Posted in English, Portuguese

The New New Normal

Since “The New Normal” has been a theme today, here’s Sergio Godinho with a song of that name, written in August last year and containing obvious references to the long nightmare from which we hope we will soon awake (although I’m writing this the day after “Freedom Day” and I am regning in my optimism…)

Dadas as circunstâncias Given the circumstances
Mantenha as distâncias Keep your distance
Respeite os espaços Respect the spaces
Controle essas ânsias Control your urges
De beijos e abraços for kisses and hugs
Refreie as audácias e as inobservâncias Refrain from risks and non-observances

Posted in English, Portuguese

Rústica – Florbela Espanca.

I mentioned a few days ago that I was trying to memorise poems in both English and Portuguese. Well, today’s is a Portuguese one: Rústica by Florbela Espanca. As with so many of these poems, reading it through once a couple of years ago, I was my usual poetry-reading self: “Yes yes, very poetic. Next!” But now that I’m immersing myself in them, I’m starting to get the point of poetry. Here is the original:

Rústica

Ser a moça mais linda do povoado.
Pisar, sempre contente, o mesmo trilho,
Ver descer sobre o ninho aconchegado
A bênção do Senhor em cada filho.

Um vestido de chita bem lavado,
Cheirando a alfazema e a tomilho…
– Com o luar matar a sede ao gado,
Dar às pombas o sol num grão de milho…

Ser pura como a água da cisterna,
Ter confiança numa vida eterna
Quando descer à “terra da verdade”…

Deus, dai-me esta calma, esta pobreza!
Dou por elas meu trono de Princesa,
E todos os meus Reinos de Ansiedade.

Rústica, Florbela Espanca, from Charneca Em Flor

Florbela Espanca

There are a few unfamiliar words in it so I’ll have a go at translating it:

Rustic

To be the prettiest girl in the village
To walk contentedly on the same trail
To see descending on the cosy home*
The blessings of the Lord on every child 

A calico** dress, well-washed
Smelling of lavender*** and thyme 
With the moonshine quenching the thirst of the cattle****
Giving the doves the sun in a grain of corn

To be pure as the water in the cistern
To believe in a life eternal 
When I go down to the land of truth*****

God, give me this calm, the poverty
I’ll give them my princess throne
And all my kingdoms of anxiety

*=The word used in the original is “ninho” which means nest, but I think in this context its just a folksy way of saying home.

**=my paper dictionary says chintz, but I think chintz is made of calico (?) and that calico goes more with the vibe of the poem. But I’m not an expert in cloth, so I could easily be wrong.

***=I’ve been saying “lavandas” for lavender but I think that might be a brazilism because according to the wiki this is the word used in Portugal.

****=matar a sede means kill the thirst, literally, but quench seems better. And it’s not “a sede do gado” (the thirst of the cattle) but ao gado (to the cattle) , another example of Portuguese speakers using prepositions in a way that are just a little different to what an english speaker would expect.

*****=Descer in this sentence is the future subjunctive, not the infinitive, and I believe its “when I go down” not “when he/she/it goes down” but I can only get that from context since there no way of telling grammatically! I’m not sure what the land of truth means here either. If it’s heaven, why is she descending and not ascending? I’ve read the bible and spent a lot of time in church but this makes no sense to me I’m afraid.

Here’s an analysis I wrote of the poem, in Portuguese, for today’s writing challenge (thanks to Dani Morgenstern for the help)

O Poema de hoje é Rústica de Florbela Espanca. O poema fala do anseio da poeta por uma vida mais bucólica, numa aldeia onde ela seja “a moça mais linda” e o ar seja perfumado de ervas e flores.
Este desejo, esta saudade duma vida sem ansiedade e sem problemas é, no entanto, pouco realista porque a vida numa aldeia tem as suas próprias ansiedades e nem todas as moças podem ser a mais linda. Mas isso não contraria a mensagem do poema nem a vontade que todos nós temos de afastar-nos da vida moderna.
O poema tem quatro versos: dois de quatro linhas e dois de três, e tanto quanto sei, este padrão é muito comum na obra desta poeta. Usa imagens da natureza (o que é pouco surpreendente neste caso!) e temas religiosos. Aliás, a religião não é apenas um tema: a saudade da religião faz parte da saudade da vida simples. É como se Deus não tivesse poder nenhum na cidade e só soubesse tocar o coração de quem vive nalguma quinta.

Posted in Portuguese

Scarecrow

Text with corrections from Dani Morgenstern. Notes at the bottom

Isto é uma tradução duma explicação ao lado de um quadro da exposição da qual eu falei ontem

O Espantalho
Litografia

Paula Rego tomou inspiração do dramaturgo Martin MacDonald. Na perspectiva dela “[…] a peça de teatro mexe* com religião… E a menina que queria ser Jesus… Que tinha muito a ver com o tema português também.” Esta litografia pode também representar a natureza paradoxal das consequências das nossas acções dentro dos nossos assuntos infelizes.
O Espantalho não é uma representação directa duma das cenas mais macabras da peça mas, com a sua imagem central dominadora dum espantalho crucificado, refere-se àquela parte da peça na qual a menina certinha, que faz sempre boas acções como se quisesse ser Jesus, perde os pais por causa dum acidente pelo qual, em** última análise, ela é que é culpada.
Ela é transferida para uns pais adoptivos sádicos*** que a tormentam com uma coroa de espinhos, uma chicotada e um cruz de madeira que ela tem de carregar (ela tem apenas 6 anos). Eles a perguntam se ou não ela quer ser Jesus e quando ela responde que sim, pregam-na ao cruz e voltam a perguntar se ou não ainda quer ser Jesus. A esta questão ela responda “Não, não *quero* ser Jesus, sou Jesus mesmo, caralho!” portanto, enfiam uma lança nas costas dela e o resto da história da crucificação desenrola-se no palco como antes.

*=hum… Na minha opinião “meddles with religion” não está bem traduzido porque ninguém fala assim em inglês. Julgo que é tradução de “mexer com” e não “interferir em”, e deve ser “touches on” em inglês, mas não faço ideia propriamente porque não li/ouvi as palavras originais da artista.

** =”em” not “na”. I was literally translating “in the final analysis” but it doesn’t need the article.

***=not “sadisticos”

Posted in English

Poetry

One of the things I’ve been doing in my non-portuguese life is trying to learn poems. I had some idea that it would be nice to have more poetry in amongst the clutter of my brain, and also good mental exercise now that I’m well into middle age and finding myself forgetting stuff all the time. In the last couple of weeks I have memorised two. I can now recite Weathers by Thomas Hardy or The Subaltern’s Love Song by John Betjeman by heart. I like the Betjeman best; the rhythm of it is amazing, and it really conveys the sense of being giddy and excited and in love.

Anyway, I was thinking of doing “Mar Português” by Fernando Pessoa next. It’s shorter but I’m expecting it to be harder in anotgher language. So I was really excited to see this video drop into my Youtube recommendations today. Mar Português is the fifth of the five poems she reads. I have been subscribed to the channel for a while but not really following it closely but I can see I am going to have to keep a closer eye on it from now on, because I like this a lot!

Posted in English

More About Paula

If you’re in London and want to learn more about Paula Rego, I can’t really recommend the exhibition I went to for the reasons I mentioned in the post: it’s a pain to get into and not a great seeing. But there’s a big retrospective of her work at the Tate starting later this month so if you can make it to that it’ll be well worth your while. It’s really intense.

Click here to go to the Tate Gallery site.

Posted in Portuguese

Um Excesso de Politicamente Corretismo?

Summary of an article in Observador with notes at the bottom

Este artigo no site do jornal Observador lembra-nos que determinadas temas surgem em todas as sociedades modernas hoje em dia. Há quem prestam atenção às letras de cancões infantis e detetam os traços de um passado mais cruel que a presente. O artigo fala destes traços sob a rubrica de “politicamente incorreto” mas para ser mais exato, as letras contêm referencias a violência domestica, crueldade para com os animais* e racismo. Há muitos exemplos no artigo, alguns triviais (tal como “atirei o pau ao gato”) e alguns mais nojentos.

A cat is hit by a flying stick, thus triggering a more sensitive, woke moggy

Claro que cancões, rimas e brincadeiras que fazem parte da cultura de cada pais contém ecoas de uma época menos simpática e não queremos reforçar a opinião que assedio contra mulheres é aceitável por exemplo. E é evidente que qualquer professor de pré-escola que ensinasse aos alunos aquela lengalenga** sobre “o preto do Guiné” perderia o emprego e poucas pessoas sentiria simpatia nenhuma. Isso não se trata de uma questão de o que é que é politicamente correto, nem de censura, nem até de branqueamento*** mas sim de não repetir os insultos do passado nas orelhas dos estudantes negros em 2021.

Mas por outro lado, as tentativas bem-intencionadas para tornar as letras mais aceitáveis dá frequentemente em cancões pirosas e sem esforço. Até certo ponto, um bocadinho de choque, um pedaço de horror nos nossos contos de fada e nas cancões não magoa ninguém. Isso do gato não vão tornar ninguém psicopata, e não é preciso entrar em pânico ma afinal concordo com Dora Batalim: “mais vale não a cantarem, têm muitas por onde escolher”, ou seja, estas rimas racistas merecem desbotar e desaparecer. Não precisamos deles.

*=”crueldade para com os animais” is an interesting contruction. There are two prepositions in there. Literally, it would be “cruelty for with the animals”, which sounds weird to anglophone ears, but does seem to be legit. A bit of research and a question on a r/Portuguese shows that it’s a prepositional phrase meaning “in relation to” – Ciberdúvidas article here. It appears in the wikipedia article about cruelty but the main title of the article is just “Crueldade Com Animais” so obviously both make sense. By the way, it’s worth noting that brazilians spell “pára” (meaning “stop”) without the accent and in theory portuguese people should spell it that way too now, but it’s the most-ignored aspect of the Acordo Ortográfico because it’s so confusing. However, you might come across a phrase like “para com isso” which means “stop that”, so try not to get confused if you do!

**=I struggle to come up with a good translation for “lengalenga”. I’ve seen it explained as a kind of rhyming mnemonic, but I don’t think it’s that: it seems to refer to repetitive chants like rhymes that aren’t quite nursery rhymes – like “ip dip sky blue, it is not you” or “i see England, I see France, I see Colin’s underpants”. That kind of thing, I believe.

***=hm, branqueamento = whitewashing or sanitising something but in the context of imposing racist songs on black students it sounds like a pun which wasn’t my intention when I wrote it

Posted in Portuguese

A Semiótica Do Palavrão

(Description of an article about swearing in Porto: there are some grammar and vocab pointers down at the bottom for anyone who needs them. The portuguese is uncorrected and might contain errors but hopefully not many! Thanks to Dani and “Iznogoud” of the r/WriteStreakPT subreddit for helping me tidy up a few errors in the original text)

Acabo de ler um artigo no site do jornal Público intitulado “A Semiótica do Palavrão“. O autor, Paulo Moura, defende que a língua do Porto é rica porque a gente de lá usa muitas expressões com palavrões. Estas expressões não se trata de insultos como seria noutras regiões, mas sim de uma filosofia da vida. Acho que ele está a brincar, ou pelo menos está a escrever numa maneira ligeira. Parece que ele tem muito carinho pelos cidadãos daquela cidade e a sua maneira de falar. Apesar das obscenidades, acha-os acolhedores e simpáticos.

Já ouvi falar desta tendência portuense de usar palavras feias. Tenho uma amiga lisboeta que considera os portuenses bárbaros por isso mesma! Fica escandalizada quando vê vídeos online ou programas televisivas de tripeiros e o seu calão.

Notes on the text.

I’ve referred to Porto residents in three different ways

  • “a gente de lá” (the people from there). Gente is a collective noun so it’s treated as a singular (“a gente… usa” instead of “a gente… usam”)
  • “portuenses” is just a standard adjective meaning “from Porto”
  • “tripeiros” means tripe sellers, and has a couple of origin stories, both dating back about 600 years into the early history of portuguese navigation. You can read more about the most common version here

If you’re reading the article, hopefullly you’ll realise that the missing words are all rude

  • c=cu in every case, meaning “arse”. There are ruder c words in Portuguese like “caralho” (cock), “cagar” (verb meaning to shit) or “cona” (cunt) but I don’t think any of these are the c in any of the expressions on the page
  • p=puta which is a word for a prostitute. You occasionally see the abbreviation pqp online, meaning “puta que pariu” or “puta que te pariu” which is the whore who gave birth to you
  • b= I’m less sure about this one. “Bico” possibly? That just means beak but has a lot of alternative meanings, one of which is “Prática sexual que consiste em estimular o pénis com a boca ou com a língua. = FELAÇÃO”

Checking the theory in the last post, dealing with gender of – ão nouns, just to make sure it isn’t leading me astray:

  • Palavrão (swear-word) – masc: fits the rule
  • Expressão (expression) – fem: fits the rule
  • Razão (reason) – fem: doesn’t fit the rule, but it’s listed as one of the exceptions in the article so that’s no surprise
  • Regiao (region) – fem: fits the rule
  • Cidadão (citizen) – masc: fits the rule
  • Calão (slang) – masc: fits the rule
  • Felação (fellatio) – fem: fits the rule

Posted in English

MacGyverism

I came across a word the other day that I hadn’t really thought about much but seems to have more depth than I realised. For some, it’s just as much a national characteristic as “saudade”. The word is “desenrascanço“. Its root is “enrascar” which means to twist or tangle. So it’s basically the ability to untangle things, and it’s more-or-less equivalent to English words like improvisation, hacking, kludging, or pulling a MacGyver*.

Just to be clear though, as far as I can tell, it’s the quality of a person who is resourceful, not an individual act of improvisation, although I can see some online definitions that have explained it that way. So it’s more like “the quality of being good at improvising” or maybe “MacGyverishness”. And hence, some Portuguese people see it as an important national characteristic in the same way we brits value our ability to “muddle through”

*=confession time: I’ve never actually seen MacGyver, but I gather he was someone who always managed to get out of a tight spot by winging it with whatever was available. Or so my wife tells me.

Posted in Portuguese

Bordalo ii

Bordalo Segundo é um artista plástico – literalmente! Faz esculturas de animais com materiais do lixo e principalmente, trabalha com plásticos de alta densidade, como cadeiras, caixas e embalagens. Se visitares Lisboa, é provável que vejas algumas obras dele: um texugo, uma abelha ou um macaco, fixado ao lado de uma loja ou uma casa. Talvez a sua obra-prima seja o lince ibérica no Parque das Nações. É muito fixe! Mas a sua arte tem uma mensagem também: convém lembrarmo-nos que toneladas deste tipo de lixo estão a ser deitadas fora dia após dia e se não se torna arte, torna-se poluição.

Posted in Portuguese

Leve a Minha Sogra… Se Faz Favor

Mais uma personagem que gostei no programa é a mãe abelhuda do Ivo, a Zélia. Confesso que não entendi tudo o que ela disse porque tem um sotaque forte, mas as primeiras palavras dela foram basicamente “Quem vai escolher a mulher perfeita para o meu filho sou eu!”

zelia-pires-990x556

Depois, ouvimos mais pensamentos tal como que a nora dela deveria de ser carinhosa tanto para ela quanto ele, e deveria presenteá-la com netos o mais cedo possível. Não há dúvida que os realizadores do programa repararam na personalidade controladora dela e pediram-lhe para dizer coisas ultrajantes para acrescentar drama à cena. Mas por mais que ela diga coisas típicas da sogra estereotipa, não ultrapassou os limites da simpatia. Ou seja, uma determinada nível de “sogrice” empresta tempero ao programa mas ninguém quer que todas as potencias noivas bazem por ódio ou medo de uma mulher insuportável.

Ela é um pesadelo mas acho que será a estrela escondida do programa.

Thanks, Sophia, for the corrections