Posted in Portuguese

Rainha Jinga

Ana de Sousa vestida em roupas tradicionais
Rainha Jinga

Jinga (ou Ginga) Amande foi uma rainha no século XVII numa parte do território atualmente conhecido por Angola. Durante a ocupação portuguesa o seu pai, Quilombo tornou-se rei do território de Dongo. No seu falecimento, o seu irmão conquistou* o trono e Jinga fugiu para Matamba com o filho. Em 1621, o rei português mandou a conquista do território de Dongo para alimentar o mercado transatlântico de escravos. Perante esta ameaça, o irmão de Jinga pediu-lhe para enviar uma embaixada a Luanda onde o governador português tinha a sua sede. Jinga apresentou-se vestida em roupas tradicionais, mostrando a sua independência do poder dos europeus. Achando a sala de audiências sem cadeiras e com apenas uma almofada (para forçar os africanos a assumir uma posição de submissão face ao governador) ela mandou que um soldado ficasse de gatas no chao para que ela o pudesse usar como móvel humano.

Conseguiu fazer um tratado com os portugueses, preservando os direitos mais importantes em troca de conversão e ensino do cristianismo e de ligações comerciais com o império. Jinga foi baptizada e a partir dessa dia chamou-se Ana de Sousa, baseado no nome da sua madrinha, a esposa do governador. Mas esta transformação não foi o mais esquisita na vida dela como vamos ver a seguir.

Após a morte do seu irmão, Angola Ambade (Angola significa “Rei” além de ser o nome do país), o rival dele, Hari (também conhecido por João por aliança com os cristãos) tomou o trono. Jinga fugiu para Luanda, reuniu um exército e reassumiu o trono por força de armas.

Como a maioria das sociedades, Dongo era uma cultura machista. Jinga não foi capaz de ganhar a lealdade do povo nem da aristocracia por ser mulher. Portanto, em meados da década de 1640, “tornou-se homem”. Daí em diante, ela (vou continuar com “ela” para simplificar esta narrativa apesar do disfarce!) era “o rei” e liderou a gente em batalha contra os portugueses e contra um outro império, o holandês. Foi relativamente bem sucedida. No fim do seu reino, os territórios sob o seu controlo eram livres e com potencial de desenvolvimento apesar dos longos anos de guerra. Permaneceram neste estado feliz até 1741 quando foram integrados na Angola Portuguesa.

Há uma última lenda que quero abordar neste texto: segundo um boato da época**, Jinga manteve um harém de escravos masculinos. A vida destes amantes da rainha não era assim tão má, tirando o facto que de cada vez que ela escolheu um com quem ter relações sexuais o mesmo era morto no dia seguinte.

Noutras palavras era a Madonna da sua época.***

*=I was going for the idea of “seized the throne” as a result of a power struggle, not a straightforward ascent. Tomar or conquistar seem to fit here, not either of the words I originally chose!

**=The corrector pointed out that calling it both a lenda (legend) and a boato (rumour) is a bit contradictory… Well, maybe but I’m pinching all this from Wikipedia and the line between legend and rumour is a little blurry there…

***=I don’t even know why I wrote this except that it was a good excuse to use the phrase “noutras palavras”. Madonna is not, to the best of my knowledge, a Viuva Negra (black widow spider)

Thanks to Talures for the many, many corrections

Posted in Portuguese

Portugueses Na Grande Guerra

Portugueses Na Grande Guerra de Carlos Baptista Mendes

Um dos meus projectos de estimação é tentar aprender mais sobre a história de Portugal. Deparei com este livro durante uma visita à uma livraria online e fiquei interessado porque confesso que raramente ouço falar do facto de que Portugal fez parte do conflito que devastou a Europa durante 4 anos mas fez, mesmo, e não só na Europa mas também em África onde os portugueses lutaram contra as alemães no sudoeste do país na fronteira de Angola e Namíbia por exemplo.

Portugueses Na Grande Guerra (The Portuguese in the Great by Carlos Baptista Mendes)

Quase achei que estava a ler uma sequela ao Auto À República porque os eventos neste livro decorreram logo depois do nascimento da República e tiveram raízes na mesma conferência em Berlim que deu à luz a grande época do colonialismo, a partilha de África que alimentou as rivalidades entre os impérios europeus. Felizmente, neste conflito, os nossos países lutaram lado a lado. “Com os Bretões marchar, marchar!”*

Os contos de heroísmo são narrados na forma duma série de bandas desenhadas e são histórias verídicas, claro. O livro tem prefácio do General Loureiro dos Santos cuja carreira abrangeu vários papéis importantes nas forças armada e no governo do país.

*This is a sort of joke based on the national anthem. I’ll be doing a post about that fairly soon.

Posted in Portuguese

Um Auto À República

Opinião d'”Um Auto À República” de Cidália Fernandes

Este livrinho é um texto dramático – um guião duma peça de teatro que podia ser apresentado numa escola enquanto parte de… Suponho… um programa educativo sobre a cidadania e o crescimento da democracia em Portugal.

Um auto à República

Mas há uma peça dentro da peça. Ou seja as personagens são alunos e a sua professora pede-lhes apresentar uma peça de teatro. Então, eles assumem papéis de pessoas históricas tal como o Rei D. Carlos e o poeta Guerra Junqueiro, e representam a história daquela época, explicando o Mapa Cor-De-Rosa, o ultimato da Grã-Bretanha, e a perda de confiança no papel da monarquia.

O livro foi escrito há 12 anos. O que mais me chamou a atenção foi o seu modo como fala de África. Não só os protagonistas da peça-dentro-da-peça mas até os alunos e a sua professora (que vivia no tempo presente) falam do território disputado como se pertencesse ou a Portugal ou à Grã Bretanha e ninguém perguntou “Hum…e os africanos?”. Não há dúvida que nós ingleses sofremos da mesma cegueira de vez em quando… Acho que hoje em dia um professor de qualquer destes países seria mais cauteloso e lembraria que há mais de um lado – e até mais de dois – em cada história!

Posted in English

Not-So-Super Nova

I mentioned a couple of days ago that was a minor kerfuffle about the teacher on my Portuguese history course.

A History of Europe by Raquel Varela

It seems there’s was more to it than I thought. Some of her scholarship students have complained about her having abused power, apparently, and in one case even claimed she had plagiarised a big chunk of one of her books from a student essay. Blimey!

I don’t know what to make of this, and I’ll tell you why my cluelessness is interesting: when I’m online in my normal guise, reading about scandals in English speaking countries, I tend to have a pretty good idea of who is where on a sort of graph where one of the axes is ideology (where they are likely to come down in an argument between different points of view) and the other is honesty (whether they are prepared to bend the facts to fit their narrative, whether they fight dirty). Crucially, I can usually spot sarcasm, shitposting , spitefulness and attention-seeking when some British ideologue (Owen Jones say) or American (Candace Owens, maybe) is doing what they do, but I am absolutely unable to read it in most Portuguese tweets. Unless people are very obvious, I don’t really know what’s fake and what’s real. This one seems reputable but really, I’m a hopeless naive and maybe he’s a well-known partisan hack, shilling for some very Conservative paper that has targeted her for her opinions.

And I suppose it’s worth pausing at this point and asking who we trust online and why? I know there are a lot of sources I’d basically trust all the way. Like the BBC. They aren’t always right but they’re always trying. They’re not Fox News or Infowars and I trust their basic integrity as a source of facts. But there are other sources I’ve sort of grown to trust over the years but how well do I really know them? Are they just the people who have told me what I want to hear for so long that I’ve become blind to their biases? Yeah and not just me, reader. What about you, eh? I’m waving my finger at you as I type this. What about you, eh? How sure are you that the people in your social media feed are trustworthy?

Posted in English

My History Course Turns Out To Be Both More and Less Interesting Than I Thought

I’ve been thinking for a while about writing a post on the course I’m taking about the history of Portugal, but today’s Twitter news has made me finally stretch my thumbs to do it now because… Wow, I was not expecting this!

The course is bi-weekly, presented online by the Bertrand chain of bookshops. I missed the first one so I’ve only actually attended one class so far. It’s taught by a woman called Raquel Varela, who is Portuguese, and a Brazilian guy called Roberto Della Santa. I was a bit non-plussed by the session I attended. It was about the origins or liberalism and the unification of the national market in the 19th century but there weren’t many references to actual historical events; the bulk of the lesson was given over to explaining Marx’s theories about capitalist production. OK, well, Marx does set out to explain historical processes so yeah, fine, but it seemed likes strange digression for a course on Portuguese history, going into abstract realms of economics and historiography without much reference to the real sequence of events. It felt more like a come-to-Jesus, or rather, a come-to-Karl… appeal than a lesson. That’s OK though, I’ve studied Marx at uni, and I’m quite happy to listen to other people’s points of view. I’d have asked a question if my grasp of the language was more secure but no, not today!

I’m not complaining – I enjoyed it. I hope the remainder of the course will be less abstract though.

Anyway, fast forward to today. I open twitter and there’s a tweet right at the top of my feed with a link to an article and a picture that looks familiar. It takes a while to realise it’s one of the course teachers, Raquel Varela, and the article is about a petition signed by “more than a hundred intellectuals” in support of academic freedom in general and of her specifically. It turns out she is quite a well-known figure. This surprised me because the price of the course is so low I’d assumed the teachers were just keen amateurs they dragged in from the store’s popular history counter. I wasn’t expecting star power! Its like attending a year-long study group at your local Waterstones for a hundred and forty quid and finding it’s being run by Simon Schama. You’d go “bloody hell, i wasn’t expecting this!” She’s a kind of public intellectual, attached to the Universidade Nova de Lisboa, author of several books and occasional TV pundit. She’s taken a lot of fairly controversial positions, not least on covid, but that’s another story for another day.

Anyway the reason she was in my twitter feed was to do with a public hoo-ha that has been going on for a couple of weeks now. It started when rumours began appearing on social media that her academic CV had been inflated by repeating items multiple times to make it seem like she had more academic clout than she really has. I don’t know where these rumours came from originally but she refers to them in her blog in July, describing them as a “campaign of defamation”. The matter came to a head around the 20th of September when the newspaper Público reported that the Instituto de História Contemporânea had withdrawn its support for her candidacy in a scheme run by the Fundação para a Ciência e a Tecnologia called the Concurso de Estímulo ao Emprego Científico Individual after checking the allegations and finding that she appeared only to have published about half as many articles as she claimed. Now, I know inflating your cv is not exactly uncommon, but integrity is a big deal in academic circles, especially when you are using your track record as a platform for competing against other academics as in this case.

Varela didn’t take this lying down, instead using her legal right of reply to demand (the verb is “exigir”) an apology from Público,

Varela Claps Back

But it didn’t come and they continue to report on the progress of the ongoing investigation.

This brings us back to the present day where Sapo’s i online site reports on the letter of support from a hundred or so writers and academics. Their petition refers to a “campaign of character assassination”, involving Público, which it accuses of “promiscuity” with anonymous sources spreading misinformation. It also mentions other, more unpleasant allegations in “ultra-Conservative” sources and throws in a reference to “o crescimento de fake news e da extrema-direita”. In one particularly weird flourish of denunciation they say “Este é um caso exemplar de como o nepotismo dentro de um sector da academia e a necrofilia de alguma imprensa procura silenciar uma intelectual”. Wait… What? Nepotism? Necrophilia? Calm down lads.

The effect seems to be to associate the (perfectly legitimate, it seems to me) story in Público with some more shadowy stuff online, implying they are somehow part of a co-ordinated smear campaign. This seems a little unfair, since whatever the online muckrakers are doing, Público are at least reporting on matters of public record: either her CV is padded or it isn’t, and that question is being adjudicated by the relevant scientific bodies. Whether they find in her favour or not is up to them but fairness and transparency seem to be essential in upholding trust in the scientific process. Mixing it up with conspiracy theories doesn’t help either side.

Anyway, I will certainly carry on attending the course and I’ll enjoy it a lot more knowing the backstory!

Posted in Portuguese

O Superman – Augusto Cid

António Ramalho Eanes (Eones, Superman) and Ernesto Melo Antunes (Melro). The image is, of course, aligned left

Ouvi falar deste livro no instagram. A Ana Luiz li-o há umas semanas. Naquela altura, eu estava a ler A Construção da Democracia em Portugal. “Epá!” pensei (mas confesso que pensei em inglês) “este livro tem bom aspeto e pode ser uma boa sobremesa depois de todo este espinafre não ficção” Comprei um exemplar duma loja de segunda mão porque é antigo e não é disponível nas livrarias online. Vale mesmo a pena. De súbito, todas as personagens da história que tinha lido anteriormente animaram se cá diante dos meus olhos. Eanes (EONES) no papel de Superman, nasceu no planeta CROPCON (baseado em Copcon que realmente na época pós-revolução) e viaja para Portugal onde tenta cumprir a sua missão histórica apesar dos esforços dos seus inimigos e concorrentes tal como Solares (Soares) e Fiasco (Vasco) Lourenço. Augusto Cid é, claro, um artista talentoso. O livro foi lançado em 1978, na época de instabilidade depois da revolução (Abril 1974) e a contrarrevolução (Novembro 1975), mas a sua carreira continuo até o seu falecimento recente. Dá para entender muito sobre o espírito do época, mas é óbvio que o autor tem desgosto do Eanes. A história não tem nada de simpatia pelo seu cargo. Portanto não é justo (mas quem disse que livros satíricos devem ser justos?) Recomendo a opinião de Ana Luiz neste site porque ela sabe mais do que eu e menciona algo da história do livro em si, e a resposta polémica do governo.

I usually put a link to the books I review on here but I don’t think you can get this easily. Augusto Cid has some more recent books though and you can buy those here.

Posted in Portuguese

O Futuro Tem 100 Anos

Esta BD foi lançado para comemorar o centenário da CUF, uma empresa que (nas suas próprias palavras) trouxe a revolução industrial para Portugal on 1908. A história é contada do ponto de vista de uma mulher de 2008, que é a bisneta dum engenheiro francês, um empregado da empresa. Até certo ponto, esta decisão, faz todo o sentido porque o leitor pode ver as ligações entre o mundo de hoje e os eventos do passado. Mas… Para mim, os autores focam demais na protagonista (que é jovem, bonita, mais fácil no olho do que o bisavô dela!) e por isso não temos um entendimento nítido do crescimento da empresa, o impacto dela na vida do país, os raízes dos problemas laborais (tal como a greve), e a evolução da empresa desde o século XX até agora (acredito que se trata de um rede de hospitais hoje em dia não é?)
Ainda por cima o arte não é assim tão incrivel.
Meh. Interessante mas não passa de ser um panfleto de publicidade. 3 estrelas.

Posted in Portuguese

1890: Portugal, Uma Retrospectiva – Opinião

Recebi este livro como oferta de uma amiga. Fiquei muito entusiasmado como a ideia de o ler porque tenho um projecto intermitente de aprender a história do país.

Ler este livro nos dias de hoje, durante os protestos contra (entre outras coisas) estátuas de pessoas envolvidas em imperialismo e escravatura foi uma experiência surrealista. O livro trata do ultimato Britânico, com o qual o país onde nasci ameaçou o seu antigo e mais fiel aliado com as mais graves consequências se não cedesse o território entre Angola e Moçambique sem demora. Os protestos sublinharam o que deve ser óbvio para qualquer leitor deste século: a história desta época é uma história de dois países a brigar um com o outro por causa dum sítio no estrangeiro, como duas crianças a lutar por causa dum brinquedo.

O livro está muito bem escrito e dá para entender o contexto da disputa e as suas consequências , principalmente a queda da monarquia.

Posted in Portuguese

Discurso

Notes for an extended video book review and wiffling about the Marques de Pombal.

Hoje vou falar sobre este livro “A Vida e a Obra do Marquês de Pombal” de José Barata. É uma biografia fina e básica. Acho que o autor tentou fazer uma hista equilibrada. Não é um elogio do homem mas também não entrou a matar. Parece que quer ser justo mas não sou especialista e não sei se ou não sucedeu.

Fiquei com vontade de ler depois de ouvir e ler várias coisas sobre esta figura histórica durante o meu projecto de aprender história portuguesa. 

Antes de ler, não sabia muito sobre o M de P. Já sabia que estabeleceu a cidade de Lisboa quando foi destruído pelo terramoto de 1755, que fez uma decreta contra escravidão que acabou finalmente com transportes de escravos para o Reino, e lançou algumas reformas na esfera de educação, e ouvi a minha esposa a dizer que era uma desgraçado maluco (ela disse “crazy bastard” porque esqueceu-se falar português) mas é isso mesmo. Do lado escuro do Marquês é que  não sabia nada. Há uma teoria de história que diz que, quando um país precisa de fazer uma grande mudança, é necessário que haja um “homem forte” que pode forçar o país transformar-se. “homem forte” é a palavra eufemística para este tipo de pessoa quando apoiamos as polícias deles, mas a outra palavra é “ditador” e escolhemos a palavra que depende dos nossos preconceitos. Claro está que este homem era um ditador, quer apoie quer não, e claro está que fez erros, abusos do seu poder e provavelmente crimes. Não quero o julgar pelos valores de hoje em dia, confesso que gosto de alguns objectivos seus, mas lá está. 

Tenho algumas dúvidas que ofereço com humildade porque este livro é mesmo básico e ainda por cima é possível que perdi alguns pormenores, mas cá para mim, havia algumas pontos puouco claros. 

Por exemplo, vamos falar do execução, do modo mais sangrenta e injusto da família Távora, que era o pior acto na biografia. Antes de mais, não tinha certeza se ou não uns membros da família realmente tentaram assassinar o rei, ou se devemos acreditar que o Marques tentou incriminá-los para apagar os seus rivais

De qualquer maneira nunca pode ser justificado matar a família toda, mas vou pôr esta questão para o lado porque, a maior dúvida que tenho é o seguinte: quando vemos o balanço deste crime, quanto devemos culpar o M de P, e quanto culpa merece o próprio rei Dom José 1. Porque parece muito improvável que o rei perdoaria alguém que tentou matá-lo. Os reis de qualquer país costumam de lidar com assassinos com mãos de ferro e de forma geral, as opiniões dos outras não lhes importam muito. Quiçá o M de P não merece a culpa toda. Mas não tenho certeza. Ouvi que Dom José era indeciso e deixou o Marques controlar tudo. Quem sabe? Se calhar disse “alguém tentou matá-me hoje mas não quero fazer nada. Irei assistir esta caixa e ficar à espera de alguém inventar o Netflix. Seja à vontade fazer o que queiser ó Marques”. É possível mas não sei. Parece igualmente provável que o rei deixou o povo culpar o Marques para não ser enlameado pelo acto de vingança. 

Tinha algumas dúvidas menores. É difícil imaginar quão bem as ordens de Reis e políticas transmitem-se aos funcionários que as executam e por isso o “grande homem” de história leva sempre mérito e censura que, as vezes não merecem. Mas… Ao final de contas, fiquei com a impressão que o M de P é um exemplo dum fenómeno bem conhecido aos leitores de história inglesa. Existe um livro chamado “1066 and All That” de  W. C. Sellar and R. J. Yeatman, que é uma história humorística de Inglaterra. No percurso, diz-se várias vezes “He was a bad king but a good thing” ou seja “Era um mau rei e uma boa coisa”. Este livro deixou-me como mesmo sentimento para o M de P. Como homem, não era muito simpático, mas durante a sua carreira, aumentou a vida do país: abrandou a influência da Igreja sobre educação, desenhou uma nova cidade nas ruínas da velha, ajudou leva cabo à escravidão. Deixou um país melhor… A menos que o teu nome é Távora. 

Mas sei menos que nada. 

Cada história tem dois lados e por isso quero agradecer José Santos por ter me enviado este livro. Chegou anteontem. É um romance histórico, nem uma verdadeira história mas acho que é baseada em factos verídicas e por isso lê-lo-ei na próxima vez que me apetece aprender mais história portuguesa. Muito obrigado.