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A Estante Nova*

O nosso apartamento tem muitas estantes. Por quê? Porque temos muitos livros*. Infelizmente, moramos num apartamento pequeno com pouco espaço. Portanto temos que fazer bom uso de cada centímetro quadrado.

Há uma estante na entrada – Ou seja há um armário porque tem portas de vidro. De qualquer modo, esta peça do móvel é velha está partida. As duas prateleiras ambas têm caído sobre os livros que estão em baixo, e a traseira está a separar-se do corpo da estante.

Queremos substitui-la mas é difícil porque encaixa-se entre duas portas, ao lado dum interruptor e por baixo duma contador*** de aquecimento. O substituto precisa de encaixar-se no mesmo espaço, com o mínimo de espaço desperdiçado, mas sem obstruir as portas o as outras coisas. Procurámos um novo no Ikea, e em muitas outras lojas mas não tivemos sorte.

Finalmente, encontrámos uma loja no Etsy.com. O dono cria estantes, mesas e outros móveis de madeira reciclada. Cada um é feito à mão****, e personalizado pelo cliente. Gostamos desta ideia porque isso salva árvores e ajuda o ambiente. Mandei ao homem um desenho da estante dos nossos sonhos. Irá chegar amanhã. Estamos muito entusiasmados

* I originally wrote “O Novo Estante” because I am a big idiot. My response when I was corrected on this was: Acho que fiquei confuso porque “o/a estante novo/a” parece “o estado novo”. Se o Salazar limitasse-se a fazer mobilaria, nunca teria acontecido a revolução dos cravos, acho eu.

** Somos fãs de Marie Kondo mas neste assunto, não concordamos:livros são bonitos e um apartamento precisa dum monte deles. Estás errado, Marie Kondo! Pára! Larga a tesoura!

*** This one’s a bit iffy. Contador seems to be used for all sorts of counting devices including scales, electric meters. I’m trying to say “Thermostat”. Possibly “caixa do termostato” although, again, if you put that into google what you get is a lot of what looks liek specialised technical equipment

**** I originally wrote “Feito de mau” (“Made of bad”) Did I mention I was an idiot? How long have I been doing this and I can’t even get simple stuff like that right…?

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Old and Busted / New Hotness

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Muito Obrigado a Joaquim, Amanda, Sofia e Luísa pela ajuda com as correcções.

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Lincoln No Bardo Ganhou o Prémio Man Booker

I made a video about this too because I was so excited about being ahead of the curve for the first time in my life. It should be popping up on my Youtube channel in an hour or so…

Tenho de felicitar George Saunders por ter vencido o prémio Man Booker com o seu livro “Lincoln in the Bardo”. 22636867_521046004900329_2202454311651246080_n

Tento recordar outra vez em que já tivesse lido o vencedor do Man Booker Prize antes do resultado ter sido anunciado mas penso que esta é a única. E que livro maravilhoso que é! O seu estilo é único e as emoções transmitidas encheram-me de assombro, espanto e tristeza. Mereceu mesmo o prémio.

Quando o* recebeu, o autor deu um discurso que tinha a ver com as políticas americanas e o significado da cultura. O discurso foi curto mas poderoso. Não o* posso elogiar o suficiente. Parabéns ao Senhor Saunders!

 

*=Apparently when the direct object pronoun moves in front of the verb like this it’s called “próclise”. Live and learn!

 

This was written off the cuff and ended up being stuffed full of mistakes, subsequently corrected on iTalki. Thanks to Nina and Claudiano for their help with correcting this text

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As Notícias Do Brexshit

_98357533_mediaitem98357532Talvez já saibam que não sou fã do Brexit. O nosso governo aqui em Inglaterra está dividido, um contra o outro por causa deste referendo, efectuado numa atmosfera de hostilidade e nostalgia duma época dourada imaginária. Hoje, foi anunciado que o governo pretende começar a adicionar cidadãos europeus a um novo registo. Apenas europeus, mas não cidadãos dos outros países. E por quê? Porque devemos aguentar tanta estupidez? Porque querem trazer tantas chatices às vidas dos portugueses, alemães, franceses, dinamarqueses que vivem cá? Não faz sentido nenhum. Todos nós merecemos liberdade e temos o direito a uma vida sem interferência.

Os europeus, incluindo os ingleses hão-de permanecer juntos e trabalhar pelo benefício de todos.

 

Thanks Joaquim, Máyra, Andressa and Renata for helping me correct the text

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O Pior Filme Baseado Num Livro

notebook_image_842261É uma verdade universalmente reconhecida que um filme baseado num livro não é nunca tão bom como o próprio livro. Um bom exemplo é “Watership Down”.
Vi-o nos anos setenta com a minha família (fomos lá num Tricerataxi) e gostei bastante, mas era novo e estúpido e ainda por cima ainda não tinha lido o livro. Mais recentemente li o livro com a minha filha. Vivemos dentro deste livro. Amámos as personagens. Estávamos assustados, entusiasmados, divertidos… Todos os particípios passados: estávamos. Quando terminámos a minha filha queria voltar ao início mas eu estava esgotado. Decidimos ver o filme. Mas foi um grande desapontamento e uma traição. Será que estou a reagir de forma exagerada? Pensem o que pensarem, não me importa – este filme foi realizado pelo diabo para destruir toda a alegria do mundo.

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Uma História Verídica

Hoje, às cinco da manhã, a caminho da estação, havia um homem deitado na calçada, bem-vestido mas sem sapatos. Parei para ver se estava tudo bem. Os roncos dele disseram-me que o senhor foi vítima de álcool e não de uns assaltantes. Deixei-o em paz. Espero que se sente melhor quando acordar.

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#MiniWriMo

Next project:

For #nanowrimo I’m going to write a short story in Portuguese. Nothing like novel length of course, but something meaty and time-consuming to challenge myself to write elegantly, avoid repetition and use plenty of dialogue. I have a sci-fi idea brewing up in my brain.

Considering #MiniWriMo as a hashtag or possibly something more Portuguese and punny like #NandoWriMo

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Uma Noite Com Senhor Araújo

Este ano, comprámos alguns bilhetes para concertos que queríamos assistir. Por acaso, 3 destes calham notebook_image_838773esta semana! Na quarta, fomos (ou seja, a senhora 18ck e 18ckinha foram, porque tive que trabalhar) até ao Hammersmith Apollo para ver The National, e no sábado vamos ver Nick Cave num gigante estádio e vamos precisar dum telescópio. Mas o ponto alto da semana foi ontem à noite, quando fomos ao Barbican Centre para assistirmos a um concerto do Miguel Araújo.

De manhã, fiquei preocupado porque havia um problema com os sistemas informáticas em muitos aeroportos, mas o Miguel publicou um vídeo através do Instagram que mostrou a banda segura dentro dum avião da TAP.

Chegámos à sala de concertos para as 19h55. Fiquei surpreendido por ver tantos vazios nas bancadas. Há um monte de portugueses em Londres mas acho que… O quê? Não gostam dele? Ou talvez todos tivessem que acordar cedo na manhã seguinte…? Sentámo-nos na segunda fila, quase ao pé do palco, portanto quando ele chegou com seis outros músicos, tivemos uma boa vista! O concerto foi espectacular, com muitas canções favoritas mas num estilo relaxado: não “partiram a loiça toda”, pelo menos até às últimas canções. Havia uns ingleses na plateia e por isso falou inglês além de português.

Hoje de manhã, o Miguel começou um vídeo em direito através do instagram. Espreitei-o enquanto trabalhava. Pareceu que a banda estavam a tentar recriar a capa do álbum “Abbey Road”. Havia muitas buzinas. Ninguém foi morto mas foi apertado!

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Jonas O Copramanta #SeptemberThrills

Here’s the first book review. It’s not as bad as I remember it being while I was recording it. There are some real howlers though: “He didn’t die anyone” is a particular cringemaker for me but there are others just as bad. I’ll put a tidied version of the text (of the review only, not that intro) below.

Esta semana, li “Jonas o Copromanta”, um romance Brasileiro de Patrícia Melo. Quando comecei acreditava – ou seja esperava – que fosse um policial mas enganei-me, porque não é nada disso, sim uma espécie de romance literário, bem diferente de algo que já li anteriormente.

O enredo descreve a vida dum funcionário da biblioteca nacional do Rio de Janeiro. Tem uma obsessão incomum. Crê que pode adivinhar o futuro, e receber mensagens do Deus por “ler” (entre aspas) as suas fezes, que ele pensa têm forma de algum alfabeto antigo. No início do livro, acabou de ler um livro escrito por um autor bem conhecido, que se chama Rubem Fonseca. O livro é sobre o assunto da “copromancia”, e ele fiquei convencido que o escritor plagiou-o por método de espiando nele e roubando as suas ideias. Conforme o enredo desenvolve, a monomania dele aumenta, e começa a perseguir o escritor. Como disse, este livro não é semelhante aos outros livros que já li. Tentei pensar num outro romance que tenha um estilo, ou um ambiente semelhante. Um livro americano de John Kennedy Toole, chamado “A Confederacy of Dunces” tem tanto loucura quanto este, e “American Psycho” compartilha com ele um sentido duma protagonista que parece normal às suas colegas mas tem um mundo inteiramente diferente dentro da sua mente. Claro que não é um semelhança forte. O Jonas não assassinou ninguém é não tinha uma cabeça no frigorífico. Mesmo assim, acho que podemos traçar certos paralelos entre os dois. Mais uma coisa que me interessa foi o nome da protagonista: Jonas é um nome dum profeta do testamento antigo que foi engolido por uma baleia. Foi mencionado em “Moby Dick”, um dos meus 3 ou 4 livros preferidos de sempre.

Confesso que não entendo cada detalhe mas gostei da história em geral. Achei-a imprevisível, esquisita e bem engraçada. Vou dá-lo quatro estrelas no Goodreads. Até agora, a média das notas* é duas e meia, e o único comentário simplesmente diz “Um monte de estrume com o perdão do chiste”. É claro que pessoas que falam português melhor de eu têm uma opinião mais baixo. Vocês têm sido avisados**!

 

*=According to Ruben, who kindly corrected this for me, “The average mark” isn’t a thing (at least in Brazil), but “The average of the marks” is OK.

**=”You have been warned”. It’s a literal transation and I don’t think it’s really an expression used in PT, so probably not something I’ll repeat.

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Livros Contra Cigarros (ou qualquer coisa)

Tive uma conversa com uma boa amiga ontem. Ela disse que os portugueses, apesar de serem leitores ávidos, lêem poucos livros. Preferem revistas e jornais. Fiquei surpreendido porque quando visitámos Portugal, sempre apercebemos livrarias em toda a parte. Há ainda mais do que aqui em Londres. Ora bem, é verdade dizer uma grande parte da diferença é por causa da influência do Amazon (o site, não o rio, amigos brasileiros) aqui em Inglaterra, mais mesmo assim, tinha a impressão que os portugueses são um povo bem literato que amam livros e têm poesia nas suas almas.

Books Vs Cigarettes by George Orwell Isso lembrou-me de uma dissertação pelo autor inglês George Orwell, nomeada “Books vs Cigarettes” (Livros Contra Cigarros). Escreveu-o nos anos quarenta, logo depois a segunda guerra mundial, e dois anos antes de publicar a sua obra mais conhecida, “1984”.

Nesta dissertação, o Orwell fez conta de todos os seus livros e os preços de cada um (incluindo livros emprestados e livros oferecidos) e ao outro lado, fez conta de quanto dinheiro gastou para cigarros e para cerveja. Não queria persuadir alguém não fumar (teria sido loucura naquela altura!) mas sim provar aos seus leitores que livros não são para os ricos somente. Nesta altura, toda a gente fumava. Idosos fumavam, adolescentes, homens, mulheres, até mulheres grávidas, bebés neonatos, padres na igreja, médicos na sala de operações… Tooooodaaaa a gente. Portanto, um bom método de provar a sua tese foi comparar os preços relativos de livros e cigarros durante um ano. Podes adivinhar o resultado: concluiu que os livros foram menos caros, e deram melhor valor do que os cigarros ou até uma bilhete de cinema!

É claro que hoje em dia menos pessoas fumam. Apenas os mais idosos (que não podem deixar) ou os mais novos (que não podem imaginar as suas mortes) permanecem com o hábito. Pessoas da minha geração deixamos de fumar há anos! Mas para fumadores, o argumento é ainda mais forte no século XXI. Os livros são mais caros do que antigamente, é verdade, mas cada vez mais, os impostos que são acrescentados ao preço do álcool é do tabaco deixam ambos muito, muito mais caro. Aqui na Inglaterra, um livro tem a preço de dois pacotes de cigarros. Acho que em Portugal é diferente. Mas mesmo assim, não há dúvida que são relativamente mais caros do que na época de Orwell.

E para não fumadores? Revistas são mais baratas, claro, mas demoram menos tempo para ler. Podem ser lidas grátis no café, sim, mas livros pode ser lidos grátis também, graças às bibliotecas.

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Comentário sobre “A Célula Adormecida” de Nuno Nepomuceno

Finalmente terminei de ler este livro gigantesco. Tem 577 páginas e prometi-me* que leria 20 páginas por dia para ler o livro inteiro dentro duma mês. Falhei. Fiz uma pausa no meio e não recomecei a sério até à semana passada.

O livro é um romance, tipo “Thriller”, mas é diferente duma típica história deste género. Os eventos desenrolam em Lisboa, excepto alguns capítulos que acontecem na Turquia. O enredo tem a ver com um grupo de terroristas do autoproclamado Estado Islâmico. No início do livro, no dia da eleição legislativa, fazem um atentado no centro de Lisboa, detonando uma bomba num autocarro. Depois, levantam a bandeira do Daesh no monumento da revolução de 25 de Abril. No mesmo dia, o vencedor das eleições, o novo primeiro-ministro, suicida-se. Um professor, que conhecia um dos terroristas mortos durante o ataque foi recrutado pelo SIS, para ajudar na caça dos outros antes da cimeira da NATO em Lisboa daí a um mês. Entretanto, uma jornalista começa a investigar o mistério do aparente suicídio, seguindo o pedido da viúva do político que fica convencida que ele fora assassinado.

Ambos têm problemas: o professor é assombrado por um passado escuro e a jornalista tem cancro. Os dois encontram-nos na Turquia e juntam-se para descobrirem a verdade.

O que é impressionante é que durante esta história de atrocidades terroristas, o escritor tentou com muito esforço evitar tratar todos os muçulmanos como terroristas (um problema comum em muitos thrillers). Explicou vários aspectos da sua fé, a cultura e a história do Islão, e a história recente da Síria e do Médio Oriente. Isto parece uma fraqueza no romance porque reduziu o suspense do enredo, mas acho que foi uma decisão do escritor. Hoje em dia há tantos mal-entendidos no mundo, e tanto ódio pela religião que nos forneceu com tantos grupos armados, que penso que é bom lembrar que a maioria das vítimas do terrorismo são muçulmanos, e aqueles muçulmanos de vários países receiam os efeitos da guerra nos seus próprios países ainda mais do que nós temos medo do terrorismo nos nossos países.

A Célula Adormecida: AmazonOfficial SiteBertrand

Thanks Raphael, Hugo, Sofia for the corrections

*=This means “I promised myself”. Someone suggested “Comprometi-me” (“I made a commitment”) which is a good option too. It wasn’t what I was trying to say but maybe “I promised myself” isn’t a phrase that’s used often in Portugal…?

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