Fica a dica

Fica a dica

Este livro reúne seis contos que têm elementos de humor e do realismo mágico. São divertidos e cheios de surpresas. Já falei da história sobre o chimpanzé que digitou o “Menina e Moça”. São todos iguais. Loucuras e mais loucuras.
O último conto custou-me ler porque tem lugar no passado e com resultado é sobrelotado com palavras desconhecidas. Por exemplo, olha esta jóia:

Desconheço…
E não tinha toda a certeza sobre
Nem sequer me lembro de há quanto tempo li uma frase com 5 palavras desconhecidas e 2 pouco-conhecidas. Sinto-me como um noviço.
Também quase gritei quando vi esta gramática.

Já agora, eu sabia, teoricamente, que a contração de “nos” e “(l)o” existia, mas nunca me tinha deparado antes com tal coisa. Ainda por cima, o substantivo ao qual se refere o “lo” é o “castigo”** mas há nada mais nada menos do que três substantivos femininos intervenientes. Que fonte de confusão! Perdi sono por causa desta frase, malta.
*it’s hard to even define this one without resorting to other hard words. It’s a doorstep though, mmmkay?
**In case anyone is reading this who is not a fan of pronoun ju-jitsu and can’t follow my explanation, the bottom line is that no-lo means “it to us” so it goes”…know how to accept the punishment […] to accept submissively the imposition of whoever gives IT TO US”. Oof.
Sou tão estúpido. Estou a investigar uma lista de provérbios e expressões. Um deles é “boda molhada, boda abençoada” e na minha tolice, antes de fazer a pesquisa, confundi “boda” com “bode” e imaginei um cabrão a refugiar-se numa igreja para evitar um aguaceiro, e que talvez isso fosse um comentário sobre os motivos das pessoas que vão à igreja ou algo de género. Mas não é (como provavelmente já adivinhaste). A expressão quer dizer que chuva no dia de casamento é um sinal de boa sorte.

Mais uma atualização sobre o meu progresso.
Já terminei o Português em Foco (yasss!!! Fico tão feliz!). Vou continuar com os exercisio da gramática mas quanto aos conteúdos do livro, não tenho de criar mais documentos no GDrive, nunca mais. Estou livre! Hoje é o meu dia 25 de Abril.
Ouvi mais áudios portugueses mas menos do que nos dias passados, terminei o livro de Mário de Carvalho (a opinião segue-se amanhã) e mais uma visualização d’Os Gatos Não Têm Vertigens. Estou a gostar cada vez mais, apesar dos defeitos. O final é muito comovente.
Hoje de manhã fiz mais uma aula. Esqueci-me de trazer o meu cartão de Bingo, e como resultado esqueci-me de abrir o jogo com “Bem disposto?”. Ainda por cima, não tive oportunidade de encerrar a conversa com “boa continuação”. Porquê? Eh pá, foi mesmo chato: terminámos cedo porque Ian Internet desapontou-nos. Mas há males que vêm para o bem: logo depois, tive uma conversa com a Catarina em português (um acontecimento raríssimo!). Caso queiras saber, ela estava bem disposta (mas cansada).
A minha palavra nova do dia é “vadio”, que é tipo “preguiçoso” mas mais enfatica – em inglês diríamos “layabout”. Usou-a para descrever determinados colegas dela que não fazem nada, mas fingem estar gastos por estar tão, mas mesmo tão atarefados durante o turno inteiro.
Eis o cartão de Bingo.

Marquei um miserável 8/16. Buuu. São palavras/expressões comuns de que me esqueço sempre porque fico preso num trilho de palavras aborrecidas. Digo “OK” em vez de “tá bem” ou “certo” que não é errado mas é preguiçoso. Igualmente “se não” em vez de “caso contrário”, “pegar em” em vez de “segurar”, Sim, sim, sim, em vez de pois, pois, pois é, e assim por diante.

Marco Paulo já faleceu. Era lendário (ou até legendário?) como herói da pop tuga nos anos oitenta. A Catarina lembra-se bem dele (foi ela que me informou) e a Olivia também adora uma música dele, que forneceu um assunto de um texto do ano passado. Não é nada fácil explicar a nostalgia que sentimos pelas canções da nossa juventude: a canção deixa-me boquiaberto, mas não cresci naquele lugar naquela altura, por isso entendo as saudades de quem sente a sua falta, ainda que não sinta a mesma emoção.
Este conto faz parte de uma série, editada na primavera deste ano, de livros com nomes de cidades*. Que eu saiba, não são histórias originais: não tenho certeza, mas eu sei que Rita Ferro escreveu um livro chamado “Brevíssimo Dicionário dos Snobes: Lisboa, Cascais e Mais“. Suponho que este livro é um extrato daquela obra maior, em edição capa dura, com fotos bonitas uma tradução inglesa alternando com a versão original. Ou seja, é uma isca para turistas. Vende-se nos museus, lojas de recordações e outros lugares onde os otários estrangeiros podem ser encontrados. A capa é azul com uma foto da Casa das Histórias Paula Rego no centro, o papel é suave, cheira bem e, no final das contas, este livro, como um objecto do consumerismo é altamente satisfatório.
(Aliás, o livro também se refere à história do “suicídio” de Alistair Crowley, com ajuda de Fernando Pessoa perto da Boca do Inferno, ao oeste de Cascais. Já conhecia a história porque aparece na BD Crónicas de Lisboa. Podes ler a história aqui e há um bónus: contem a expressão “voltar à carga“)

*I tried “nomeados por cidades” – likely too literal translation of “named after/for cities” but it doesn’t work.
I liked what this fella had to say about subjunctives in his recent video. It’s a subject we anglophones don’t really use much, but most latin languages make a much bigger deal of it. I have read a few french books and it definitely doesn’t get as much of an airing in that language as it does in portuguese, but I think the principles and the rationale behind it carries across between languages, so the points he makes here about french, spanish and italian still hold, I think. I won’t try and summarise them – if you’re reading this and you struggling to put some junc in your trunc, have a look for yourself.
Nos últimos dias, completei o puzzle, ouvindo mais áudio português, incluindo alguns episódios do Assim e Assado com Marco Neves e Sam the Kid. É uma série ótima!
Terminei um livrinho e estou quase a chegar ao fim da coleção de contos que estava a ler em Lisboa.
Tenho 6 exercícios do PEF no saco.
Finalmente, criei um cartão de Bingo com várias palavras para usar na próxima aula. Acho que sou capaz de terminar o PEF amanhã, e depois passo para o primeiro modelo.

Cuidado Com o Cão é o segundo livro de Rodrigo Guedes de Carvalho que já li e gostei mais do que o primeiro (mas li o primeiro há três anos e tal, e custou-me ouvir um audiolivro inteiro naquela altura!)
O romance conta as histórias de várias pessoas cujos destinos parecem estar interligados, e de quatro cães, que igualmente podem ser o mesmo cão(!)
Comecei o livro há meses mas deixei de ouvir porque não tinha tempo. Voltei ao início em Outubro e retomei a história durante a minha estadia em Portugal. Fez-me companhia durante as horas a caminho entre vários lugares interessantes. O narrador é excelente e gostei dos pensamentos das personagens mas também adorei as divagações sobre as suas obsessões musicais. Explica-se bem os laços que nos ligam aos cantores que nos chamam a atenção.
Recomendo este livro para quem quiser experimentar um audiolivro português que seja mais adulto do que, por exemplo, O Principezinho, mas que não quer sofrer com um narrador que não fala nitidamente. Está tão bem lido que um ouvinte de nível B2 ou mais consegue entender.

Sigh.