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Maratona Literária

Hoje é o aniversário do nosso casamento. 22 anos de casamento luso-britânico! Mas não é por isso que venho, por este meio, bloguear. Hoje é o primeiro dia da primavera e vou participar numa maratona literária baseada na estação do ano em que estamos a entrar. A anfitriã é uma booktuber portuguesa e ela escolheu 16 categorias relacionadas com aquele tema. Estou ligeiramente preocupado pelo tamanho do desafio: 16 livros é muita coisa! Serei capaz de ler tanto e continuar a fazer o meu trabalho de casa? Vamos ver. Mas entretanto, aqui está a minha TBR! Fazemos votos de uma boa primavera, um casal no verão da nossa vida junta!

1. Livro recomendado no bookmediaBreviário das Almas (Joaquim Mestre – mas não me lembro quem mo recomendou 😕)

2. Livro onde há uma mudança A Noite (José Saramago – Spoiler alert, o que muda é o país)

3. Livro que aborde Liberdade Vinte Cinco a Sete Vozes (Alice Vieira – mais um livro sobre o dia 25 de Abril, que será durante a maratona)

4. Livro com flores na capaO Que Dizer das Flores (Maria Isaac)

5. Livro cujo título comece com a letra R (de Renascer) Regras de Isolamento (Djamilia Pereira de Almeida, Humberto Brito)

6. Livro de autoria NacionalA Sereia de Curitaiba (Rhys Hughes – o único livro que tenho de um autor britânico mas escrito em português)

7. Livro cuja capa tenha tons verdes e/ou amarelo Almanaque da Língua Portuguesa (Marco Neves)

8. Livro com humor Certas Coisas que Não Sei Explicar (João Quadros)

9. Livro com personagens LGBTQIA+No Meu Bairro (Lúcia Vicente – encomendei este livro da Wook porque não tenho nada do género em casa. Espero que o carteiro saiba nadar)

10. Livro infantil ou que remeta à vossa infânciaDoze Reis e a Moça no Labarinto do Vento (Marina Colasanti)

11. Livro de um género que não costumas ler País de Abril (Manuel Alegre – mais uma vez, enfrento o meu inimigo: poesia)

12. Livro de uma série (mínimo duologia)Uma Aventura nas Férias de Páscoa (Ana Maria Magalhães e Isabel Alçada… O quê? Faz parte de uma série!)

13. Livro que tens estado a adiarA Noite em Que o Verão Acabou (João Tordo – comecei este livro durante uma maratona do ano passado mas não consegui terminar e logo depois comecei mais uma maratona. 460 páginas ficam por ler)

14. Livro com vários pontos de vista (capítulos por personagem)Se Perguntarem Por Mim Digam que Voei (Alice Vieira – acho que tem capítulos do ponto de vista de cada um das três raparigas)

15. Livro com mais de 400 páginasMeridiano 28 (Joel Neto – este tem bom aspeto mas estes calhamaços portugueses assustam-me)

16. Livro com menos de 200 páginas – A Implosão (Nuno Júdice – quero incluir um livro deste autor porque faleceu recentemente)

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🔥🔥🔥New Book Blog Alert!🔥🔥🔥

For those who don’t already know, my daughter is a budding writer and somehow in between studying for her Computer Game Development Degree in Dundee, she is working on her first novel. No, I don’t know where she gets her time management skills from. Not from me. Anyway, she has started to document her process in a WordPress Blog. If you are interested in books or in writing, you might like to get in on this phenomenon now so that when they are making it into a Netflix series you can say you knew about her before she got famous.

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Unraveling Jokes

Falando de Marcelo Rebelo de Sousa no programa, “Isto é Gozar Com Quem Trabalha” (que oiço como Podcast) , Ricardo Araújo Pereira disse “Cabe-nos a nós a honra de condecorar Marcelo Rebelo de Sousa com a pouca-conhecida… É uma comenda nova que é A Desordem da Ordem do Infante Dom Henrique”.

Quando ouvi isso, achava que o humorista estava a falar da banda das três ordens, mas reli o meu antigo texto e não, a Ordem do Infante Dom Henrique não é entre as três ordens. Que raios? Quantas ordens existem neste país? Segundo a Wikipédia, é uma ordem honorífica cuja filiação é composta de pessoas que renderam serviço à República no estrangeiro ou na expansão da cultura portuguesa. Quando li isto, entendi a imagem que ilustrava o Podcast daquele dia. Suponho que o RAP está a exibir a medalha que acaba de atribuir ao Marcelo!

In between writing this and publishing it, I noticed a video from Mia Esmeriz that dropped on the tenth of March, just before the merda hit the ventilador, in which she talks about Isto é Gozar com Quem Trabalha, so here’s a link for anyone who wants it.

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Let Me Hear Your Body Talk, Body Talk

I’ve already done a post on this, but you know what they say “You can never have too many blog posts about idiomatic expressions based around body parts”, and you know, they’re right.

Aqui está um resumo das expressões idiomáticas que usam o recurso a partes do corpo e os seus equivalentes numa língua falada pelos habitantes duma ilha húmida perto da França:

🇵🇹🇬🇧
Ter a barriga a dar horas
(estar com fome)
To have a rumbling stomach
Dar o braço a torcer
(Aceitar que não tem razão)
To throw in the towel
Estar pelos cabelos
(Estar desesperados)
To be having kittens
Ter as costas largas
(Aguentar com as responsabilidades)
To have broad shoulders
Ter as costas quentes
(Ter proteção de alguém
To have friends in high places
Falar pelos cotovelos
(Falar demais)
To talk the back legs off a donkey
Ter dor de cotovelo
(Ter inveja, ciúmes)
To be green with envy.
Esta expressão é, para mim, uma das expressões mais inéditas na língua portuguesa. O que é que os cotovelos tem a ver com ciúmes? Segundo a ciberdúvidas, (e uma professora que é especialista de cotovelologia) a expressão vem da dor intensa de bater com o cotovelo em algo, que é igual à dor de ser traído ou de não ter algo que desejamos. Pois é.
Fazer algo em cima do joelho
(Fazer algo depressa)
To dash something off, or do something on the fly
Saber na ponta da língua
(saber de cor, saber bem)
To know by heart (NB NOT to have something on the tip of your tongue)
Ter uma palavra debaixo da língua
(estar quase a lembrar alguma coisa)
To have something on the tip of your tongue
Dar com a língua nos dentes
(Contar um segredo)
To spill the beans
Estar com as mãos na massa
(estar a tratar de um assunto)
To be on the case
Estar com uma mão atrás e outra a frente
(Estar na miséria)
To be down in the dumps
Estar de mãos atadas
(Não ter poder)
To have one’s hands tied
Acho que esta expressão é a primeira que é igual em ambos os idiomas!
Ter a faca e o queijo na mão
(Ter o poder ou a facilidade de fazer alguma coisa)
Hum… confesso que não conheço uma expressão equivalente*… Mas adoro esta expressão. Nunca ouvi antes.
Uma mão lava a outra
(Ajudar-se um ao outro)
One hand washes the other
Meter o nariz onde não é chamado
(Imiscuir-se na vida dos outros)
To stick your nose into other people’s business
Custar os olhos da cara
(Ser muito caro)
To cost an arm and a leg
Ter mais olhos que barriga
(Pensar que se vai comer mais do que realmente consegue comer)
To have eyes bigger than your stomach
Entrar por um ouvido e sair pelo outro
(Não dar atenção)
In one ear, out the other
Estar com a pulga atrás da orelha
(Estar desconfiado)
To smell a rat
Com uma perna às costas
(Fazer algo facilmente)
With one arm tied behind one’s back
Fugir a sete pés
(Fugir rapidamente)
To hightail it
Meter os pés pelas mãos
(Confundir-se ao fazer ou dizer alguma coisa)
Put your foot in it (Interessante que em inglês metemos os nossos pés na “mouth” que soa como “mãos” em PT)
Estar com a corda na garganta
(Estar numa situação desesperada)
To be up against it
Meter o rabo entre as pernas
(Dar-se por vencido)
To have one’s tail between one’s legs
Fazer das tripas coração
(Suportar com paciência, encher-se de coragem)
To man up, to pluck up courage, to screw one’s courage to the sticking place

*The people have spoken and they have suggested this page: “To have the upper hand”, “to hold all the aces” and “to be in the catbird seat”. The whatbird? Well, To hold all the aces is close. I don’t think either that or “To have the upper hand” are quite right though. Both suggest that you are in a position to defeat an opponent, whereas “Ter a faca e o queijo na mão” seems to be defined as having the power or ability to achieve something, more generally (ref: Priberam). Anyway, it’s better than anything I can think of, so I’m not complaining! But I had a poke around and I came across This Guy’s Very Good WordPress Post . He describes it as having all the necessary items to hand to get the job done: “Assim, sempre que alguém tem as capacidades ou os instrumentos para terminar uma tarefa, cumprir um objetivo ou obter um qualquer benefício, diz-se que essa pessoa tem a faca e o queijo na mão.” In english, if you were in this situation, what would you say? “I’ve got all my ducks in a row”.

Thanks to Cristina for the corrections

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Hmm…

Making another entry in my big book of reasons to be annoyed at Português em Foco.

Here’s the model for one of the idiomatic expression questions:

And after three attempts at answering the question, this is the correct answer it gave me

Obviously “á frente” in the model is a cockup, for a start, because á doesn’t exist, but swapping the order of frente and atrás too… Tsk tsk… Very bad form, old chap.

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Consensual

Quero fazer um post curto em inglês porque estou com pressa mas jurei que escreveria mais em português, portanto vamos a isto…

Hugo Gonçalves - Revolução

Vi um vídeo de uma booktuber portuguesa a falar sobre um livro de Hugo Gonçalves. Ela disse que “não é um livro consensual”. Em inglês está frase soa um pouco ameaçadora, como se o autor quisesse prender um grupo de leitores numa gaiola e ler-lhos, quer queiram quer não. Mas isto é um “falso amigo”. Consensual está relacionado com “consenso” (consensus em inglês) e não tem nada a ver com “consentimento” (consent em inglês). Noutras palavras, o livro é polémico e haverá muitos pessoas que gostam e muitas que odeiam. A coerção não está em jogo. Que alívio!

O vídeo está aqui para quem quiser ouvir. Ela diz a palavra aos 0:35.

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Eurovision

A canção escolhida pelo público do festival da canção deste ano, que vai representar o país na* Eurovisão, é o “Grito” de Iolanda. É assim-assim: melhor do que os mais recentes mas não chega aos calcanhares de “Amar Pelos Dois“. Mas não sou crítico de música, portanto não vou falar mais sobre assuntos que não me dizem respeito. O que me interessa mais é uma história que li recentemente sobre o Festival de 1972, dois anos antes da canção mais influente da história das entradas portuguesas, “E Depois do Adeus“.

Eurovision flag

Naquela altura, Portugal estava entre a morte do seu ditador e a morte da sua ditadura, durante a época da liderança de Marcelo Caetano. Um artista chamado João Abel Manta publicou numa revista uma imagem satírica. Uma cançonetista de cabelos brilhantes estava de pé no centro da bandeira nacional, com o círculo dourado e o escudo formando, respectivamente, a cara e a boca dela. A imagem brincava com a ideia do patriotismo ser desvalorizado por associação com aquele espetáculo (ou pelo menos assim afirmou o advogado do artista!) mas foi interpretada** como um ataque à*** bandeira e ao valor do patriotismo, que se encontra sempre na lista “top 4” de virtudes e de valores de qualquer ditadura.

Foi processado mas acabou por ser absolvido.

Saiba mais aqui

*surprisingly a Eurovisão is feminine despite being “um festival”. Não faço as regras.

**I make quite a lot of erros de concordância but this sort of thing is really hard to spot because the noun it’s referring to is about 40 words back.

***”ataque a” , not “ataque em”. I live with the same of translating too literally from English.

Thanks to Cristina of Say It In Portuguese for raising the quality of the language in this post from “Nul points” to “Waterloo”

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Random Witterings

Há uns dias partilhei o texto sobre os principais partidos de Portugal (que aliteração maravilhosa!) porque achava que os estudantes podiam gostar antes das “forthcoming elections” (eleições que vêm) mas os donos do grupo deixaram-no no limbo até ontem, e agora toda a gente acha que nem sequer sei quando as legislativas tiveram lugar.

Noutras notícias, falei com uma ex-professora que me disse que ela tinha votado no Chega. Eu pedi uma explicação porque queria saber. Recebi 53 respostas a fio. Não estou a exagerar: 53, maioritamente com gráficos de barra ou vídeos de estrangeiros de pé na rua. Geralmente, gosto de falar com pessoas com as quais descordo, porque é desafiante, mas nesta situação, faltou-me a paciência para responder a tantas informações.

Thanks once again to Cristina for pointing out the errors in the original version of this page 

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Canadians Are Very Helpful

Acabo de ler a seguinte frase:

(Ela) tem ainda muita dificuldade em andar e o medo tolhe-lhe a vontade quando pega nas canadianas

Estava a imaginar esta cena, com um par de canadenses: Margaret Atwood e Geddy Lee… Ups! Ó Geddy, afasta-te da minha imaginação porque és masculino. Então, Margaret Atwood e Céline Dione, agarradas pela menina, apesar da apreensão dela. Parecia-me um cenário pouco provável. E na realidade, uma canadiana não significa uma nativa do Canadá mas sim uma espécie de muleta moderna, com um tubo de alumínio e um cabo de plástico.