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Scarecrow

Text with corrections from Dani Morgenstern. Notes at the bottom

Isto é uma tradução duma explicação ao lado de um quadro da exposição da qual eu falei ontem

O Espantalho
Litografia

Paula Rego tomou inspiração do dramaturgo Martin MacDonald. Na perspectiva dela “[…] a peça de teatro mexe* com religião… E a menina que queria ser Jesus… Que tinha muito a ver com o tema português também.” Esta litografia pode também representar a natureza paradoxal das consequências das nossas acções dentro dos nossos assuntos infelizes.
O Espantalho não é uma representação directa duma das cenas mais macabras da peça mas, com a sua imagem central dominadora dum espantalho crucificado, refere-se àquela parte da peça na qual a menina certinha, que faz sempre boas acções como se quisesse ser Jesus, perde os pais por causa dum acidente pelo qual, em** última análise, ela é que é culpada.
Ela é transferida para uns pais adoptivos sádicos*** que a tormentam com uma coroa de espinhos, uma chicotada e um cruz de madeira que ela tem de carregar (ela tem apenas 6 anos). Eles a perguntam se ou não ela quer ser Jesus e quando ela responde que sim, pregam-na ao cruz e voltam a perguntar se ou não ainda quer ser Jesus. A esta questão ela responda “Não, não *quero* ser Jesus, sou Jesus mesmo, caralho!” portanto, enfiam uma lança nas costas dela e o resto da história da crucificação desenrola-se no palco como antes.

*=hum… Na minha opinião “meddles with religion” não está bem traduzido porque ninguém fala assim em inglês. Julgo que é tradução de “mexer com” e não “interferir em”, e deve ser “touches on” em inglês, mas não faço ideia propriamente porque não li/ouvi as palavras originais da artista.

** =”em” not “na”. I was literally translating “in the final analysis” but it doesn’t need the article.

***=not “sadisticos”

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Poetry

One of the things I’ve been doing in my non-portuguese life is trying to learn poems. I had some idea that it would be nice to have more poetry in amongst the clutter of my brain, and also good mental exercise now that I’m well into middle age and finding myself forgetting stuff all the time. In the last couple of weeks I have memorised two. I can now recite Weathers by Thomas Hardy or The Subaltern’s Love Song by John Betjeman by heart. I like the Betjeman best; the rhythm of it is amazing, and it really conveys the sense of being giddy and excited and in love.

Anyway, I was thinking of doing “Mar Português” by Fernando Pessoa next. It’s shorter but I’m expecting it to be harder in anotgher language. So I was really excited to see this video drop into my Youtube recommendations today. Mar Português is the fifth of the five poems she reads. I have been subscribed to the channel for a while but not really following it closely but I can see I am going to have to keep a closer eye on it from now on, because I like this a lot!

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More About Paula

If you’re in London and want to learn more about Paula Rego, I can’t really recommend the exhibition I went to for the reasons I mentioned in the post: it’s a pain to get into and not a great seeing. But there’s a big retrospective of her work at the Tate starting later this month so if you can make it to that it’ll be well worth your while. It’s really intense.

Click here to go to the Tate Gallery site.

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Um Excesso de Politicamente Corretismo?

Summary of an article in Observador with notes at the bottom

Este artigo no site do jornal Observador lembra-nos que determinadas temas surgem em todas as sociedades modernas hoje em dia. Há quem prestam atenção às letras de cancões infantis e detetam os traços de um passado mais cruel que a presente. O artigo fala destes traços sob a rubrica de “politicamente incorreto” mas para ser mais exato, as letras contêm referencias a violência domestica, crueldade para com os animais* e racismo. Há muitos exemplos no artigo, alguns triviais (tal como “atirei o pau ao gato”) e alguns mais nojentos.

A cat is hit by a flying stick, thus triggering a more sensitive, woke moggy

Claro que cancões, rimas e brincadeiras que fazem parte da cultura de cada pais contém ecoas de uma época menos simpática e não queremos reforçar a opinião que assedio contra mulheres é aceitável por exemplo. E é evidente que qualquer professor de pré-escola que ensinasse aos alunos aquela lengalenga** sobre “o preto do Guiné” perderia o emprego e poucas pessoas sentiria simpatia nenhuma. Isso não se trata de uma questão de o que é que é politicamente correto, nem de censura, nem até de branqueamento*** mas sim de não repetir os insultos do passado nas orelhas dos estudantes negros em 2021.

Mas por outro lado, as tentativas bem-intencionadas para tornar as letras mais aceitáveis dá frequentemente em cancões pirosas e sem esforço. Até certo ponto, um bocadinho de choque, um pedaço de horror nos nossos contos de fada e nas cancões não magoa ninguém. Isso do gato não vão tornar ninguém psicopata, e não é preciso entrar em pânico ma afinal concordo com Dora Batalim: “mais vale não a cantarem, têm muitas por onde escolher”, ou seja, estas rimas racistas merecem desbotar e desaparecer. Não precisamos deles.

*=”crueldade para com os animais” is an interesting contruction. There are two prepositions in there. Literally, it would be “cruelty for with the animals”, which sounds weird to anglophone ears, but does seem to be legit. A bit of research and a question on a r/Portuguese shows that it’s a prepositional phrase meaning “in relation to” – Ciberdúvidas article here. It appears in the wikipedia article about cruelty but the main title of the article is just “Crueldade Com Animais” so obviously both make sense. By the way, it’s worth noting that brazilians spell “pára” (meaning “stop”) without the accent and in theory portuguese people should spell it that way too now, but it’s the most-ignored aspect of the Acordo Ortográfico because it’s so confusing. However, you might come across a phrase like “para com isso” which means “stop that”, so try not to get confused if you do!

**=I struggle to come up with a good translation for “lengalenga”. I’ve seen it explained as a kind of rhyming mnemonic, but I don’t think it’s that: it seems to refer to repetitive chants like rhymes that aren’t quite nursery rhymes – like “ip dip sky blue, it is not you” or “i see England, I see France, I see Colin’s underpants”. That kind of thing, I believe.

***=hm, branqueamento = whitewashing or sanitising something but in the context of imposing racist songs on black students it sounds like a pun which wasn’t my intention when I wrote it

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A Semiótica Do Palavrão

(Description of an article about swearing in Porto: there are some grammar and vocab pointers down at the bottom for anyone who needs them. The portuguese is uncorrected and might contain errors but hopefully not many! Thanks to Dani and “Iznogoud” of the r/WriteStreakPT subreddit for helping me tidy up a few errors in the original text)

Acabo de ler um artigo no site do jornal Público intitulado “A Semiótica do Palavrão“. O autor, Paulo Moura, defende que a língua do Porto é rica porque a gente de lá usa muitas expressões com palavrões. Estas expressões não se trata de insultos como seria noutras regiões, mas sim de uma filosofia da vida. Acho que ele está a brincar, ou pelo menos está a escrever numa maneira ligeira. Parece que ele tem muito carinho pelos cidadãos daquela cidade e a sua maneira de falar. Apesar das obscenidades, acha-os acolhedores e simpáticos.

Já ouvi falar desta tendência portuense de usar palavras feias. Tenho uma amiga lisboeta que considera os portuenses bárbaros por isso mesma! Fica escandalizada quando vê vídeos online ou programas televisivas de tripeiros e o seu calão.

Notes on the text.

I’ve referred to Porto residents in three different ways

  • “a gente de lá” (the people from there). Gente is a collective noun so it’s treated as a singular (“a gente… usa” instead of “a gente… usam”)
  • “portuenses” is just a standard adjective meaning “from Porto”
  • “tripeiros” means tripe sellers, and has a couple of origin stories, both dating back about 600 years into the early history of portuguese navigation. You can read more about the most common version here

If you’re reading the article, hopefullly you’ll realise that the missing words are all rude

  • c=cu in every case, meaning “arse”. There are ruder c words in Portuguese like “caralho” (cock), “cagar” (verb meaning to shit) or “cona” (cunt) but I don’t think any of these are the c in any of the expressions on the page
  • p=puta which is a word for a prostitute. You occasionally see the abbreviation pqp online, meaning “puta que pariu” or “puta que te pariu” which is the whore who gave birth to you
  • b= I’m less sure about this one. “Bico” possibly? That just means beak but has a lot of alternative meanings, one of which is “Prática sexual que consiste em estimular o pénis com a boca ou com a língua. = FELAÇÃO”

Checking the theory in the last post, dealing with gender of – ão nouns, just to make sure it isn’t leading me astray:

  • Palavrão (swear-word) – masc: fits the rule
  • Expressão (expression) – fem: fits the rule
  • Razão (reason) – fem: doesn’t fit the rule, but it’s listed as one of the exceptions in the article so that’s no surprise
  • Regiao (region) – fem: fits the rule
  • Cidadão (citizen) – masc: fits the rule
  • Calão (slang) – masc: fits the rule
  • Felação (fellatio) – fem: fits the rule

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MacGyverism

I came across a word the other day that I hadn’t really thought about much but seems to have more depth than I realised. For some, it’s just as much a national characteristic as “saudade”. The word is “desenrascanço“. Its root is “enrascar” which means to twist or tangle. So it’s basically the ability to untangle things, and it’s more-or-less equivalent to English words like improvisation, hacking, kludging, or pulling a MacGyver*.

Just to be clear though, as far as I can tell, it’s the quality of a person who is resourceful, not an individual act of improvisation, although I can see some online definitions that have explained it that way. So it’s more like “the quality of being good at improvising” or maybe “MacGyverishness”. And hence, some Portuguese people see it as an important national characteristic in the same way we brits value our ability to “muddle through”

*=confession time: I’ve never actually seen MacGyver, but I gather he was someone who always managed to get out of a tight spot by winging it with whatever was available. Or so my wife tells me.

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Bordalo ii

Bordalo Segundo é um artista plástico – literalmente! Faz esculturas de animais com materiais do lixo e principalmente, trabalha com plásticos de alta densidade, como cadeiras, caixas e embalagens. Se visitares Lisboa, é provável que vejas algumas obras dele: um texugo, uma abelha ou um macaco, fixado ao lado de uma loja ou uma casa. Talvez a sua obra-prima seja o lince ibérica no Parque das Nações. É muito fixe! Mas a sua arte tem uma mensagem também: convém lembrarmo-nos que toneladas deste tipo de lixo estão a ser deitadas fora dia após dia e se não se torna arte, torna-se poluição.

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Leve a Minha Sogra… Se Faz Favor

Mais uma personagem que gostei no programa é a mãe abelhuda do Ivo, a Zélia. Confesso que não entendi tudo o que ela disse porque tem um sotaque forte, mas as primeiras palavras dela foram basicamente “Quem vai escolher a mulher perfeita para o meu filho sou eu!”

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Depois, ouvimos mais pensamentos tal como que a nora dela deveria de ser carinhosa tanto para ela quanto ele, e deveria presenteá-la com netos o mais cedo possível. Não há dúvida que os realizadores do programa repararam na personalidade controladora dela e pediram-lhe para dizer coisas ultrajantes para acrescentar drama à cena. Mas por mais que ela diga coisas típicas da sogra estereotipa, não ultrapassou os limites da simpatia. Ou seja, uma determinada nível de “sogrice” empresta tempero ao programa mas ninguém quer que todas as potencias noivas bazem por ódio ou medo de uma mulher insuportável.

Ela é um pesadelo mas acho que será a estrela escondida do programa.

Thanks, Sophia, for the corrections

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Voltei A Escrever Sobre Agricultores e Amor

No início da semana, escrevi um texto sobre um programa parvo chamado “Quem Quer Lutar Contra Outras Meninas Para Engatar O Agricultor” ou algo do género, e tinha a intenção de voltar ao tópico mas ando atarefado portanto, até hoje, não tive tempo.

O que mais me chamou à atenção era a rivalidade entre as mulheres na festa na casa de campo, em meados do episódio de estreia. Havia um agricultor que ainda por cima de tudo que era muito jeitoso, com olhos cheios de alma e uma história cheia de drama, com roupas de moda e um penteado fixe. Em redor dele, as mulheres mais novas e mais giras pairaram. Às vezes, uma delas “roubava” o agricultor lindo para ter uma conversa privada mas quando as outras percebiam, andavam atrás deles e diziam, de modo delicado “podemos atrapalhar?” (por quê “atrapalhar*”? Nunca ouvi a palavra neste contexto mas entendo a essência da frase!)

A Raquel é quem tem a minha simpatia. Parece que ela fez um grande esforço para estar sozinha com ele mas depois da primeira tentativa ser cortada, havia uma cena desconfortável e, afinal, o jeitoso não a escolheu. Antes preferiu escolher duas loiras idênticas. Ficou com o coração despedaçado e eu também fiquei.

joão-bettencourt

 

*=as my teachers would always say: “Look it up!” https://dicionario.priberam.org/atrapalhar

Thanks, Sophia, for the corrections

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Quem Quer Namorar Com o Agricultor?

Vi recentemente um programa na SIC que se chama “Quem Quer Namorar Com o Agricultor?“. É um exemplo do género reality TV. O mesmo programa já deu noutros países (não faço ideia de quais, mas um deles é Espanha, tanto quanto sei). Chegou em Portugal no ano passado, acho, ou talvez no ano anterior, 2018.

O padrão do programa é muito parecido com vários outros programas tal como “The Bachelor” nos Estados Unidos. Confesso que nunca vi nenhum, mas ouvi falar deles. Há cinco agricultores portugueses que querem encontrar o amor. As idades deles são compreendidas entre 20 e 50 anos. Depois da apresentação destes cavalheiros, encontramos as senhoras que também desejam um marido. No programa de estreia, estes dois grupos encontram-se um ao outro. Os agricultores conhecem as mulheres e as mulheres tentam deslumbrar os agricultores por serem bem educadas, bonitas e trabalhadoras.

Depois, cada agricultor escolhe cinco mulheres para acompanhá-lo num encontro romântico na sua terra. Para mim, acho que pode haver momentos cómicos quando as raparigas da cidade têm que encarar o dia-a-dia do campo: a lama, os animais a necessidade de acordar com as galinhaa. Mas vamos ver, até agora só vi um episódio.

Pretendo escrever mais dois textos sobre o mesmo assunto porque fiquei viciado!