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Rapaz’s Delight

Listening to an episode of Cromos M80 the other day I heard about “Os Lusitansos” by Luís Filipe Barros. It’s a history of Portugal in the form of a rap, with the beat basically pinched from the Sugar Hill Gang. It’s er… Well, it’s something from the 80s, simultaneously the best and worst decade in history.

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Lizard, Lizard, Lizard

youre-a-lizard-harry-36247804One of the exercises in “A Actualidade em Português” is about superstitions and there are five that are similar to “knock on wood” or similar – phrases for warding off the effects of bad luck. By far the coolest is “Lagarto, Lagarto, Lagarto” (Lizard, Lizard, Lizard). I have no idea why that means what it means. Ciberdúvidas isn’t much help and neither is Andreia Vale’s “Puxar a Brasa à Nossa Sardinha”. Even m’wife didn’t know, only guessed that maybe it was because witches use lizards in their spells.

Anyway, while I was researching it, I came across this freaky advert for an art show which uses an old song from the 70s by Banda do Casaco called “A Ladainhas Das Comadres” which includes the phrase. Confusingly the first line is in latin (the portuguese equivalent would be “Afasta-te, Satanás” or “Vai para trás, Satanás”)

Vade retro Satanás [get thee behind me Satan – Latin]

T’arrenego Belzebu [I abjure you, Beelzebub]

A Jesus Cruzes Canhoto [To Jesus, crosses left-handed]

Lagarto, Lagarto, Lagarto! [Lizard, Lizard, Lizard!]

That “Crosses left-handed” is a similar phrase used to ward off evil, sometimes extended to “Cruzes, canhoto! Longe vá o agouro!”

Similar phrases include

  • Isola
  • Diabo seja cego, surdo e mudo
  • Vira para lá essa boca
  • Salvo seja

 

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Politicamente Correcto

Questions posed after a lesson based on this video. Answers in blue.

1-o que achas do politicamente correcto

Acho que o politicamente correcto representa um experimento* que não correu bem. Claro está que existem um monte de palavras feias que as pessoas usam no dia-a-dia, que representam e reforçam modos de pensamento que prejudicam os direitos e o auto-estima de outras pessoas. Ainda pior, pode resultar em violência, contra as mulheres, contra estrangeiros e imigrantes, por exemplo. Vale mesmo a pena para pessoas de boa intenção evitar estas palavras porque não é necessário usá-las quando existem outras palavras melhores. Até certo ponto, politicamente correcto é igual a “ser bem educado”.

Mas claro está que hoje em dia, não é simplesmente uma questão de bom gosto ou respeito. Há quem queira mostrar a sua superioridade ao censurar mais do que qualquer outra pessoa. Vasculham os redes sociais para revelar os pecados dos seus inimigos, ainda que os inimigos são desconhecidos e os pecados imaginários. 

O Ricardo tinha razão quando disse que “a direita rejeita o politicamente correcto porque querem celebrar a estupidez e a esquerda apoiam-na porque querem proibi-lo.” (ou algo do género) mas acho que o problema ultrapassou estas categorias.

*I was told this should be “expressão” or “experiência” but I think either of those would change the meaning of what I was trying to say. That said, it’s possible that what I actually have said doesn’t make sense in portuguese culture.

2-achas que os músicos “sacam” mais gajas que os comediantes

Realmente não faço ideia. Espero que não. Os comediantes merecem mais.

3-qual é a situação das drogas no RU?

Ao contrário de Portugal, não temos uma política de tratar drogas como problema de saúde publica. Ainda é um assunto para a polícia, mas dado que os nossos serviços de polícia não tem orçamento suficiente, uso de drogas está a crescer. 

Além disso, assim como os EUA, queremos afastar o tabagismo da nossa sociedade e substituir o seu lugar de dependência de cannabis. Cá para mim, isso parece um erro. 

4- há temas tabus?

Depende do sítio. Por exemplo, Brexit é um tabu na sala de jantar (sobretudo na casa dos pais porque eles votaram sim) mas nas redes sociais, falo de brexit todos os dias!

5- como era normal antigamente ou no tempo? Faziam queixinhas?

Relacionado com este sujeito de politicamente correcto… não existia, mas a sociedade era  muito, mas mesmo muuuuiiiito mais racista do que hoje. Era uma cena diferente com racismo mais informal ou passivo, mas era por todo o lado (e o eu nos anos 80 não era inocente!). Não era uma cena boa. 

Não quero regressar lá. E pensei nisso quando o Ricardo disse que o politicamente correcto faz os idiotas parecem heróis da liberdade de expressão, mesmo que a “liberdade” que eles apoiam é liberdade de estar voltar ao comportamento ruim de antanho.

6- o que estás a achar?

Gosto bastante

(I actually wrote something else here because I didn’t understand what was being asked but it was just “what do you think of the video as a whole, not relating to the previous question?)

7- o que achas das pessoas que só elas é que podem dizer o que pensam

São hipócritas, sem dúvida. Ainda pior, sempre pensam que as suas opiniões são “factos” e os opiniões dos outros são baseadas em emoção e preconceito.

8- agora há informação sobre mais doenças. O que achas das pessoas que aderem aos produtos por moda, mas não por necessidade

A raiz é sempre vaidade ou sede de atenção.

9- o que achas das pessoas que criticam e julgam certos assuntos e situações só por não gostarem de algo

O que acho? Eu sou uma pessoa dessas! 

10- o que pensas das expressões usadas

Gostei da expressão “Benfica é merda” logo no final!

Obviously not what was being asked, but…

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Corvos

É impressionante que o criador deste vídeo conseguiu contar a lenda dentro de 35 segundos. É difícil entender tudo por causa da rapidez do falador mas depois de 4 vezes, compreendi tudo.

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Gente Que Não Sabe Estar

Another of those lessons I mentioned a couple of posts ago: we went through an episode of “Gente Que não Sabe Estar”, which is a sort of portuguese version of those american late night satire shows fronted by Stephen Colbert or Jimmy Kimmel or Seth whatsisface. In this case, it’s Ricardo Araújo Pereira, who has the requisite mixture of humour and ability to look credible in a suit. This is a challenging lesson for me because aside from the usual problems of trying to follow rapid-fiire portuguese, I have very little clue about who is who and what the hell it’s all about so I have had to do quite a lot of research. Here are some pointers, some from my teacher and some cribbed from Wikipedia and elsewhere

Joe Berardo (the creepy-looking dude in black, flanked by two very overworked lawyers) is a businessman who is somehow mixed up in a scandal regarding the recapitalisation of the Caixa Geral de Depósitos when it got in trouble a few years after the 2008 crash. It emerged that he had 980 million euros in debt to the bank and refused to pay interest because er… it would cause some sort of unspecified harm. He was fished out and dragged in front of the Comissão Parlamentar de Inquérito, and that’s what the footage is in the show. It’s a strange mixture of careful distancing of himself from the scene of the action and ridiculous failure to read the room. “This is costing the people a lot of money” / “Not me though!” being just one example.

Right at the start there’s a missed pun opportunity owing to this being in Portguese and not english, so “Bearardo” does not happen.

“Se queres ajudar um homem não lhe dês o peixe” at around 1:25 is the first half of the portuguese equivalent of the old saying “give a man a fish and he’ll eat for a day, teach him to fish and he’ll eat for life”

“pipa de massa” = “a load of dough”, where dough is money, just like in an old american gangster movie

“Os juros” = interest

“as dívidas” = debts

“As ações” = stocks and shares

“Os títulos” = share certificates

“a garantia” = collateral

Floribella is a sort of soap opera about a young singer. Lots of bright colours and shonky acting, but it has heart. I skimmed through the pilot (below) and was sort of fascinated by the spectacle of someone speaking portuguese with a strong german accent. I thought she was spanish at first but her name’s Helga Schneider apparently. The theme is “não tenho nada mas tenho tenho tudo” ( don’t have anything but I have everything), which as he says, is an astute allegory about high finance.

I thought the “coleção” was a charitable institution that collects money for good causes but it turns out, no, it’s an actual collection of artworks and he’s a bit confused about whether he owns it or the foundation he runs owns it. Hence the hand-waving from the lawyer. He also seems to have given share certificates as securities for the loan, but they are valueless because the paintings can’t be sold without his permission… oh god, my brain is starting to hurt.

There’s an analogy with “monopólio” (Monopoly, the game) around 11.00-11.30 just before the magic trick with the cups.

Spooky bit at 20:30. Where did the lady in the light jacket go after disappearing behind Margarida Mano?

“Comer” in the context of the bit about Rui Rio at around  21:35 means “shag”. He’s not talking about cannibalism.

 

Postscript. Apparently my wife met Berardo when she was young in Funchal and is far from impressed with him as a human being.

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It’s Time To Master “Bater”

I keep seeing constructions like “bater mal” and “bater certo”, and couldn’t quite see why “bater” was being used. I asked and (after a brief kerfuffle with some brazilians who tried to tell me that it disn’t exist and made no sense) found out that it is an informal expression. Bater is the verb used for the beating of a heart or the ticking of a clock, and if it starts going wrong that’s bad, so if someone “bate mal” after – say – a blow to the head, he’s not quite himself. You can also “bater bem” (being in good form) and things can “bater certo” (be exact, precise, spot on).

There’s an example of Bater Mal near the beginning of this song by the Greatest Band Ever

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A Guerra de 1908

I put up this video with the transcript from Planta Carnivóra the other day, with the idea that I could go back over it and tune into what he was saying with the aid of the text, because his accent is very different from what I’m used to and it seemed like a good exercise as part of my exam plan. However, it quickly became obvious that the transcipt doesn’t match. There’s no reason why that should be surprising of course; it’s an old sketch and I’m sure it’s been performed hundreds of times in many different variants. So, for the challenge, I’ve set about trying to change it to what I think he’s really saying. The altered bits are in red. There are probably a few errors because I don’t really understand the sentence structure in a few places, but hopefully it’s an improvement at least… Interested to note that the aunt and the mum seem to have swapped places…

Update 20/4/19 – yes, there were plenty of errors still and I have had help from Sophia. Mainly, they were mistakes in the original that I had missed rather than new errors I’d introduced. Like “Meu tio Gustavo”, which should have read “Meu tio que estava…” for example. Embarrassing.

 

Eu vou-lhes contar a história da minha ida à Guerra de 1908.

Eu trabalhava numa fábrica de produtos farmacêuticos. Um dia sem querer, deixei cair um comprimido e despediram-me. Fui lá para casa sentar-me numa cadeira que nós temos lá em casa para quando somos despedidos. Estava-me a balançar, entrou o meu tio que estava com o jornal que trazia o anúncio da guerra, que rezava assim

“Precisa-se Soldado que mate depressa!”

E disse a minha mãe,

Olha, tu é que podias responder a esse anúncio.”

E disse a minha tia,

Pois, mas é preciso levar cavalo!”

E disse a minha mãe,

“Mas eles na guerra dão cavalos.”

E disse a tia,

“Pois, e o meu sobrinho vai agora montar na guerra num cavalo que os outros já montaram. Sei lá quem é que já montou naqueles cavalos!”

Fomos à feira de gado para comprar o cavalo, mas vendiam uns cavalos com as carroças e com as moscas, e a minha mãe disse,

“O meu filho não vai agora para a guerra encher a guerra de moscas… O meu filho, vai a pé mas vai limpo.”

Então fomos para casa. A minha mãe preparou me umas papas de sarrabulho, tomei um táxi e fui para a guerra. Cheguei à guerra eram sete horas da manhã, estava a guerra ainda fechada. E estava uma senhora que vendia castanhas à porta da guerra e eu perguntei,

“Minha senhora, faz favor, aqui é que é a guerra de 1908?”

E ela disse,

“Não senhor! Aqui é a guerra de 1906, a guerra de 1908 é mais acima.

“Muito obrigado”

E subi dois anos. Cheguei lá cima, e  estavam a abrir as portas da guerra, que eram nove e tal e ‘tava o sentinela que me perguntou,

“Vens ao anúncio?”

“Sim, venho.”

E ele disse,

“E matas depressa?”

E eu disse,

“Por enquanto ainda mato assim-assim… preciso de treinos.”

Então ele levou-me ao meu capitão, e o capitão perguntou-me se eu trazia a espingarda e eu disse que Não trazia, que até pensava que a ferramenta davam lá eles. E disse

Eu trago é uma bala, que um vizinho meu guardou de recordação da guerra dos cem anos”

E diz o capitão,

“Como é que tu vais matar só com uma bala?”

E eu disse então,

Eu disparo a espingarda, e depois, vou lá buscar a bala”,

Aí disse o tenente,

Pois e a guerra pois vai parar de dois em dois minutos por sua causa!?”

Até o sargento disse

“Olha, a gente podia era atar uma guita à bala e depois puxava-se a bala!”

E disse o capitão,

“Pois, depois parte-se a guita, perde-se a guita, perde-se a bala. É tudo prejuízo não é?”

Então eles fizeram uma conferência e deram-me seis balas e mandaram-me matar. Estava eu, a matar, muito contente, chego ao pé do meu capitão e mandou-me ir de espia. Vestiram-me um vestido de organdi com uns laços cor-de-rosa, e fui para a guerra do inimigo, cheguei lá, bati à porta e o sentinela abriu frincha e disse,

“Quem é?”

E eu disse

“Sou a Maria Albertina”, malandrice!

E ele perguntou-me,

Tu já trabalhas de espia há muito tempo?”

E eu disse,

“Não, só trabalho desde as 11!”

E que é que tu queres?”

“Eu venho cá buscar os planos da pólvora”

E ele disse

“Não te dou os planos da pólvora, não te dou os planos da pólvora, não te dou os planos da pólvora”

E fui fazer queixa ao capitão dele. E eu disse-lhe,

Capitão, mas ele é um burro

Deixa lá, almoça cá com a gente!”

Então, almocei na guerra do inimigo. Comemos uma cabeça de pescada muita grande e depois fui para a minha guerra. E quando eu cheguei lá ia estava a contar ao meu capitão, entra um soldado a correr, a correr

Meu capitão, meu capitão, fizemos um prisioneiro!

Diz

“Sim, onde é que ele está?”

“Não quis vir.”

Porque cá há prisioneiros que são teimosos, a gente puxa, puxa e eles não vêm. Feitios.

Então o meu capitão disse,

Então, se eles não dão os planos da pólvora vai lá buscar o avião, pronto

Porque como a gente se dava muito bem com o inimigo, nós tínhamos um avião que dava para todos. Eles bombardeavam às Segundas, Quartas e Sextas, e a gente bombardeava às Terças, Quintas e Sábados, e lá íamos morrendo.

Mas o capitão disse que não podia dar o avião, porque estavam a adaptar uma torneira para andar a jacto”

Fui-me embora para a minha guerra e quando cheguei estava o meu capitão à porta da guerra e disse-me,

“Olha, podes-te ir embora porque a guerra acabou-se!”

Disse

“Acabou-se??”

“Acabou-se. Veio cá o fiscal, a gente não tinha licença de porte de arma. Levaram as metralhadoras, as pistolas, as bazucas”

E foi assim que… ai ai ai ai ai

 

Here are the vocabulary words I didn’t already know:

Carroça = Cart

Sarrabulho = Coagulated pigs blood. Er… yum?

Guita = Wire

Organdi = Organdy

Frincha = A small opening – I’m picturing the little window the guard looks through at the gates of the Emerald City when Dorothy arrives.

Pescada = Hake

Pólvora = gunpowder

Jacto = jet… and I assume “torneira” can mean “propeller” too, although I only know it as “tap” and that’s the only definition give in my dictionary too…

Feitios = shapes (which I knew) but seems to mean “it takes all sorts” here.

Feira de gado = livestock market