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Rústica – Florbela Espanca.

I mentioned a few days ago that I was trying to memorise poems in both English and Portuguese. Well, today’s is a Portuguese one: Rústica by Florbela Espanca. As with so many of these poems, reading it through once a couple of years ago, I was my usual poetry-reading self: “Yes yes, very poetic. Next!” But now that I’m immersing myself in them, I’m starting to get the point of poetry. Here is the original:

Rústica

Ser a moça mais linda do povoado.
Pisar, sempre contente, o mesmo trilho,
Ver descer sobre o ninho aconchegado
A bênção do Senhor em cada filho.

Um vestido de chita bem lavado,
Cheirando a alfazema e a tomilho…
– Com o luar matar a sede ao gado,
Dar às pombas o sol num grão de milho…

Ser pura como a água da cisterna,
Ter confiança numa vida eterna
Quando descer à “terra da verdade”…

Deus, dai-me esta calma, esta pobreza!
Dou por elas meu trono de Princesa,
E todos os meus Reinos de Ansiedade.

Rústica, Florbela Espanca, from Charneca Em Flor

Florbela Espanca

There are a few unfamiliar words in it so I’ll have a go at translating it:

Rustic

To be the prettiest girl in the village
To walk contentedly on the same trail
To see descending on the cosy home*
The blessings of the Lord on every child 

A calico** dress, well-washed
Smelling of lavender*** and thyme 
With the moonshine quenching the thirst of the cattle****
Giving the doves the sun in a grain of corn

To be pure as the water in the cistern
To believe in a life eternal 
When I go down to the land of truth*****

God, give me this calm, the poverty
I’ll give them my princess throne
And all my kingdoms of anxiety

*=The word used in the original is “ninho” which means nest, but I think in this context its just a folksy way of saying home.

**=my paper dictionary says chintz, but I think chintz is made of calico (?) and that calico goes more with the vibe of the poem. But I’m not an expert in cloth, so I could easily be wrong.

***=I’ve been saying “lavandas” for lavender but I think that might be a brazilism because according to the wiki this is the word used in Portugal.

****=matar a sede means kill the thirst, literally, but quench seems better. And it’s not “a sede do gado” (the thirst of the cattle) but ao gado (to the cattle) , another example of Portuguese speakers using prepositions in a way that are just a little different to what an english speaker would expect.

*****=Descer in this sentence is the future subjunctive, not the infinitive, and I believe its “when I go down” not “when he/she/it goes down” but I can only get that from context since there no way of telling grammatically! I’m not sure what the land of truth means here either. If it’s heaven, why is she descending and not ascending? I’ve read the bible and spent a lot of time in church but this makes no sense to me I’m afraid.

Here’s an analysis I wrote of the poem, in Portuguese, for today’s writing challenge (thanks to Dani Morgenstern for the help)

O Poema de hoje é Rústica de Florbela Espanca. O poema fala do anseio da poeta por uma vida mais bucólica, numa aldeia onde ela seja “a moça mais linda” e o ar seja perfumado de ervas e flores.
Este desejo, esta saudade duma vida sem ansiedade e sem problemas é, no entanto, pouco realista porque a vida numa aldeia tem as suas próprias ansiedades e nem todas as moças podem ser a mais linda. Mas isso não contraria a mensagem do poema nem a vontade que todos nós temos de afastar-nos da vida moderna.
O poema tem quatro versos: dois de quatro linhas e dois de três, e tanto quanto sei, este padrão é muito comum na obra desta poeta. Usa imagens da natureza (o que é pouco surpreendente neste caso!) e temas religiosos. Aliás, a religião não é apenas um tema: a saudade da religião faz parte da saudade da vida simples. É como se Deus não tivesse poder nenhum na cidade e só soubesse tocar o coração de quem vive nalguma quinta.

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Um Excesso de Politicamente Corretismo?

Summary of an article in Observador with notes at the bottom

Este artigo no site do jornal Observador lembra-nos que determinadas temas surgem em todas as sociedades modernas hoje em dia. Há quem prestam atenção às letras de cancões infantis e detetam os traços de um passado mais cruel que a presente. O artigo fala destes traços sob a rubrica de “politicamente incorreto” mas para ser mais exato, as letras contêm referencias a violência domestica, crueldade para com os animais* e racismo. Há muitos exemplos no artigo, alguns triviais (tal como “atirei o pau ao gato”) e alguns mais nojentos.

A cat is hit by a flying stick, thus triggering a more sensitive, woke moggy

Claro que cancões, rimas e brincadeiras que fazem parte da cultura de cada pais contém ecoas de uma época menos simpática e não queremos reforçar a opinião que assedio contra mulheres é aceitável por exemplo. E é evidente que qualquer professor de pré-escola que ensinasse aos alunos aquela lengalenga** sobre “o preto do Guiné” perderia o emprego e poucas pessoas sentiria simpatia nenhuma. Isso não se trata de uma questão de o que é que é politicamente correto, nem de censura, nem até de branqueamento*** mas sim de não repetir os insultos do passado nas orelhas dos estudantes negros em 2021.

Mas por outro lado, as tentativas bem-intencionadas para tornar as letras mais aceitáveis dá frequentemente em cancões pirosas e sem esforço. Até certo ponto, um bocadinho de choque, um pedaço de horror nos nossos contos de fada e nas cancões não magoa ninguém. Isso do gato não vão tornar ninguém psicopata, e não é preciso entrar em pânico ma afinal concordo com Dora Batalim: “mais vale não a cantarem, têm muitas por onde escolher”, ou seja, estas rimas racistas merecem desbotar e desaparecer. Não precisamos deles.

*=”crueldade para com os animais” is an interesting contruction. There are two prepositions in there. Literally, it would be “cruelty for with the animals”, which sounds weird to anglophone ears, but does seem to be legit. A bit of research and a question on a r/Portuguese shows that it’s a prepositional phrase meaning “in relation to” – Ciberdúvidas article here. It appears in the wikipedia article about cruelty but the main title of the article is just “Crueldade Com Animais” so obviously both make sense. By the way, it’s worth noting that brazilians spell “pára” (meaning “stop”) without the accent and in theory portuguese people should spell it that way too now, but it’s the most-ignored aspect of the Acordo Ortográfico because it’s so confusing. However, you might come across a phrase like “para com isso” which means “stop that”, so try not to get confused if you do!

**=I struggle to come up with a good translation for “lengalenga”. I’ve seen it explained as a kind of rhyming mnemonic, but I don’t think it’s that: it seems to refer to repetitive chants like rhymes that aren’t quite nursery rhymes – like “ip dip sky blue, it is not you” or “i see England, I see France, I see Colin’s underpants”. That kind of thing, I believe.

***=hm, branqueamento = whitewashing or sanitising something but in the context of imposing racist songs on black students it sounds like a pun which wasn’t my intention when I wrote it

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Lembram-se de Restaurantes?

Será que alguém no site se lembra “restaurantes”? Tenho saudades deles. Eram parecidos com a casa do meu avó, mas em vez de uma velha há uma equipa de pessoas vestidas de branco que cozinham os pratos e trazem-nos* para a mesa. Não se lembram? Bem, perguntam a alguém mais crescido.

Ontem, vi um vídeo antigo, gravado antes da quarentena, em que um “chefe de cozinha” (acho que este senhor era um género de super-herói ou padre) fez um Bacalhau à Brás. Infelizmente, como estava doente de um delírio, em vez de batatas, andava a usar outros ingredientes como abóbora, cenoura branca e carne de macaco.

*=interesting switch from imperfect to present here. “They WERE like my granny’s house but instead of an old lady there IS a team… that COOKS the dishes and BRINGS them” feels a bit wrong but the person who corrected this on italki was sure it was right.

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Bordalo ii

Bordalo Segundo é um artista plástico – literalmente! Faz esculturas de animais com materiais do lixo e principalmente, trabalha com plásticos de alta densidade, como cadeiras, caixas e embalagens. Se visitares Lisboa, é provável que vejas algumas obras dele: um texugo, uma abelha ou um macaco, fixado ao lado de uma loja ou uma casa. Talvez a sua obra-prima seja o lince ibérica no Parque das Nações. É muito fixe! Mas a sua arte tem uma mensagem também: convém lembrarmo-nos que toneladas deste tipo de lixo estão a ser deitadas fora dia após dia e se não se torna arte, torna-se poluição.

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Leve a Minha Sogra… Se Faz Favor

Mais uma personagem que gostei no programa é a mãe abelhuda do Ivo, a Zélia. Confesso que não entendi tudo o que ela disse porque tem um sotaque forte, mas as primeiras palavras dela foram basicamente “Quem vai escolher a mulher perfeita para o meu filho sou eu!”

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Depois, ouvimos mais pensamentos tal como que a nora dela deveria de ser carinhosa tanto para ela quanto ele, e deveria presenteá-la com netos o mais cedo possível. Não há dúvida que os realizadores do programa repararam na personalidade controladora dela e pediram-lhe para dizer coisas ultrajantes para acrescentar drama à cena. Mas por mais que ela diga coisas típicas da sogra estereotipa, não ultrapassou os limites da simpatia. Ou seja, uma determinada nível de “sogrice” empresta tempero ao programa mas ninguém quer que todas as potencias noivas bazem por ódio ou medo de uma mulher insuportável.

Ela é um pesadelo mas acho que será a estrela escondida do programa.

Thanks, Sophia, for the corrections

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Voltei A Escrever Sobre Agricultores e Amor

No início da semana, escrevi um texto sobre um programa parvo chamado “Quem Quer Lutar Contra Outras Meninas Para Engatar O Agricultor” ou algo do género, e tinha a intenção de voltar ao tópico mas ando atarefado portanto, até hoje, não tive tempo.

O que mais me chamou à atenção era a rivalidade entre as mulheres na festa na casa de campo, em meados do episódio de estreia. Havia um agricultor que ainda por cima de tudo que era muito jeitoso, com olhos cheios de alma e uma história cheia de drama, com roupas de moda e um penteado fixe. Em redor dele, as mulheres mais novas e mais giras pairaram. Às vezes, uma delas “roubava” o agricultor lindo para ter uma conversa privada mas quando as outras percebiam, andavam atrás deles e diziam, de modo delicado “podemos atrapalhar?” (por quê “atrapalhar*”? Nunca ouvi a palavra neste contexto mas entendo a essência da frase!)

A Raquel é quem tem a minha simpatia. Parece que ela fez um grande esforço para estar sozinha com ele mas depois da primeira tentativa ser cortada, havia uma cena desconfortável e, afinal, o jeitoso não a escolheu. Antes preferiu escolher duas loiras idênticas. Ficou com o coração despedaçado e eu também fiquei.

joão-bettencourt

 

*=as my teachers would always say: “Look it up!” https://dicionario.priberam.org/atrapalhar

Thanks, Sophia, for the corrections

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Quem Quer Namorar Com o Agricultor?

Vi recentemente um programa na SIC que se chama “Quem Quer Namorar Com o Agricultor?“. É um exemplo do género reality TV. O mesmo programa já deu noutros países (não faço ideia de quais, mas um deles é Espanha, tanto quanto sei). Chegou em Portugal no ano passado, acho, ou talvez no ano anterior, 2018.

O padrão do programa é muito parecido com vários outros programas tal como “The Bachelor” nos Estados Unidos. Confesso que nunca vi nenhum, mas ouvi falar deles. Há cinco agricultores portugueses que querem encontrar o amor. As idades deles são compreendidas entre 20 e 50 anos. Depois da apresentação destes cavalheiros, encontramos as senhoras que também desejam um marido. No programa de estreia, estes dois grupos encontram-se um ao outro. Os agricultores conhecem as mulheres e as mulheres tentam deslumbrar os agricultores por serem bem educadas, bonitas e trabalhadoras.

Depois, cada agricultor escolhe cinco mulheres para acompanhá-lo num encontro romântico na sua terra. Para mim, acho que pode haver momentos cómicos quando as raparigas da cidade têm que encarar o dia-a-dia do campo: a lama, os animais a necessidade de acordar com as galinhaa. Mas vamos ver, até agora só vi um episódio.

Pretendo escrever mais dois textos sobre o mesmo assunto porque fiquei viciado!

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The Farmer Wants A Wife

I’ve just restarted Portuguese lessons after a long drought over the Christmas and New Year period. I kicked off with a nice easy session, with a teacher who does sessions where you watch, listen or read something together and she explains cultural references. This time I went for something super-lowbrow, namely a show called  “Quem Quer Namorar Com o Agricultor?” (“Who wants to date the farmer?”). It’s a reality TV franchise that has been shown in quite a few countries and arrived in Portugl last year. You can guess the premise: 5 farmers of various ages go to a fancy house where they are introduced to about 20 broody ladies and they have to decide which to invite home to the farm where they will be filmed reacting with horror to various unfamiliar smells and getting theatrically stink-eyed by the farmer’s mother/sister/teenage daughter. Presumbly at the end there will be a marriage or two but I haven’t got there yet.

Untitled

I don’t really have much time to watch TV, and I’ve never got into any reality TV apart from hate-watching a couple of series of The Apprentice, so it was sort of nice to have an excuse to watch something as unapologetically shit-headed as this. The languge level is pretty basic too, so it wsn’t hard to follow. I actually liked it and will definitely watch more but only when my wife isn’t there to take the piss out of me (which I will deserve of course because I mean really…)

I’ve also been watching, on my own time, a documentary series about the colonial wars in Africa, which is more educational but much, much harder work.

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Lizard, Lizard, Lizard

youre-a-lizard-harry-36247804One of the exercises in “A Actualidade em Português” is about superstitions and there are five that are similar to “knock on wood” or similar – phrases for warding off the effects of bad luck. By far the coolest is “Lagarto, Lagarto, Lagarto” (Lizard, Lizard, Lizard). I have no idea why that means what it means. Ciberdúvidas isn’t much help and neither is Andreia Vale’s “Puxar a Brasa à Nossa Sardinha”. Even m’wife didn’t know, only guessed that maybe it was because witches use lizards in their spells.

Anyway, while I was researching it, I came across this freaky advert for an art show which uses an old song from the 70s by Banda do Casaco called “A Ladainhas Das Comadres” which includes the phrase. Confusingly the first line is in latin (the portuguese equivalent would be “Afasta-te, Satanás” or “Vai para trás, Satanás”)

Vade retro Satanás [get thee behind me Satan – Latin]

T’arrenego Belzebu [I abjure you, Beelzebub]

A Jesus Cruzes Canhoto [To Jesus, crosses left-handed]

Lagarto, Lagarto, Lagarto! [Lizard, Lizard, Lizard!]

That “Crosses left-handed” is a similar phrase used to ward off evil, sometimes extended to “Cruzes, canhoto! Longe vá o agouro!”

Similar phrases include

  • Isola
  • Diabo seja cego, surdo e mudo
  • Vira para lá essa boca
  • Salvo seja

 

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A Grande Exposição do Mundo Português (1940)

Here’s the transcript I’ve been trying to make of this imperialist propaganda video. I only managed the first 6 minutes. I might come back to it after the exam but I think the benefits I’m getting are pretty small for the time spent (about 3 hours and counting!) It’s interesting how I can pretty much understand the gist of the video but when it comes down to actually separating out the words, in their proper forms, the detail isn’t as simple to disentangle. Corrections from Sophia (thanks!) in italics


[00:00] Naqueles terrenos vastos e escaldados, que se estendiam entre o Mosteiro dos Jerónimos e a Torre de Belém, junto daquela praia do Restelo, donde largaram o século XV de Vasco da Gama, durante mais dum ano, milhares de operários, de técnicos e artistas portugueses, demolindo o feio para construir o belo, rasando o inútil para pôr em seu lugar uma verdadeira cinza de Portugal no passado e no presente. Ergueram um traje amorosamente esse prodigioso momento das nossas virtudes e do nosso préstimo foi a exposição do mundo português. A maravilhosa exposição foi inaugurada a 23 de Junho de 1940 pelo português mais digno de tal acto Senhor General Carmona, presidente da república portuguesa. E a seu lado estava o homem que a tornou possível; verdadeiro arquitecto de Portugal de hoje, novo e eterno, Salazar, e o ministro das obras públicas, engenheiro Duarte Pacheco a quem coube a honra a verificar. Assistindo o título de comissario geral Doutor Augusto de Castro, pelo engenheiro Sá e Melo e pelo arquitecto Cottinelli Telmo. Os antigos terrenos transformaram-se na soberba praça de império, com a sua fonte luminosa e os seus jardins. De todos os lados* se erguiam pavilhões de risco sobre e digno de uma originalidade e um gosto incontestável. Os olhos deslumbravam-se com as perspectivas imprevistas, com a pureza das linhas, com o equilíbrio deslumbre. Ao cinema português, cumpria pular no tempo e no espaço magnifica fixando-a num filme que servisse para matar as saudades dos que a viram e para a mostrar aos que não puderam vê-la. Foi o que o cinema procurou fazer, lamentando não dispor mais amplos recursos que permitissem traduzir fielmente a par das formas a cor, a alegria e a imponência da exposição de Belém.

[03:20] Todas as inúmeras obras da arte que impunham não eram unicamente feitas de matéria. Também eram feitas do espírito e tinham a alma, a própria história de Portugal. E essa história, a mais velha de todas foi novamente contada ao povo por meia de alegorias e de findo os mais grandiosos era sem dúvida o momento ao Infante Dom Henrique autêntico padrão erguido ao génio da raça. Nós demos ao mundo novos mundos. [corte?] Lembrava aos visitantes uma das legendas da pavilhão de honra. E o interior do pavilhão em redor de um átrio decorado com as bandeiras de todos os municípios portugueses, continha uma sala de recepção ornada de tapeçarias de alto preço, uma sala de honra onde se evocavam as mulheres celebres da tradição portuguesa desde a padeira de Aljubarrota a oração mariana, um teatro de concepção moderníssima

[04:20] Ao lado do pavilhão de honra e fazendo corpo com ele para melhor honrar e destacar a capital do império erguia a sua alta torre o pavilhão de Lisboa. Um dos seus mais velhos aspectos exteriores é o pátio em que um baixa-relevo estilizava a arquitectura em presépio da cidade rainha do ocidente. O átrio do pavilhão de Lisboa foi consagrado a São Vicente, patrono da capital em cujas armas figuram os dois corvos heráldicos do santo.

[05:00] Ali estava a grade que durante quatro séculos serviu de porta a umas das capelas da Sé. Um cofre guardava o Foral de Lisboa purgado em 1179 por Dom Afonso Henriques. Dois trípticos evocavam o cerco e a tomada de Lisboa aos moiros** e o pintor, exemplo dos antigos, emprestou às figuras as feições de alguns distintos Olisiponenses***. A evolução do aspecto da cidade podia seguir-se através de gravuras paneis de azulejo e de modelos reduzidos, cheios de verdade.

*=I originally heard this as “no topo dos gelados” and couldn’t for the life of me, un-hear it afterwards

**=alternative spelling of “mouros”

***=seems to be a fancy-pants way of saying “lisboeta”