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Como Cultivar Abacates

Boa Noite, Xangai

Na época de pandemia, todos nós levamos um dia de cada vez, mas há quem goste de fazer projectos para não ficar preso num ciclo interminável de domingos.

O abacate é o fruto do abacateiro como toda a gente sabe. É nativo da América do Sul, mas é possível (com atenção e sorte) cultivá-los até na Europa do Norte. Como a maioria dos frutos, tem uma semente lá dentro. A semente é um caroço quase esférico. Arranja 3 paus tal como os palitos para os dentes e enfia-os através da casca do caroço: imagina que o topo (a região ligeiramente pontiaguda) é o Polo Norte, coloca-os um pouco acima do “equador”, equidistante, um dos outros. Ou seja, furar Los Angeles, Tripoli e Xangai.

Mataste os cidadãos todos? Boa. Depois, enche um frasco (tal como um frasco de compota) com água, e mete os palitos por cima do aro da jarra para que o Polo Sul fique mergulhado (cuidado pinguins!) no oceano de… pois, estiquei demasiado esta metáfora, não é?

Mete o frasco num sítio soalheiro. Mudar a água do frasco de vez em quando para não haver mofo no caroço. Mantém o fundo molhado e o topo seco. Após duas ou três semanas, irás ver raízes no fundo do caroço e algum tempo depois irão aparecer as folhas. Logo que a planta atinja 15 centímetros, passa-a para um pote com composto. Deixa o lado superior da semente visível e forneça-a com muita água e sol.

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Discurso

Notes for an extended video book review and wiffling about the Marques de Pombal.

Hoje vou falar sobre este livro “A Vida e a Obra do Marquês de Pombal” de José Barata. É uma biografia fina e básica. Acho que o autor tentou fazer uma hista equilibrada. Não é um elogio do homem mas também não entrou a matar. Parece que quer ser justo mas não sou especialista e não sei se ou não sucedeu.

Fiquei com vontade de ler depois de ouvir e ler várias coisas sobre esta figura histórica durante o meu projecto de aprender história portuguesa. 

Antes de ler, não sabia muito sobre o M de P. Já sabia que estabeleceu a cidade de Lisboa quando foi destruído pelo terramoto de 1755, que fez uma decreta contra escravidão que acabou finalmente com transportes de escravos para o Reino, e lançou algumas reformas na esfera de educação, e ouvi a minha esposa a dizer que era uma desgraçado maluco (ela disse “crazy bastard” porque esqueceu-se falar português) mas é isso mesmo. Do lado escuro do Marquês é que  não sabia nada. Há uma teoria de história que diz que, quando um país precisa de fazer uma grande mudança, é necessário que haja um “homem forte” que pode forçar o país transformar-se. “homem forte” é a palavra eufemística para este tipo de pessoa quando apoiamos as polícias deles, mas a outra palavra é “ditador” e escolhemos a palavra que depende dos nossos preconceitos. Claro está que este homem era um ditador, quer apoie quer não, e claro está que fez erros, abusos do seu poder e provavelmente crimes. Não quero o julgar pelos valores de hoje em dia, confesso que gosto de alguns objectivos seus, mas lá está. 

Tenho algumas dúvidas que ofereço com humildade porque este livro é mesmo básico e ainda por cima é possível que perdi alguns pormenores, mas cá para mim, havia algumas pontos puouco claros. 

Por exemplo, vamos falar do execução, do modo mais sangrenta e injusto da família Távora, que era o pior acto na biografia. Antes de mais, não tinha certeza se ou não uns membros da família realmente tentaram assassinar o rei, ou se devemos acreditar que o Marques tentou incriminá-los para apagar os seus rivais

De qualquer maneira nunca pode ser justificado matar a família toda, mas vou pôr esta questão para o lado porque, a maior dúvida que tenho é o seguinte: quando vemos o balanço deste crime, quanto devemos culpar o M de P, e quanto culpa merece o próprio rei Dom José 1. Porque parece muito improvável que o rei perdoaria alguém que tentou matá-lo. Os reis de qualquer país costumam de lidar com assassinos com mãos de ferro e de forma geral, as opiniões dos outras não lhes importam muito. Quiçá o M de P não merece a culpa toda. Mas não tenho certeza. Ouvi que Dom José era indeciso e deixou o Marques controlar tudo. Quem sabe? Se calhar disse “alguém tentou matá-me hoje mas não quero fazer nada. Irei assistir esta caixa e ficar à espera de alguém inventar o Netflix. Seja à vontade fazer o que queiser ó Marques”. É possível mas não sei. Parece igualmente provável que o rei deixou o povo culpar o Marques para não ser enlameado pelo acto de vingança. 

Tinha algumas dúvidas menores. É difícil imaginar quão bem as ordens de Reis e políticas transmitem-se aos funcionários que as executam e por isso o “grande homem” de história leva sempre mérito e censura que, as vezes não merecem. Mas… Ao final de contas, fiquei com a impressão que o M de P é um exemplo dum fenómeno bem conhecido aos leitores de história inglesa. Existe um livro chamado “1066 and All That” de  W. C. Sellar and R. J. Yeatman, que é uma história humorística de Inglaterra. No percurso, diz-se várias vezes “He was a bad king but a good thing” ou seja “Era um mau rei e uma boa coisa”. Este livro deixou-me como mesmo sentimento para o M de P. Como homem, não era muito simpático, mas durante a sua carreira, aumentou a vida do país: abrandou a influência da Igreja sobre educação, desenhou uma nova cidade nas ruínas da velha, ajudou leva cabo à escravidão. Deixou um país melhor… A menos que o teu nome é Távora. 

Mas sei menos que nada. 

Cada história tem dois lados e por isso quero agradecer José Santos por ter me enviado este livro. Chegou anteontem. É um romance histórico, nem uma verdadeira história mas acho que é baseada em factos verídicas e por isso lê-lo-ei na próxima vez que me apetece aprender mais história portuguesa. Muito obrigado. 

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Vamos Falar De Outra Coisa

Sabendo que os professores estão todos fartos de lerem textos sobre a pandemia, apresento-vos um texto sobre…. hum… (*olho à minha volta*) flores

No ano passado, plantei uns bolbos de flores no meu lote na horta comunitária e já que estamos na primavera, tenho algumas tulipas. Colhi-as e coloquei-as num jarro, São vermelhas… Hum, já que penso nisso, são cor-de-rosa mas não são rosas, são tulipas.

Existem outras plantas que sobreviveram ao inverno: alhos, ruibarbo, alecrim e sálvia*. Os arbustos começam a produzir flores e daqui a pouco aparecerão groselhas e morangos. Sem dúvida, a natureza está na primavera apesar do facto de nós seres humanos permanecemos no inverno.

*Sage (the herb)=salva in Portugal and salvia in Brasil, according to Wikipedia but apparently the Portuguese disagree.

Thanks to Wagner and Fernanda for the corrections

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O Velho Que Lia Romances de Amor – Opinião

Este livro surpreendeu-me. Já li dois livros do mesmo autor e ambos eram livros infantis mas este tem um tom mais adulto: há violência, sangue, personagens que bebem e fumam e tomam drogas alucinogénicas. Os animais não falam… Mas ainda bem que também não fumam porque o tabaco prejudica a saúde das onças.

O livro lê-se bem. O escritor tem um estilo muito nítido nos seus livros adultos igual às suas histórias escritas para meninos.

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Don’t You Wuant Me Baby?

Vi aquele video do Wuant*. Sei que há pessoas que defendem este gajo mas, a sério, o filme deixou-me com um sabor amargo na boca. Quando alguém estiver a chorar de tal modo, um homem bem educado deve desligar a câmara, ou deve enfiá-la onde o sol não brilha. Que brutamontes! Vá embora e leva os seus youtubrices de merda contigo! #OpiniõesDeUmVelho

*Wuant é um Youtuber muito influente em Portugal

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O Vírus de Racismo

Acabo de escrever um texto sobre máscaras, mas é importante lembrar que uma máscara é proteção contra um vírus (para vocês e também para outros à vossa volta se já têm o vírus sem saber) mas literalmente qualquer outra pessoa pode estar infectada. Isso é importante porque às vezes agimos como se os chineses fossem os carregadores da doença. Lembrem-se, por favor que um chinês que mora no vosso país, e que não vem recentemente de uma zona vermelha tal como Wuhan, o Irão ou a Itália têm exactamente igual probabilidade de ter o vírus que eles têm vocês, nem mais, nem menos!

Mas a política de identidade envenena tudo, portanto deixem-me ser completamente nítido pois sei que há jovens tipo hipster que lêem as minhas opiniões: mesmo que seja importante não serem racista contra os chineses por causa disto tudo, é igualmente importante não os lamberem para demonstrar que não são racistas. Os Chineses na vossa cidade não querem ser lambidos.

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Máscaras.

Amanhã vou para Aylesbury, uma pequena cidade inglesa. Vou para lá todas as semanas. Recentemente comecei a usar uma máscara cirúrgica quando ando de comboio por causa da nova variedade do coronavírus. Existem poucos casos cá em Inglaterra e ainda menos lá em Portugal, mas na minha opinião, vale a pena termos precauções desde muito cedo no procedimento da doença para não a deixar espalhar-se. Claro, muitas pessoas olham-me como se fosse maluco e talvez tenham razão mas não me importo.

Além de usar uma máscara, é importante lavar as mãos com cuidado, sobretudo antes de comer.

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A Vida e a Obra do Marquês de Pombal

Este livro faz parte do meu projecto de aprender a História de Portugal. Conta a história deste estadista numa maneira bastante concisa, sem muitos pormenores, mas parece que o autor deu uma opinião equilibrada: trata dos crimes do Marquês tanto quanto as realizações. Ou seja, descreve as reformas a educação mas também o assassinato dos Távoras; a reconstrução de Lisboa mas também a perseguição da oposição às companhias monopolistas. O estilo do autor não é nada fácil: embora o livro seja fininho e o texto simples, não é isento de complicações. Havia muitas palavras desconhecidas, para mim, mas não só para mim: há umas que a minha professora também não conhecia! Por isso, recomendo este livro para estudantes da História Portuguesa que querem um desafio linguístico além de uma lição de História!

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Bordalo ii

Bordalo Segundo é um artista plástico – literalmente! Faz esculturas de animais com materiais do lixo e principalmente, trabalha com plásticos de alta densidade, como cadeiras, caixas e embalagens. Se visitares Lisboa, é provável que vejas algumas obras dele: um texugo, uma abelha ou um macaco, fixado ao lado de uma loja ou uma casa. Talvez a sua obra-prima seja o lince ibérica no Parque das Nações. É muito fixe! Mas a sua arte tem uma mensagem também: convém lembrarmo-nos que toneladas deste tipo de lixo estão a ser deitadas fora dia após dia e se não se torna arte, torna-se poluição.

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Camões Conseguiu Escrever Muito Para Quem Só Tinha Um Olho

Comprei este livro porque achei que fosse uma piada. Em inglês existem alguns livros cómicos que mostram erros feitos por alunos nos exames de várias disciplinas. Não há dúvida que há alguns erros reais nestas colecções, mas tenho certeza absoluta que a maioria são piadas inventadas pelos autores, e o efeito dá para rir muito.

Cada erro tem a sua própria explicação.Seja como for, este livro não é propriamente a mesma coisa. É verdade que existem respostas engraçadas, tal como o título do livro mesmo, mas o propósito do livro é mais elevado: a autora é uma professora e quer ensinar os leitores a escrever bem português e para mim, claro, isto é ainda melhor porque quero aprender mais e isso é um bom método de aprender. Assim como o “101 Erros de Português Que Acabam Com a Sua Credibilidade”, muitos erros são erros de preguiça ou de péssimo hábito que, paradoxalmente, eu, como estrangeiro, provavelmente teria menos risco de fazer do que um nativo, mas há muitas dicas úteis. Já escrevi algumas publicações no meu blogue e fiz duas notas de publicações futuros.