Os Buraka Som Sistema, a banda electronica portuguesa vão reunir após um hiato, para tocar ao vivo num parque na zona sudeste de Londres no dia 7 de Agosto. O concerto faz parte de um festival gratuito, Miniteca, que pode ser uma oportunidade aproveitar a cultura portuguesa sem custo, mas pelos vistos haverá muito espanhol no ambiente também porque é um festival de música latina, não só portuguesa. Acho que vou escutar novamente a música deles, para ver se me apetece ir ver o espectáculo mas sendo um velhote, a música electrónica não me agradece assim tanto é provavelmente vou pulir esta oportunidade.
I got a solid 3.4/4.0 in the essay about Dom Joâo II. That’s 85% – God, I’d have killed for marks like that in the degree courses I took in IT and computing. I made a lot of silly grammatical errors that I should have picked up in editing, but in spite of everything, he noted that I have shown that I had an original and distinctive take on the subject, and I feel quite pleased with that!
As Sombras de D. João II
Anyway, I need to start revising, so I am going to go through it in detail, fix the mistakes and think about what could be improved. Again, this is just for my own benefit, but if you’re following along, the challenge was to analyse the title and subtitle of this thriller and decide what it means, referring to what we know about the real (historic) and fictional (in legend, propaganda and media representations) person that is Dom João II. I’ll fix all the boring typos and comment on the mistakes that are interesting enough to say something about. I’m indebted to the teacher who took the time to correct the grammar but didn’t penalise me for it as I suspect he probably could have!
Introdução
Neste texto, vou tentar decifrar o significado do título e o subtítulo deste livro, mas antes de começar, é necessário perguntar “o significado para quem?” Raras vezes todos os leitores de um livro concordam sobre a interpretação de um livro. Então o nosso pensamento deve começar com o autor e a imagem que ele quer criar na mente do leitor. Mas a visão do autor não é isolada, separada da cultura e da sociedade onde vive. O seu retrato do rei tem de ser reconhecível para os leitores, ou seja, tem de ter alguma semelhança com a pessoa de João II promulgada* nas escolas e na média. Ao mesmo tempo, um autor de romances históricos sabe bem que os seus leitores querem mais do que factos, nus e crus. Se quisessem isso, teriam comprado alguma coisa da estante não-ficção. Assim podemos imaginar o autor a pensar nas várias narrativas ao longo dos anos. Não sendo historiador nem propagandista, o autor de ficção histórica é livre para escolher os aspetos da lenda que satisfazem os seus critérios.
Como o Título Chama a Atenção dos Leitores
Em primeiro lugar, a palavra “Sombras” pode ser interpretada de várias maneiras. Pode-se imaginar uma montanha ou um castelo a assombrar o território à sua volta por causa da sua imensidade. Uma sombra, então, é símbolo da imponente estatura da figura do rei nos olhos do povo. Por outro lado, a palavra sugere o lado obscuro de um governo e a sua rede de espiões. E em terceiro lugar, é fácil imaginar o rei como um protagonista assombrado pelas suas próprias dúvidas.
Destes três, a primeira explicação é a menos satisfatória. Um castelo tem uma sombra e mais nada, mas a palavra no título é plural. Quanto aos outros significados, o site da editora (Clube do Autor, 2026) fornece amplas provas de ambas. Talvez a única frase mais reveladora do seu assombramento e o do seu povo é “No meio de tudo isto, há um homem de lágrima fácil e íntimo cruel, um verdadeiro manancial de sentimentos por decifrar.”
Noutras palavras, ao** leitor está a ser prometido emoções turbulentas por parte de um rei que anteriormente teria parecido opaco e ainda por cima um enredo cheio de surpresas e que – quem sabe – é capaz de pôr em causa a nossa imagem do Príncipe Perfeito.
Como o Subtítulo Os*** Seduz Ainda Mais
À primeira vista, o subtítulo, “Sonho, glória, poder e intriga. Os bastidores de um reinado de ouro.” garante uma visão do rei que é mais tradicional e mais normativa: o rei levou a cabo uma onda de descobrimentos cruciais para o futuro do país e do continente europeu, trazendo glória, poder e riqueza para os participantes e para o trono. Na verdade, a legacia**** dele é altamente discutível, como vemos na obra da Mafalda Soares de Cunha que mostra exemplos de historiadores serem acusados, desde o século XVII de (entre outras coisas) “[…] omitir uma série de informações importantes, como é o caso do seu papel no progresso da gesta expansionista… (Cunha 1988 pp 651) mas isso não altera a reputação do rei na imaginação pública. O seu nome é quase sinónimo dos descobrimentos, é óbvio no “Mensagem” de Fernando Pessoa, a sua mitologia poética do passado de Portugal, onde o rei aparece não só no poema que tem o seu nome onde ele parece “uma alta serra”***** (Pessoa 1934 pp 44) (e, indubitavelmente, assombra o promontório onde está!) mas também em “O Mostrengo” o navegador leva o nome dele como um talismã contra os perigos do mar****** (Pessoa 1934 pp 57)
Aqui ao leme sou mais do que eu: Sou um Povo que quer o mar que é teu; E mais que o mostrengo, que me a alma teme E roda nas trevas do fim do mundo; Manda a vontade, que me ata ao leme, De El-Rei D. João Segundo!
Adriana Bebiano afirma que a precariedade do mundo atual (ela estava a escrever logo depois dos atentados de 2001) produzia um desejo de regressar ” a representações identitárias onde se observa um excesso de passado” (Bebiano, 2002 pp 534) e que, no caso de Portugal, esta tendência era caracterizada por “a quase omnipresença da gesta marítima” (ibid) como o navio na capa deste romance.
Para Jorge Sousa Correia, escrevendo nos anos vinte deste século, a confiança na autoridade está catastroficamente reduzida e andamos rodeados por teorias de conspiração. Daí, não é nada surpreendente que vejamos neste título e seu subtítulo, uma combinação da glória radiante do passado, salpicada de tons mais escuros, representando a sombra de dúvida no que diz respeito ao líder daquela época dourada*******.
*I should really have said divulgada or propalada. I was really going for something that indicated the image was being put out as a sort of “official version” of events but it turns out I don’t really know what promulgated means even in my own language!
**Over-literal translation here. In english we’d say “the reader is being promised something” but that doesn’t work in portuguese; you have to say something is being promised TO the reader
***This is meant to follow on from the previous heading: having caught the eye of his readers he is seducing them further, but with such a long gap in between it was confusing, so the marker was left scratching his head and wondering who the hell I’m on about
****Woah! This falso amigo really surprised me. I should have said “legado” which means legacy. Legacia refers to the office of a legate!
*****Part of the instructions were that you had to quote something from the mandatory readings and believe it or not there three words are me paying lip service to that rule, because this poem is one of the texts. The marker didn’t notice – perhaps understandably, given how titchy it was, and I think I lost points as a result. Well, it’s a fair cop!
******I’m really not happy with this whole section, highlighted in yellow. It seems like a real tangle of thoughts. The prof didn’t penalise me for it, but I wish I had taken half an hour to straighten it out a bit and order it better.
*******I think the conclusion here went down well. I was quite pleased with it. I was criticised for not going into the “sombras” as much as I could have by referring to the death of his son or or the aristocrats he had bumped off. To be fair, neither of those is really referenced in the blurb and I had the impression the writer wasn’t really focusing on them, but OK, fair enough, maybe I should have gone darker!
Bibliografia
Bebiano, Adriana (2002) A invenção da raiz. Representações da nação na ficção portuguesa e irlandesa contemporâneas em Ramalho, Maria Irene e Ribeiro, António Sousa Entre Ser e Estar (2002) (pp 503-537)
Notes jotted down from part of the Portuguese Culture Unit I am studying.
Um Resumo Simplório da História de Pedro e Inês
Pedro I de Portugal (1320-1367), antes da sua ascendência ao trono, casou com Constança Manuel, mas foi abertamente infiel com a aia dela, a galega Inês de Castro. O pai de Pedro, o então rei Afonso IV, reprovou a relação, até após a morte de Constança quando Pedro e Inês viviam com se fossem casados. Em 1355 o rei mandou o assassinato de Inês, temendo a influência da família Castro. Este ato provocou uma rebelião contra o rei por Pedro, os Irmãos de Inês e vários aliados, mas não foi bem sucedido e os dois lados na guerra concluíram um paz desassossegado. Dois anos depois, com o morte do soberano, Pedro foi aclamado rei do país e pós em andamento a sua vingança contra os homens que executaram as ordens de Dom Afonso. Logo depois, afirmou que tinha casado com Inês antes da morte dela e declarou-a como rainha. Até se diz que o cadáver de Inês foi desterrado e coroado e que os nobres foram forçado, sob pena de morte a beijar a mão dela. Seja como for, os túmulos dos amantes ficam no Mosteiro de Alcobaça, lado a lado para que, no dia da ressurreição, acordado dos seus sonos, Pedro e Inês se vejam sem demora.
O Túmulo de Inês de Castro
As Trovas à Morte de Inês de Castro
Segundo o site Mitologia.pt , existe um poema secreta, atribuída ao então infante Pedro, mas a sua autoria é discutível. Porém, segundo o mesmo site, o comprovadamente mais antigo poema (tirando esse duvidoso) é “Trovas à Morte de Inês de Castro” de Garcia de Resende (1470-1536).
O poema é contado do ponto de vista de Inês, na hora da sua morte. Ela não culpa o rei mas sim os cavaleiros que acabaram executados por Pedro. Este decisão é interessante. Às vezes, vemos obras de arte que evitam responsabilizar uma figura histórica porque a figura anda favorecida pelo povo ou pelas autoridades atuais. Será que o rei da sua época desfavoreceria qualquer pessoa que criticou o seu antecessor? Parece-me pouco provável uma vez que um século tinha passado entre o morte do Pedro e o nascimento do poeta, mas quem sabe?
Crónica
Mais um poeta que escreveu poesia sobre a lenda é João Miguel Fernando Jorge (1943-hoje). O professor do curso forneceu-me com fotos de 7 páginas do livro “Crónica“. O que mais me marcou foi a diferença entre as primeiras linhas de cada página (por exemplo “COMO ELREI DOM PEDRO DE PURTUGAL DISSE POR DONA ENES QUE FORA SUA MOLHER REÇEBIDA E DA MANEIRA QUE ELLO TEVE” e o resto do texto que é escrito em português moderno. A razão custou-me descortinar: A obra do Jorge é uma espécie de atualização ou de recontagem de uma obra mais antiga, especificamente a “Crónica de Don Pedro I°” de Fernão Lopes (1418-1459) o escrivão e cronista do reino de Portugal, daí a sua ortografia antiga.
Teorema
Teorema é um conto de Herberto Helder. Helder (1930-2015) foi um poeta madeirense, mas, ao que parece, também soube escrever prosa. E sendo ele madeirense, por acaso, não tive de ler o conto online porque a madeirense que tenho em casa tem um exemplar do seu livro “Os Passos em Volta” no estante. É brutal! Adorei! É contado na primeira pessoa por Pêro Coelho, um dos dois executados por Pedro por ter participado no assassínio de Inês de Castro. Fiquei muito orgulhoso logo na primeira página porque o narrador descreve uma janela “no estilo manuelino” e eu soube instantaneamente que era um anacronismo: o estilo manuelino foi desenvolvido na época de D, Manuel I, cem anos depois da morte de D. Pedro. Mas mais tarde o narrador ouve a buzina de um automóvel e eu entendi que o conto é surrealista. A estátua do Marques de Sá da Bandeira? Mais um anacronismo, não é? E o protagonista continua com a narração enquanto o soberano come o coração dele, cru e cheio de sangue, o que não é normal. Eh pá cinco páginas esmagadoras!
Pedro Lembrando Inês
Já li dois livros de Nuno Júdice (1949-2024), mas não sabia que ele também escreveu um poema do ponto de vista de Pedro, nos anos após a morte da sua amante
Quando escrevi sobre a mudança da marca diacrítica no site do Jazz Café, não tive qualquer plano para lançar uma série, mas olhem, vai continuando a semana dos chapéus. Hoje volto ao tópico do Cante Alentejano.
Desde 2014, este género musical é considerado Património Cultural Imaterial da Humanidade pela UNESCO. Esta honra é compartilhada com mais um género musical português, o fado. Consiste em dois cantores e um coro. O primeiro cantor é o ponto, e o segundo o alto. Mas cuidado, ambas estas palavras tem mais do que um significado. Eu sei menos que nada sobre a teoria da musica portanto fiz uma pesquisa e as definições relevantes do dicionário Priberam são o número 40 de Ponto: “Solista que inicia uma moda* no cante alentejano” e o numero 30 de Alto: “Solista de voz aguda que se segue ao ponto e que antecede a entrada do coro no cante alentejano.”
Portugal, August 2022: Tribute to cante Alentejano, monument in Monsaraz by Lago do Alqueva, Alentejo, Portugal
Se virem este vídeo, verem os dois solistas em ação: O ponto, de barba, na primeira fila, canta a primeira estrofe. Depois, o alto, quase escondido na segunda fila, entoa o primeiro verso da segunda estrofe antes do coro (incluindo ambos os solistas) cantarem o resto em uníssono. Este coro é o mesmo que colaborou com Zambujo no vídeo de ontem, O Rancho de Cantadores de Aldeia Nova de São Bento. Neste contexto, um rancho é um grupo folclórico mas a palavra tem mais significados entre os quais “Grupo de pessoas, especialmente em marcha ou em jornada” também descreve o conteúdo deste vídeo!
I think the title of this video is wrong. I believe the song is called “A Moda do Chapéu“
Quando ouço o cante alentejano, lembro-me sempre do Male Voice Choir (Coro da voz masculina) tradicional do País de Gales. Ambos têm raízes na cultura céltica, ambos nascem entre gente rural em aldeias marginais, longe do capital e ambos são cantados, tradicionalmente, por homens vestidos de roupa domingueira**. No caso do coro galês, isto aconteceu (tanto quanto sei) por preferência, mas em Portugal, a roupa tradicional foi reforçado pela influência conservador do Estado Novo que queria fomentar o património para os seus próprios motivos, mas basta do Estado Novo, já falei a mais daqueles gajos. Arruínam sempre tudo que eles tocam, e não quero associar o cante com o homem que caiu da cadeira.
Dw i’n hoffi y cerddoriaeth ma ond mae cerddoriaeth portugaleg ym well (I hope I didn’t screw that up too badly – I’m only about 6 months into the duolingo course)
Apesar das semelhanças superficiais, existem diferenças marcantes. Os galeses harmonizam mais. Não têm os dois solistas e não cantam de chapéu num supermercado. Segundo a Wikipédia, as origens do cante incluem elementos da tradição grega e dos colonizadores árabe.
A página da Wiki fala no seu último paragrafo, da estagnação do cante desde a segunda guerra mundial quando a mecanização da agricultura causou um declínio da tradição de cantar na lavoura. Como resultado o género sobrevive em grupos tradicionais como uma curiosidade ou uma atração turística. Não sou especialista, claro, mas parece-me que a forma não tem tenta flexibilidade como o fado, nem hipótese de se dinamizar por hibridação com outros estilos como aconteceu com o fado nas últimas décadas. E não importa assim tanto. Não precisamos de cante alentejano com um rapper a fazer beats entre as estrofes. Às vezes, podemos deixar a tradição em paz, perfeito no seu próprio nicho.
* AI meu deus, não quero sobrecarregar o texto de definições mas nota bem que “moda” também tem um sentido diferente neste contexto. É uma cantiga!
**Not a word I had come across. It means “relative to Sunday”. So roupa domingueira is your Sunday best! Not that anyone has Sunday best now, it was a dying concept even when I was young but I recognise it as something people had in books and comics written by the generation before!
It didn’t help that I didn’t… hey, I’m writing in English. Why? …que nem sequer sabia o título da música. Perguntei ao Shazam. É isto:
O branco é Lucenzo, um português, e o negro um porto-riquenho que se chama Don Omar, ou simplesmente “El Rey”. Os dois cantam numa mistura de idiomas num iate, rodeados por uma meia dúzia de modelos aborrecidas. O vídeo, lançado em 2010, é um dos mais vistos no YouTube porque foi um grande sucesso em muitos países da América e Europa. Basicamente em todo o mundo exceto o Reino Unido.
Kuduro é uma palavra angolana e segundo o Google, pode ser uma combinação das palavras “Cu duro”. Danza, igualmente não é Português nem espanhol: acho que é crioulo.
Mas onde nasceu a dança*? Não faz parte do vídeo original. Quem inventou?
Sinceramente não faço ideia. Tentei três vezes fazer a pergunta no reddit mas cada uma foi apagado instantaneamente. Sei lá porquê. Mas tenho a certeza de que a dança é portuguesa. Outros países têm outros passos. Veja-se por exemplo este vídeo de três portuguesas e três espanholas a dançar lado a lado.
Ah ah, sou um crítico cultural, trazendo as notícias de há 15 anos. Espero não me ter enganado. Estou a ler nas entrelinhas por causa da conspiração do reddit para esconder a história deste fenómeno cultural!
*Re-reading this, I hope it’s obvious I’m talking about the dance in the video, not kuduro itself, which is also the name of a dance but is not the dance she’s doing… ai, it’s a bit complicated, sorry.
One of the first things we learn in Portuguese classes is the difference between the various ways of addressing another person; that there are different second-person pronouns for strangers vs friends: Você, Tu, or you can just flip it to third person with something like “O Senhor”. But we tend to get the impression that it’s just a linguistic rule with no further importance, as if it were a puzzle to be solved or a code to be cracked.
But there are cultural differences that underlie these kinds of distinctions: language has a social meaning as well as a semantic one. English doesn’t really have the same hard-wired social distinction*: if we want to be snobbish or arrogant or condescending we have to resort to using tones of voice.
You can catch glimpses of this social distance in literature and films: people taking offence at being treated with too much or too little formality (as in the picture above, taken from Gente Remota) or asking permission to use different pronouns (which happens near the end of Os Gatos Não Têm Vertigens). And it makes me wonder to what extent this creates a barrier between people, or makes them think of themselves differently, as a result of this very clear social distance marker being applied to them by someone else.
There’s a new blog on Say It In Portuguese that aims to shed light on the cultural dimension of these kinds of interaction. Its Part 1 in a two part series, and I’m looking forward to the second part. If you’re looking to deepen your understanding of Portuguese culture, head on over and have a look.
Nancy Mitford. What? Why is there a picture of her here? Well, read the footnote, dummy!
*This was probably less true in the recent past. The title of this blog post alludes to a distinction made by Nancy Mitford in the 1950s between U and Non-U English. The satire boom of the sixties and seventies punctured that pomposity. But even then, it was much more common when I was young m to hear people addressing each other as Mr So-and-So as a mark of respect or formality. That’s getting increasingly rare. We’re all tus.
Ouvi uma versão desta canção recentemente no canal de David Antunes + the Midnight Band, que é sempre uma fonte de maravilhas e o desempenho neste caso é mesmo esmagador, uma vez que é tocado quase exclusivamente em instrumentos infantis (o vídeo está debaixo da tabela de letras nesta página) O original saiu em 2012 e foi lançado por Sebastião Antunes e Quadrilha. O Sebastião não é um familiar do David apesar de os dois partilharem um sobrenome, mas o David tocou várias vezes a canção ao vivo nos seus próprios espetáculos e o Sebastião até apareceu no canal do David também.
A música teve muito sucesso e (tanto quanto sei) muita gente gosta dela. A versão original é invulgar por incluir uma gaita de foles. O meu pai sabia tocar a gaita de foles escocesa e por isso estou predisposto a gostar a canção apesar de me sentir por outro lado dum abismo cultural de cem milhas de largura.
Português
Inglês
Deram-me uma burra Que era mansa que era brava Toda bem parecida Mas a burra não andava A burra não andava Nem prá frente nem pra trás Muito lhe ralhava Mas eu não era capaz Eu não era capaz De fazer a burra andar Passava do meio dia E eu a desesperar E eu a desesperar Ai que desespero o meu Falei-lhe no burrico* E a burra até correu
They gave me a donkey That was tame and that was wild Everything seemed fine But the donkey wouldn’t move The donkey wouldn’t move Neither forward nor backward I yelled at it a lot But I couldn’t I couldn’t Make the donkey move It was after midday And I was in despair And I was in despair Oh, I was in such despair I told her about the (male) donkey And it even started running
*This seems to be disputed. When I first wrote this I copied the lyrics from A Música Portuguesa and it says “falhei-lhe”. It seems like that version appears on quite a lot of pages dotted around the web, but I am reliably informed that the non-h version is the right one, so there you go!
Carolina Deslandes is definitely growing on me. Her lyrics seem really well-crafted. Her voice doesn’t have the earth-shattering power of Sara Correia (the last portuguese singer I went to see), but she’s a different kind of singer and her voice works for the kind of music she’s making. I really like this one.
When I found the lyrics I saw they had transcribed it with “luta” in place of “puta”. You can find videos of her singing it that way on Rádio Comercial, but this video is bleeped out and I’m pretty sure they wouldn’t have bleeped luta, so I’m changing it back to what I think must be the original. Como é Linda a Puta de Vida is the name of a book by Miguel Esteves Cardoso, and I don’t know if she pinched the line from him or if it has older roots.
Português
Inglês
Esfolar os joelhos A achar que sabia voar Ignorar os conselhos Que no fim nos iam salvar
Skinning your knees And finding you don’t know how to fly Ignoring the advice That would save us in the end
Ser abandonada Não ter onde arrumar o amor Não querer saber de nada E saber-te ao pormenor
Being abandoned Not having a place to put love Not wanting to know anything And knowing yourself in detail
Como é linda e caótica A puta da vida, amor Vê lá bem a nossa sorte Vê lá bem o nosso azar Como é linda e caótica A puta da vida, amor Viver a fintar a morte Hoje saímos pra dançar
It’s so beautiful and chaotic The bitch of life, my love. Just look at our good luck Just look at our bad luck It’s so beautiful and chaotic The bitch of life, my love. Living to trick death Today we’re going out dancing
Partir o coração Dar razão a quem nos avisou Uma desilusão Uma ferida que nunca sarou
Breaking your heart Proving the people who warned us right A disappointment A wound that never healed
Ser traído, chorar Desatar os nós da garganta Querer esquecer e lembrar Quando a saudade é tanta, tanta
Being betrayed, crying Untying the knots in our throat* Wanting to forget and remember When there’s so, so much longing**
Como é linda e caótica A puta da vida amor Vê lá bem a nossa sorte Vê lá bem o nosso azar Como é linda e caótica A puta da vida amor Viver a fintar a morte Hoje saímos pra dançar
It’s so beautiful and chaotic The bitch of life, my love. Just look at our good luck Just look at our bad luck It’s so beautiful and chaotic The bitch of life, my love. Living to trick death Today we’re going out dancing
* Um nó da garganta is what english speakers would call “a lump in the throat”, so she’s talking about grief, panic or some other strong emotion
`**Should I even be translating “saudade” at this point?
A única vez na minha vida que comi carne de cabra foi em Coimbra, num restaurante perto do centro comercial. O prato é chamado chanfana, e é uma receita tradicional à base de carneiro ou de cabra.
Chanfana
Se a carne for velha, não importa, porque será assada até se tornar tenra e por isso esta receita é vista como boa opção para carne dura de animais mais maduros. Tradicionalmente, a carne é assada numa caçoila de barro preto com vinho tinto, alho, pimenta e folhas de louro.
A receita é muito antiga mas existem diversas histórias sobre a origem. Como resultado, há duas regiões que disputam a coroa da terra da chanfana. O concelho de Miranda do Corvo é conhecido por ser a Capital de Chanfana. Entretanto, Vila Nova de Poiares é a Capital Universal da Chanfana e tem uma marca registada para demonstrar a sua supremacia no mundo da carne assada.
Quando estudas português durante anos e finalmente chegas na secção C-H-A-N-F no dicionário.
É muito importante não confundir “chanfana” com “chanfrado” porque ninguém quer pedir um prato de carne assada e receber um guru de auto-ajuda, mesmo se for bem passado com umas boas mãos cheias de alho.
I actually made chanfana the day after writing this. It was so bad it almost caused a diplomatic incident between Portugal and Britain. Halved the ingredients but didn’t reduce the cooking time enough and it was very, very dry.
OK, well this is one of the bands I listened to the other day and liked enough to want to dive into their lyrics. It’s not an easy one because a lot of it is lists of things and events, like the lists in “Its the End of the World as we Know It” by REM or “We Didn’t Start the Fire” by Billy Joel and I am pretty sure I am missing some of the references. I’ll put links on the ones I recognise because it’s probably easier than writing 30,000 words of footnotes. Speaking of feet, there’s a really excellent live video out there and teh lead singer has a cast on his ankle, so well done him for not calling in sick that day!
🇵🇹
🇬🇧
Siga em fila vai Nove emprego cinco sai Quinto império do atalho Bomba, escola, pão, talho
Form a line, go Nine employed, five leave Fifth empire by a shortcut Bomb, school, bread, meat
Trívia e televisão Aurora do quadrilião No ar um cheiro a esturro Bom pró esperto, mau pró burro
Trivia and television Glow of the quadrillion In the air a smell of burning Good for the smart, bad for the stupid
Perto, tão perto do oásis no deserto Longe, tão longe de ir lá hoje Mora, demora O que é bom nunca é pra agora Quem me dera ir daqui pra fora
Close, so close to the oasis in the desert Far, so far from getting there today Lay, delay What is good is never for now I wish I could get out of here and away
Trânsito no Jamor A ouvir notícias do terror Troika, bolha imobiliária É cara a vida e a pensão precária
Traffic on the Jamor Hearing news of terrorism The Troika, a property bubble Life is expensive, and pensions at risk
Fraco tão fraco o sol neste buraco Boa, tão boa a vida boa Mora, demora O que é bom nunca é pra agora Quem me dera ir daqui pra fora
Weak, it’s so weak, the sun in this hole Good, so good, the good life Lay Delay What is good is never for now I wish I could get out of here
Mergulhar mãos no volante e adiante Pra qualquer lugar Vidro aberto, rádio alto, no asfalto Sem me apoquentar Saborear o mar, as serras Cobrir-me de pó e geada Roer o osso desta terra Na vida de estrada
Grab the steering wheel and go To anywhere Window open, radio loud, on the asphalt Without fear To enjoy the sea, the mountains get covered in dust and frost Chew the bones of this land In life on the road
Sismo no Japão Zara, nova coleção Espionagem, guerra, muda o tema Woody Allen no cinema
Earthquake in Japan Zara, new collection Espionage, war, change the subject Woody Allen at the cinema
Zapping e jornal Série e logo futebol O vizinho num concurso A fazer figura de urso
Channel-hopping and news Series and then football The neighbour in a competition To act like an idiot
Chato, tão chato papar grupo barato Oco, tão oco o circo louco Mora, demora O que é bom nunca é pra agora Quem me dera ir daqui pra fora
Annoying, so annoying, support cheap group* Hollow, so hollow, the crazy circus Live, delay What is good is never for now I wish I could get out of here
Mergulhar mãos no volante e adiante Pra qualquer lugar Vidro aberto, rádio alto, no asfalto Sem me apoquentar Saborear o mar, as serras Cobrir-me de pó e geada Roer o osso desta terra Na vida de estrada
Grab the steering wheel and go To anywhere Window open, radio loud, on the asphalt Without fear To enjoy the sea, the mountains get covered in dust and frost Chew the bones of this land In life on the road
Onde não há prazos nem obrigações Não há debates nem euromilhões Onde o sol eleva e a frescura acata Sem consulta ao homeopata Onde a cura é sem vacina E a cardina é sem pesar Por lagoas e colinas Vê-se a lágrima a secar Dá o vento na cara E nada nos pára Nada nos pára
Where there are no deadlines or obligations No debates, no euromillions Where the sun lifts you and the coolness follows you Without an appointment with the homeopath Where the cure doesn’t take a vaccine** And the grime doesn’t weigh you down Through lakes and hills Feel the wind in your face And nothing will stop us Nothing will stop us
Perto, tão perto do oásis no deserto Longe, tão longe de ir lá hoje Mora, demora O que é bom nunca é pra agora Quem me dera ir Quem me dera ir daqui Quem me dera ir daqui pra fora
Close, so close to the oasis in the desert Far, so far from getting there today Delay, delay What is good is never for now I wish I could get out I wish I could get out of here I wish I could get out of here and away
Mergulhar mãos no volante e adiante Pra qualquer lugar Vidro aberto, rádio alto, no asfalto Sem me apoquentar Saborear o mar, as serras Cobrir-me de pó e geada Roer o osso desta terra Na vida de estrada
Grab the steering wheel and go To anywhere Window open, radio loud, on the asphalt Without fear To enjoy the sea, the mountains get covered in dust and frost Chew the bones of this land In life on the road
*best guess is that he’s saying you should support independent artsists
**They broke up in 2019, in case you were wondering if this was some sort of covid reference