Quatro anos depois da primeira tentativa, li este livro pela segunda vez. Estou a fazer um projecto de aprender a história portuguesa, portanto, conheço os acontecimentos recontados e tudo fez muuuuuiiiito mais sentido! Antigamente, ficava confuso, mas agora, fico impressionado!
O livro foi publicado para comemorar o centenário da república. Os autores defendem as realizações da primeira experiência de democracia, por mais imperfeito que fosse, para apagar a mancha de analfabetismo e modernizar o país.
A historia é contada pela voz dum homem que vive durante o estado novo. Está a escrever uma carta ao seu filho, que descreve a sua vida como criança logo no inicio da primeira república portuguesa, nos anos antes e durante a grande guerra e, logo depois, anos turbulentos nos quais o poder mexeu-se de uma extremidade para a outra numa serie de golpes e revoluções e a sombra de autoritarismo aproximava-se a pouco e pouco.
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“Watchers” Luís Louro
Uma grande amiga minha ofereceu-me este livro e eu nem sequer conhecia o autor antes de o receber. É uma banda desenhada. A arte é muito gira com muitas piadas visuais, escondidas nos pormenores. A história parece o enredo de um episódio perdido da série “Black Mirror”.
Gostei bastante, se bem que o final deixou-me insatisfeito. Não posso dizer o porquê sem dar spoilers, mas… hum, não sei. Acho que é descabido. Existe uma “versão B” do mesmo livro que tem um desenlace diferente e se calhar isso seria melhor…?
The Talking Dead
Trigger warning: may contain rudity.
Two weird pieces of slang grammar in the Walking Dead book I’m reading (Vol 12, which is called “Viver Entre Eles” in portuguese), during a scene in which Abraham finds out Eugene has been lying all along and that Washington is not, in fact, a safe haven.
- Seu filho de puta
- Porque, c’um caraças?
Apparently that c’um is short for “com um”, and the “seu” can mean “you are” although why the heck that should be, I have absolutely no idea! To me it just looks like he’s saying “your son of a whore” which is baffling.
–update–
Paulo on iTalki offers an extra bit of wisdom, saying that “seu filho de puta” is ironically following the very formal way of addressing a member of the aristocracy – e.g. Sua Alteza Real o princípe-herdeiro, equivalent to “his royal highness….”. My mind is still grappling with this new information. Can it be right? It seems like a lot of baroque irony to apply to – basically – a physical assault…
–update to the update–
OK, Paulo’s explanation checks out. Although the person probably isn’t going out of their way to be wittily ironic, the format “seu…” is derived from that way of speaking and indicates a higher degree of specificity – you specific son of a whore!

Thanks Ariene for helping me with these.
Salazar – Agora, na Hora da Sua Morte

Este livro é uma biografia de Salazar. O ditador outrora de Portugal está perto da morte, a assistir a sua própria vida que desenrola-se como um filme ou um sonho.
Adoro a atmosfera alucinatória das imagens, que combinam desenhos, propaganda da ditadura e fotografias, mas fico frustrado por não saber o suficiente sobre a sua carreira para ser capaz de distinguir ficção de facto, sonho de realidade, biografia de opinião política. Porém, acabei com a ideia que os autores acreditam que o ditador tinha altos ideais para fazer crescer a economia do país e melhorar a alma do povo, mas sob a superfície era tudo apodrecimento, violência e receio. O capítulo mais poderoso, na minha opinião, trata d'”A Lição de Salazar”, a série de 7 cartazes ilustrando as valores do novo estado tal como a vida bucólica, comunidade, poder militar, respeito pelas autoridades. Depois de cada cartaz, os personagens da imagem mudam, tornam-se mais sombrios. O pai da família ideal torna-se ameaçador e bate a mãe, enquanto as crianças encolhem-se nas cadeiras. Entretanto, na casa do povo, homens discutem opressão até às polícias chegarem. A contraste entre a retórica e a realidade está muito bem feito.
A Pior Banda do Mundo
Demorei tanto a pensar como escrever este comentário. O livro é tão esquisito que não é fácil dar um resumo apropriado. A minha expectativa era uma narrativa simples com começo, meio e fim, e um elenco de personagens que fazem parte duma banda. E até certo ponto, isso é isso mesmo: há uma banda, um gajo que toca bateria, um outro que toca guitarra, pois claro… mas os membros vivem num mundo muito esquisito. Andam nos seus próprios percursos num cidade insólito cheia de pessoas estranhas e cenas surreais. Longe de ser uma narrativa linear, cada página tem o seu próprio retrato duma situação ou uma pessoa, muitas das quais pode dar conteúdo por um livro inteiro. Às vezes é mesmo engraçada, às vezes filosófico, mas nunca torna-se previsível.
Para resumir, amei, mas posso imaginar que não é do gosto de toda a gente!
O Amor Infinito Que Te Tenho

Hum… O livro tem 60 páginas e contém 10 contos. Obviamente, estamos na presença dum autor que usa um estilo bem lacónico. As histórias são esquisitas, escuras, perturbantes – mais parecidas com os contos de Franz Kafka do que um BD tradicional. Na verdade, apenas dois contos têm a marca duma BD: balões de texto. Os outros são, propriamente, pequenas peças de ficção, alguns pouco maiores do que um tweet, ilustrados com desenhos escuros ou arrepiantes. Fico contente por ter lido mas não tenho a certeza se apreciei. Vou colocá-lo numa prateleira longe da minha cama para não ter pesadelos.
Opinião: Comer Beber (Filipe Melo e Juan Cavia)

*spoilers*
Comer Beber é uma banda desenhada que contém duas histórias. As duas foram escritas por a revista Granta, embora apenas a segunda tenha aparecido porque a primeira não foi editada até que o prazo tenha acabado.
Na primeira história, um dono de um restaurante polaco esconde uma garrafa de champanhe de um capitão alemão logo no inicio da guerra, e fica com ele quando o restaurante é destruído por uma bomba. Na segunda, um policia viaja desde o Texas até o Arizona para comprar uma fatia de tarte de maçã para atender o pedido de um prisioneiro que está condenado a morte.
As historias são curtas e mais reflexivas do que os outros livros escritos pelos mesmos autores que já li (“Os Vampiros” e a série de “Dog Mendonça e Pizzaboy“). Realmente alimentam a reflexão do leitor, de modo literal, se perdoarem o meu trocadilho!
Thanks Simone for the corrections. Simone is Brazilian (all the europeans must have given up on me!) so some of these corrections might not be 100%. She also wanted to change “Banda Desenhada” to “Quadrinho” but I was sure enough about that to stick to my guns!
Opinião: O Baile (Nuno Duarte e Joana Afonso)
#uncorrectedportugueseklaxon
O Baile é uma banda desenhada portuguesa. Ouvi falar dele há algum tempo quando pedi uma amiga para sugestões de quais escritoras portuguesas vale a pena ler. Um dos dois autores do Baile é feminino. O enredo é uma história dum agente do PIDE nos anos sessenta. Chega numa aldeia à beira do mar para investigar uma desaparecia. O que encontra durante o percurso da investigação mostra que nada é como parece. O povo da aldeia está sob ataca cada lua cheia por um exercito de mortos-vivos que vêm das ondas e raptam quem possam. Toda a gente culpa uma mulher (há sempre uma mulher que traz todas as problemas, não há?) mas a verdade é muito diferente. É interessante e arrepiante mas podia ser mais comprido para deixar o enredo se desenvolver melhor.
Pontas Soltas – Lisboa (Ricardo Cabral)
Gostei mesmo da capa desta banda desenhada mas como toda a gente diz, nunca se deve julgar um livro pela capa! As três histórias são todas lindas, com grandes panoramas de Lisboa, e personagens muito bem construídas, mas não fazem sentido nenhum, e no fim, deixaram-me insatisfeito!
Tense, Nervous Headache
I had a but if a shock today when I saw a weird verb conjugation in a book I was reading (“Pessoas que Usam Bonés-com-Helices” which I recommend as a funny, short, cheap read!). It’s the word “tremei” in the final bubble here:

I asked Mrs L what it was and she said it was the “imperious” tense, which sounds a bit Slytherin to me, but never mind. Then I came across two more examples in my other book, “Para Onde Vão Os Guard-Chuvas” in a chapter narrated by the angel of death. I was thinking “God, not another tense! And this one apparently waits three years and then mugs me three times in one day!”. However, apparently that’s not what it is – it’s just the imperative, and the reason I didn’t recognise the ending was because it was the vós part of the verb, which hardly ever comes up in normal life.
Whew!