Fui ontem ao segundo dos dois eventos dos quais falei há uns dias. Foi a festa de aniversário duma amiga da minha esposa. A aniversariante arrendou um clube de barcos à vela e contratou uma banda que tocou músicas principalmente dos anos oitenta (mas com umas mais recentes pelo meio)
Antes da festa, senti-me como se fosse um condenado mas claro que uma perspetiva negativa não ajuda ninguém, portanto fiz um esforço para pensar de modo mais positivo e, para resumir uma longa história, curti a festa. Dancei como um cromo com todos os contabilistas, comi várias coisas desconhecidas. Foi uma noite divertida.
A series of three linked texts, with thanks to Dani Morgenstern for the corrections.
Vem aí o Inverno
Song of Gifts and Turkey
Mal consigo a acreditar que a época natalícia está a aproximar-se. É mesmo verdade: chega cada ano mais cedo.
Compras Natalícias
Eu e a macaquinha fomos ontem ao centro de Londres comprar presentes para os nossos familiares e amigos. Tornou-se uma tradição começarmos a fazer as compras em Novembro, juntos. A minha esposa não gosta do Natal tanto quanto isso, mas nós os dois temos entusiasmo suficiente pela família inteira.
Colleen Aspirador
Quando estávamos a fazer as compras natalícias no sábado, a minha filha queria comprar um livro de Colleen Hoover porque uma amiga dela gosta dessa autora, mas a Olivia odeia-a (diz “Hoover Sucks” que é muito engraçado em inglês mas não faz sentido nenhum em português). Seria uma vergonha ser vista com um livro tão cliché!
De qualquer modo, tivemos uma longa conversa e, para resumir, concordei que eu faria a compra enquanto ela ficava à espera à porta da livraria. Ri-me.
Acho que a funcionária viu o livro a passar de mão em* mão porque ela sorriu e olhou para mim pelo canto do olho e perguntou “Então… É** um grande fã de Colleen Hoover?
Agora estou muito curioso.
*One of those surprising preposition uses in portuguese. “From hand to hand” becomes “from hand in hand”
**I used “és” here but the correction swapped to the more polite form with a note “a não ser que tenha andado com a senhora na costura, nesse caso podem tratar-se por tu”. I hadn’t heard “andar na costura” before and I can’t find it online but (EDIT – When I first posted this, the explanation here was completely wrong: this is the explanation straight from the horse’s mouth) it’s just like “andar na escola” – to go to school with someone. If someone is addressing someone in an overly familiar way, less informal speakers might draw their attention to it by asking if they went to school together, or were in the army together, or (in this case) were members of the same sewing circle.
Deixai de ter invejo dos meus sapatos elegantes. Esta imagem ilustra o método de criar composto
Todos os anos, coloco as minhas borras de café, ervas daninhas, e folhas mortas numa pilha para as minhocas comerem para que, na primavera seguinte, eu tenha montes de composto. Mas ouvi falar duma outra maneira mais científica. Dizem que, se puser pequenos pedaços de madeira na pilha de compostagem, a mistura aquecer-se-á, por causa das bactérias lá dentro e isso resultará em composto de qualidade superior. Vou experimentar.
If you’re in the mood to learn more about gardening, here’s a relatively slow, relatively clear video about it in european portuguese
Two texts about how binary maths is more fun than parties. Thanks as always to Dani for the corrections
Introvertido.
Fui convidado para* duas festas esta semana mas não gosto de pessoas assim tanto. A primeira é uma festa para celebrar o fim do meu projeto e a segunda é a festa de anos (50!) de uma amiga da minha mulher. Nossa senhora dos introvertidos, ajudai-me!
Eu a ver outros a socializar
Matemática Binária
Matei aulas** – ou seja, matei festas – e fiquei em casa com a minha filha em vez de beber cervejas com as minhas colegas. Ela precisou da minha sabedoria. Tem um exame de informática daqui a uns dias mas não entende o sistema de numeração binária com “vírgula flutuante”. Não estava a brincar ontem quando disse que odeio passar tempo com outras pessoas: antes ensino matemática binária a uma adolescente rabugenta!
*Apparently, with convidar, the rule is that if you’re invited to a thing its para, but if you are invited to do do a thing its a. So “Convidado para uma festa” but “convidado a comparecer”
**Meaning “bunked off”. I definitely learned this expression from a portuguese woman who couldn’t stand brasileirsmos (and wasn’t particularly nice about Brasileiros, come to that) but apparently it is a Brazilian expression. I should have said “baldei-me”
I’m still at a very low ebb when it comes to energy for study but I’ve started writing daily again now. I’m five days in and here’s the write-up of the Dulce Pontes concert a few days ago.
Ora bem, vamos a isto: mais uma tentativa de ressuscitar o meu streak morto.
Eu e a minha esposa fomos assistir a um concerto de Dulce Pontes numa sala de concertos chamado Cadogan Hall. Quando comprei os bilhetes, o concerto estava agendado para Novembro de 2021 mas foi adiado por causa da pandemia (foi logo no final da época do distanciamento social.)
Dulce Pontes at the Cadogan Hall
O espectáculo foi incrível. Ela cantou fado e canções folclóricas; bailou e tocou piano. A maioria das pessoas no público eram portugueses que já conheciam as músicas e gritavam “Brava! Ah fadista!” Havia um homem à minha frente que era um super-fã. Cada vez que ela terminava uma canção ele punha-se de pé e batia palmas. Uma vez, fez isso durante uma música lenta. Eh pá, tinha entusiasmo a mais, mas não faz mal. Fico contente por ele ter curtido!
Today’s text is a review of O Jogo das Alterações Climáticas (the Climate Change Game) which is more of an educational read than a fun read, and I wouldn’t normally recommend it, but here’s the thing: current affairs and social issues are pretty common topics for the produção oral section of the language exams, especially when you start getting into the B1/B2 range, so a book like this is good for learning useful vocabulary in an accessible way, so it’s worth considering if that’s something you think would be useful.
Esta BD desavergonhadamente pedagógica tem por objetivo educar o leitor sobre os efeitos do aquecimento global nesta região do globo: a Europa. A estrutura do enredo tem forma duma viagem. Uma portuguesa quer inventar um jogo de tabuleiro baseado na mitigação das alterações climáticas e na adaptação às mesmas. Daí a sua missão: percorrer o continente com o seu irmão, um artista, a aprender como os povos mudaram os seus modos de vida face à crise atual. Os dois entrevistam os habitantes de várias cidades em vários países. Aprendem (e nós, os leitores, aprendemos) as diversas estratégias que se tornam necessárias numa época de alterações climáticas.
O jogo acaba por evoluir para algo fora do normal: cada jogador representa um governo ou uma câmara municipal que tem de se adaptar ao novo normal, mas ao contrário de um jogo típico, não é uma competição em que estão uns contra os outros, têm de agir em cooperação porque em isolamento não é possível ganhar o jogo. É igual ao desafio com o qual nós temos de lidar nos dias de hoje.
Esta BD é uma das mais esquisitas que já li. Não consigo explicar o enredo: um vidente que prevê o futuro nas suas tatuagens, um realizador bêbedo, uma cega, uma atriz que quer tornar-se numa sereia, e uma taxidermista que sabe realizar o sonho dela fazem parte de um nó de histórias interligadas e surreais. O resultado é indescritível. Fiquei boquiaberto. O que é que acabei de ler?
It’s seriously messed up. I think it is Brazilian originally but the version I have is in PT-PT.
Este livro de Mário de Carvalho é uma coleção de contos sobre sexo. O narrador tem relações com uma nova mulher de seis em seis páginas, o que há de ser cansativo. Ainda por cima, utiliza palavras de cinquenta euros. Acho que abri o dicionário dez vezes por página. E amiúde encontrei-me a fitar uma folha sem a definição de que estava à procura. Talvez esteja na hora de comprar um dicionário maior.
Durante um turno no hospital onde trabalha, a minha mulher foi chamada por uma enfermeira.
-Falas espanhol, não falas? Perguntou ela -Hum, sim, mais ou menos, respondeu a Catarina -Ótimo. Está aqui um espanhol. Fala com ele. Ela aproximou-se dele e cumprimentou-o com… Sei lá, “Buenos Dias” ou uma abominação linguística qualquer. -Sou português, respondeu o homem.
Passaram algum tempo a falar-se na sua língua nativa.
Segundo a sinopse na contracapa, este livro é “difícil de resumir”. Pois, e para um estrangeiro, é difícil de entender! Não tenho a mínima familiaridade com Abrantes, Constância e Sardoal, as três vilas perto de Lisboa sobre as quais José Luís Peixoto escreveu estes textos. Cada um trata de um sítio (um jardim, um outeiro, uma biblioteca, seja o que for) nessa região do país, mas o tema é mais ambicioso do que um simples guia turística. Ao invés disso, o autor tenta abranger temas mais universais. Acho que a experiência de ler o livro teria sido mais enriquecedora se eu tivesse mais conhecimento dos sítios onde os textos têm as suas raízes, mas mesmo sem saber nada, curti dos textos como poesia.
You can find the locations listed in Onde by José Luís Peixoto by rummaging around on Google Maps (this link just shows the three villages, not the sixty odd specific locations discussed on the book)