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Segue o Teu Destino

Translating one of the poems I’ve been learning. It’s by Ricardo Reis, one of Pessoa’s Hetronyms. I found it a bit inspiration-postery at first but it’s really grown on me, especially the last two lines of the first verse and the last two lines of the last:

Portuguese versionTranslation
Segue o teu destino.
Rega as tuas plantas.
Ama as tuas rosas.
O resto é a sombra
De Arvores alheias.
Follow your destiny
Water your plants
Love your roses
The rest is just the shadow
Of other people’s trees
A realidade
Sempre é mais ou menos
Do que nós queremos.
Só nós somos sempre
Iguais a nós próprios.
Reality
Is always more or less
Than we want
We alone are always
Equal to ourselves
Suave é viver.
Grande e nobre é sempre
Viver simplesmente.
Deixa a dor nas aras
Como ex-voto aos deuses.
It’s easy to live
It’s great and noble always
To live simply
Leave pain on the altar
Like a votive offering to the gods
Vê de longe a vida.
Nunca interrogues.
Ela nada podes
Dizer-te. A resposta
Está além dos deuses.
Look at life from afar
Never question it
It can’t tell you
Anything. The answer
Is beyond the gods
Mas serenamente
Imito o Olimpo
No teu coração.
Os deuses são deuses
Porque não se pensam.
But serenely
Imitate Olympus
In your heart
The gods are gods
Because they never think of themselves
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The War on Ter Que-ism

I’ve seen occasional grammar guides arguing that it’s technically incorrect to use “ter que” to indicate obligation. For example in “101 Erros de Português que Acabam com a Sua Credibilidade” by Elsa Fernandes, she says “Ultimamente tem-se vulgarizado o uso da construção *ter que* para significar obrigação […] os especialistas indicam que, nesse caso, a forma mais correta é ter de.”
This ciberduvidas article makes the same point 

But this morning I was reading through (and trying to memorise) Mar Português by Fernando Pessoa and I noticed it has this couplet

Quem quer passar além do Bojador
Tem que passar além da dor

This looks like the great man is using tem que in exactly the way “os especialistas indicam” is wrong. Borrowing a phrase we sometimes use about Shakespeare, “I’d rather be wrong with Fernando Pessoa than right with Elsa Fernandes”, but I asked on Reddit to see if anyone else had thoughts on what might be going on. After all, the poem also includes an old-fashioned spelling of the words “rezaram” and “nele”, so maybe the language has drifted a bit since his day. It doesn’t seem so though.

“Ter que” is used a lot in Brazil, and as Elsa says, its increasingly common in colloquial speech in Portugal too. It’s technically wrong but seems to be one of those things that is used a lot. If teenagers and Fernando Pessoa are using it then it’s probably safe to call it a de facto standard. Best avoided in exams, but it seems as if it would be pedantic to pick someone up on it in normal conversation.

So what is “ter que” supposed to be for? It’s quite similar but it is more to do with ownership than obligation. So “tem muito que contar” means “he has a lot to tell”. In other words, he has a lot of experience, he’s an interesting guy. As opposed to “tem de contar muito” which means he’s obliged to tell you a lot.

Tenho muito que fazer = I have a lot on my plate
Tenho de fazer muito = I am being forced to do a lot

I had a complaint about the low quality of the pun in the title, so if you prefer you can think of it as “Ter Que’s Voting For Christmas”

I’m sorry.

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Poetry

One of the things I’ve been doing in my non-portuguese life is trying to learn poems. I had some idea that it would be nice to have more poetry in amongst the clutter of my brain, and also good mental exercise now that I’m well into middle age and finding myself forgetting stuff all the time. In the last couple of weeks I have memorised two. I can now recite Weathers by Thomas Hardy or The Subaltern’s Love Song by John Betjeman by heart. I like the Betjeman best; the rhythm of it is amazing, and it really conveys the sense of being giddy and excited and in love.

Anyway, I was thinking of doing “Mar Português” by Fernando Pessoa next. It’s shorter but I’m expecting it to be harder in anotgher language. So I was really excited to see this video drop into my Youtube recommendations today. Mar Português is the fifth of the five poems she reads. I have been subscribed to the channel for a while but not really following it closely but I can see I am going to have to keep a closer eye on it from now on, because I like this a lot!

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A Língua Portuguesa – Fernando Pessoa

Thoughts on “A Língua Portuguesa”, writings by Fernando Pessoa edited by Luísa Medeiros (Bertrand / Amazon)

Fiquei interessado por ter encontrado este livro na livraria Foyles e tive muito curiosidade pelos pensamentos deste grande poeta (ou seja convocação de poetas) sobre o seu próprio idioma. E não fiquei desiludido. Se não me engano, o livro consiste em fragmentos que nunca fizeram parte de um livro coerente na mente do autor, mas um tema é evidente. Está claro que o seu modo de pensamento estava num universo diferente do que o meu. Antes de mais, escreveu na língua falada como forma mais natural da língua, enquanto a língua escrita era meramente cultural cujo propósito, quanto importante que seja, era servir “o fenómeno natural” de comunicação oral.

Daí fora, seguem-se vários discursos sobre a ortografia e a etimologia da língua. Pessoa valoriza a língua e compara-a com outras línguas europeias. Via a língua como algo vivo, portanto línguas artificiais tal como esperanto nunca poderão suplantar línguas que têm a sua base num povo. Além disso, e por igual raciocínio, mesmo que criticasse a ortografia portuguesa, rejeitou a reforma ortográfica de 1911 assim: “A ortografia é um fenómeno da cultura, e portanto um fenómeno espiritual. O Estado nada tem com o espírito. O Estado não tem direito a compelir-me, em matéria estranha ao Estado, a escrever numa ortografia que repugno, como não tem direito a impor-me uma religião que não aceito.” Isto é um sentimento que muitas pessoas de hoje partilham. Eu, como falador de uma outra língua de ortografia aleatória, simpatizo.

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Portrait of the Artist as a Young Homem

At work the other day, in an effort to make my tasks stand out better in the planning software, I decided to swap my default icon from the orange disc with LC on it to a picture. Usually I use a small picture of someone waving the Bandeira portuguesa* but I couldn’t find it so I opted for this instead.

Fernando Pessoa

So far, so whatever, but the next day when I was arriving at work, my email pinged and when I looked at the company email app, there was the six-year-old Fernando Pessoa looking at me, from the corner of the screen. As it turns out, the software is part of office suite and they’re all linked together, so the picture had become my official photograph on the intranet. I got rid of it later that day but a few people were curious as to what had happened.

I sort of miss it actually. It was the only black and white icon there which made it really easy to spot. One of those times when professionalism and efficiency are in opposition.

*I suppose I should really say “The Flag of the Portuguese Republic” since there are still monarchists who insist that the old royalist flag, a blue cross on a white background, is the real Portuguese flag.

Ouça 9. The Flag de HISTÓRIAS DE PORTUGAL de Saudade e Outras Coisas #np na #SoundCloud

Ouça 9. A Bandeira de HISTÓRIAS DE PORTUGAL de Saudade e Outras Coisas #np na #SoundCloud

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O Banqueiro Anarquista – Fernando Pessoa

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O Banqueiro Anarquista é um conto escrito pelo famoso poeta Fernando Pessoa. Faz parte duma coleção (também chamada “O Banqueiro Anarquista”) publicada pela* Relógio d’Água.

O conto trata-se da vida dum homem rico, burguês que afirma que, ao contrário do que a gente pode achar, é um anarquista, e não simplesmente um anarquista teórico, mas um anarquista a sério que aplica a teoria à sua própria vida. Aqueles gajos que atiram bombas são meros amadores comparados com o banqueiro. Sentado num restaurante, o banqueiro conta ao seu amigo como é que as reviravoltas do seu raciocínio o levaram ao seu actual modo de viver. É um bom exemplo de como uma pessoa se pode enganar, por sofisma e acaba por adoptar um modo de viver ao contrário às suas crenças mais fortes por um método aparentemente puro e rigoroso. É muito engraçado.

Acho que o livro se lê bastante bem. Como um novato da língua portuguesa, fiquei preocupado por começar um livro escrito por um dos gigantes de literatura portuguesa, mas há muitos palavras de política e economia que tornam tudo mais fácil porque são muito parecidas com os cognatos ingleses.

*=I would have gone for “pelo” because Relógio is masculine but it’s the name of a publisher (a editora) so it’s feminine.