
O “Tangerina” é uma banda desenhada de Rita Alfaiate. É curto e arrepiante. Uma opinião com duas frases não é muito, mas o livro não tem muito diálogo nem enredo.

O “Tangerina” é uma banda desenhada de Rita Alfaiate. É curto e arrepiante. Uma opinião com duas frases não é muito, mas o livro não tem muito diálogo nem enredo.
Hoje é o aniversário do meu autor favorito de sempre. Feliz Aniversário, PG Madeiracasa.

… Just means to darken. Of course it isn’t that unusual that I come across a word I don’t recognise but this one jumped out at me because it doesn’t really look like a portuguese word at all. The origin is Latin, apparently: obnubilare – and it’s related to nuvens – and were imagining the thing being obscured by clouds.

Just finished the backlog of corrections on my travelogues. Thanks as always to Cristina for spotting my many terrible errors. Normal errors will resume shortly.
Ai que dia desgastante! Olhem, vou contar uma história mas têm de me prometer não a contar à minha esposa porque ela irá gozar comigo.
Acordei cedo, tomei o desjejum e chamei um táxi. Infelizmente, quando cheguei no aeroporto, enfiei a mão no bolso em busca do meu telemóvel mas não estava lá. Deixei-o no táxi. Entrei em pânico porque ninguém consegue sobreviver sem telemóvel em 2024. Após cinco minutos de não saber o que fazer abordei um grupo de agentes de PSP e expliquei a situação. Ligaram para o telemóvel. O taxista ouviu-o e atendeu e em breve voltou ao aeroporto com o meu dispositivo. Dei-lhe uma gorjeta generosa pelo seu transtorno.
Regra geral, sou um passageiro nervoso mas depois de quase perder o telemóvel, a possibilidade de cair do céu e morrer numa bola de fogo parecia-me menos ameaçador, e o resto da viagem passou-se sem incidentes.
Estou muito contente com o número de experiências consegui cumprir durante a minha breve estadia na cidade capital.
Hoje, comecei com um passeio na feira da Ladra. Uau! Não comprei nada mas adorei ver tanto lixo misturado com tesouros escondidos. Até houve um tipo com dois braços de um manequim. Quem é que imagina vai comprar tal coisa?

Depois, fui a pé para o Museu Nacional do Azulejo. Sem dúvida é mais impressionante do que o Museu do Fado. Gostei tanto que caminhei na direção certa.

A rota prescrita pelo Google Maps sugeriu uma mudança de autocarro para comboio na estação de Arroios. Por acaso, a pastelaria Aloma, premiada em Setembro de 2024 por fazer os melhores pastéis de nata, fica lá perto, portanto fiz uma pausa, comi uma bifana num “snack bar” e depois provei um pastel. Concordo com os árbitros mas comi mais um para ter a certeza. Também tomei um cafezinho. Os três custaram menos do que um café e mais nada em Londres. Apesar do prémio, o café tinha poucos clientes. Acho que os influenciadores não ouviram falar do concurso. Ainda bem. Dei uma espreitadela a uma livraria na mesma rua mas estava encerrada. Falei com um português que também queria entrar na loja. Vivia em Somerset durante algum tempo. Acabei por desistir antes dele.

O último destino** foi o jardim do museu de Lisboa onde decorria o Festival Iminente. Estava um ambiente incrível apesar de ser mais pequeno do que pensava. Havia centenas de pessoas numa zona limitada com dois palcos. Assisti a alguns mini-concertos. Gostei acima de tudo da Suzana, a mulher nesta foto

Quanto aos grupos de homens, gostei menos. Pareciam-me mais estereotipicos, como rappers americanos com muito orgulho mas pouca imaginação (mas nota-se bem que esta é apenas a minha impressão). Disseram “façam barulho” muito. Já faziam barulho o suficiente, obrigado.

Mas gostei de percorrer o evento e ver a felicidade dos participantes. Bebi um “Maracujão” (sumo de maracujá+Licor Beirão) e assisti ao breakdancing, comprei um livro (que surpresa) da artista Tamara Alves e vi as esculturas de Robert Panda. Saí após uma hora e meia. Gostei muito, mas o fumo dos charros alheios era tanto tanto que não suportei mais.
E aqui estou eu, pronto para dormir, a ouvir as buzinas dos carros na rua
*Destino can be destiny or what we think of as a destination. Destinação exists too and apparently can mean the same as destino in some circs, but only as a secondary meaning and it doesn’t sound right. It’s main meaning is the act of setting a destination.
A Sexta feira foi mais um dia cheio de actividades. Tinha chovido durante a noite portanto levei um casaco impermeável e pus-me a percorrer as livrarias todas desta cidade. Consegui comprar todos os livros na minha lista e mais algumas coisas. Enfim, há tantos livros que duvido que o avião consiga levantar voo.

Além de comprar livros, tomei um chá de hortelã no café no topo da loja Pollux (recomendado por uma amiga!) que não me desiludiu.

Depois, fui de elétrico visitar o museu do Fado mas, sendo eu um rebelde virei à direita no top da escada, em vez de à esquerda e vi a história na ordem inversa. Já sabia muita coisa mas nem sequer 1% da história aqui apresentada.

A caminho do museu para mais uma livraria, havia mais chuva. Abriguei-me numa loja turística e enchi os bolsos com lixo demasiado caro.
A última livraria do dia foi a Bertrand no Chiado que, se não me engano, é a mais antigo do mundo. Não tinha planeado visitá-la mas por acaso fica perto do restaurante no qual queria jantar. Havia uma influenciadora perto da caixa que estava a tentar persuadir o empregado a dar-lhe o seu crachá como lembrete. Coitado. Provavelmente tem a mesma conversa 17 vezes por dia. Eu assegurou-lhe que não queria qualquer parte da sua roupa, e falámos um pouco sobre o livro que vim buscar. Recusei a oferta do carimbo da loja no livro, e saí da loja. Havia mais uma influenciadora à porta da livraria a tirar uma* selfie. Desviei-me para evitar o ângulo da câmara, pus o meu pé num buraco e caí no chão.
Baralhado, cheguei ao restaurante. É uma casa de fados chamado Adega Machado. Escolhi-o porque é o lugar onde foi gravado este vídeo incrível. Estava cheio de turistas, claro. Apesar de ser uma sala velha onde Amália cantava antigamente, tudo muda neste mundo caído. Fazem o seu dinheiro a vender uma experiência a quem paga, e como turista, não tive a mínima esperança de encontrar uma “autêntica” (ou seja livre de turistas) casa de fados, porque o mundo não é assim. Penso muito sobre a cultura “pura” no contexto da imigração e do turismo. É um assunto interessante. Talvez seja um tópico de uma série de 30 blogues no futuro.

Custou os olhos da cara. Não me importa.
*feminine presumably because fotografia is.
O vendedor de bilhetes perguntou-me se eu era português, porque os portugueses não pagam para entrar. Quando respondi que não ele disse que estava surpreendido porque falo um português perfeito. Esta foto da minha cara foi tirada pela câmara de vigilância.

… And later when I read the email telling me how many mistakes I have made in this short blog post…

Tendo feito check-in, fui a pé para a* Lx Factory que estava muito movimentada, cheia de pessoas em busca de lugares para tirar selfies.

A LX Factory é umaa zona muito fixe de Alcântara, com restaurantes e cafés e lojas, mas o rei de todos é a Livraria Ler Devagar. Está livraria nasceu em 1999 numa fábrica no Bairro Alto, mas mudou para um prédio que antigamente era uma fábrica de jornais com uma enorme impressora que ainda está lá na loja. A sala tem tecto muito alto e como resultado as prateleira de livros são inacessíveis. O chão também é inclinado, que impossibilita o uso das escadas móveis em determinados lugares. E tudo isto não soa promissor, pois não? Como é que uma livraria permanece aberta num espaço feito para produção industrial? Sabe-se lá, mas apesar destas desvantagens todas, a Ler Devagar não deixa de ser uma das livrarias mais encantadoras que já visitei.

Deparámos com a loja durante a nossa primeira estadia em Lisboa, por acaso, há 8 anos, no ano de lamentação**, 2016. Estávamos hospedados num AirB&B perto da Lx Factory. Mas naquela altura não estava capaz de ler livros portugueses portanto não apreciei a sua glória.
Mas voltemos para o presente: comprei uma meia dúzia de livrinhos.
Depois, caminhei de Alcântara para o Parque Mayer para assistir a uma peça no Teatro de Variedades. Este teatro abriu em 1926 mas um declínio de lucros nos anos 90 levou ao seu encerramento. E permaneceu encerrado durante 30 anos até o dia 5 deste mês – ou seja, 6 dias atrás. Imagina! 30 anos de silêncio mas reabriram o Teatro na mesma semana na qual estou aqui! Dado isto, achava que o Teatro estaria cheio de fãs de teatro entusiasmados por participar na reabertura desta sala histórica mas lamento que não estava. Quase uma metade dos bancos estavam vazios, o que é pena porque o espectáculo é muito divertido.
A peça, “Entraria Nesta Sala” é uma homenagem ao cinema do passado. Os 4 protagonistas são (tanto quanto sei) personagens do filme “Canção de Lisboa” – Vasco Leitão (Vasco Santos), Alice (Beatriz Costa), Alfaiate Caetano (António Silva) e… Hum… A Tia do Vasco (Teresa Gomes)? Mas os quatro vivem no Costa do Castelo (mais um filme de António Silva) e reconheci pelo menos duas referências ao argumento do “Pátio das Cantigas” (que incluiu Vasco Santana é António Silva no seu elenco) , principalmente um monólogo, recitado pelo elenco em uníssono, com um candeeiro da rua.
Houve elementos do absurdo (por exemplo, falam com a nossa senhora do Costa do Castelo, mas ela fala espanhol e parece não saber que não se fala espanhol em Portugal. Ri-me.) e até da ficção científica (viajam numa máquina de teletransporte para assassinar Hitler e levar a cabo o quinto império).
Não fiquei desencorajado pela falta de entendimento. Aproveitei o que consegui entender, mas havia canções e piadas e tanta atividade frenética que não era possível ficar aborrecido.
Depois, fui a pé para uma casa de fado mas não havia disponibilidade. Havia mais uma casa de fados por perto mas neste caso havia disponibilidade a mais: a fadista cantava numa sala deserta com vinte-e-tal mesas vazias. Um restaurante sem clientes é uma cena triste, mas há-de haver uma razão pela falta clientes. Não entrei. Cambaleei para o hotel até encontrar um restaurante acolhedor onde quatro músicos tocavam jazz. Jantei bem e voltei para o hotel.
*feminine, presumably because fábrica (factory) is feminine.
**I still remember feeling slightly sheepish about the whole Brexit thing. And Trump hadn’t even been elected yet so we didn’t even know the half of it. Fuck. 2015 seems like a hundred years ago now.
Pode-se fazer check-in a qualquer hora mas não se pode sair.
Passei a noite no Hotel Inglaterra no Estoril. O preço é igual a um Premier Inn em Londres mas é o hotel mais luxuoso onde estou hóspede. Havia queijo brie, favo de mel e vinho espumante na sala de pequeno almoço. Fiquei espantado.
Após a aula semanal de português, (a aprendizagem nunca dorme!), mudei de cidade para Lisboa onde estou hóspede num hotel menos pretensioso (ou pelo menos pretensioso de outra maneira!) Cheguei cedo e não consegui fazer check-in. Não querendo caçar gambozinos, fui em busca de uma lavandaria para lavar e secar os calções suados e as meias sujas. Há muito tempo que não entrava numa lavandaria pública. Não é preciso levar detergente em pó hoje em dia. É tudo automático!
Falei com várias pessoas mas o empregado do restaurante onde tomei o pequeno almoço no fim era britânico. Quando voltou à mesa, falou com um sotaque fortamente inglês. Parabenizei-o por falar tão bem. Nem sequer percebi que não era português quando encomendei a comida.
Procurei informação num ginásio. Há aulas de ioga, pilates, spin e mais mas há tantas estrangeiras neste bairro que decorrem todas em inglês.
Depois, voltei à lavandaria para levar as roupas limpas. Estou a escrever isto durante os últimos minutos de secagem. Há cá um tipo a queixar-se que não se pode fumar aqui dentro e ele deseja “um cigarrinho”. Pá, a porta está mesmo aí!
Em breve, volto ao hotel para deixar a bagagem e depois começa a caça aos livros em segunda mão!