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Mamar – Just Killed a Man?

Weirdly, as if to reinforce my point, I tried to tell the AI generator to make a picture of people fleeing in terror from a giant breastfeeding woman but it kept insisting breastfeeding was “NSFW”. Le sigh. This is the best I can do!

Deparei-me com este artigo há alguns dias e fiquei novamente incrédulo com a falta de bom senso das pessoas deste mundo. Suponho que não é assim tão estranho que haja pessoas que fiquem chocadas por ver um bebé a sugar a comida natural que deus/evolução forneceu às mães para alimentar as suas crianças. Vivemos no fim de uma época religiosa e os rastros da moralidade do passado misturam-se com a cultura nova de sexualidade aberta mas distorcida por pornografia. Estas duas tendências criam um ambiente pruriente e confuso. Devemos desculpar quem fica abalado por ver um seio a fazer o que faz se não está acostumado a ver, desde que saibam que o problema é seu e não é culpa da mãe.

Mas ainda assim, independente das desculpas, quem chamaria a uma mãe “descarada”? E que burrice é que leva um transeunte a oferecer a opinião de que merece uma porrada do seu marido?

Há quem deva ficar em casa se não sabem conter as suas opiniões burros.

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Herança de Sangue – Penina Baltrusch

Conheci esta autora no FLILP há três meses. Achei-a muito simpática e é evidente que a sua obra tem muitas fãs no seu próprio país (aqui está uma brasileira a falar sobre o mesmo livro, por exemplo).

O romance é um thriller, que se passa em Inglaterra, e conta a história de uma funcionária de um call centre inglês chamada Ella, que descobre que foi adotada e que é a herdeira de um milionário. Em breve, apaixona-se por um rico e os dois casam-se, mas nem tudo é como parece. Em breve, a sua amiga está morta, ela mesma quase morre num acidente de trânsito e durante a sua lua de mel, ela cai montanha abaixo. Então é evidente que há alguém que quer se livrar da nossa heroína. Mas quem?

A escritora escreve bem: o diálogo parece-me natural e a ação não pára*. Infelizmente, achei o enredo um pouco rebuscado. Os planos do antagonista não têm pés nem cabeça, e há vários outros aspectos pouco credíveis. Basicamente, a experiência de ler este livro não é nada má, mas deixou-me insatisfeito. Talvez um conhecedor deste género, que esteja mais acustomado à suspensão de descrença possa gostar mais.

*Strictly speaking should be “para” following the Acordo Ortográfico but it’s the least popular change in the AO for obvious reasons, and even people who usually take care to follow the new rules tend to rebel on this one. I feel like I’ve written about this before but I can’t find it now, so here’s a Ciberdúvidas article for anyone who isn’t familiar.

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A Feel For It

I don’t really know what the rule is here, so was expecting at least one to be knocked back but got them all right first time. I suppose it’s one of those things where reading books just makes it “feel right” in a particular order.

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Memórias Póstumas de Brás Cubas

Mais um romance exigente. Ouvi-o como audiolivro que me deu água pela barba, e não só água mas leite e sumo de laranja também. Não estou acostumado a ouvir sotaques brasileiros durante tanto tempo.

Brás Cubas conta a história da sua própria vida após o fim da mesma. Refere-se várias vezes ao Candide de Voltaire, e realmente este livro é do mesmo género. O ritmo é mais lento: enquanto o Candide corre de cena para cena, este anda em saltinhos, de um assunto para um outro, com pensamentos aleatórios, uns profundos, outros engraçados.

O livro foi traduzido por Margaret Jull Costa (tradutora das obras mais recentes de Saramago) e também ouvi a versão inglês para reforçar a minha noção do desenrolar da história, e ainda bem, porque não compreendi muito bem o que o narrador brasileiro disse.

Eu sei que este livro está muito na moda atualmente por causa do elogio de uma influenciadora americana, e não tenho a mesma opinião, mas vale a pena, sem dúvida.

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Licença Poética ou Só Crime?

Having tried to write a sonnet the other day, I felt like trying a different poetic form. The Clerihew is something of a lost art form but I was obsessed with them for a few weeks in about 1998. My Favourite was

The people of Spain think Cervantes
Equal to half-a-dozen Dantes:
An opinion resented most bitterly
By the people of Italy.

And I can’t do a direct translation, so I decided to have a crack at recreating the spirit of the thing in Portuguese. I know some of the words are in a weird order, but I hope I haven’t stretched the grammar too far and it’s allowable within the poetic form…

Camões, segundo os portugueses,
Vale mais, uma dúzia de vezes,
Do que Shakespeare, o que provoca uma exclamação
De qualquer cidadão da minha nação.

I crowdsourced an answer to that question and one of the two respondents replied in the positive at least so I’m calling that a victory. Both suggested I sort out the metre, but Clerihews are allowed to be rambling and uneven so I haven’t even really tried to do that. If you’re curious, you could do worse than check out u/urinaRabugenta’s answer under my post here, for a more professional version. It’s better in every way, especially the second line (which is a real dog s breakfast in my version). The only thing I don’t like about it is rhyming – ção with – dão in the last line. Apart from that, it’s a banger! Notes underneath explain the reason for the changes. It’s good stuff.

I love how the AI has made a sexy Camões with an eyepatch that looks suspiciously like sunglasses
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O Clube de Leitura

Penance Eliza Clark

A minha filha, a autora, sugeriu que nós (mãe, pai e filha) lêssemos um livro juntos e depois discutíssemos as nossas opiniões uns com os outros. Escolheu o Penance (“Penitência”) de Eliza Clark para dar o pontapé de saída.

Fiquei impressionado pelo domínio da autora do seu enredo: a história é contada por um escritor de crime verdadeiro* que está a escrever um “livro dentro do livro” sobre um grupo de estudantes numa escola em Yorkshire. São raparigas com dezassete** ou dezoito anos cujos dramas, traumas e doenças mentais acabam em tragédia e três delas matam uma outra. Cada capítulo consiste numa série de entrevistas com familiares e amigos das raparigas. A história delas é, em si, incrível e Eliza Clark retrata cada um com uma personalidade realista e “dinâmicas de grupo” acreditáveis, mas o papel do escritor também está em causa. Quanto podemos confiar numa outra pessoa com os seus próprios motivos?

Falámos anteontem e todos gostámos (4/5 estrelas). Todos nós percebemos aspetos do livro que os outros perderam (por exemplo eu fui a única pessoa que não percebi que o nome do escritor no livro, Alec. Z. Carelli, é quase um anagrama do nome de Eliza Clarke (não é exato, mas sim perto!) e eu percebi uns pormenores partilhados entre as raparigas e outros adolescentes que cometeram crimes verdadeiros nas notícias***.

O livro de Setembro irá ser o Piranesi de Susanna Clarke. Mesmo sobrenome, outra grafia. Em Outubro sou eu que vou escolher um livro de autor chamado Klark.    

Penance de Eliza Clark (Audible, Amazon e que pena, não existe nenhuma versão portuguesa mas aqui está a página do Wook).

*I don’t think True Crime as a genre is very well-known in portuguese. I can see people using it (here for example) but the big kahuna of the genre, In Cold Blood by Truman Capote, is listed under “Jornalismo Literário / Romance de Não Ficção” on Wikipedia, so watch your step with this one.

**Just found out the brazilians even spell seventeen differently and now I want to smash everything.

***Might just be a coincidence but for example, one is “pretending to have a dealer”, which is a detail that appears in descriptions of the murderers of Brianna Ghey last year, and that seems to specific to be a coincidence. The two murders are very simple: apparent simple motives which were latched onto in the public imagination, but lurking just underneath are huge reserves of sadism, unhealthy online activity and general headfuckedness.

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Certo Dia

Certo dia os executivos da empresa Blinklearning reuniram-se para criar um plano para arruinar a minha vida. A bomba mais recente é esta mensagem que acabou de aparecer no meu navegador quando tentei iniciar uma sessão.

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Homeworkposting

This exercise from PeF seems interesting enough to be a blog post. The questions relate to a short biographical piece about Mia Couto.

  1. Caracterize a família de Mia Couto.

É uma família de emigrantes que mudou de país para Moçambique nos anos cinquenta do século passado. O seu pai era escritor (jornalista e poeta) cujos avós enriqueceram no setor automotivo mas sabe menos sobre a sua mãe porque ela era órfã que foi criada por um padre que dizia que era o tio dela.

  1. Por que motivo os pais de Mia Couto foram para África?

Foram para África em meados do século XX porque queriam mais espaço e um novo começo, e o pai achava que teria mais hipótese de sucesso na sua carreira jornalística no estrangeiro.

  1. De acordo com o autor, qual era o ambiente racial que se vivia na cidade da Beira durante a infância do autor? Dê exemplos retirados do texto.

DIz que a Beira é uma cidade “atravessada” (ou seja, havia muitas pessoas de diversas raças) e uma vez que o seu pai mudou de bairro muitas vezes, cada vez num sítio com poucas famílias brancas, o jovem Mia brincava e andava na rua com jovens negros.

  1. “O meu pai tinha muito esta coisa que eu era o filho que lhe ia continuar a veia”. Justifique esta frase do autor.

O pai já era escritor e os seus irmãos também escreviam mas na mesma, o pai achava que Mia seria quem continuaria a tradição de trabalhar como escritor profissional.

  1. Como caracteriza o autor o seu primeiro livro?

Foi uma coleção de poesia lírica que ele escreveu para contrariar a tendência de escrever poesia Marxista falando da condição dos proletários. 

  1. Quais foram as influências literárias de Mia Couto?

Fala primeiro do poeta José Craveirinha. Depois de vários brasileiros e finalmente de três portugueses: Sophia de Mello Breyner Andresen, Eugénio de Andrade e Fernando Pessoa. Acho que estas são influências poéticas; presumo que também foi influenciado por romancistas.

  1. Que tipo de escritor se considera Mia Couto? Justifique com uma frase retirada do texto.

Segundo os amigos dele, é “mais uma contista do que um poeta”. Eu sei que escreveu poemas mas tendo a pensar nele como escritor de contos também. Também diz “O que escrevo é Moçambicano”, que indica que o autor pensa de si próprio como nativo do país adotado pelos seus pais.

  1. Nas suas crónicas, contos e poemas, Mia Couto usa muitas vezes palavras inventadas (neologismos). À luz deste facto, explique o sentido da frase “Eu acho que não tem que haver um polícia de trânsito a regulamentar a língua, dizendo: Por aqui não se pode andar. Pode tudo!”. Concorda com o autor?

Está a comparar pessoas pedantes com os polícias que aplicam as leis de trânsito.

Concordo sim, quem pode contrariar? Uma palavra inventada que explica algo novo ou que traz mais nitidez, mais graça ou mais especificidade, enriquece a língua. Shakespeare inventou centenas de palavras. Há palavras que trazem apenas confusão e regra geral reagimos não as usando. Como a palavra “Fetch” no filme “Mean Girls”. E em casos raros as palavras mudam os significados numa maneira desajeitada, tipo a palavra “literally” (literalmente) em inglês. Mas regra geral as novas palavras fornecem mais cor à nossa fala.