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The Human Voice – Pedro Almodóvar

Por mais incrível que seja, existe um outro país na península Ibérica, cujo nome é Espanta ou Espanhel ou algo do género. E lá nasceu o realizador Pedro Almodóvar que criou filmes como “Mulheres à Beira de um Ataque de Nervos” e “Tudo Sobre a Minha Mãe”. Mais recentemente, durante a pandemia, realizou uma curta-metragem de 30 minutos, chamada “A Voz Humana”. A atriz inglesa Tilda Swinton estreia nela. Mas porque é que estou aqui a falar sobre filmes castelhanos? Por causa do meu curso. O filme (em comum com “Mulheres à Beira de um Ataque de Nervos”) é baseado numa peça de teatro francês, “La Voix Humaine” de Jean Cocteau, mas (ao contrário do MABDUADN) é maia parecido com o espírito da obra pela qual Cocteau foi inspirado: As Cartas Portuguesas.

O filme é muito diferente em termos temporais (tendo lugar nos dias que correm), e de comunicação (Mariana escreveu cartas, mas a Tilda fala ao amante através de um iphone com auscultadores, mas as emoções turbulentas das duas mulheres têm formas semelhantes: o desespero, a saudade, a súplica, mas no filme, a protagonista compra um machado para atacar o fato do ex-namorado e depois deita fogo ao apartamento antes de sair do prédio, do filme e da situação inteira.

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As Cartas Portuguesas

Já falei várias vezes sobre as novas cartas portuguesas, os textos que foram censurados pelo novo estado por causa dos deus conteúdos feministas. Ainda não li mas a minha esposa tem-nos em casa.

Mas a presença daquele palavra “Novas” é uma pista de que existem outras cartas, mais velhas. E existem mesmo. As Cartas Portuguesas, também conhecidas por “Cartas de Amor de uma Freira Portuguesa” (disponível online aqui e em livrarias também!) Apareceram na França em 1669, e foram atribuídas à Sóror* Mariana Alcoforado, uma freira que era ainda viva mas apesar de ser capaz de confirmar ou negar a autoria, existem muita polemico em turno da autenticidade. Foram inventadas? Alteradas? Genuínas?

Por PS. – Cartas de amor ao cavaleiro de Chamilly, Domínio público

Mariana nasceu em 1640 e foi obrigado entrar num convento como freira com onze anos apesar de não ter nenhuma inclinação religiosa. Que horror. Pois, naquela altura o país era em plena guerra de restauração contra os espanhóis, e lá seria salva, mas ainda assim, acho que não é um lar apropriado a uma rapariga daquela idade. EM 1660, com vinte anos, o seu olhar cruzou-se com o de Noel Bouton, um jovem oficial francês e os dois apaixonaram-se. Logo o amor foi descoberto. Havia um escândalo, e o francês voltou para França, temendo o poder da família dela. No seu desespero, cheia de saudades, a jovem Mariana, segundo a lenda, escreveu cinco cartas de amor que formam o conteúdo do panfleto. Segundo a Wikipedia as cartas, “contam uma história sempre igual: esperança no início, seguida de incerteza e, por fim, a convicção do abandono.”

As cartas acabaram num livro e ainda por cima em francês. Que vergonha. Não se sabe como as cartas se encontram nas mãos da editora, nem se são genuínas. Foram publicados em francês, mas há quem creiam que existem vestígios de sintaxe português na estrutura do texto. Ainda assim, existem muitas dúvidas. Os escritores Camilo Castelo Branco e Alexandre Herculano por exemplo, negaram a autoria da Mariana, dois séculos depois!

Após a publicação, as cartas foram tão comovente que influenciaram a cena literária durante muito tempo, e pôs em andamento uma indústria de escritores de cartas fabricadas – assim dito respostas de Bouton, outras cartas de outras freiras…

*Sóror isn’t part of the name of course, it’s an ‘apelido’ given too nuns.

Esta música faz parte da peça de teatro brasileira, “Cartas Portuguesas, baseada na vida de Mariana Alcoforado
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Wow!

I wrote an essay just before christmas and I said at the time that I thought maybe I had made a bad choice of book as the subject matter and maybe she would mark me down. But no! I scored 3.5 out of 4.0 and she said it was an “ótima análise”.

I had a couple of typos, despite 3 separate automatic checks and one actual bona fide portuguesa proofreading it for me. She had objected to my use of the word “desempacotar” to mean “unpack” in the way that annoying podcasters use that term, but I left it in, and the teacher redlined it too. Whoops!

There were a couple of other points where she disagreed with some of my assertions, some of them fair, some of them frustrating: I don’t really see how I am meant to justify every peripheral observation when the word count is so tiny! I’ll not go into detail here, but in general, I am quite pleased with how well I pulled this off!

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Desbraguilhar

I’m planning to do a video about how to transfer your reading records from Goodreads to Storygraph and one of the things I needed to know was how to describe the process of unzipping a zip file to extract the contents. My first thought was “desbraguilhar”, which made me chuckle a bit because that’s obviously not right. Braguilha is a very specific zip, so if desbraguilhar existed it would mean undoing your fly, and that’s probably not right. I asked around and the options seem to be:

  • Extrair (official Windows translation)
  • Descompactar (Most common suggestion)
  • Descomprimir (Had a few adherents)
  • Deszipar (Only one suggestion, in green felt-tip)

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Lovely Espam, Wonderful Espam!

Olhem, que palavra esquisito! “Espampanante”. Não parece uma palavra portuguesa, pois não?

Segundo o dicionário Priberam

adjectivo de dois géneros

1. Que chama muito a atenção; que dá muito nas vistas. = ESPALHAFATOSO, ESPAVENTOSO, VISTOSO

2. Que sobressai por ser considerado muito peculiar ou fora do normal. = EXCÊNTRICO, EXTRAVAGANTE

Origem: *Espampane, aportuguesamento de Spampani, nome de companhia equestre e acrobática que se apresentou em Lisboa no final do século XIX + -ante.

“espampanante”, in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2026, https://dicionario.priberam.org/espampanante.

Incrível! O livro é “Uma Aventura na Madeira”. Adoro quando escritores de livros infantis e juvenis usam palavras fora do normal. É mil vezes melhor do que fazer tudo fácil, sem desafio, sem abrir os olhos do leitor.

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Uma Aventura na Madeira de Ana Maria Magalhães e Isabel Alçada – Opinião

 Comecei este livro no outono de 2024 e fiz uma pausa durante mais de um ano antes de terminar. É incrível! Como sempre, grande parte da ação tem lugar em sítios verdadeiros e as autoras explicam algumas coisas sobre os factos da zona onde os jovens estão. Mas este livro é mais divertido do que os outros que já li na série. Ri em voz alta. não me admira que os livros tenham tantos fãs. 

If you click the link above, it’ll take you to Wook, but if you don’t want to pay postage, you can get it cheaper on Kobo and read it on your phone or tablet device for a lot less. I read this on a phone and it’s pretty easy to do. Takes a few hours and it’s a solid school-age read. -> Here’s Uma Aventura Na Madeira and the whole series.

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Aqui Dentro Faz Muito Barulho de Bruno Nogueira – Opinião.

Aqui Dentre Faz Muito Barulho é um livro desses que fazem um ninho na mesa de cabeceira durante umas semanas porque o formato (pequenos textos de 2-3 páginas) é perfeito para quem precisa de ler alguma coisinha antes de dormir. Não exige muito do leitor, não nos deixa perturbados, e se não nos lembrarmos o que limos no dia anterior, não importa, porque a leitura de hoje tem um novo assunto. Já li vários livros do mesmo género, escritos por Miguel Esteves Cardoso e Ricardo Araújo Pereira. Este não me fez soltar tantas gargalhadas como previsto. Achei-o inesperadamente pensativo.

Aqui Dentro Faz Muito Barulho

Levei-o comigo à Madeira em Novembro e terminei-o nos últimos dias de Dezembro. 

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It’s a Shame About Rei

Acho que já falei do meu espanto ao ver, pela primeira vez, a expressão “El-Rei” para designar o rei de Portugal. Recentemente fiz uma pergunta no reddit para esclarecer uma dúvida mais específica.

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Acabo de ler uma peça de propaganda fascista (!) A História da Grande Batalha de Aljubarrota, publicado pelo Estado Novo em 1939. Claro que é muito patriótico, e este sentimento manifesta-se principalmente contra os castelhanos que ousam pisar a terra portuguesa. É interessante ver as diferenças entre as versões da lenda, mas neste caso o que mais me chamou a atenção é que a escritora refere à figura de Dom João I como “El-Rei”. Ora, já sabia que El-Rei é muito usado em contextos monárquicos, mas neste caso específico… O motivo da batalha é negar a pretensão, por parte da monarquia espanhola, de absorver Portugal no seu território. Então porque é que usam um termo tão obviamente emprestado da língua espanhola, e que contém um pronome espanhol, para designar o monarca do país que quer afastar-se da Espanha?

Não duvido que haverá uma explicação que terá a ver com a cultura ou com a etimologia da palavra mas não estou a ver. Pode alguém explicar sff?

Recebi uma explicação que falava da etimologia da palavra no século XIV. Eu voltei à carga porque todas as palavras no dicionário mudaram a etimologia desde então tirando esta. Já suspeitava que este assunto poderia chatear a gente mas a minha curiosidade é irreprimível…

Hm… Sim, mas o livro foi escrito em 1939 e a maioria das palavras tinham mudado a sua ortografia entre o século XIV e o século XX. Creligo já é clérigo*, mas El rei não é O rei. O propósito da série da qual fez parte era fomentar o patriotismo por parte dos cidadãos. Surpreende-me que, sobretudo neste contexto muito específico, a autora manteve a tradição de “rei” ser a única palavra que leva o artigo El.

Enfim, alguém recomendou este vídeo no Youtube, gravado por Marco Neves que sabe algumas coisas sobre a língua portuguesa,

Na verdade, acho o “fóssil” surpreendente, mas não deve espantar ninguém porque… olha a minha língua. Nós ingleses lutam contra os franceses mais do que qualquer outra nação, mas a nossa monarquia é “the royal family”. Royal é enraizado na francês normanda “roial”. Apesar de sermos enlouquecidos pelo brexit, temos uns vestígios linguísticos continentais no nosso dicionário também.

*This is a reference to something somebody said about Clérigo having once been spelled Creligo which, it was implied, was closer to another language but I have tried to find out more and I can’t so I wonder if it was a typo….

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História da Grande Batalha de Aljubarrota – Virgínia de Castro e Almeida

Este livro ficou para ler após a unidade curricular sobre a padeira de Aljubarrota, e já acabo de ler. É interessante por várias razões. A ortografia é muito diferente do que a de hoje (veja por exemplo o texto de ontem!) mas também vemos como a história é contada, realçando os aspectos que o contador quer reforçar na mente do leitor. Especificamente, nesta versão El-Rei Dom João I e o seu Condestável, Nuno Álvares Pereira vão visitar a padeira antes da batalha e ela fala muito da sua raiva contra os espanhóis que ousam pisar o chão bendito da sua terra, e declara a sua lealdade ao trono português. Evidentemente a ditadura queria educar os seus cidadãos nesta espécie dE patriotismo (apesar de Portugal já ser República!) Também omite o pormenor mais assustador da história: quando a padeira cozinha os espanhóis no forno com o pão de chouriço. Não me admira que não quisessem criar uma geração de filhos com imagens mentais tão horripilantes!

Ora bem, eu conheço os prejuízos do governo que lançou este livro, mas convém lembrar que todos os autores têm os seus próprios prejuízos, embora não sejam tão óbvios. É fácil imaginar uma versão deste história que enfatizar o papel da padeira como mulher independente e feminista, ou como representante do poder da classe operária, ou como empreendedora que queria defender o seu negócio contra uns criminosos, o seja ou que for. Sem perceber, absorvemos essas mensagens ao longo dos anos. Não é bom, não é mau, mas convém lembrar de vez em quando…

(if you’re interested in reading this book… Well, you can buy it, but it’s super-small and I have a copy that I downloaded and printed off the Internet. I can’t find the link, but it’s out there somewhere, so have a Google, you might save yourself a few quid)

I’m on The Storygraph now so of course when I review it there I had to add trigger warnings…
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(A)pesar

Reading actual fascist propaganda (well, the story of the Battle of Aljubarrota and a certain padeira of that parish, which was published by the ministry of propaganda in 1939) and of course it uses a lot of pre-acordo spellings. I was struck by the way they write “apesar de” as “A-pesar-de”. I suppose I could have guessed the etymology of the word “apesar” but it would never have occurred to me to think it was such a recent development that it was written with a hyphen within living memory!