Enganei-me numa legenda no Instagram mas saquei uma resposta esperta para salvar a situação. Infelizmente… Fiz mais um erro ao corrigir o primeiro erro.
A foto original foi esta, sobre a experiência de ser subscritor de um canal que está a fazer um esforço para ganhar novos clientes. Gosto muito dos vídeos desta professora e espero que ela não fique ofendida; simplesmente achei engraçado que havia tantas novidades!
Há uma cena no meu livro preferido, o “Matadouro Cinco” de Kurt Vonnegut, na qual Billy Pilgrim e os outros soldados americanos recebem uma refeição grande num campo de prisioneiros após muito tempo sem comida e, como resultado, ficam muito doentes com diarreia violenta. O protagonista ouve um soldado (que nós leitores vimos saber é o proprio Vonnegut, o autor do livro), na casa de banho a gritar “caguei tudo excepto o meu ceeerrreeebbbrroooo”. Logo depois a mesma voz grita “láááá se vaaaiiii”
Eu estou igualzinho, mas espirrando em vez de defecando. Deixei a minha “matéria cinzenta” num lenço. Maldito vírus!
I’m still ill and missing David Fonseca as we speak. I woke up early feeling rubbish and was assailed by the definition of this word which was the answer to one of the word puzzles I do every day.
“que ou cavalo”? O meu primeiro pensamento foi que “que” se parece a um substantivo nesta frase. Ou seja existe um animal chamado “que”, e um alazão pode ser a cor dum cavalo ou a cor dum que. Uau… Mudei da página para a definição de que mas (como já adivinhaste) não existe tal significado.
Devia ter-me lembrado das outras definições de palavras que funcionam tanto como substantivos como adjectivos, como por exemplo “segundo”
“Que ou o que” indica que a palavra significa “que está logo depois do primeiro” quando for um adjectivo numa frase, e “o que está logo depois do primeiro” na sua forma substantiva.
Preguiçoso é mais especifica porque apenas os seres humanos pode ser preguiçosos*, dai “que ou quem”
Mas um alazão não é uma pessoa cor de canela, nem uma cadeira cor de canela mas sim um cavalo daquela cor, portanto “que ou o que” não tem de mudar para “que ou cavalo”
Meu deus, não preciso de tanta confusão hoje. Deixem-me descansar, portugueses.
*então os lexicógrafos nunca antes encontraram um gato?
Acho que estou doente. Isto começou ontem, enquanto limpava e arrumava tudo atrás da televisão. O meu esforço furioso suscitou uma nuvem sufocante de pó que irritou as minhas narinhas e garganta. Mas hoje estou ainda constipado*, a tossir e a espirrar, apesar de ter tomado duche e dado um passeio no ar fresco. Acho que apanhei um virus. Um resfrio? O bicho que todos nós conhecemos em 2020? Espero que não seja o segundo porque tenho bilhetes para dois espectáculos no Domingo e na Segunda feira e estarei muito desiludido se tiver de perder os concertos de David Fonseca e Hugo Sousa.
One of the first things we learn in Portuguese classes is the difference between the various ways of addressing another person; that there are different second-person pronouns for strangers vs friends: Você, Tu, or you can just flip it to third person with something like “O Senhor”. But we tend to get the impression that it’s just a linguistic rule with no further importance, as if it were a puzzle to be solved or a code to be cracked.
But there are cultural differences that underlie these kinds of distinctions: language has a social meaning as well as a semantic one. English doesn’t really have the same hard-wired social distinction*: if we want to be snobbish or arrogant or condescending we have to resort to using tones of voice.
You can catch glimpses of this social distance in literature and films: people taking offence at being treated with too much or too little formality (as in the picture above, taken from Gente Remota) or asking permission to use different pronouns (which happens near the end of Os Gatos Não Têm Vertigens). And it makes me wonder to what extent this creates a barrier between people, or makes them think of themselves differently, as a result of this very clear social distance marker being applied to them by someone else.
There’s a new blog on Say It In Portuguese that aims to shed light on the cultural dimension of these kinds of interaction. Its Part 1 in a two part series, and I’m looking forward to the second part. If you’re looking to deepen your understanding of Portuguese culture, head on over and have a look.
Nancy Mitford. What? Why is there a picture of her here? Well, read the footnote, dummy!
*This was probably less true in the recent past. The title of this blog post alludes to a distinction made by Nancy Mitford in the 1950s between U and Non-U English. The satire boom of the sixties and seventies punctured that pomposity. But even then, it was much more common when I was young m to hear people addressing each other as Mr So-and-So as a mark of respect or formality. That’s getting increasingly rare. We’re all tus.
Writing this in a hurry. God, how am I more busy now than when I was studying for an exam and training for a marathon? Has someone broken the space time continuum?
Anyway, that’s by way of saying expect errors…
Fui com o meu irmão mais novo ao Arena O2 no leste de Londres para assistir a uma celebração da vida e da obra de Neil Innes que faleceu há cinco anos. Neil Innes era membro dos Bonzo Dog Band e escreveu várias canções para a série Monty Python’s Flying Circus nos anos sessenta. Portanto havia músicos e humoristas da sua geração (com oitenta e poucos anos) e da minha (cinquenta ou sessenta) ou ainda mais novos, por exemplo Isabella Coulston, uma menina com… Sei lá… Menos do que trinta? Bebemos cerveja e assistimos ao Sempre-mudando elenco de gigantes no palco. Michael Palin e Terry Gilliam fizeram Karaoke com as canções do Monty Python and the Holy Grail, Emo Philips contou umas anedotas surrealistas, Roger McGough leu dois poemas, Adrian Edmundson cantou, e músicos de vários países tocaram as canções do falecido. Outros famosos, como Rick Wakeman, Aimee Mann e Stephen Fry enviaram mensagens de vídeo.
No final da noite o elenco inteiro cantou a canção mais famosa do Innes, o Urban Spaceman, e a esposa dele falou sobre uma carreira que abrangiu 6 décadas.
Quando saímos da sala de concertos, estávamos rodeados por uma multidão. O nosso concerto passou-se no O2 Indigo (uma sala pequena no O2) mas, ao mesmo tempo, havia um concerto da Charlie XCX, com milhares de jovens fixes, vestidos de verde, por todo o lado. Estavam muito felizes, e a atmosfera na fila de espera na estação estava descontraída, apesar de estar sobrelotada de adolescentes a usar vapes de vários sabores nojentos.
I’ve known this song for years but I never appreciated how great it was till I heard Kevin Eldon absolutely murder it. I love him but there’s a reason that man’s an actor not a singer I tell you.
O meu irmão voltou para Preston hoje de manhã. Temos passado mais tempo juntos neste ano desde a morte do meu pai que também era fã do Innes.
Pela segunda vez neste mês, encontro-me sentado à mesa a escrever uma opinião sobre um livro mas com mais vontade de escrever sobre as circunstâncias da leitura em vez do seu teor.
Deixem-me explicar: este é um Audiolivro mas li-o na aplicação da Bertrand e a app da Bertrand é um verdadeiro monte de merda. De vez em quando, fecha-se inesperadamente e quando se reabre, a app esqueceu-se de onde ia. Isto aconteceu centenas de vezes.
Como resultado, li grande parte do livro mais do que uma vez, provavelmente saltei uns parágrafos e perdi (a) o fio à meada e (b) a minha vontade de viver.
Nada disto é culpa de Saramago, mas ainda assim, responsabilizo-o por ter escrito um livro que acabou por me causar tanta dor. Passou a ser o meu inimigo.
O livro não é típico da obra dele. Escreveu-o em 1947, e foi publicado sob o título d’A Terra do Pecado. O estilo idiossincrático de Saramago não se tinha ainda desenvolvido. O enredo, as frases e a voz autorial, todos fizeram-me lembrar dos poucos romances do século XIX que já li. Um Eça de Queirós ou um Camilo Castelo Branco.
Well, i keep saying its a real vintage year for Portuguese entertainment in London, and I’ve for tickets to see David Fonseca on the 1st of December, but the following day another comedian, Hugo Sousa is playing in Leicester Square. It’s actually at the Hippodrome Casino which I’ve never been in because it looks tacky AF, but I’ll break the habit of a lifetime for the chance to laugh at 75% of this guy’s jokes.
He has quite a lot of material on YouTube so I can tune in to his accent before I go.