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Madeirense

My Missus keeps sending me homework this week so let’s have a look, shall we?

Ei seems like the most confusing part of this, but it’s just the madeira pronunciation of “as”

Beiças =lips.

Obviously “vermelhe” and “ouvides” are representations of the accent, with the o suppressed.

Bilhardeira = bisbilhoteira = gossipy lady

Zunir =buzz, but I guess they use it to describe gossip spreading

So: I put red lipstick on and and that busybody went and told my granny.

Numa carreira =in a big rush, charging about

Baldear = cair (it has lots of meanings but that seems to be the relevant one)

Arcas = costas (specifically the lower back, I think?)

Tratuário = passeio

So: I was in a big rush and I fell and bumped my lower back on the pavement.

I’ve added the site to my Instagram feed so I can get a bit of extra vocab in my life. I enjoyed finding out that vaginha doesn’t mean what it looks like. That’ll be useful next time I’m in a restaurant.

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Menina e Moça

Menina e Moça de Bernardino Ribeiro

No livro que estou a ler, há um conto sobre um chimpanzé chamado Golo. Este primata* gosta de brincar com uma máquina de escrever automática. Um dia, Golo martela nas teclas durante algum tempo com os seus dedos grossos e além de números, letras e símbolos aleatórios, produz a seguinte frase: “Menina e moça, me levaram de casa de meu pae para muito longe”.

Para mim,”Menina e Moça” não é mais nada do que um fado de Carlos do Carmo, mas é evidente que o protagonista conhece a frase e que não tem nada a ver com o cotovelo no castelo. Ao longo dos dias, mais parágrafos aparecem da mesma novela. Fiz uma pesquisa e descobri que “Menina é Moça**” é um romance pastoral escrito por Bernardo Ribeiro em meados do século XVI. É considerado o primeiro livro do seu género na península ibérica e foi editado  quando um tal Miguel de Cervantes ainda estava a usar uma fralda***.

*As personagens humanas dizem “macaco”, pois não existe uma tradução equivalente da nossa “ape” mas acho que primata é melhor.

**The text wiki uses is different from what Golo comes up with. I don’t know if there’s any significance to that or if there are just different manuscript versions with slight differences in wording.

***OK, OK, he was about 7 I think, but these geniuses are often late developers, I hear.

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Carolina Deslandes

Uau! Que espectáculo incrível! As minhas expectativas do concerto de Carolina Deslandes eram baixas; gosto de algumas canções dela, mas regra geral, aquele estilo de música não é o meu preferido. Mas ainda que não me sentisse otimista, a realidade do concerto esmagou-me. Ela cantou todas as canções de que mais gosto, e além disso muitas canções boas de outros (Rui Veloso, Sérgio Godinho, António Zambujo e Amy Winehouse) e criou um ambiente animado e feliz naquele espaço íntimo.

Entre as canções, ela falou e brincou com o público. Entendi quase tudo, mas tive de perguntar à Catarina sobre umas coisas que me passaram ao lado. Por exemplo, para ilustrar quantas tugas há nesta cidade, ela contou uma história sobre uma peça de teatro que ela foi assistir com uma amiga quando morava cá em Londres. A amiga comia alguma coisa e uma funcionária do teatro disse que “you can’t eat tha’ ‘ere”. Quando a funcionária virou as costas, a amiga disse (em português) “que estúpida” e a funcionária voltou a virar-se, com um gesto muito português e disse (também em português) “estúpida és tu”, que deixou a amiga da Carolina baralhada porque não sabia que as suas palavras seriam compreendidas. 

Entendi isto tudo, mas no final da anedota a amiga sacou uma sandes, embrulhada em alumínio, porque “Tuga que é tuga ________”

Ao que parece, as palavras que perdi foram “leva merenda”.

Antes do espectáculo principal uma artista portuguesa chamada Raquel Martins, que mora em Londres já há 7 anos tocou umas músicas. Levou uma convidada ao palco e aqui tenho mais uma confissão: achei que ela disse que a convidada era a sua irmã, mas que disse irmã num sotaque invulgar. Mas errei. O convite foi a cantora Irma!

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Life in El

Estou a caminho do concerto de Carolina Deslandes mas a minha esposa estragou tudo ao fazer uma reserva num restaurante espanhol. Olha! “Pan”, “Queso”, “Beringena”. Falam um português pior do que os brasileiros! Estou a perder fluência com cada minuto que passa.

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O Cultivo de Flores de Plástico

A primeira vez que disse “O meu autor português favorito é…” conclui a frase com “Afonso Cruz”. Gostei imenso do seu “Os Livros que Devoraram o Meu Pai” e “Para Onde Vão os Guarda-Chuvas” foi o meu primeiro calhamaço português. Mas hoje em dia acho os seus livros um pouco irritantes. Este é quase uma paródia do “À Espera de Godot” e dei comigo a bater com os dedos na mesa de impaciência.

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Obnubilar

… Just means to darken. Of course it isn’t that unusual that I come across a word I don’t recognise but this one jumped out at me because it doesn’t really look like a portuguese word at all. The origin is Latin, apparently: obnubilare – and it’s related to nuvens – and were imagining the thing being obscured by clouds.

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Estou De Volta

Ai que dia desgastante! Olhem, vou contar uma história mas têm de me prometer não a contar à minha esposa porque ela irá gozar comigo.

Acordei cedo, tomei o desjejum e chamei um táxi. Infelizmente, quando cheguei no aeroporto, enfiei a mão no bolso em busca do meu telemóvel mas não estava lá. Deixei-o no táxi. Entrei em pânico porque ninguém consegue sobreviver sem telemóvel em 2024. Após cinco minutos de não saber o que fazer abordei um grupo de agentes de PSP e expliquei a situação. Ligaram para o telemóvel. O taxista ouviu-o e atendeu e em breve voltou ao aeroporto com o meu dispositivo. Dei-lhe uma gorjeta generosa pelo seu transtorno.

Regra geral, sou um passageiro nervoso mas depois de quase perder o telemóvel, a possibilidade de cair do céu e morrer numa bola de fogo parecia-me menos ameaçador, e o resto da viagem passou-se sem incidentes.