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Aparição – Opinião

Ontem, vi um filme português chamado “Aparição”, baseado num livro existencialista de Virgílio Ferreira. É um filme muito sério, com poucas gargalhadas mas a cinematografia é incrível e os actores estiveram bem. A história desenrola-se em Évora nos anos cinquenta. O protagonista é um professor de latim, recentemente licenciado. que também escreveu um livro. Sendo ateu, e vivendo nas sombras da segunda guerra mundial, os seus pensamentos pesam a condição humana numa época no qual a morte, o amor, a moralidade e o significado da vida estão em causa.

There’s a better description of the story and a programme about it on the RTP site here

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O Verão Selvagem Dos Teus Olhos (Ana Maria Pereira)

Este livro é uma tentativa de a autora recontar a história “Rebecca” de Daphne Du Maurier e, sem dúvida, a sua escrita recriou a atmosfera do livro muito bem. Os personagens, os locais, os temas tudo parecem muito fiéis ao original mesmo que tenha lido os dois em línguas diferentes.

Pois, está bem escrito mas será que foi necessário escrever uma outra versão de Rebecca? Aquele livro é uma obsessão para muitos, um dos livros mais amados de sempre, é quase perfeito na sua construção. Só uma autora corajosa é que ousaria reescrevê-lo. A Ana Teresa Pereira mostra melhor a personagem da mulher morta e conta a sua história antes do casamento e durante a sua vida em Manderley. Noutros capítulos, o seu fantasma descreve os acontecimentos do livro original do ponto de vista dela. Para mim isto não funciona tão bem. No livro original Rebecca é uma presença nas sombras da casa e nas memórias dos outros personagens, mas nunca se manifesta literalmente como um espírito. Teria sido demais, e acho que não precisamos disto: Rebecca é mais forte quando está menos visível.

Mas não me quero queixar. Apesar desta critica, gostei do livro. Serve para quem quer revisitar o mundo da Rebecca sem reler o mesmo livro. Lê-se bem e agarrou-me do início até ao final.

Corrected version – thanks Fernanda, Filipe and Rafaela

My favourite correction is where I’ve tried to write

It’s a brave author who would dare to rewrite it.

which I have rendered as

É uma autora corajosa que ousaria reescrevê-lo.

But it’s better as

uma autora corajosa é que ousaria reescrevê-lo.

I’ve seen this way of giving emphasis before but never really thought about how to apply it

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A Língua Portuguesa – Fernando Pessoa

Thoughts on “A Língua Portuguesa”, writings by Fernando Pessoa edited by Luísa Medeiros (Bertrand / Amazon)

Fiquei interessado por ter encontrado este livro na livraria Foyles e tive muito curiosidade pelos pensamentos deste grande poeta (ou seja convocação de poetas) sobre o seu próprio idioma. E não fiquei desiludido. Se não me engano, o livro consiste em fragmentos que nunca fizeram parte de um livro coerente na mente do autor, mas um tema é evidente. Está claro que o seu modo de pensamento estava num universo diferente do que o meu. Antes de mais, escreveu na língua falada como forma mais natural da língua, enquanto a língua escrita era meramente cultural cujo propósito, quanto importante que seja, era servir “o fenómeno natural” de comunicação oral.

Daí fora, seguem-se vários discursos sobre a ortografia e a etimologia da língua. Pessoa valoriza a língua e compara-a com outras línguas europeias. Via a língua como algo vivo, portanto línguas artificiais tal como esperanto nunca poderão suplantar línguas que têm a sua base num povo. Além disso, e por igual raciocínio, mesmo que criticasse a ortografia portuguesa, rejeitou a reforma ortográfica de 1911 assim: “A ortografia é um fenómeno da cultura, e portanto um fenómeno espiritual. O Estado nada tem com o espírito. O Estado não tem direito a compelir-me, em matéria estranha ao Estado, a escrever numa ortografia que repugno, como não tem direito a impor-me uma religião que não aceito.” Isto é um sentimento que muitas pessoas de hoje partilham. Eu, como falador de uma outra língua de ortografia aleatória, simpatizo.

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Os Lusíadas em Quadrinhos

(NB – this is the right title of the book but it’s Brazilian, I think. European Portuguese would write is as “Quadradinhos” or just “Banda Desenhada”)

Os Lusiádas Em Quadrinho (Luís Vaz de Camões, Fido Nesti)

Estou a preparar-me para cumprir um desafio que planeei no início do ano. Estabeleci como objectivo ler os Lusíadas de Camões em 2020. Antes de começar, ando a preparar-me para o sofrimento que tenho pela frente (ah ah, estou a brincar, mas ouvi falar que o poema nacional dos portugueses é… Como se diz… Uma grande seca…?) Ainda por cima, existem montes de obstáculos: a ortografia desconhecida, a língua poética, e a falta de conhecimento das personagens.

Este livro é um dos métodos de preparação. Trata-se de uma banda desenhada baseada nas palavras do poeta. Não se conta a narrativa inteira, só 4 cenas: a história de Inês de Castro, o episódio do Velho do Restelo, a lenda do gigante Adamastor e a chegada na ilha dos amores.

Para o meu propósito, dá algum jeito, mas é muito limitado: quem (tirando eu) precisa de 40 páginas de versos originais, sem alterações nem piadas. Ou conta a historia inteira ou vai para o outro extremo e faça uma BD humorística

Ah, e porque é que Vasco da Gama parece o Capitão Haddock? Hein?

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Luís de Freitas Branco

Luís de Freitas Branco foi um compositor português que nasceu em 1890 e tornou-se uma das figuras mais importantes na cultura portuguesa do século passado. Começou por estudar música antiga em Berlim mas depois conheceu Claude Debussy e foi exposto ao estilo mais moderno, chamado impressionismo. Em 1916 assumiu um cargo de professor no Conservatório de Lisboa. Estou a ouvi uma sinfonia dele, ou seja estava antes de ficar aborrecido, então virei para uma banda irlandesa dos anos oitenta. Eu sei, sou um filisteu. O facto mais interessante sobre Dom Luís é o seguinte: em 1951, foi demitido da emissora nacional porque usou uma gravata a seguir ao Óscar Carmona, o décimo-primeiro presidente da república faleceu. Pergunto-me o que os funcionários do Estado Novo pensariam das roupas de hoje em dia.

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Introduction (Scottish Gaelic)

In keeping with the principles of language hacking, I’ve set my default browser language on Firefox to Scottish Gaelic so I can use it with Gaelic spellchecking on it instead of Portuguese in Chrome but it’s baffling because I’ve set all the controls to Gaelic as well, so now all the “copy”, “paste”, “file”, “new wondow” etc are in a language for which I only have about 100 words of vocabulary. Anyway, here goes…

Feasgar math! Ciamar a tha sibh?

Is mise Colin. Tha mi à Breatainn. Rugadh mi ann an Alba ach tha mi a’ fuireach ann an Lunnainn. Tha Lunnainn ann an Sasainn.

Tha mi leth-cheud bliadhna a dh’aois.

Tha mi pòsta agus tha nighean agam. Is e Olivia an t-ainm a th’ oirre

Tha dithis* bhràithair agam.

*Apparently there are special numbers used for people instead of things

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Talk the Streets

I came across a new (to me) channel on YouTube today and the first video I tried was full of good tips. She’s British so she seems to be coming at it from a practical standpoint of how to get by as an immigrant in Portugal rather than doing a lot of detailed stuff about grammar. Bookmarked for later to try the rest of her videos.

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Winepunk

Acabo de ler um livro chamado Winepunk. Trata-se de uma compilação de contos de ficção cientifica baseados numa história alternativa de portugal. Nesta realidade imaginativa, a monarquia do norte (um movimento verídico que teve o seu inicio em 1919, depois da implantação da República Portuguesa) sobreviveu durante anos, ao contrario da monarquia histórica que foi esmagada dentro de umas semanas.

O título “Winepunk” tem origem na frase “Steampunk”, um género inglês de ficção cientifica com raízes no mundo da revolução industrial com máquinas alimentadas por carvão e vapor. Os autores brincam com várias espécies de geringonças tal como plantas vivas, robôs cuja* fonte de poder é plasma de uva e animais de estimação com ligações psíquicas aos seus donos. Não é cem por cento coerente porque cada autor tem a sua própria imaginação e o seu próprio estilo e às vezes, estes não têm semelhança o suficiente para concretizar um mundo literário no qual o leitor pode acreditar. Mas há contos divertidos. Acima de tudo, amei a contribuição do José Barreiros. Os dois do Rhys Hughes** também têm muito jeito. mas exemplificam bem a minha queixa com o projecto em si: os contos nem sequer mencionaram a monarquia de todo!

*Rookie mistake here. “Cuja” because it agrees with “fonte” not “robôs”

**Rhys Hughes é um escritor galês que mora em Lisboa. Ama portugal e já escreveu dois livros em português: “A História Universal de Infâmia” e “A Sereia de Curitiba”. Não tenho a certeza mas, pelo que sei, escreveu-os em português, e nem usou tradutor. Uma vez que tenho tentado escrever um conto em português, vejo este escritor como um herói e quero ser igual a ele.

Thanks to Natalia for the correction. There is some good stuff in english about this compliation on the Portuguese Sci-Fi Portal here and here, and you can see a decent review by a much better portuguese reviewer on youtube… um… I don’t think I’ll link directly but if you search for “aoutramafalda winepunk” or “books beers baby quarantena winepunk” you’ll find what you’re looking for.

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As Prateleiras

Pensei em construir umas prateleiras para os vasos que temos cá na horta mas as lojas onde se vende madeira estão fechadas. Felizmente um javardo qualquer abandonou alguns móveis partidos, incluindo uma cama desfeita do lado de fora do clube de remar, ao pé da lixeira, portanto consegui roubar… Hum… Reciclar… algumas peças que achei que serviriam para o meu projecto.

Começámos por separar as lâminas. Alguém ajudou-me mas nem quer estar nas fotos… Depois, cortámos as pranchas em pedaços com uma serra e usámos pregos e parafusos para construir prateleiras à face de uma moldura.

Mas por que é que precisamos de colocar os vasos nas prateleiras? Boa pergunta!

É assim: no ano passado uma raposa escolheu a rede sobre o nosso canteiro de morangueiras como a cama preferida dela e cagou por todo o lado. NOJENTO!

Mas neste ano, já chega. Lamento que tens que dormir e deixar cocô noutro lugar, Senhor Raposo.

[Original blurb: Interestingly, the guy who corrected this made as many mistakes as I did. He changed “onde se vende madeira” to “onde se vendem madeira” which is bollocks and “Senhor Raposa” to “Senhora Raposa”, perhaps assuming that all foxes are female just because the word raposa is feminine. Weird. Well, confusing gender with sex is a peculiarly twenty-first century affliction, I suppose.]

OK, OK, apparently what I should have done was change Raposa to Raposo to specify that it was a male fox. Actually, I have no idea, but I was picturing…

And when a native Portuguese teacher looked at it she found I’d made more mistakes than the Brazilian guy had found so it’s not true that he made as many mistakes as I had. I apologise to him and to all Brazilians for this terrible slander.

It’s interesting though: the word for fox is “raposa”. If you look at the Wikipedia article it doesnt even mention there being a male form of the word, and usually if there are two forms the male form takes precedence but I guess that isn’t always true and there must be animals ending in A who have less-known male forms too.

*googles*

Águio seems to exist but Google asks “Será que quis dizer: Águias

Girafo goes straight through to girafa but there are a few references to Girafo from other languages (afrikaans?) and a Brazilian twitter account of that name too.

Tartarugo goes straight through to tartaruga (and, by the way, spellcheck wants to correct it to tartaruga when I write it too.

Ugh… My head hurts. Its early and I haven’t had coffee and I can’t deal with this shit now.

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Lembram-se de Restaurantes?

Será que alguém no site se lembra “restaurantes”? Tenho saudades deles. Eram parecidos com a casa do meu avó, mas em vez de uma velha há uma equipa de pessoas vestidas de branco que cozinham os pratos e trazem-nos* para a mesa. Não se lembram? Bem, perguntam a alguém mais crescido.

Ontem, vi um vídeo antigo, gravado antes da quarentena, em que um “chefe de cozinha” (acho que este senhor era um género de super-herói ou padre) fez um Bacalhau à Brás. Infelizmente, como estava doente de um delírio, em vez de batatas, andava a usar outros ingredientes como abóbora, cenoura branca e carne de macaco.

*=interesting switch from imperfect to present here. “They WERE like my granny’s house but instead of an old lady there IS a team… that COOKS the dishes and BRINGS them” feels a bit wrong but the person who corrected this on italki was sure it was right.