Apesar de ter corrido 42.2 quilómetros anteontem, acordei esta manhã sem dores nas pernas. Aluguei uma bicicleta e pus-me a pedalar em direção a Sintra. Escolhi a rua à beira do mar mas esta acabou por atravessar as colinas do parque. Enfim, 4 horas depois, cheguei à Quinta das Regaleiras, suado mas feliz. Houve vezes durante a viagem nas quais me arrependi de não ter ido de autocarro, mas se tivesse optado pelo transporte público, não teria visto as nêsperas selvagens, as borboletas gigantes, a ave de rapina e todas as flores e plantas desconhecidas.
Estou a escrever este texto na fila onde estou há quase uma hora. Planeei em visitar o Palácio Nacional da Pena depois disto mas sinceramente não acho que tenho paciência para mais sítios turísticos, e ainda por cima não me apetece voltar para Cascais na escuridão. O filósofo Eduardo Lourenço disse uma vez “Mais importante que o destino é a viagem” e acho que tinha razão, mas o destino não é irrelevante. Fico contente por ter um dia fantástico na rua e (em breve) uma vista do Poço Iniciático.
Confesso que não sabia que havia tantas tantas estruturas incríveis nesta cidade. Há cenas espantosas por todo o lado. A entrada deste parque custa €12 euros que é menos do que os jardins botânicos de Kew, e… Peço desculpa, Kew, mas não há nada aí que chegue aos calcanhares do Poço Iniciático.
O blogue de hoje é a segunda versão de um blogue publicado em 2016 que conteve vários erros estúpidos. A minha professora sugeriu algumas mudanças e eu identifiquei mais problemas que já corrigi. Mas apesar de tudo, fiquei surpreendido pelo uso dum tempo verbal conjuntivo. Parabéns, Colin acabadinho-de-chegar-ao-português*!! Pois, escolheste um verbo errado, e conjugaste-o no singular, mas o tempo verbal era perfeito e um em três não está nada mau…
Estou a pensar em passar uma semana (ou mais) a reler todos os blogues do passado e resumir os mais interessantes. Esqueci-me de tantas coisas interessantes ao longo dos anos. 569 expressões idiomáticas, os géneros de 2.541 palavras, o meu nome, por quê comecei a aprender esta língua… Tantas coisas.
Bem, chega de velhices, vamos a isto!
Percebi que o website Cycling Fallacies (“As Falácias Sobre A Bicicleta”) foi traduzido para o Português e senti-me motivado para fazer uma coisa que estava a planear desde o mês passado: classificar e rotular as peças de uma bicicleta para me ensinar algum vocabulário útil.
Nesta imagem, utilizei o vocabulário especifico a Portugal da Página Wikipedia Português, aumentado pelas palavras da Loja Das Bicicletas. A imagem foi diminuida pela formatação automática do blogue mas espero que consigam ver.
* I originally wrote “Força, eu-de-2016!” but that didn’t work
Text about the stuff You do as a dad… Thanks to Talures for correcting my errors.
Ontem à noite a minha filha estava a caminho de casa quando houve um problema com os sinais do caminho-de-ferro. Portanto o comboio não chegou ao seu destino. Era o último comboio do dia. Passara o dia com dois amigos das redes sociais* que compartilham o seu fascínio pela série televisiva “The League of Gentlemen” e os três ficaram no bar até tarde.
Como resultado, encontrou-se longe daqui e, além disso, a bateria do seu telemóvel morreu**. Ótimo. A última mensagem que a sua mãe lhe enviara dizia “se não houver táxi, fica lá que o teu pai vai ter contigo” mas não sabíamos se recebera ou não, nem se houvera um táxi ou um autocarro. Portanto, agarrei a bicicleta e pus-me a caminho da estação onde ela estava. Claro que não foi preciso (ela chegou a casa às meia noite e meia) mas ficaramos preocupados que ela estivesse sem hipótese para voltar.
*i originally wrote “amigos online” but although “online” exists you can’t really say “online friends”, they have to be friends from the Internet or friends from such-and-such app.
**I originally used faleceu instead of morreu which is not wrong but not idiomatic. In the correction notes the corrector wrote “tem o que quê de piada”. That “tem o seu quê de….” looks like an expression to me. Sure enough, googling it, we find
“Tem o seu quê de bairrista” in the lyrics of “A Marcha da Mouraria” By Amália Rodrigues.
“Tem o seu quê de difícil” in a Ciberduvidas article about the words que and quê (although, unhelpfully it doesn’t explain the expression!
An actual definition in this infopedia page where it just defines it as meaning “something indeterminate” – so. They give a couple of examples eg “tem o seu quê de verdade” means “there’s some truth to it”
This last one looks like the closest I’m going to get to a definitive explanation. I don’t think it’s super-common because I looked at some examples of where it had been used on Linguee and Reverso-Context and the translations it gave looked like pretty random guesses, so maybe not all translators had come across it before (?) but I think the person who wrote the Infopedia article knew what they were on about. Hm, i wonder if it only works in the third person. Like I wonder if I could do something like this…
Update: the verdict is that yes, it does work.
Question corrected by Catalhract – Adivinhei que era uma expressão, sim…hum… Tem o seu quê de expressão. Utilizei-a de maneira certa aqui? Pesquisei várias fontes Online para entender o significado da expressão mais ou menos. Pode-se usar na primeira pessoa? Por exemplo, o meme no fundo [deste blogue]: claro que não é uma tradução perfeita do diálogo (caso não conheças, acho que vem do filme “Spiderman”) mas se alguém falasse assim, faria sentido? Ou será que os ouvintes pensariam “este turista é maluco”
Ontem, a caminho de casa, deparei-me com um grupo de ciclistas nus. Estavam a participar no… hum… Dia Mundial de Ciclismo Nu, ou seja o World Naked Bike Ride. Tanto quanto sei, há um evento em Lisboa mas não acho que haja uma tradução “oficial” do título; os participantes tratam-no pelo título inglês. Adoro andar de bicicleta mas confesso que não me apetece participar neste dia. Ainda bem: os meus vizinhos não querem ver nada disso.
More Wittering About Bikes
Por acaso, também dei um passeio de bicicleta ontem mas não foi assim tão interessante: tinha de visitar a sede do governo autárquico cujo projeto ando a apoiar, do outro lado de Londres. O meu portátil estava doente mas o enfermeiro de portáteis salvou-lhe a vida. Podia ter sido um dia aborrecido mas, felizmente, a sede fica ao pé da biblioteca britânica. Registei-me, adquiri um cartão de leitor e passei duas horas, mais ou menos, a ler algumas fontes de informação que têm a ver com a minha pesquisa genealógica.
Segindo o Google, 40 quilometros, mas lentamente, com muitas paragens e intervalos a pé por causa dos engarrafamentos e outros incómodos. Foi stressante às vezes mas passei 50% do tempo à beira do rio, o que equilíbrou tudo muito bem .
Quando voltei à minha bicicleta depois da minha corrida, havia um veado ao pé dela. Suspeitei que pretendia roubar a bicicleta, mas felizmente não é possível um veado andar de bicicleta porque não pode usar capacete por causa dos chifres.
Fiz um marcador no meu telemóvel para ler este blogue que encontrei no Twitter há meses, mas apesar do texto ser curto, adiei até hoje.
The future liberals want
Segundo o título, a autora está a defender o papel do feminismo na política de trânsito na sua cidade, Braga. E é verdade que o argumento é escrito em termos de feminismo mas parece-me que o ponto principal é mais universal e pode ser apoiado até por quem não se identifique como feminista: uma cidade cuja rede de transportes é dominada por carros sofre de um certo desequilíbrio : há mais poluição, há menos segurança para as mulheres sim, mas também para os homens e sobretudo para as crianças, há mais ruído, mais engarrafamentos, enfim a cidade é menos feliz.
O aspeto feminista disto tudo prende-se com a maior relutância das mulheres da cidade em enfrentar os perigos de andar de duas rodas, além do sexismo que existe tanto nas ruas quanto noutros lugares. Tem razão, mas acho que esta mensagem pode ser uma oportunidade para todos os bracarenses e espero que os homens da cidade vejam que também têm um incentivo para melhorar as ciclovias e os transportes públicos de Braga.
Here are a couple of short texts written on the aftermath of my recent overnight sponsored cycle ride, when I was feeling completely Entramelado Thanks to Cataphract for the help.
Part 1
Ciclistas na cidade
Fiz um treino ontem*: andei de bicicleta durante 8 horas. Comecei às 23h e cheguei a meta às 7 desta manhã. Cem quilómetros, sobrinhos! O evento chama-se “Nightrider” (hum… Ciclista noturno?) Gostei imenso, mas as minhas pernas estão tão cansadas e quanto às minhas nádegas… Tanta dor!
Depois do evento, a empresa ofereceu uma sanduíche de fiambre mas foi nojenta. “Que se lixe” pensei eu, atirando-a para o lixo. Fui à procura de algo mais agradável.
*It was Saturday to Friday really but I wrote the original text a few days ago
Part 2
See what I mean?
Às vezes, quando tomei parte em corridas, os anfitriões arranjam uma empresa fotográfica para tirar fotos oficiais para que os participantes possam comprar fotos do seu momento de glória. Os organizadores da maratona de ciclismo de há uns dias fizeram a mesma coisa mas nos estávamos todos vestidos de capacete e ninguém parece bonito numa coisa dessas. Duvido que vendam muitas.
Today’s text was corrected by Travonildo (thank you!)
Vou dar uma voltinha de bicicleta daqui a dois dias. Não tenho trabalho (temporariamente, espero eu) portanto tenho a oportunidade de fazer umas mini-férias em Cambridge, 70 milhas do nosso lar. A minha família prefere ficar em casa mas eu fico com vontade de viaja para os quatro cantos* do mundo… Mas para já Cambridge há de servir. 70 milhas num só dia será um desafio. Nunca andei tanto num dia sob o meu próprio esforço (nem de pé nem de bicicleta) mas preciso de perder peso e preciso de estar sozinho durante algum tempo. Por isso a bicicleta é perfeita.
* =There are a couple of words for corner: esquina and canto. But canto is the right one for this situation. This expression means “the dour corners of the world”. I got it wrong in the original.
It’s a new bike by the way. I’m very excited. Its so fast and so easy to ride.
Acabo de ler um artigo velho sobre o uso de bicicletas (ou seja “biclas” que é, se não me engano, uma palavra infantil que quer dizer a mesma coisa). O escritor utiliza o argumento de que andar de bicicleta a caminho da escola. é melhor para crianças Como muitas cidades, Braga tem ruas construídas para facilitar o movimento de carros exclusivamente e por isso, não é sempre seguro para ciclistas mais novos. O escritor aconselha-nos que não deve ser perigoso se os pais acompanhá-las à pé. Por este método, os nossos filhos aprendem habilidades de auto-conhecimento, consciência do ambiente, navegação e sentido de equilíbrio. Além disso, ficam mais saudáveis e evitam os efeitos mais graves do peso e da falta de exercícios. Sobretudo, o escritor espera que o governo autárquica veja estes ciclistinhas e façam mudanças ao sistema de trânsito na cidade para tornar tudo mais seguro e mais fácil para os viajantes mais vulneráveis.