Posted in Portuguese

A Vacina

Annotated text about getting vaccinated with some notes at the bottom. Thanks ThisCatIsConfused for the corrections

Eu e a minha esposa estamos na fila fora do centro de lazer*. Estamos à espera da segunda dose da vacina contra covid 19. Ficamos muito contente por finalmente estarmos** protegidos do vírus que causou tanto transtorno durante o último ano e meio. Há quem tem*** dúvidas, ou até desconfia das**** vacinas por causa de falta de entendimento da ciência e isso é compreensível mas errado!
Claro está que esta situação apanhou os nossos governos mal preparados. Ninguém no oeste previu esta doença embora muitos cientistas tivessem avisado que uma pandemia é sempre um risco neste mundo de trânsito aéreo e fronteiras abertas.

Ainda que tenhamos falhado completamente neste primeiro teste, ao menos os cientistas reagiram sem hesitação e os serviços de saúde, com ajuda dum exército de voluntários***** conseguiram aceitar o desafio de lidar com os problemas logísticos causados pela necessidade de colocar duas dozes da vacina em cada braço esquerdo em cada país!

*=the correction changes this to Centro de Saúde, which makes sense, but it actually was a leisure centre! Weird but true!

**=I wrote sermos because we’re permanently (?) protected. Bad Call!

***=”há quem” is one of those phrases that I always want to pluralise. “There are those who have doubts” sounds like it refers to many people but in Portuguese it’s “há quem tem dúvidas” as if it was just one person or if that mass of people were acting as a unit.

****=my natural inclination was to write this as “desconfiar a vacina” (distrust the vaccine) or maybe “desconfiar na vacina” (lack trust IN the vaccine) but the correct way is “desconfiar da vacina” (distrust OF the vaccine) which ties back to previous remarks bout differences between PT and EN uses of prepositions…

*****=I did wonder if “An army of volunteers” would be an expression in Portuguese, but the corrector seemed to know what I was talking about so that’s OK. It’s intuitive enough, I guess.

Posted in Portuguese

Se Eu Fosse Um Livro – José Jorge Letria

Se Eu Fosse Um Livro de José Jorge Letria
Se Eu Fosse Um Livro

Quick review of this one. As it says in the text, you can enjoy the repetitive use of the imperfect subjunctive and call it homework for the B2 exam. It’s pretty basic apart from that though because it’s a children’s book.

Este livro fala da leitura. Repete-se em cada página a frase “se eu fosse um livro…” e logo a seguir um desejo que um livro poderia sentir. Muitas vezes este desejo é uma dica para os leitores de como apreciar livros ao máximo, tal como “…não gostava que me lessem só por obrigação, ou por estar na moda”

É divertido e ainda por cima, pode ser útil para quem quiser praticar os tempos verbais conjuntivos 🙂

Posted in Portuguese

Um Excesso de Politicamente Corretismo?

Summary of an article in Observador with notes at the bottom

Este artigo no site do jornal Observador lembra-nos que determinadas temas surgem em todas as sociedades modernas hoje em dia. Há quem prestam atenção às letras de cancões infantis e detetam os traços de um passado mais cruel que a presente. O artigo fala destes traços sob a rubrica de “politicamente incorreto” mas para ser mais exato, as letras contêm referencias a violência domestica, crueldade para com os animais* e racismo. Há muitos exemplos no artigo, alguns triviais (tal como “atirei o pau ao gato”) e alguns mais nojentos.

A cat is hit by a flying stick, thus triggering a more sensitive, woke moggy

Claro que cancões, rimas e brincadeiras que fazem parte da cultura de cada pais contém ecoas de uma época menos simpática e não queremos reforçar a opinião que assedio contra mulheres é aceitável por exemplo. E é evidente que qualquer professor de pré-escola que ensinasse aos alunos aquela lengalenga** sobre “o preto do Guiné” perderia o emprego e poucas pessoas sentiria simpatia nenhuma. Isso não se trata de uma questão de o que é que é politicamente correto, nem de censura, nem até de branqueamento*** mas sim de não repetir os insultos do passado nas orelhas dos estudantes negros em 2021.

Mas por outro lado, as tentativas bem-intencionadas para tornar as letras mais aceitáveis dá frequentemente em cancões pirosas e sem esforço. Até certo ponto, um bocadinho de choque, um pedaço de horror nos nossos contos de fada e nas cancões não magoa ninguém. Isso do gato não vão tornar ninguém psicopata, e não é preciso entrar em pânico ma afinal concordo com Dora Batalim: “mais vale não a cantarem, têm muitas por onde escolher”, ou seja, estas rimas racistas merecem desbotar e desaparecer. Não precisamos deles.

*=”crueldade para com os animais” is an interesting contruction. There are two prepositions in there. Literally, it would be “cruelty for with the animals”, which sounds weird to anglophone ears, but does seem to be legit. A bit of research and a question on a r/Portuguese shows that it’s a prepositional phrase meaning “in relation to” – Ciberdúvidas article here. It appears in the wikipedia article about cruelty but the main title of the article is just “Crueldade Com Animais” so obviously both make sense. By the way, it’s worth noting that brazilians spell “pára” (meaning “stop”) without the accent and in theory portuguese people should spell it that way too now, but it’s the most-ignored aspect of the Acordo Ortográfico because it’s so confusing. However, you might come across a phrase like “para com isso” which means “stop that”, so try not to get confused if you do!

**=I struggle to come up with a good translation for “lengalenga”. I’ve seen it explained as a kind of rhyming mnemonic, but I don’t think it’s that: it seems to refer to repetitive chants like rhymes that aren’t quite nursery rhymes – like “ip dip sky blue, it is not you” or “i see England, I see France, I see Colin’s underpants”. That kind of thing, I believe.

***=hm, branqueamento = whitewashing or sanitising something but in the context of imposing racist songs on black students it sounds like a pun which wasn’t my intention when I wrote it

Posted in Portuguese

Malditos, Histórias de Homens e de Lobos – Ricardo J. Rodrigues

Este é um livro fascinante. Aqui temos uma história verdadeira, contada pelos olhos de dois inimigos: os lobos e os pastores. Uma rivalidade que durou há séculos está prestes a terminar com o fim duma moda de vida (a dos pastores) e o esgotamento de espaços selvagens onde moram os lobos. É uma guerra eterna que vive em mitologia (quem viu a capa do livro e não pensou de lobisomens?) mas não tem espaço neste mundo cada vez mais moderno.

Posted in Portuguese

O Anibaleitor – Rui Zink

Gostei muito deste livro. É curto, uma espécie de romance picaresco, contado na primeira pessoa, e com um monte de referências a outros livros e filmes (obviamente o título é uma piada baseado do anti-herói d”O Silêncio dos Inocentes”)
Principalmente, adorei as declarações do Anibaleitor sobre a leitura.

Posted in Portuguese

O Caderno Vermelho da Rapariga Karateca – Ana Pessoa

Este livro (caderno?) é muito divertido. Conta a história de uma rapariga de 14 anos (faz 15 perto do final da história). Não divulga a nome dela mas há pistas, e não é difícil adivinhar! Ela é karateca (palavra desconhecida para a minha esposa, e isto deu boa oportunidade para mim ser professor de português a uma madeirense), e gosta de um rapaz da mesma classe de karaté.
O caderno é cheio de desenhos bonitos contos pequenos, listas, e pensamentos, mas não é um caderno típico, não, tem uma vida e uma vontade própria como a rapariga descobre…

Posted in Portuguese

Esquerda e Direita: Guia Histórico Para o Século XXI

So confused about which way to align this one

Esquerda e Direita – Rui Tavares

Adoro tanto estas edições da editora Tinta de China de cantos redondos. O livro vale mesmo a pena para quem se interessa na política. O autor afirma que as etiquetas “direita” e “esquerda” estão mais importante do que nunca, mesmo que o “campo de batalha” fique cada dia mais complicado, e tenhamos de ter em mente outros dimensões de político (global e nacional, autoritário e libertário) além daquelas. Embora os significados das palavras mudem ao longo dos anos e entre vários países, sem qualquer método de orientarmo-nos num espectro de opiniões, ficamos mais vulneráveis aos bitates dos demagogos.
O argumento do livro é muito justo. Quero dizer que o escritor nunca menospreza o ponto de vista dos seus rivais da direita, nem tenta branquear os crimes da esquerda. Mas defende a sua opinião: as categorias ainda fazem sentido, e os apoiantes de cada asa devem continuar em diálogo.

Posted in Portuguese

Raízes – Opinião


Raízes – The Lisbon Studio Series Vol. 4
Hm… Este livro é uma misturada de BDs diversas. O livro tem bom aspecto mas cheira a plástico. Ao final de contas deixou me desiludido. Há talvez duas histórias interessantes, duas com arte fascinante mas sem enredo, mas o resto… *encolho os obros* …
Se calhar a vantagem de conjuntos deste tipo é que dão oportunidade de descobrir novas artistas que – quem sabe – podem criar algo mais completo. Infelizmente, não há nada aqui que inspirou-me procurar mais obras de qualquer um.
Posted in Portuguese

O Atelier de Noite – Ana Teresa Pereira

O Atelier de Noite é o meu segundo romance de Ana Teresa Pereira. Encontrei o mesmo sentimento onírico do outro (O Verão Selvagem Dos Teus Olhos). Os dois livros partilham também um origem em literatura inglês. Neste caso, o primeiro conto é baseado na vida de Agatha Christie, que desapareceu durante 11 dias nos anos vinte do século passado. ATP usa este evento como matérias-primas de uma obra contada numa série de esboços (não há capítulo que ultrapassa 2 páginas, e alguns têm tamanho mesmo menor) de uma escritora a viver às escondidas num hotel, a fugir da vida, talvez num estado de fuga. Mas o ponto de vista muda de um capítulo para outro, e nós leitores, com visão turva, nem sempre sabemos quem é a protagonista: quer Ana quer Agatha, ou até Poirot. Os cargos de autora e protagonista ficam embaçados.
Embora o segundo conto tenha uma outra história, não é cem por cento distinto. Tem a mesma estrutura, e várias frases e temas repetem-se nos dois. Confesso que o meu português não é o suficiente para entender a ligação entre os dois. É provável que perdi algumas coisas, mas gostei de viver durante um dia (sim, um dia. É pequeno. Devorei-o) neste sonho literário.