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O Último Ano em Luanda – Tiago Rebelo

Today’s review is about a historical novel called O Último Ano em Luanda (the Last Year in Luanda). I’ll link to the papery book here but as I say in the review, I used the audiobook and I was really impressed by the narrator’s clear, uncomplicated reading voice so I’d defintely recommend it for a confident, intermediate level learner.

Thanks to Dani for the corrections

O Último Ano em Luanda
O Último Ano em Luanda

O Último Ano em Luanda é um romance de Tiago Rebelo que eu “li” com os ouvidos. O enredo tem lugar durante os últimos anos do império português – antes e depois da Revolução dos Cravos. Os protagonistas mudam-se para Angola apesar do movimento de libertação estar a ganhar força. O marido é um piloto que ganha dinheiro a fazer contrabando, mas a situação militar, o caos do retorno dos portugueses e os laços dele com os rebeldes levam a família até à beira do desastre. O livro tem a atmosfera dos filmes clássicos americanos sobre a guerra do Vietname. O suor, o terror, a falta de lei e ordem. Todos se combinam numa história incrível, e a narradora lê numa voz nítida, o que ajuda muito!

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The Cats of the Louvre

Já leram uma manga*? Está palavra significa Banda Desenhada em japonês. Acabo de ler uma chamada Os Gatos do Museu do Louvre. Os desenhos típicos deste género de livro cabem bem num pano de fundo de desenhos mais realistas do museu e dos seus arredores.

* I’ve been spelling it “mangá” up to now, but apparently that is Brazilian. Aside from this meaning of the word, manga can also mean “sleeve”, “mango” or “a crowd of people”. Confusing. For further whining about words with double meanings, see the footnotes of this text.

The Cats of the Louvre

I don’t often review books in English here, but if you’re interested, it’s called The Cats of The Louvre. Thanks to Butt_Roidholds for the corrections.

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Gló-ó-ó-ó-ó-ó-ria Hosanna in Excelsis

Whoop! Cheguei ao meu centésimo texto no subreddit Writestreakpt sem falhar* um dia!

Glória, the first ever Portuguese series on Netflix
Glória

Terminei, dois ou três dias atrás, a série Glória, que é nada mais nada menos que a primeira série portuguesa na Netflix. É incrível. Não é perfeita (=não é o Breaking Bad) mas é uma série que vale mesmo a pena: bem escrita, com um elenco de bons atores, um realizador hábil e um enredo repleto de tensão.

A história decorre em Glória do Ribatejo, em 1968 em plena guerra fria. A CIA, em parceria com o governo da época, está a transmitir notícias, entretenimento e propaganda aos países comunistas, mas entretanto o PIDE e o KGB têm os seus próprios motivos para espiar nos membros da equipa. Ao mesmo tempo, claro está que a sociedade portuguesa tinha os seus próprios insatisfeitos naquela altura, principalmente os membros das forças armadas que, daí a 6 anos, (spoiler alert) derrubariam o Estado Novo.

Vemos, então, uma história centrada num lugar anormal, que não representa bem a sociedade dos anos sessenta, mas muitos fios importantes na situação política encontram-se aí representados no fundo da série.

É muito difícil para nós estudantes ouvir o diálogo e compreender tudo mas existem legendas em PT-PT que ajudam muito. No meu caso, depôs de rever o primeiro episódio (uma vez não foi suficiente para compreender quem era quem e quem torcia pelos comunistas e blablabla!), fiquei com entendimento o suficiente para entender o resto da série.

*=i keep using “pular” in situations like this. On Internet sites, “pular anúncio” means “skip advertisement” but it’s a Brasileirismo. Portuguese people don’t use Pular in that sense.

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Anjos – Carlos Silva

Anjos de Carlos Silva

Anjos é um romance de ficção científica, editado pela Editora Divergência. A história tem lugar numa Lisboa futurista, após um segundo terramoto ter derrubado a cidade atual, deixando os planeadores construir uma nova cidade nas ruínas, ainda maior e ainda mais magnífica.

Os protagonistas são os Anjos, guardiões da cidade e donos de um computador incrível chamado YHVH. A história é fixe apesar de ter um enredo desses sobre o qual não se deve questionar demais. Há um sabor de cyberpunk, sobretudo no desenlace mas acho que o autor está o seu melhor nas cenas mais humanas: interações entre personagens, batalhas, caças e tal.

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Prazer, Camaradas

Quite a long text, this. I split my review up over three days. Thanks to Dani Morgenstern for the corrections. I’ve put quite a few footnotes at the bottom where the mistakes were interesting enough to warrant it.

As you’ll see in the text, I had quite a bit of trouble getting hold of a copy due to the only online supplier, FNAC, refusing to guarantee delivery due to the supply chain mess we have referendummed ourselves into, so if you’re in the UK and interested in this, you might have to wait a while.

Tive oportunidade de ver este filme num festival de cinema português há dois anos mas estava doente. Logo depois, chegou a covid e a estreia do filme foi andou adiada*. Finalmente, quando reabriram as lojas online, havia problemas com as encomendas internacionais nesta ilha parva.
Enfim, depois de tantos obstáculos, a minha sobrinha (que é muito simpática) entregou-me uma cópia** depois de fazer férias na Madeira.
Tenho tantas coisas para dizer! Mas não quero sobrecarregar as professores, portanto irei escrever mais amanhã e provavelmente fico com alguns pormenores até o dia a seguir***!

O filme que mencionei ontem conta a história de um grupo de estrangeiros que chegam a**** Portugal em 1975 para participar na criação de uma melhor sociedade depois da queda do Estado Novo. São marxistas e passam o verão numa quinta cooperativa. Os protagonistas apresentam-se no início do filme. “O meu nome é Mick e tenho 18 anos” diz um idoso de sessenta e tal anos, e os outros também se declaram “jovens” de grande idade. Fiquei curioso, mas acontece que os realizadores tomaram a decisão de usar habitantes da aldeia, agricultores das cooperativas e até uns estrangeiros que realmente fizeram a peregrinação ao centro da ação pós-revolucionária. Portanto, cada pessoa na tela tinha cabelos cinzentos mas protagoniza a um jovem radical e idealista*****. Além disso, utilizam iPhones e não há tentativa nenhuma de recriar o mundo dos anos setenta. É uma ideia gira, com resultados mistos. Mas vou escrever mais amanhã!

A filme tenta esboçar as atitudes dos portugueses e dos estrangeiros e das****** pessoas de diversas gerações em relação ao sexo*******. Naquela época, a Europa estava em plena revolução sexual mas Portugal tinha sido reprimido por um governo conservador e por uma igreja que andava de mãos dadas. Os estrangeiros trabalham nos campos (mesmo que sejam fracas, comparados com os camponeses) e trazem com eles a cultura da igualdade dos géneros e do amor livre.
Às vezes, este contraste entre culturas é iluminador ou até engraçado, sobretudo quando o idealismo dos jovens faz parte do diálogo. Por exemplo, há uma cena em que três estrangeiras aparecem num sonho dum jovem marxista (um jovem com barba grisalha!) Afagam os seus próprios seios ao tentar seduzi-lo.
“Fumo, Pedro, não só em casa mas na rua e no mercado também.”
“Não há melhor método de mudar as relações de produção do que beijar em público e fazer muito amor”.
Infelizmente, há cenas um bocado menos efecazes e até embaraçosas, mas isso não me importa muito. Adorei o filme e fico contente por tê-lo visto.

*adiado (delayed) not atrasado (late)

**I used the word “exemplar” which is the word I usually use for a copy of a book but although not fully wrong, “cópia” was given as a suggested improvement in the context of a film.

*** O dia a seguir (the day to come) not o dia depois (the day after)

****They arrive “a Portugal” not “em Portugal”. A good example of an unexpected preposition change between languages. We would definitely arrive in Portugal, not at it.

*****I started off translating, in my head “each one… Had grey hair but they portrayed…”. But in Portuguese you don’t tend to use the “they”, so this shift from singular to plural in the same sentence doesn’t really work, and my “protagonizavam jovens radicais…” got switched to “protagonizava um jovem radical…”.

****** I keep making this mistake. In English we would say “of the Portuguese and the foreigners but in Portuguese it has to be” of the Portuguese and of the foreigners.

******* it would sound weirdly formal in English but the “em relação” is necessary here.

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1890: Portugal, Uma Retrospectiva – Opinião

Recebi este livro como oferta de uma amiga. Fiquei muito entusiasmado como a ideia de o ler porque tenho um projecto intermitente de aprender a história do país.

Ler este livro nos dias de hoje, durante os protestos contra (entre outras coisas) estátuas de pessoas envolvidas em imperialismo e escravatura foi uma experiência surrealista. O livro trata do ultimato Britânico, com o qual o país onde nasci ameaçou o seu antigo e mais fiel aliado com as mais graves consequências se não cedesse o território entre Angola e Moçambique sem demora. Os protestos sublinharam o que deve ser óbvio para qualquer leitor deste século: a história desta época é uma história de dois países a brigar um com o outro por causa dum sítio no estrangeiro, como duas crianças a lutar por causa dum brinquedo.

O livro está muito bem escrito e dá para entender o contexto da disputa e as suas consequências , principalmente a queda da monarquia.