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Um Contra o Outro
A little bird tells me that a well-known podcast might be publishing a Deolinda episode soon, and it reminded me that I hadn’t done a translation of one of my favourite songs of theirs, “Um Contra o Outro”.
It’s a really nice extended metaphor, based on the idea that the guy she’s talking to just wants to play videojogos all day and she’s challenging him to forget all that nonsense because he’s missing out on real life by not going out with her. There are some gaming terms in there – lives (not to be confused with your actual life!), stealth mode, levelling up and so on. It would be so easy to have the result be super corny, but I think it works pretty well.
I basically get most of what’s being said, but as usual, it’s hard to “pull it together” into a coherent narrative without working through it like this. And I’m glad I did. There were a couple of things I misunderstood – like I couldn’t work out why she mentions “cavalos” at one point but apparently she says “mostra o que vales”. Ahhhh! And I hadn’t really understood the nature of the challenge she lays down in the last few lines either.
I’ve linked the live video here because it’s very energetic. The original music video is a bit confusing since it just seems to be suggesting she just wants to play Jogo da Macaca or Jogo da Laranjinha with him. And maybe she wouldn’t say no, but I think the game she wants to play is one that’s going to take a lot longer, maybe even the rest of his life.
| Português | Inglês |
|---|---|
| Anda Desliga o cabo Que liga a vida A esse jogo Joga comigo Um jogo novo Com duas vidas Um contra o outro | Come on Unplug the cable That links your life To that game Play with me A new game With two lives One against the other |
| Já não basta esta luta contra o tempo Este tempo que perdemos a tentar vencer alguém Ao fim ao cabo Que é dado como um ganho Vai-se a ver desperdiçámos Sem nada dar a ninguém | This race against the clock* isn’t enough This time we waste trying to defeat someone When all is said and done** What is given with a win Will be seen as as time we wasted With nothing to give to anyone |
| Anda Faz uma pausa Encosta o carro Sai da corrida Larga essa guerra Que a tua meta Está deste lado da tua vida | Come on Take a break Park the car Get out of the race Let go of this war Because your objective Is on this this side of your life |
| Muda de nível Sai do estado invisível Põe um modo compatível Com a minha condição Que a tua vida É real e irrepetível*** Dá-te mais que o impossível Se me deres a tua mão | Level up Come out of stealth mode Activate a mode that’s compatible With mine Because your life Is real and unrepeatable It gives you more than the impossible If you give me your hand |
| Sai de casa e vem comigo para a rua Vem, que essa vida que tens Por mais vidas que tu ganhes É a tua que mais perde se não vens | Leave the house and come with me into the street Come, because this life you have, No matter how many extra lives you gain It’s yours that will lose out if you don’t |
| Sai de casa e vem comigo para a rua Vem, que essa vida que tens Por mais vidas que tu ganhes É a tua que mais perde se não vens | Leave the house and come with me into the street Come, because this life you have, No matter how many extra lives you gain It’s yours that will lose out if you don’t |
| Anda Mostra o que vales Tu nesse jogo Vales tão pouco Troca de vício Por outro novo Que o desafio É corpo a corpo Escolhe a arma A estratégia que não falha O lado forte da batalha Põe no máximo poder Dou-te a vantagem Tu com tudo E eu sem nada Que mesmo assim desarmada Vou-te ensinar a perder | Come on Show me what you’re worth You, in that game, Count for so little Swap one addiction For another Because the challenge Is body to body Choose your weapon The strategy that won’t fail The stronger side of the battle Put it on full power I’ll give you the advantage You with everything And me with nothing So even like that, disarmed, I’ll show you how to lose. |
*It says fight against time really but I think Lutar contra o tempo is a set phrase meaning like a time trial, race against time or some sense that you only have a certain amount of time to achieve the goal, so I gave it a rough equivalent in english.
**Listening to it without the written lyrics, I thought she was saying “do cabo” – so “at the end of the cable” which sort of made sense if you imagine holding a game controller that’s plugged into a game console via a wire, but I think it’s cabo as in “levar a cabo”, so she’s talking about what you have left over, at the end, when you’ve won, what you win isn’t as good as what you lose by staying indoors all day
***The source I copied the lyrics from has this as “real e repetida” which clearly makes no sense and if you listen closely that’s not what she’s saying. It’s almost like we can’t implicitly believe everything we read on the internet or something
Cante Alentejano
Quando escrevi sobre a mudança da marca diacrítica no site do Jazz Café, não tive qualquer plano para lançar uma série, mas olhem, vai continuando a semana dos chapéus. Hoje volto ao tópico do Cante Alentejano.
Desde 2014, este género musical é considerado Património Cultural Imaterial da Humanidade pela UNESCO. Esta honra é compartilhada com mais um género musical português, o fado. Consiste em dois cantores e um coro. O primeiro cantor é o ponto, e o segundo o alto. Mas cuidado, ambas estas palavras tem mais do que um significado. Eu sei menos que nada sobre a teoria da musica portanto fiz uma pesquisa e as definições relevantes do dicionário Priberam são o número 40 de Ponto: “Solista que inicia uma moda* no cante alentejano” e o numero 30 de Alto: “Solista de voz aguda que se segue ao ponto e que antecede a entrada do coro no cante alentejano.”

Se virem este vídeo, verem os dois solistas em ação: O ponto, de barba, na primeira fila, canta a primeira estrofe. Depois, o alto, quase escondido na segunda fila, entoa o primeiro verso da segunda estrofe antes do coro (incluindo ambos os solistas) cantarem o resto em uníssono. Este coro é o mesmo que colaborou com Zambujo no vídeo de ontem, O Rancho de Cantadores de Aldeia Nova de São Bento. Neste contexto, um rancho é um grupo folclórico mas a palavra tem mais significados entre os quais “Grupo de pessoas, especialmente em marcha ou em jornada” também descreve o conteúdo deste vídeo!
Quando ouço o cante alentejano, lembro-me sempre do Male Voice Choir (Coro da voz masculina) tradicional do País de Gales. Ambos têm raízes na cultura céltica, ambos nascem entre gente rural em aldeias marginais, longe do capital e ambos são cantados, tradicionalmente, por homens vestidos de roupa domingueira**. No caso do coro galês, isto aconteceu (tanto quanto sei) por preferência, mas em Portugal, a roupa tradicional foi reforçado pela influência conservador do Estado Novo que queria fomentar o património para os seus próprios motivos, mas basta do Estado Novo, já falei a mais daqueles gajos. Arruínam sempre tudo que eles tocam, e não quero associar o cante com o homem que caiu da cadeira.
Apesar das semelhanças superficiais, existem diferenças marcantes. Os galeses harmonizam mais. Não têm os dois solistas e não cantam de chapéu num supermercado. Segundo a Wikipédia, as origens do cante incluem elementos da tradição grega e dos colonizadores árabe.
A página da Wiki fala no seu último paragrafo, da estagnação do cante desde a segunda guerra mundial quando a mecanização da agricultura causou um declínio da tradição de cantar na lavoura. Como resultado o género sobrevive em grupos tradicionais como uma curiosidade ou uma atração turística. Não sou especialista, claro, mas parece-me que a forma não tem tenta flexibilidade como o fado, nem hipótese de se dinamizar por hibridação com outros estilos como aconteceu com o fado nas últimas décadas. E não importa assim tanto. Não precisamos de cante alentejano com um rapper a fazer beats entre as estrofes. Às vezes, podemos deixar a tradição em paz, perfeito no seu próprio nicho.
* AI meu deus, não quero sobrecarregar o texto de definições mas nota bem que “moda” também tem um sentido diferente neste contexto. É uma cantiga!
**Not a word I had come across. It means “relative to Sunday”. So roupa domingueira is your Sunday best! Not that anyone has Sunday best now, it was a dying concept even when I was young but I recognise it as something people had in books and comics written by the generation before!
Dance, Dance
So I keep seeing people on Instagram doing this dance and I wondered why…
It didn’t help that I didn’t… hey, I’m writing in English. Why? …que nem sequer sabia o título da música. Perguntei ao Shazam. É isto:
O branco é Lucenzo, um português, e o negro um porto-riquenho que se chama Don Omar, ou simplesmente “El Rey”. Os dois cantam numa mistura de idiomas num iate, rodeados por uma meia dúzia de modelos aborrecidas. O vídeo, lançado em 2010, é um dos mais vistos no YouTube porque foi um grande sucesso em muitos países da América e Europa. Basicamente em todo o mundo exceto o Reino Unido.
Kuduro é uma palavra angolana e segundo o Google, pode ser uma combinação das palavras “Cu duro”. Danza, igualmente não é Português nem espanhol: acho que é crioulo.
Mas onde nasceu a dança*? Não faz parte do vídeo original. Quem inventou?
Sinceramente não faço ideia. Tentei três vezes fazer a pergunta no reddit mas cada uma foi apagado instantaneamente. Sei lá porquê. Mas tenho a certeza de que a dança é portuguesa. Outros países têm outros passos. Veja-se por exemplo este vídeo de três portuguesas e três espanholas a dançar lado a lado.
Ah ah, sou um crítico cultural, trazendo as notícias de há 15 anos. Espero não me ter enganado. Estou a ler nas entrelinhas por causa da conspiração do reddit para esconder a história deste fenómeno cultural!
*Re-reading this, I hope it’s obvious I’m talking about the dance in the video, not kuduro itself, which is also the name of a dance but is not the dance she’s doing… ai, it’s a bit complicated, sorry.
Pulled Pork
Esqueceu-se de informar a amiga que ela é dinamarquesa
Fallout 4
O exercício de hoje é ver e anotar este vídeo do grande Ric Fazeres. O Ric é um dos “criadores de conteúdos” mais famosos de Portugal mas geralmente fala de jogos tipo Sims, ou Fifa: jogos simples. Eu sou mais fã da série de jogos Fallout portanto quando soube que tinha feito um vídeo em 2015 sobre a quarta edição da série, não resisti.
Começa por afirmar que não vai descrever o jogo inteiro porque é tão grande e tão complicado. Depois, fala dos itens promocionais que ele recebeu dos distribuidores do jogo.
O diálogo é completamente em inglês mas felizmente o nosso anfitrião entende tudo e narra o que está a acontecer: as opções disponíveis para a cara do protagonista e o seu pequeno mundo antes da terceira guerra mundial e a correria até ao refúgio anti-bombas. De vez em quando diz “Wat da Faque?” Para mim, é interessante ver a sua reação porque já completei este jogo todo 4 ou 5 vezes, e já sei o que se vai passar mas o Ric parece atordoado quando a mulher do protagonista morre, vítima de um tiroteio enquanto ele está preso na câmara criogénica e fica boquiaberto quando o seu filho é raptado pelo mercenário Kellogg. Depois, quando as primeiras criaturas, as baratas gigantes atacam, balbúrdia “ululululu whattafuck meu, fuckin giants meu!” ah ah, coitadinho. Se não gostas disso vais odiar os deathclaws!
Mas não chegamos a encontrar os deathclaws, nem o dogmeat, nem os supermutantes porque o vídeo não passa de uma introdução a este jogo épico cuja história é capaz de fornecer conteúdos a cem vídeos do mesmo tamanho!
Basic Vocabulary: Ordering Food
Fun bit here, demonstrating the correct way to order food in Portugal
Geopolítica
Vejo de vez em quando os vídeos dum ex-militar americano chamado Ryan McBeth, que fala sobre a política, a guerra e a espionagem. Acho que ele tem um ponto de vista política muito diferente do que o meu mas acredita no sistema democrático dos Estados Unidos e não acredita nas fantasias e os bitaites do seu presidente e por isso acho a sua perspectiva interessante.
Recentemente tem falado muito sobre a falta de confiança por parte dos aliados do país no atual governo dos Estados Unidos, e efeito desta rutura de camaradagem na segurança da aliança ocidental. Hoje citou o exemplo de Portugal que (segundo uma revista técnica) cancelou uma encomenda de aviões de combate por motivos tendo a ver com a falta de lealdade do país de origem.
Coming Soon #4: Capitão Fausto
Em quarto lugar, temos os Capitão Fausto, que vão tocar em Dalston em Maio. O cantor da banda é Tomás Wallenstein, que apareceu naquele vídeo dedicado a Sérgio Godinho. A banda toca música rock e o estilo dela mudou ao longo dos anos (este vídeo foi gravado há mais do que uma década) mas parece-me que os membros têm uma visão criativa que é original e que me chama a atenção apesar de não ser uma banda que adoro cem por cento (a voz do Wallenstein, por exemplo, não é exatamente esmagadora). Em vez de uma sala de concertos, este espetáculo decorre num pub. Acho irresistível a ideia de ver esta banda famosa num lugar tão íntimo.
Coming Soon #2: David Carreira
Não confio em David Carreira. Tem ar de um ex-membro duma Boy Band. Fui ouvir umas canções dele no Youtube mas não me agarraram. Se te apetecer ouvir este homem, ele irá fazer as suas boybandices no Lighthouse Theatre daqui a duas semanas.