poucos visitantes. As vezes, um chapim-real faria um pausa no alimentador par comer umas sementes mas mais nada. Num certo ano um pombo lançou uma campanha de comer a ração toda ainda que fosse grande que fazia o alimentador balançar de uma maneira perturbadora, as suas tentativas foram muito divertido. Mas uma esmagadora maioria* de meses passaram sem atividade de lado de fora da janela. Os bolos de gordura permeneceram imbicados. Imbicados? É uma palavra? Pois, agora é.

De qualquer maneira, este ano, um pisco-de-peito-ruivo (também conhecido como pintarroxo, papo-ruivo ou papo-roxo) descobriu o alimentador. À manhã, das 8 para meio-dia mais ou menos, este passarinho aproxima-se à janela, pousa no alimentador, come alguma coisa, e descola na direção da janela. Bate no vidro com as asas e pernas e depois mergulha abaixo, desaparece durante uns minutos.

No início, achámos que o homenzinho queria entrar no apartamento. Mas após algum tempo começamos a perceber que o modo de bater na janela não era assim. Estava a ver o seu próprio reflexão e a interagir com o “outro” pisco, quer a tentar roubar-lhe as sementes, quer a atacar, não sei, mas os piscos são altemente territoriais.

Abri a janela e o comportamento da pisca mudou. Deixou de voar pelo espaço onde havia a janela. Em vez disso, pousa no beiral da janela para espreitar os livros e os móveis e a tralha dos humanos. Uma vez, ficou de pé num regador dentro da janela. Após um minuto, com a sua curiosidade satisfeita, virou-se e voou pela janela fora. É muito fofinho. Espero que isto continue, pelo menos durante algum tempo.

*=this phrase doesn’t really make sense here. It means “the overwhelming majority (of months)”. I just wanted to cram that esmagadora maioria in there somewhere.

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Portugueses Na Grande Guerra

Portugueses Na Grande Guerra de Carlos Baptista Mendes

Um dos meus projectos de estimação é tentar aprender mais sobre a história de Portugal. Deparei com este livro durante uma visita à uma livraria online e fiquei interessado porque confesso que raramente ouço falar do facto de que Portugal fez parte do conflito que devastou a Europa durante 4 anos mas fez, mesmo, e não só na Europa mas também em África onde os portugueses lutaram contra as alemães no sudoeste do país na fronteira de Angola e Namíbia por exemplo.

Portugueses Na Grande Guerra (The Portuguese in the Great by Carlos Baptista Mendes)

Quase achei que estava a ler uma sequela ao Auto À República porque os eventos neste livro decorreram logo depois do nascimento da República e tiveram raízes na mesma conferência em Berlim que deu à luz a grande época do colonialismo, a partilha de África que alimentou as rivalidades entre os impérios europeus. Felizmente, neste conflito, os nossos países lutaram lado a lado. “Com os Bretões marchar, marchar!”*

Os contos de heroísmo são narrados na forma duma série de bandas desenhadas e são histórias verídicas, claro. O livro tem prefácio do General Loureiro dos Santos cuja carreira abrangeu vários papéis importantes nas forças armada e no governo do país.

*This is a sort of joke based on the national anthem. I’ll be doing a post about that fairly soon.

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Um Auto À República

Opinião d'”Um Auto À República” de Cidália Fernandes

Este livrinho é um texto dramático – um guião duma peça de teatro que podia ser apresentado numa escola enquanto parte de… Suponho… um programa educativo sobre a cidadania e o crescimento da democracia em Portugal.

Um auto à República

Mas há uma peça dentro da peça. Ou seja as personagens são alunos e a sua professora pede-lhes apresentar uma peça de teatro. Então, eles assumem papéis de pessoas históricas tal como o Rei D. Carlos e o poeta Guerra Junqueiro, e representam a história daquela época, explicando o Mapa Cor-De-Rosa, o ultimato da Grã-Bretanha, e a perda de confiança no papel da monarquia.

O livro foi escrito há 12 anos. O que mais me chamou a atenção foi o seu modo como fala de África. Não só os protagonistas da peça-dentro-da-peça mas até os alunos e a sua professora (que vivia no tempo presente) falam do território disputado como se pertencesse ou a Portugal ou à Grã Bretanha e ninguém perguntou “Hum…e os africanos?”. Não há dúvida que nós ingleses sofremos da mesma cegueira de vez em quando… Acho que hoje em dia um professor de qualquer destes países seria mais cauteloso e lembraria que há mais de um lado – e até mais de dois – em cada história!

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A Metrópole Feérica

Opinião sobre um livro de José Carlos Fernandes e Luís Henriques

Quanto mais livros de José Carlos Fernandes leio, mais gosto do seu modo de criar mundos surrealistas. Nesta banda desenhada, introduzem-se seis cidades imaginárias, cada uma com a sua própria história. Embora seja BD, não é um exemplo típico do género. Os desenhos são arrepiantes e escuros, e existem poucos balões de diálogo, so de narração. É quase uma colecção de contos absurdos, cada um ilustrado com um estilo adequado ao seu assunto.

Para mim, o capítulo mais bem sucedido é o último que reconta a história da torre de babel. Adoro ficção que usa, como base, temas religiosos e este, como o Caim de José Saramago e o último capítulo do Bichos de Miquel Torga é um exemplo excelente, cheio de humor contundente.

A Metrópole Feérica de José Carlos Fernandes
A Metrópole Feérica
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Vendas de Porta-Bagagens

Factos Verídicos Fam. Thanks to Cataphract for the corrections

Há quem adore participar em mercados de coisas de segunda mão que decorrem muitas vezes antes do nascer do dia 😱. Não compreendo este desejo mas existem tais pessoas. A sério.

A escola da minha filha tem uma “boot sale” (venda de porta-bagagens*) que tem lugar uma vez por mês. É organizada por voluntários, maioritariamente pais de estudantes mas há também professores e pais de ex-estudantes e os lucros financiam actividades extra-curriculares.

Hoje de manhã, a minha mulher levantou-se cedo para ajudar na venda de hoje. Infelizmente havia um atraso na entrada no qual era localizada. Às 6.32 uns chalupas que levam as vendas demasiado a sério começaram a queixar-se.
“Deixem-nos entrar. Os carros já estão a andar” e tanto faz.
Os voluntários recusaram porque não receberam “luz verde” e um gajo de vinte e tal anos começou a berrar na cara dum voluntário “Vai-te foder seu filho de puta. Deixa-nos entrar”. O voluntário é velho mas felizmente, é português assim como a minha mulher, e os descendentes de Afonso I o Conquistador não se submetem a este tipo de javardices e intimidação. Não lhe permitiram entrar até que tudo estivesse seguro.

*aka porta-malas, aka bagageira

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Futebol Escolar

I wrote this text to use some of the interjections (interjeições) mentioned in an exercise of the C1 Textbook exercise. It’s probably a bit stilted as a result.

Thanks for Dani Morgenstern and Gui R11 for the corrections.

A equipa correu para o campo, cheia de confiança.

Força! Coragem!” gritaram os pais deles, que ficaram de pé* perto da entrada .

Logo que os jogadores chegaram ao centro, um defensa ajoelhou-se brevemente para assinalar o seu apoio ao movimento de “Vidas Negras Importam”.

Chega!” bradou uma voz vinda de uma localização** indeterminada “Credo! Livra!” Evidentemente alguém desaprovou.

Logo depois houve algumas respostas de outros espectadores em redor: “Chiu!” “Caluda” e ainda mais francamente “Cala a boca*** seu parvo”****
Enquanto os jogadores se preparavam, havia murmúrios de “Irra! Ora, despache-se, árbitro, estamos todos congelados!”

O jogo começou e quase imediatamente o novo avançado-centro marcou um golo.

Oh! Viva” berraram os adultos da linha lateral.
Mas de repente o barulho acabou quando um defesa da equipa adversária foi deslizando até às pernas do atacante, fazendo-o tropeçar com força*****.

“Cuidado!”

O rapaz caiu ao chão. Houve um suspiro coletivo e o campo ficou sossegado.

Oxalá não esteja assim tão mal” murmurou uma mulher perto da baliza******. “Tomara!”*******

“Claro! Sim!”

O árbitro chegou ao sítio e dobrou-se ao lado do jogador. Uns momentos depois, os dois levantaram-se.

“Ufa! Arre!” disse o pai da vítima. “O meu heroizinho vai lutar mais um dia!”

“Ah ah” riu o seu amigo

“Que pena” disse o pai do guarda-redes da outra equipa, mas ninguém ouviu.

Far cry from small boys in the park
Jumpers for goalposts

*=i keep muddling “a pé” (on foot) and “de pé” (standing)

**=I wrote “locação” but that only means “the act of finding something”. If you want to talk about something’s position it has to be localização

***=”Cala-te” or “Cala a boca”. I wrote “Cala-te a boca” which I now realise must have made me sound like that Joe Dolce song, “shaddap you face” (if you’re too young to remember that, ask auntie YouTube)

****=This form of words seems really odd in English. It sounds like it should mean “your fool” but that “seu” is just how it’s done if you want to say “you fool” (or you anything else) in an emphatically disdainful way.

*****=This whole sentence was a mess and I obviously didn’t have the slightest idea how to describe this sort of action.

******=golo is a goal as in “scored a goal” but the frame and net of the goal is a baliza. The same word has a few other uses. For example, it also means “parallel parking” – the act of backing into a parking space and then swiveling the wheels to tuck in the front.

*******=According to the book, Pudera has the same meaning as Tomara so I used that but the book seems to be wrong – the corrector didn’t recognise it as such and priberam doesn’t either, so that’s good enough for me.

I’ve used quite a lot of football terms here. A lot of them are variable and they are definitely all different in Brazil. There’s a wiki page that describes the various positions in football if you’re interested.

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Fintech

Vejo que a Websummit está a decorrer* em Lisboa onde, todo os anos os convidados apresentam novas ideias  sobre tecnologia, a Internet e fintech. Embora saiba o significado de “Fintech” (utilizamos a mesma palavra cá em Inglaterra) “fin” significa “barbatana” e acho isso muito engraçado.
Tenho uma imagem mental de um golfinho no palco a dar palestras**.

“k-k-kkk-k-k” diz o golfinho (porque não fala português) e depois o tradutor explica “No futuro toda a gente será capaz de nadar”

“kkkk-k-kk-k’k”

“com as nossas barbatanas robóticas”

(salva de palmas e barbatanas)

“kk-k-k-kkkkk”

“adeus Lisboa e obrigado pelo bacalhau todo”

This dolphin would like to tell you about his startup
His only porpoise in life is to disrupt the market

*=I used “passar-se” but “decorrer” or “ter lugar” (literally “take place”) work better for events

**=I used “dar discursos” but it’s “fazer discursos”. The corrector also suggested “dar palestras” where a palestra is a verbal exposition on. A specific theme so I switched to that cos it’s a new word.

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Buarque Ode

I’ve really got quite evangelical about this Chico Buarque song, you know. I insist that everyone should learn Portuguese so they can appreciate its greatness. Here’s something I wrote about it in WritestreakPT, and this probably won’t be the last time I mention it either!

Acabo de ler um capítulo do meu livro (“Idiotas Úteis e Inúteis” de Ricardo Araújo Pereira) no qual o autor descreve uma canção do cantor brasileiro Chico Buarque chamada “Construção”. A letra da canção tem um ritmo ligeiramente diferente do que o padrão. Porquê*? Seguindo o Ricardo, é por causa de… Hum… uma palavra desconhecida. Ainda por cima, mal consegui pronúnciá-la! Estava a ler na cama e o dicionário na mesa de cabeceira também a desconhecia, portanto tive de aguardar até hoje de manhã.

A palavra era “Proparoxítono”**. Significa que a palavra tem o acento tónico na antepenúltima sílaba. Todas as palavras de cada linha são proparoxítonas. Em resultado disso, a canção soa muito diferente de qualquer outra canção portuguesa que já ouvi.
Que colheita boa! Num único capítulo, aprendi uma nova palavra, ouvi falar duma nova canção (que é mesmo bonita – acreditem!) e ganhei um novo ponto de vista sobre a língua.

* miraculously the corrector found only one single error in this entire thing except that they thought this should change to “por quê?”. This surprised me a bit because explanations of the various types of por/que usually have only 3 forms and “por quê” is not one of them. According to ciberdúvidas it can be used if you are asking “for what?” but it doesn’t mean “why” according to Elsa Fernandes’s book so at the risk of sounding arrogant, I don’t think the corrector was quite on the mark here. [UPDATE – A better corrector came along and agreed that yes, I was right about Porquê, but they have also pointed out some other mistakes which I have since corrected in the text above. It wasn’t terrible…]

** Amazingly there is a second word for this. Two words meaning “having the accent on the antepenultimate syllable”! It’s like the Eskimos and snow! The other word is Esdrúxulo.

And finally if you’re wondering what you call words that have the stress on the final or penultimate syllable they are oxítono and paroxítono respectively.