Esta edição deste livro é incrível. Tem capa dura, páginas de papel suave e muitas ilustrações bem coloridas. Dinossauro Excelentíssimo foi publicado em 1971, logo antes da revolução. A protagonista, o imperador é “astuto, diabo e ladrão” e claro que trata da ditadura portuguesa e da vida de Salazar (que tinha falecido no ano passado) mas naquela altura da vida da ditadura, a editora conseguiu publicar sem interferência.
O que mais gostei foram as últimas páginas em que o reino tem “duas caras”, o país verdadeiro onde o povo vive e trabalha e um mais limitado que consiste num presidente, a sua estátua, e a sua vaidade.
*Spoiler* Ao que parece, a morte não pode levar a história ao fim, e enfim o autor mesmo intervém.
Questions posed after a lesson based on this video. Answers in blue.
1-o que achas do politicamente correcto
Acho que o politicamente correcto representa um experimento* que não correu bem. Claro está que existem um monte de palavras feias que as pessoas usam no dia-a-dia, que representam e reforçam modos de pensamento que prejudicam os direitos e o auto-estima de outras pessoas. Ainda pior, pode resultar em violência, contra as mulheres, contra estrangeiros e imigrantes, por exemplo. Vale mesmo a pena para pessoas de boa intenção evitar estas palavras porque não é necessário usá-las quando existem outras palavras melhores. Até certo ponto, politicamente correcto é igual a “ser bem educado”.
Mas claro está que hoje em dia, não é simplesmente uma questão de bom gosto ou respeito. Há quem queira mostrar a sua superioridade ao censurar mais do que qualquer outra pessoa. Vasculham os redes sociais para revelar os pecados dos seus inimigos, ainda que os inimigos são desconhecidos e os pecados imaginários.
O Ricardo tinha razão quando disse que “a direita rejeita o politicamente correcto porque querem celebrar a estupidez e a esquerda apoiam-na porque querem proibi-lo.” (ou algo do género) mas acho que o problema ultrapassou estas categorias.
*I was told this should be “expressão” or “experiência” but I think either of those would change the meaning of what I was trying to say. That said, it’s possible that what I actually have said doesn’t make sense in portuguese culture.
2-achas que os músicos “sacam” mais gajas que os comediantes
Realmente não faço ideia. Espero que não. Os comediantes merecem mais.
3-qual é a situação das drogas no RU?
Ao contrário de Portugal, não temos uma política de tratar drogas como problema de saúde publica. Ainda é um assunto para a polícia, mas dado que os nossos serviços de polícia não tem orçamento suficiente, uso de drogas está a crescer.
Além disso, assim como os EUA, queremos afastar o tabagismo da nossa sociedade e substituir o seu lugar de dependência de cannabis. Cá para mim, isso parece um erro.
4- há temas tabus?
Depende do sítio. Por exemplo, Brexit é um tabu na sala de jantar (sobretudo na casa dos pais porque eles votaram sim) mas nas redes sociais, falo de brexit todos os dias!
5- como era normal antigamente ou no tempo? Faziam queixinhas?
Relacionado com este sujeito de politicamente correcto… não existia, mas a sociedade era muito, mas mesmo muuuuiiiito mais racista do que hoje. Era uma cena diferente com racismo mais informal ou passivo, mas era por todo o lado (e o eu nos anos 80 não era inocente!). Não era uma cena boa.
Não quero regressar lá. E pensei nisso quando o Ricardo disse que o politicamente correcto faz os idiotas parecem heróis da liberdade de expressão, mesmo que a “liberdade” que eles apoiam é liberdade de estar voltar ao comportamento ruim de antanho.
6- o que estás a achar?
Gosto bastante
(I actually wrote something else here because I didn’t understand what was being asked but it was just “what do you think of the video as a whole, not relating to the previous question?)
7- o que achas das pessoas que só elas é que podem dizer o que pensam
São hipócritas, sem dúvida. Ainda pior, sempre pensam que as suas opiniões são “factos” e os opiniões dos outros são baseadas em emoção e preconceito.
8- agora há informação sobre mais doenças. O que achas das pessoas que aderem aos produtos por moda, mas não por necessidade
A raiz é sempre vaidade ou sede de atenção.
9- o que achas das pessoas que criticam e julgam certos assuntos e situações só por não gostarem de algo
O que acho? Eu sou uma pessoa dessas!
10- o que pensas das expressões usadas
Gostei da expressão “Benfica é merda” logo no final!
Este livrinho é um clássico, recomendado no plano nacional de leitura para alunos do nono ano escolar. Foi escrito em 1876, e por isso passa-se num mundo muito mais rígido e conservador do que o nosso.
A primeira parte conta a história de um amor malfadado entre dois jovens que dá em tragédia quando a rapariga engravida inesperadamente: o jovem é forçado a ir-se embora e viver em exílio, e a sua namorada dá a sua bebé à luz em segredo e logo depois ela morre e a bebé é perdido.
Na segunda parte, a bebé, que foi descobrido à beira dum rio por um pescador, já está crescida, e é ela que dá ao livro o seu título.
A história é melodramática e ligeiramente rebuscado, tal como uma telenovela, mas é divertida também, e claro está que o nível de vocabulário faz este um livro apropriado para estudantes na escola além de estudantes tal como eu!
Gostei muito deste livro, apesar de perder o fio à meada ocasionalmente. O enredo não é muito forte: desenrola-se em pequenas contas desarticuladas da sua vida. Não me lembrei quem era quem. Mas isso não importa muito. No final, parecia que o protagonista também tinha se esquecido!
Li este livro com os meus olhos e os meus ouvidos. Tentei lê-lo há alguns meses mas não consegui. Desta vez, experimentei uma versão traduzida em inglês e, de vez em quando, fez uma pausa e escutei um audiolivro lido por um brasileiro. De forma geral, evito sotaques brasileiros porque estou a estudar português europeu mas claro está que esta história é um clássico da literatura brasileira e é melhor ouvir no seu sotaque nativo, acho eu.
A pergunta incontornável é esta: será que a mulher do narrador, Capitu, traiu Bentinho ou não? Cá para mim, acredito que não. Há uma altura, muito cedo no enredo, em que eu reparei numa inconsistência no discurso dela que pode ser uma mentira, mas além disso, não parece provável. A ideia da infidelidade dela era uma preocupação dele logo no início, e acho que precisou pouco para se tornar obsessão.
Depois da “descoberta” da traição, a personalidade do Bentinho mudou, e tornou-se ainda mais “casmurro”. Recusou escrever o nome da sua mãe no túmulo dele, e justificou esta decisão duma maneira inchada. Não queria ter nada a ver com Capitu. Quando ela faleceu, Bentinho mal a mencionou, e até a morte do seu filho deu em alívio em vez de tristeza. Isso, sobretudo, chateou-me porque, mesmo que eu não tenha razão sobre a traição, o rapaz é uma criança que não merece nada de mal. No final, o narrador pareceu-me menos simpático do que anteriormente. Porém, adorei a “maquinaria” da história, o estilo e a maluquice deste homem insólito que estragou a sua própria vida por causa da teimosia.
Já me queixei muitas vezes da nossa decisão de sairmos da UE. Ganhei mais um motivo de raiva, porque comprei um pacote de aulas. Vendem-se em dólares, mas a taxa de câmbio em vigor está tão ridícula que me custou mais do que anteriormente. Muito obrigado apoiantes do Brexit.
Acabo de passar uma semana em França. Adorei mas havia um problema: Ainda que falasse francês muito bem quando era novo, muitos séculos vieram e passaram desde aquela época. Os meus livros vetustos empoeiraram e o meu cérebro enfraqueceu e endoideceu. Ainda por cima, tinha passado anos a ler, falar, escrever e ouvir em português. Por isso, cada vez que falava, palavras portuguesas a cairam da minha boca. juntamente com as francesas. O resultado: uma espécie de “Françugês”.
“Bonjour SENHORA” eu disse. “Je voudrais UM bouteille d’eau E UM café POR FA… hum, DESCUL… pardon… S’il vous plait”
Mas o que mais me interessou foi o efeito de quando regressei à minha terra: receei estar igualmente confuso quando voltasse a falar português mas não houve nenhum problema: nem sequer estava enferrujado: era como se fosse uma semana a praticar português. Ao que parece, os circuitos linguísticos do meu cérebro receberam um treino em francês que aumentou a minha competência em português!
I made a new Memrise deck, based on the Snail book I read last month. Has lots of good woodland vocabulary in it: names of trees, flowers and stuff. My favourite is “o rasto de baba” which literally means “trail of saliva” but it’s a snail trail. Love.
Este livro juvenil é muito engraçado mas tem a sua própria escuridão. O Caracol do título vive no “País do Dente-de-Leão” (o nome dado ao prado dele). Num dia, perguntou-se: por que é que os caracóis são tão lentos? No processo de descoberta, adquiriu um nome (“Rebelde”) mas constatou algo mais preocupante: existiam seres humanos na área que pretendiam devastar o prado todo para construirem uma nova estrada. Portanto, o caracol herói avisou os outros bichos do prado. Depois, guiou a tribo de caracóis até a um novo País do Dente-de-Leão. No caminho para lá, os moluscos sofreram grandes transtornos, perigos e sofrimentos.
O enredo fez-me lembrar do Watership Down de Richard Adams, que também conta uma história de animais à procura dum novo lar por causa duma ameaça humana. Também superam dificuldades com ajuda dum pássaro (os coelhos do Watership Down têm ajuda duma gaivota, os caracóis de um mocho).
É muito divertido mas não esconde os factos da vida dos olhos do leitor!
Ri tanto enquanto li este livro. Tal como todos os livros de José Carlos Fernandes, a banda desenhada tem muitas frases no diálogo que são surrealistas e hilariantes. O Barão é um herói tradicional da época dourada, tipo Indiana Jones ou Tintim que percorre o mundo inteiro numa aventura picaresca. O rumo dele cruza com o de vários espiões, vilões, personagens sinistras do submundo e adeptos de sociedades secretas.
[spoiler]O final deixou-me ligeiramente insatisfeito. Admito que cabe bem o espírito pós-moderno do livro mas eu cresci numa dieta de BDs de Hergé, e queria ver o triunfo do Barão e a derrota dos seus inimigos![/spoiler]