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Mudam-se os Tempos, Mudam-se as Vontades

Há um capítulo do Português em Foco que explica alguns pontos altos da literatura portuguesa. Um destes pontos altos é o Soneto. Esta forma de poesia é conhecida tanto em inglês quanto em português. Shakespeare escreveu muitos e neste exemplo o seu primo zarolho, Luís Vaz de Camões* também escreveu. Creio que tem mais influência em Portugal, Não tenho nenhuma perícia neste campo mas não acho que houvesse poetas famosos a escrever sonetos em Inglaterra no início do século XX. Em Portugal, sim**.

Um soneto consiste em 14 versos*** arranjadas em quatro estâncias – duas quadras e dois tercetos. Cada verso tem 14 decassílabos. Que raio é um decassílabo? Não faço a mínima ideia mas 14 deles é igual a dez sílabas. Neste exemplo, a rima segue um padrão: ABBA ABBA nas quadras e CDC DCD no tercetos (assinalado acores no transcrito infra), mas este padrão não é obrigatório. O poema “Rústica” de Florbela Espanca que memorizei em 2021 e que tentei, com o hubris dos ignorantes recitar ontem numa aula porque não tinha feito o TPC é um soneto mas corre ABAB ABAB CCD EED.

A forma poética é importante; o autor do livro afirma que “estamos perante um soneto perfeito” por causa do modo em que o poeta distribui os conteúdos pelas estrofes de maneira que cada estância tem o seu próprio tema.

O título do soneto é igual ao primeiro verso:

Mudam-se os Tempos, Mudam-se as Vontades (Times change, intentions change)

Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades,
Muda-se o ser, muda-se a confiança:
Todo o mundo é composto de mudança,
Tomando sempre novas qualidades.

Continuamente vemos novidades,
Diferentes em tudo da esperança:
Do mal ficam as mágoas na lembrança,
E do bem (se algum houve) as saudades.

O tempo cobre o chão de verde manto,
Que já coberto foi de neve fria,
E em mim converte em choro o doce canto.

E afora este mudar-se cada dia,
Outra mudança faz de mor espanto,
Que não se muda já como soía.

*Obviously joking about their being cousins but this made me wonder if they were contemporaries. Sort of. They overlap by 16 years. Camões was about forty years old when Shakey was born.

**I don’t think I’ll be writing a history of anglo-lusitanian poetry anytime soon though, so definitely take this with a pinch of salt!

***OK, well here’s the first false friend for you: Verso doesn’t mean verse, it means a line of the poem.

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Britsplaining

Provavelmente já falei nisto num texto anterior, mas estou fascinado e chocado pelo facto do verbo “falar” ser, às vezes, um sinónimo de “dizer”. Este significado da palavra é comum pelo outro lado do Atlântico onde se diz

“O ex-presidente Bolsonaro é um energúmeno” falou a minha avó, e todos nós concordámos. *

mas existe em Portugal também. É raro: vislumbramo-no ao largo, como um gambozino a brincar na floresta, mas existe mesmo. Tanto quanto sei é mais usado por tugas mais velhos…? Ou talvez seja um regionalismo? Não tenho certeza. De qualquer maneira, uma vez entrei em diálogo com um jovem que negou a existência disto e eu, sendo teimoso, tentei explicar o seu próprio idioma ao rapaz.

Ouvi um exemplo hoje de manhã neste episódio do podcast Guerra Fria. A partir dos 7:30, José Milhazes diz o seguinte: “É verdade. Boris Johnson falou de tal maneira que os analistas, principalmente na Ucrânia consideram que se tratava do plano de Trump. Boris Johnson veio dizer que não; que é opinião pessoal dele, mas, grosso modo, o Nuno já FALOU que para compensar Putin pelo recuo dessas… Para o recuo*** para as fronteiras de 22 Fevereiro 2022 serão […] serão cedidas a Putin a Crimea parte de Donetsk e Lugansk” 

… E se não me engano aquele “falou”, grafado em letras maiúsculas pode ser substituído por “disse”. https://omny.fm/shows/guerra-fria/trump-tem-um-plano-para-a-paz-na-ucr-nia

*Este texto é apenas para ilustrar o uso do verbo. Não é um texto brasileiro autêntico. Se fosse verdadeiro, não tinha o acento em “concordámos” nem o artigo definido antes de “minha avó” e… sei lá mais o quê

**Might not be the right word but I’m sure it’s what he says.

AND JUST TO BE SUPER-CLEAR It’s very rare for portuguese peeps to use falar this way, it’s usually a brazilian thing. It’s good to know this exists so it doesn’t flummox you if it comes up in conversation but I definitely wouldn’t suggest using this yourself, because people will just think it’s a mistake.

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Madeira em Chamas

Provavelmente já ouviste dos incêndios no arquipélago da Madeira. É uma tragédia. Nos dias de hoje, este tipo de incêndio descontrolado é cada vez mais comum, mas na Madeira, uma ilha remota cujo território é íngreme, bem florestado e pouco acessível, combater as chamas é altamente desafiante.

source

Hoje, li uma carta anónima, publicada no site do Correio da Madeira que explica o problema, na opinião de um cidadão. Segundo o autor, a ilha perdeu 8 mil hectares de floresta em 7 dias (a carta apareceu no dia vinte de Junho e este número está quase certamente desatualizada). Apesar de ter 700 bombeiros, ele diz, apenas cem foram destacados para lidar com as chamas. Como resultado, os bombeiros estão exaustos e os agricultores e moradores têm de agir como bombeiros na sua própria terra. Ainda por cima, o único helicóptero que existe na ilha é demasiado pequeno para controlar os danos. O autor reconhece o facto de helicópteros custarem uma pipa de massa (19-32 milhões de euros) mas afirma que o custo de inação é ainda maior.

O escritor da carta responsabiliza o governo autárquico: o presidente regional e o Secretário da Proteção Civil estão de férias e a Secretária de Agricultura, Pesca e Ambiente desapareceu. Esta ausência representa uma demonstração chocante da irresponsabilidade e da falta de competência. Ainda por cima, o autor denuncia a tendência do governo negligenciar as vitimas deste tipo de catástrofe. Segundo ele, quando os fundos forem proporcionados, “uma fração” do dinheiro chegará aos donos das quintas, e depois os promotores imobiliários terão uma oportunidade comprar as terras queimadas para construir casas de luxo nas cinzas da manta das tanarifas*

Claro está que o escritor está farto disto tudo e coloca uma pedra no assunto com uma mensagem simples: a Madeira merece melhor.

*Esta frase não se usa no texto; refere-se a esta lição no dialecto madeirense

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Cabidela 2

Challenge following on from this note-taking exercise Vendo este vídeo pela terceira vez, marcou-me quão irritante é o apresentador. Os comentários sob o vídeo culpam os dois apresentadores por terem falado de mais. A sério? Ela fala tanto quanto ele? Falar fala, mas numa maneira apropriada à ocasião. O macho não. Está sempre a interromper. Ela tem a paciência de Jó. Como é que ela não o esfaqueou com uma faca de descascar*?

Lista de palavras usadas associadas diretamente com a gastronomia/culinárias/métodos de cozinhar ex. estrugido (AKA refogado)

  • Confeccionar** (basically cook something from scratch)
  • Flor de sal (salt crystals)
  • Picar (chop)
  • Caldo (stock) not to be confused with calda – a sugar solution
  • Aletria (o pudim no balcão que a apresentadora começa a trincar no meio do programa)
  • Cozido (confusingly can mean boiled (pp of “cozer”) but can also be an assemblage of different foods)
  • Condimentos (condiments, surprisingly)
  • Apimentar (spice up)
  • Olhos(??) de gordura (13:45)
  • Toque de vinagre (Hint of vinegar)
  • Temperar (season)
  • À portuguesa (often preceded by “cozido” but not in this video – in a typically portuguese style)
  • Macia (tender)
  • Retifique (fine-tune)
  • Recipiente de Barro (clay serving dish)

Quais são os critérios de avaliação das cabidelas?
20 pontos – Apresentação – incluindo a qualidade dos tachos, mas também o tamanho das peças, se o arroz está aglomerado etcetera

60 pontos – Sabor que tem a ver com as qualidades dos ingredientes

20 pontos – técnica de cozinha

*Different kinds of knives! Now there’s a whole area of vocabulary I haven’t even thought of! I got this name from this site.

**One of those words that is spelled with two Cs in Priberam even though it says right there at the bottom that the AO spelling only has one C

I must say, I found it pretty hard work. There’s a lot of rapid talking, over each other, in accents, as well as the vocabulary sometimes being technical and-or unknown. Focusing on the specific words really made me realise how much I was filling in the blanks as I was listening the first couple of times.

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Português em Foco Being Português em Foco

Spent ages trying to work out what “a persona poética Império” might mean and couldn’t find it in the original text the question is based on. Turns out it’s just a mistake and the last word only appears on the page where you write the answers, not in the printed book. 😠

Why you do dis to me, Português em Foco?

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Easy One!

I was surprised to see a Brazilian website ask its readers “Qual é a única palavra em português que tem plural no meio?”, because it’s a word we students usually learn very early on, so wouldn’t it be blindingly obvious to a native speaker? Well, no apparently, or at least whoever prompted an AI to write this thing didn’t think so.

For those who don’t know, or can’t remember, I’ll stick the answer under this picture 👇

Ans Qualquer (pl Quaisquer) Original article here.

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Dois Dedos de Testa

I’m trying to get familiar with Carolina Deslandes’ back catalogue now that I have tickets to see her. When I reached “Dois Dedos de Testa” I was intrigued by the title, which means “two fingers of forehead”. What could it mean? I went down a few dead-ends when I researched it: the first site I found was explaining that having dois dedos de testa (ie, a forehead that’s more than two fingerwidths deep) was a sign of whether or not a fringe would suit you. But I was pretty sure the sing wasn’t about hair styling. I finally found this page which sums it up in the first line

Ter dois dedos de testa costuma ser sinónimo de gente inteligente, com boa cabeça

The scientists in this old ad for Tefal appliances were rocking a solid oito dedos de testa.

So I think that’s the relevant meaning: being clever, having common sense. I’m going to translate “ter dois dedos de testa” as “to be smart” in the lyrics for simplicity’s sake and because “to have two fingerwidths of forehead” would sound ridiculous.

The video also starts with “fátima futebol fado”, which was the Estado Novo’s equivalent to “bread and circuses”: the way of focusing the population’s attention away from thoughts of revolution. She changes it to one she likes better.

All in all, I really like the lyrics. Sometimes I do these translations and the lyric are baffling, sometimes they’re too easy, but I like that this had some mysteries that could be solved and led me to discover new things.

Dois Dedos de Testa
PortuguêsInglês
Ser mulher aqui é ser mulher de quem?
Ter um papel assinado pra ser alguém
Ser decente, quem se apresenta à mãe
Mesmo que o filho não valha a mulher que tem
Being a woman here means being who’s wife?*
To have a role assigned to be someone
To be decent, someone fit to meet your mother
Even though the son isn’t worthy of the woman he has
Ser mulher aqui é ser submissa
Rezar o terço, dizer sim e ir à missa
Não ter opinião, ser bonita
Ser tão nova quanto o estado e andar bem vestida
To be a woman here is to be submissive
Pray the rosary**, say yes and go to mass
Don’t have a opinion, be pretty
Be as young as the state*** and be well-dressed
E eu que tenho a liberdade debaixo dos braços
Tenho brasas a arder debaixo dos pés
Pus uma pedra sobre o meu passado
E se o que eu sou ofende quem és
And i who have freedom in my grip****
I have coals burning under my feet
I put a stone on top of my past*****
And if who I am offends, who you are
Deixa-me abanar a cabeça, põe mais vinho nesta mesa
Que eu, eu quero esquecer
Quero ser o centro da festa, o assunto da conversa
Eu, eu quero aparecer
Let me shake my head, put more wine on this table
Because me, I want to forget
I want to be the centre of the party, the subject of conversation
Me, I want to appear
Deixa-me abanar a cabeça, põe mais vinho nesta mesa
Que eu, que eu hoje faço um brinde
Quero ser dona da festa, tenho dois dedos de testa
Sou a voz e nem sou boa ouvinte
Let me shake my head, put more wine on this table
Because me, I want to make a toast
I want to be the mistress of the party, be smart
I’m the voice and I’m not a good listener
Foi deixada, abandonada
É carente e mal amada
Está tão triste e tão sozinha
Pobrezinha
She was left, abandoned
She was needy and barely loved
She’s so sad and so alone
Poor thing!
Sem apelido e sem marido
E de quem será o filho?
Está cansada, ela trabalha
Coitadinha, coitadinha
Without a surname, without a husband
And who’s child is it?
She’s tired, she works
Poor thing, poor thing!
Deixa-me abanar a cabeça, põe mais vinho nesta mesa
Que eu, eu quero esquecer
Quero ser o centro da festa, o assunto da conversa
Eu, eu quero aparecer
Let me shake my head, put more wine on this table
Because me, I want to forget
I want to be the centre of the party, the subject of conversation
Me, I want to appear
Deixa-me abanar a cabeça, põe mais vinho nesta mesa
Que eu, que eu hoje faço um brinde
Quero ser dona da festa, tenho dois dedos de testa
Sou a voz e nem sou boa ouvinte
Let me shake my head, put more wine on this table
Because me, I want to make a toast
I want to be the mistress of the party, be smart
I’m the voice and I’m not a good listener
E eu que tenho a liberdade debaixo dos braços
Tenho brasas a arder debaixo dos pés
Pus uma pedra sobre o meu passado
E se o que eu sou ofende quem és
And I who have freedom in my grip****
I have coals burning under my feet
I put a stone on top of my past*****
And if who I am offends, who you are
Deixa-me abanar a cabeça, põe mais vinho nesta mesa
Que eu, eu quero esquecer
Quero ser o centro da festa, o assunto da conversa
Eu, eu quero aparecer
Let me shake my head, put more wine on this table
Because me, I want to forget
I want to be the centre of the party, the subject of conversation
Me, I want to appear
Deixa-me abanar a cabeça, põe mais vinho nesta mesa
Que eu, que eu hoje faço um brinde (brinde)
Quero ser dona da festa, tenho dois dedos de testa
Sou a voz e nem sou boa ouvinte
Let me shake my head, put more wine on this table
Because me, I want to make a toast
I want to be the mistress of the party, be smart
I’m the voice and I’m not a good listener

* This sentence loses a lot of its cleverness in the translation, I think

**Catoliquices! Actually, strictly speaking, the Terço is just part of the rosary, I think. I hung out with a lot of catholics at uni so I more-or-less know what this is about but I’m a bit vague about the details. Here’s what o Santuário de Fátima has to say about it if you’re interested.

***Another one that loses some of its force in english – it’s another reference to the Estado Novo, if I read it correctly

****Debaixo do braço is a set phrase meaning grasped under the arm, next to the body, so I am picturing her holding liberdade like a rugby ball

*****This one smelled like an expression too. Most results return as “colocar uma pedra sobre” and “pôr” is less common but obviously scans better. You can find both on this page. I think we’re meant to imagine the stone as a paperweight you put on your work when you’ve finished writing or something. It means what we would now call “drawing a line under” the subject, basically, putting a full stop to the sentence.

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O Meu Sofrimento Insuportável

I made a load of stupid mistakes in the first version of this so it’s been fixed now and I have publicly shamed myself by footnoting all my errors

Durante o meu treino, o meu pé ficou preso* numa pedra e eu atrapalhei-me e cai no trilho da margem da ribeira Beverly. O meu joelho direito dói-me. Está arranhado, com pequenos ferimentos** e uma contusão. Felizmente, não é um daqueles feridos que põem fim ao treino. A rótula*** não está partida e não há nada torcido****. Ufa!

Gratuitous knee selfie.

*I originally wrote “enganchado”, but that’s far too literal – not just caught but literally impaled on a hook (gancho)

** I keep forgetting this word exists. It’s too similar to ferramenta, I think, so it sort of slides into the part of my brain that deals with tool use instead of living with ferida (also an injury) and ferir/ferido (verb to injure)

*** “Patela” does exist in portuguese, and that’s what I wrote originally but it caused as much confusion as if I said “patella” in a normal english conversation when I meant “kneecap”

**** Embarrassingly wrote “torcida”, signalled by the a on the end of “nada”. Nada is an indefinite pronoun, and even when it’s acting as a noun it’s masculine – detail here.

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O Testamento do Senhor Napumoceno da Silva Araújo

So one of the exercises in Português em Foco just casually says “Read the book O Testamento do Senhor Napumoceno da Silva Araújo, by Germano Almeida and complete the following questions”. LOL, well, that’s quite an exercises there, lads. OK, I already have 6 books on the go so I’ll fill in the detail but I decided to watch the film adaptation instead because I need listening practice more than I need reading practice. Here’s the film in case anyone else reading this is interested, and my answers are in the table below, with the book stats nicked from the Wook product page.

O Testamento do Senhor Napumoceno da Silva Araújo
Título da obra: O Testamento do Senhor Napumoceno da Silva Araújo
Editor: Editorial Caminho (filme realizado por Francisco Manso)
Local e data da edição da obra:Portugal, 1989 (filme 1997)
Informações sobre o autor (biografia resumida): O autor é um cabo-verdiano que nasceu no fim da segunda guerra mundial. Trabalhou como advogado e estabeleceu uma revista literária.
Outras obras do autor (bibliografia):O Fiel Defunto
Estórias contadas
A Confissão e a Culpa
Resumo / sinopse da obra: A ação passa-se em Mindelo em Cabo Verde. Uma mulher descobre que é a filha ilegítima do recém-falecido senhor Napomuceno de Silva Araújo. Com ajuda das cassettes que ele lhe deixou, começa a constatar os factos da vida dele. Ouve dos seus negócios, os seus namoros e a sua candidatura a vereador, terminando com a revolução, a independência e o declínio do Senhor, incapaz de comer sem ajuda e cheio de arrependimentos.
Citações da obra: 54:10 “Meus senhores, quero propor um brinde a este notável comerciante e a perspicácia com que soube prever este êxito comercial
1:30:10 “A vida é uma mulher nua deitada numa cama”
Comentário sobre o livro: Acima de tudo, a história lembrou-me do filme clássico “Citizen Kane” que também começa com um homem rico e respeitado e, no rescaldo da sua morte, as outras personagens desvendam o lado humano de uma pessoa quase lendária.
(E mais notas sobre o filme)Fiquei surpreendido por quão facilmente entendi o que os atores disseram apesar dos seus sotaques regionais. Falam muito nitidamente e enunciam bem cada palavra. Quem me dera que houvesse mais filmes assim!
A cantora cabo-verdiana Cesária Évora aparece no filme e canta num bar.